Mesmo depois de ter a indicação de seu nome confirmada pelo presidente da República para integrar o Supremo Tribunal Federal, o desembargador paulista Enrique Ricardo Lewandowski ainda não se considera ministro. Cauteloso, ele prefere esperar a sabatina e a aprovação do Senado. Mas o virtual novo ministro do STF acredita que poderá executar bem sua missão na mais alta corte do país.
Lewandowski não tem dúvida de que o fato de já ter sido juiz do Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo por sete anos e desembargador do TJ paulista por oito vai ajudá-lo a cumprir sua missão no Supremo. “Estou acostumado com julgamentos coletivos e acredito que isto pode me ajudar bastante”, afirmou em entrevista pelo telefone à revista Consultor Jurídico.
O desembargador parecia bem feliz e eufórico interrompendo a entrevista a todo tempo para dar conta de outros telefones que não paravam de tocar. “Sem brincadeira, hoje atendi cerca de 200 telefonemas. Estou com um jornalista me esperando na outra linha, mas agora preciso realmente desligar para atender o ministro Jobim que acaba de ligar.”
Depois de sabatinado e confirmado pelo Senado, o desembargador paulista ocupará a vaga deixada pelo ministro Carlos Velloso, que se aposentou compulsoriamente após quase 16 anos de casa. Lewandowski diz ter visto a aposentadoria de Velloso com tristeza: “Um ministro da envergadura de Velloso, com tantos trabalhos realizados, ser afastado em plena capacidade física e intelectual é uma grande perda”, afirma. Com 57 anos de idade, Lewandowski tem pela frente 13 anos de Supremo — a menos que a regra seja mudada e a compulsória passada para os 75 anos.
Considerando o ministro Eros Grau, que construiu a carreira no estado de São Paulo, Lewandowski será o quarto ministro paulista no STF. Para ele, o fato não influencia no modo de pensar da Corte já que mesmo tendo as mesmas origens, ministros têm formações distintas. “Cezar Peluso é ministro de carreira, Eros Grau é acadêmico, Celso de Mello veio do MP, eu vim do Quinto Constitucional. E são essas visões diferentes que enriquecem a corte”, afirma. E lembra: de nascimento, ele próprio é carioca.
O futuro ministro tem consciência do enorme trabalho que o espera e acredita na súmula vinculante e na súmula impeditiva de recursos, como instrumentos para aliviar o serviço da Corte.
Leia a entrevista
ConJur — Qual é a missão de um ministro do Supremo?
Lewandowski — A primeira e maior missão é a guarda da Constituição, das Leis e dos Atos Administrativos. Neste momento pré-eleitoral, entendo que o magistrado deve ter muita serenidade e concentração em seu trabalho. Mas quero deixar claro aqui que ainda não me considero ministro.
ConJur — Porque o senhor acha que foi o escolhido?
Lewandowski — Eu integrei a lista de 11 ilustres nomes [levada ao presidente pelo ministro da Justiça]. Acredito que a idéia do presidente Lula foi escolher um nome técnico. Eu tenho sete anos de Tribunal de Alçada Criminal e oito anos de Tribunal de Justiça. O ministro Márcio Thomaz Bastos costuma ter um papel muito importante nas escolhas e acho que ele teve nesta. Fui conselheiro da OAB paulista e conheço o Márcio há muitos anos.
ConJur — O senhor é amigo pessoal do presidente Lula?
Lewandowski — Não.
ConJur — O presidente Lula já sinalizou a sua próxima indicação, que deve ser a procuradora-chefe da prefeitura de Belo Horizonte, Misabel de Abreu Machado Derzi. O que o senhor acha da idéia de mais uma mulher no Supremo?
Lewandowski — Eu sou a favor da absoluta igualdade entre homens e mulheres. Atualmente as mulheres estão sub-representadas nos órgãos do Judiciário e é preciso que se abra mais espaço para elas. Quanto às intenções do presidente, me agradam muito os nomes de Carmen Lucia Antunes Rocha [procuradora em Minas Gerais] além da própria Misabel.
ConJur — O que o senhor pensa sobre a forma de escolha dos ministros do STF?
