A prisão da proprietária da Daslu tomou conta do noticiário. O governo conseguiu, finalmente, sair da linha de frente dos escândalos por 24 horas. A questão é saber se o Palácio do Planalto tem condições de criar um fato por dia para se esconder das acusações de corrupção por trás desse biombo.
Policiais com metralhadoras, encapuzados, invadiram a loja e detiveram a empresária em sua residência. É importante lembrar que ela não figura como acusada em ação penal, tampouco figurava como indiciada em inquérito ou respondia a autuação fiscal. Primeiro prende, para depois investigar. Esse é o lema da polícia no governo Lula.
É lógico que a imprensa é chamada para acompanhar tudo. Não se sabe ao certo se é a Polícia Federal ou o Ministério Público quem convoca a imprensa, mas ela é fundamental para que o espetáculo tenha audiência. Fica a dúvida se o publicitário Duda Mendonça não participa do planejamento dessas megaoperações. Afinal, ele é craque em criar produtos sem consistência. É inacreditável ouvir comentários de pessoas sérias achando corretas essas violações ao direito a privacidade, ao devido processo legal, ao princípio da presunção de inocência, nas megaoperações da Polícia Federal.
Um famoso juiz já afirmou que se o próximo governo tiver que pagar indenizações por dano moral a todas as pessoas que este governo prejudica indevidamente com essas operações, não vai sobrar dinheiro pra mais nada. Mas, ao que tudo indica, os atuais mandantes do Planalto já não se preocupam com o futuro. Nem mesmo com o risco que representa delegar tanto poder à estrutura policial que, historicamente, acaba adquirindo uma autonomia perigosa.
Nessa gangorra, no primeiro momento a Polícia Federal e o Ministério Público são manipulados com as operações. O direito é jogado no lixo. Os princípios assegurados pela Carta Magna são rasgados. No momento seguinte, estribados nessa autonomia, e turbinados por poderes sem limites, essas criaturas se voltam contra o criador que, no caso, é o próprio Estado.
Essa historinha patética de que os ricos, só pelo fato de serem ricos, têm que pagar na cadeia é digna do editorial do programa do Ratinho.
Outro dia, os próceres do PT tentaram vender a idéia de que havia uma enorme "armação" das elites para derrubar o governo lulista; agora, leio que os cumprimentos de mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal fazem parte de um maquiavelíssimo plano arquitetado pelo governo com o objetivo específico de mascarar os graves fatos publicados diuturnamente pela grande imprensa. Ora, é de gargalhar!
Todos conhecemos o caráter do Dr. Márcio Thomaz Bastos e sabemos que o notável jurista jamais emprestaria o seu nome para a atividade vil que desejam atribuir ao seu ministério e ao DPF. Portanto, "vamos parar com a brincadeira". Já disse e repito: se alguma autoridade abusou de seus poderes, há leis para coibir a conduta; se a lei não presta, ao lixo com elas.
Gilberto Aparecido Américo
advogado
Meu avô, qu foi desembargador na década de 40, já dizia: "aos amigos tudo, aos inimigos a lei"!
Nós, o povo, nos tornamos inimigos do Estado quando suprimiram em 1988 da Constituição que "todo poder emana do povo e em seu nome será execido".
O Ministro da Justiça foi um brilhante advogado. Agora rasgou a constituição e todas as outras leis e tornou-se um príncipe que, segundo os principios anglo-saxões, não erra (The King can do no wrong).
Salve a Democracia! Salve a Liberdade! Abaixo a Ditadura, José Dirceu e esse bando de corruptos!
Operação Narciso...este é o nome. Aliás, os nome dados às operações da Policia Federal sao criados por quem?? Será o Duda Mendonça?? Neste espetáculo de irregularidades, iluminado por holofotes da mídia, e aclamados pelo povo desinformado, eu fico na expectativa do último episódio, quiçá com a invasão do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e da Sede Nacional do PT, e consequentemente a punição dos corruptos que escarnecem a sociedade brasileira. Será que este episódio vai ao ar?
Penso que tais abusos se devem a existência de uma excrecência jurídica chamada prisão temporária ( lei 7960/89), que permite prisão para investigação, tão ao sabor de republiquetas ditatoriais. Quando o delegado de polícia, promotor ou procurador da república ou juiz criminal que decrete tal medida sejam PESSOALMENTE responsabilizados para indenizar por danos morais e materiais, talvez pensem com mais seriedade antes de postular( ou decretar) tal medida de exceção. E não me venha com este papo de processar o Estado, que todo mundo sabe que não se recebe NUNCA!
Meu estimado José Luiz Oliveira Lima - Juca como os amigos o tratam carinhosamente - é incrível a que ponto chegamos. A nossa democracia está ruindo, os valores se invertendo e os falsos moralistas mostrando para quê vieram.
Parabéns pelo seu artigo.
Na verdade, caríssimo amigo José Luiz, esqueça o aspecto jurídico das recentes ações da Justiça Federal e agregados.Num país onde um habeas corpus , com réu preso, demora mais de 4 meses para ser julgado pelos Tribunais Superiores, o fato da Daslusete ter sido presa por policiais emcapusados e armados com metralhadoras, para depois ser investigada, é absolutamente tolerável... meu amigo, abriram-se as porteiras dos abusos e começa lá em cima e hoje vivemos num Estado Democrático de Direito absolutamente falido. Salve-se quem puder....parabéns pelo artigo
...aliás, só para aproveitar o gancho, dia desses, um promotor público em São Paulo, acabou por ferir-se, desferindo tiro no próprio pé ! qualquer alusão à metáfora é mera coincidência....
otavio
Acho que a prisão foi correta.Ninguém fala sobre a Daslu ficar ao lado de uma favela.Tem que ser assim mesmo. Rivo tb ter que ir pra cadeia.Parabéns Ministério Público Federal. Parabéns Polícia Federal. Bota esses rico atrás das grades, pra deixarem de ser besta.
Valeu!
O que faremos com o inciso LVII, do artigo 5º da Lei maior?
"LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória"...é possível não se considerar culpada uma empresa invadida por policiais, seus sócios detidos, presos, algemados e encarcerados?
Tudo isto televisionado, reportado e noticiado?
Mas...Já se provou alguma coisa?
Foi dado o direito de resposta, de contestação, de defesa, de apelação?
Não fariam isto com inocentes!?...não é?
Entendo que as prisões terão que ocorrer dentro de limites éticos, acima de tudo, respeitando à Constituição. E outra, "O Direito Ainda que Contra a Lei". A Polícia Federal, a Interpol, a Civil, a Militar, nenhuma delas está autorizada a cometer abusos. drcruzado
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