Marta Suplicy ignora notificação da OAB-SP, afirma Madeca.

A prefeita licenciada Marta Suplicy (PT) não incluiu no projeto de lei orçamentário do ano que vem o total da quantia determinada pelo presidente do Tribunal de Justiça paulista, desembargador Luiz Elias Tâmbara, para pagamento dos precatórios alimentares devidos a 100 mil pensionistas, aposentados e funcionários da ativa da prefeitura. Os valores a serem pagos somam hoje R$ 1,6 bilhão.

A acusação foi feita pelo presidente do Movimento dos Advogados dos Credores Alimentares do Poder Público (Madeca), Felippo Scolari.

Segundo Scolari, Marta Suplicy ignorou notificação da OAB de São Paulo, que foi entregue à prefeita em setembro, quando o projeto orçamentário de 2005 iria ser enviado à Câmara Municipal. O documento adverte a prefeita licenciada das conseqüências legais e constitucionais que ela poderá responder.

“Em relação ao valor requisitado, pois, sua administração não cumpriu o que lhe competia. Melhor dizendo, nunca incluiu, no orçamento, aquilo que havia sido requisitado pelo Tribunal de Justiça, consignando ao seu arbítrio a previsão de pagamento, com valores totalmente diferenciados”, diz a OAB-SP na notificação.

A OAB-SP esclarece, ainda, que Marta Suplicy vem desrespeitando anualmente as requisições do presidente do Tribunal de Justiça e demonstra que este ano a prefeitura pagou apenas R$ 8 milhões de precatórios quando o valor requisitado pela Justiça foi de R$ 169.331.059,04.

Assinala, ainda, que a omissão da chefe do Executivo constituiu violação ao artigo 100 da Constituição Federal que torna obrigatória a inclusão no orçamento da verba necessária ao pagamento de débitos oriundos de sentenças transitadas em julgado, constantes de precatórios judiciais.

A violação, segundo a OAB-SP, ocorreu durante toda a administração de Marta Suplicy. O presidente da Madeca observa que os credores estão sem receber desde 1998. Marta vem também ignorando advertência do Tribunal de Contas do Município sobre o descumprimento da regra constitucional.

Fernando Porfírio

é repórter da revista Consultor Jurídico

João Roberto de Napolis disse:
26 de outubro de 2004 às 19:34

E ela quer ser reeleita....quem se atreve a aguentar mais quatro anos de arrogância, prepotência e ... calote!!!!!!!

André Almeida Garcia disse:
26 de outubro de 2004 às 19:39

É verdadeiramente lamentável constatar o absoluto descaso do Poder Executivo com relação às decisões judiciais. É necessário um Judiciário forte para acabar com esse vergonhoso desrespeito.
Para isso, temos de cobrar do Legislativo, especialmente no Congresso Nacional, a edição de normas que confiram instrumentos efetivos aos juízes - especialmente aos Presidentes dos Tribunais -, tais como o sequestro de verbas em casos de não pagamento de precatório ou não inclusão da dívida no orçamento e a decretação de inelegibilidade do governante.
Talvez, assim, consigamos superar essa situação vexatória e ultrajante.
Cobremos, com cartas, e-mails, abaixo-assinados etc. Afinal, a responsabilidade é de todos nós, que elegemos nossos representantes...

Vinicius Dardanus (dardanus.blogspot.com) disse:
27 de outubro de 2004 às 01:49

Quem manda no Brasil é o PT, é bom o judiciário ficar bem quieto, antes que seja fechado de vez.

Ou cumprir sua "função social", ou seja, lamber as botas do partido.

Marcos Alves de Souza disse:
27 de outubro de 2004 às 12:50

Na realidade, o Brasil vive poucos anos do que denominam democracia.
O autocratismo do Poder Executivo ainda é muito evidente e, realmente, os mandos e desmandos protegidos pela própria lei geram o desprezo e a descrença de todos em relação aos outros poderes.
A moda no momento é caçar prefeitos de pequenas cidades até porque não repassam o duodécimo das câmaras municipais. Quem sabe isto possa ser aplicado de forma responsável em relação a governadores e prefeitos de grandes cidades?

Francis Bragança de Souza dos Anjos disse:
27 de outubro de 2004 às 13:30

Vamos ver, na semana que vem, se continuarão a apontar, sistematicamente, o que a Prefeita deixou ou não, de fazer.

João Marcos Mayer disse:
27 de outubro de 2004 às 16:08

Há alguns anos eu pessoalmente detestava a Marta e tudo o que ela defendia.

Hoje, vejo que ela tem razão em muitas coisas, mas não em tudo. Tem razão em saber viver.
Mas se deu mal pelo conservadorismo das elites.
É uma pena que a Marta esteja no seu inferno astral. Gosto dela porque ela é um fogo só... Se eu tivesse algum poder sobrenatural mudaria o quadro: 666% para a Marta e 0% para o outro da turma do fhc. O restante fica para a turma dos hipócritas.

Marta, você mora no meu coração sempre!

Flavio Gomes disse:
27 de outubro de 2004 às 17:43

A Marta pagou 8 milhões de precatórios???? Nossa, mas só com verba de gabinete ela gastou vinte vezes mais!!!!! Ela num quer pagar precatório alimentar.... mas deixa que mesmo assim ela vai pro CEU....

Ronald E. Amodio disse:
11 de novembro de 2004 às 19:46

Isso é que é herança maldita !!! Aliás, não há maldição maior doque ser governado pelo próprio autor do termo: o PT. Gostaria de saber o que foi que nós (povo brasileiro) fizemos pra merecer isso.

Marcelo Nunes disse:
15 de dezembro de 2004 às 17:56

Ora, um diz que a Marta gastou 160 milhões em verba de gabinete. Além de "crescer" o valor, parece achar que essa verba foi gasta em cafezinhos...nem sabe que uma rubrica "verba de gabinete" engloba desde verbas contra enchentes até a verba de quase todos os programas sociais.
Daí outro pergunta o que nós (povo brasileiro) fizemos para merecer a herança maldita. Respondo: veicular esse tipo de afirmação inútil como o anterior fez e em seguida votar no PSDB, PP, PFL, que assumem dívidas impagáveis que são roladas para governos posteriores gerando precatórios mais impagáveis ainda.

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