Lewandowski — No sistema presidencialista a escolha deve ser do presidente da República com a ratificação do Senado. É um sistema correto.
ConJur — O fato de o senhor ter vindo do Judiciário pode ajudá-lo a cumprir sua missão?
Lewandowski — Não tenho dúvida, mas vejo isso com muita humildade. Estou acostumado com julgamentos coletivos e acredito que isto pode me ajudar bastante. É claro, digo, isto sem desmerecer os outros ministros.
ConJur — Considerando o ministro Eros, que é gaúcho mas construiu a carreira no estado de São Paulo, o senhor será o quarto ministro paulista no Supremo. Isso representa alguma coisa no pensamento da corte?
Lewandowski — Bom, eu nasci no Rio de Janeiro. Mas acredito que o presidente saberá compensar os outros estados nas próximas escolhas. O fato de termos outros ministros paulistas não tem nenhuma influência, porque todos os ministros têm visões diferentes e distintas. Cézar Peluso é ministro de carreira, Eros Grau é acadêmico, Celso de Mello veio do MP, eu vim do Quinto. E são essas visões diferentes que vêm a enriquecer a corte.
ConJur — O senhor ocupará a vaga do ministro Carlos Velloso, que se aposentou compulsoriamente. O que o senhor acha da aposentadoria aos 70 anos?
Lewandowski — É uma tristeza. Porque um ministro da envergadura de Velloso, com tantos trabalhos realizados, ser afastado em plena capacidade física e intelectual é uma grande perda. Acredito que 75 anos seja uma boa idade.
ConJur — O Supremo, apesar de muito produtivo, está sobrecarregado devido à vastidão de assuntos de que deve cuidar. O senhor tem alguma idéia ou proposta para acelerar os trabalhos na corte?
Lewandowski — A súmula vinculante é um instrumento que pode aliviar bem o trabalho da Corte. Também deposito bastante fé na súmula impeditiva de recursos.
ConJur — O senhor vai assumir o Supremo num período um tanto turbulento, de críticas ferrenhas ao presidente da casa. Como o senhor vê essa situação?
Lewandowski — Vivemos um momento delicado em que o magistrado não pode se deixar levar por forças políticas.
ConJur — O senhor se refere ao ministro Nelson Jobim?
Lewandowski — Não. Cada um tem a sua vida.
Ponto para o presidente Lula, pois atualmente quem advoga sabe o quanto é difícil pleitear o reconhecimento de direitos, os mais comezinhos, para aqueles que são escrachados e condenados antecipadamente pela mídia. Parcela considerável dos juízes age como os políticos que não querem desagradar a opinião pública, para não perder votos. Portanto, seria desastrosa a nomeação de políticos para o STF, última esperança para quem clama por direitos violados. Doa a quem doer, mesmo à opinião pública (ou publicada), o juiz técnico decide de acordo com a lei e a Constituição. Parabéns presidente, por não ter cedido às pressões políticas.
Súmula vinculante, súmula impeditiva... já repararam que todos os que defendem essas aberrações não conseguem fugir, nem fingir outra serventia, de que realmente elas têm por escopo reduzir o trabalho (ou aliviá-lo, conforme o eufemismo utilizado pelo Desembargador Enrique Ricardo Lewandowski, mais recente indicado à cadeira de Ministro do STF. O Min. Jobim defende que a governabilidade deve sobrepor-se à legalidade e até mesmo à Constituição Federal, pelo menos foi isso que disse em seu discurso de abertura do ano judiciário de 2006. O Desembargador Lewandowski não hesita em afirmar que a função primacial de um Ministro do STF é a guarda da Constituição, das Leis e dos Atos Administrativos. Da primeira sim, deveras. É para isto que existe a Suprema Corte. As outras duas, francamente, não. Que decepção! Só falta fazer coro com o Min. Jobim para eleger a governabilidade ao arrepio da Carta Magna e das Leis. A guarda da Lei cabe ao STJ, e somente quando a ofensa à lei implica em violação de preceito constitucional, como ocorre nos casos de ultraje de normas processuais, porque aí o devido processo legal resta irremediavelmente ferido, é que o STF se ocupa de garantir a legalidade. Quanto aos atos administrativos, o STF não deve se preocupar em "guardá-los" ou assegurar sua eficácia. Deve isto sim, assegurar a supremacia da Constituição. Se o ato administrativo a afrontar, deve ser declarado inconstitucional. É o ato administrativo que deve amoldar-se à Magna Lex, e não esta àquele. Espero que o Desembargador reflita melhor e mude de opinião até a data de sua sabatina, mantendo a mudança quando for guindado ao cargo de Ministro do STF, do contrário, estaremos (nós, o povo brasileiro) mal-amparados. Súmula vinculante e súmula impeditivas constituem verdadeiros esbulhos da cidadania, espoliação do direito à tutela jurisdicional completa.
