A saída do ministro Nelson Jobim do Supremo Tribunal Federal está envolta em polêmica. Especula-se até mesmo a possibilidade de Jobim ser candidato a vice-presidente na chapa de reeleição de Lula. Não seria a primeira vez que um ministro deixaria a Corte para integrar o Executivo.
Francisco Rezek deixou o Supremo em 1990 para ser ministro das relações exteriores do governo Collor. No caso de Jobim, contudo, críticos afirmam que a saída do Supremo para a política colocaria em suspeição sua atuação como juiz.
Para o presidente da Ajuris — Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul, Carlos Rafael dos Santos Júnior, o problema não está no fato de Jobim deixar o Supremo para seguir na política.
A crítica do presidente da associação é em relação ao fato de que Jobim estaria discutindo sua carreira política e possível candidatura a um cargo eletivo enquanto ocupa a presidência do Supremo. “Não podemos aceitar que um juiz faça uso do seu cargo para preparar uma carreira política”, afirma Santos Júnior.
Segundo Andréa Pachá, presidente interina da AMB — Associação de Magistrados Brasileiros, a decisão de Jobim de deixar o Supremo é pessoal. Mas, segundo ela, o problema seria usar a posição de juiz para conseguir um cargo político.
“A magistratura defende que a função de magistrado não seja usada como trampolim para atingir um cargo político. O Judiciário deve ter sua imparcialidade muito clara”, afirma Andréa.
Ela lembra que a AMB encaminhou à Câmara dos Deputados, anteprojeto de lei que prevê a implantação da quarentena para o juiz que quiser deixar para seguir carreira política. De acordo com o anteprojeto, o juiz deveria esperar dois anos até poder se candidatar.
As críticas, contudo, não são unânimes. Jorge Maurique, presidente da Ajufe — Associação dos Juízes Federais do Brasil, afirma que a decisão de Nelson Jobim em nada compromete a sua carreira e história no STF. “A atuação das pessoas deve ser analisada pelo que elas estão fazendo e não pelo que vão fazer”, afirma Maurique. O mandato de Jobim na presidência do STF terminaria em junho do ano que vem.
Para o presidente da Ajufe, o que uma pessoa vai fazer depois de se aposentar só diz respeito a ela. “Além do mais o Supremo não é o ministro Nelson Jobim, o Supremo são 11 ministros”, diz. Jorge Maurique vê preconceito contra a magistratura nas críticas a Jobim.
Eu fico indignada com este Ministro Nelson Jobim. Infelizmente, a C não previu métodos mais punitivos para impedir que um magistrado use seu cargo de juiz para fazer política. É uma das coisas mais indecentes que já vi no Judiciário. Além do mais, com esta falta absoluta de carisma eu duvido que ele consiga algum cargo eletivo.
Jobim vem se firmando como o grande homem da república. Quem neste Brasil deixaria a certeza de um emprego de Ministro do STF,para se lançar numa aventura política? Ou é louco ou um corajoso patriota. O tempo dirá.
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