O Desembargador Lewandowski é sem qualquer dúvida um excelente nome para a Corte Suprema, honrado e de rara inteligência jurídica, que certamenta honrará o Judiciário Paulista (apesar de seu nascimento carioca, tempero regional que o coloca em situação mais próxima dos problemas sociais deste grande Brasil)com o seu atuar na segurança das questões Constitucionais.
É certo que a indicação é política, o que é natural de nosso sistema de governo e cuja regra que não ser mudada
agora, mas que não se duvide da compentência do indicado, cuja justiça e presteza de seus atos podem ser observados em suas decisões colegiadas no Tribunal de Justiça de São Paulo.
Felicidades ao Professor Lewandowski e muita sorte em sua nova jornada, pois, com competência lhe sobra.
Quem tem que indicar ministro do Supremo "não é o próprio Poder Judiciário", mas o povo, o detentor do poder político soberano, conforme o previsto no art.1º, parágrafo único, do texto constitucional, o qual estabeleceu exclusivamente dois meios de exercício do poder: diretamente - plebiscito, referendo, etc - e por meio de representantes eleitos, e o PJ não foi excluído dessa exigência. A expressão "nos termos desta Constituição", não é um terceirio meio de exercício do poder, como equivocamente suposto, mas apenas previsão dos processos relacionados àqueles dois meios de exercício do poder.
Falar que cabe ao Judiciário a escolha dos ministros do STF, ou de outros tribunais, é afatar a cidadania do processo, negar-lhe o direito que é princípio inafastável no regime republicano, fundado na transitoriedade do poder.
A vitaliciedade - essa relíquia da monarquia, uma peça de museu, portanto, ridícula e esdrúxula em nossos dias, ainda mais dentro de um regime que se supõe republicano -, portanto é que deve posta abaixo na Carta, por absoluta incompatibilidade com a vida democrática e o regime republicano.
Portanto, sem prejuízo do instituto do concurso público e da carreira da magistratura, deve ser implementado o processo eleitoral dos juízes, da 1a. instância ao STF.
O eminente Deputado Federal CARLOS MOTA(PSB-MG), agora mesmo acaba de propor oficialmente esse debate na Câmara, por meio de Proposta de Emenda à Constituição, que recebeu o Nº507, ano 2006, que visa alterar o texto constitucional, com acréscimo de parágrafo(único) no art.2º, da CF, e de nova redação no art.93, caput, e 95, I, este acabando a vitaliciedade, transformada em estabilidade, segundo os seus têrmos.
Então, vamos ao debate.
Claro que o fato de ser amigo de longa data de Lula não influenciou em nada a escolha....
Não que eu duvide da capacidade do indicado, muito pelo contrário, mas o sistema de indicação, em sí, é podre....
É lamentável, mas, para mim, o STF acabou no dia em que muitos ministros mudaram seus votos para servir e agradar a Lula, na questão da contribuição dos
inativos, violando a Constituição que deveriam proteger.
Isso sem falar na discutível atuação de Nelson Jobim.
Que pena....
Com a devida vênia da opinião do colega João Bosco, aberração é um segurado do INSS aguardar 10 anos o reconhecimento de seu direito ou alguém acusado ou preso injustamente aguardar 2 anos a decisão de um HC. E isso quando o STF tem posição firmada a respeito e os tribunais e juízes inferiores insistem em decidir de modo diverso. Nos EUA, as decisões da mais alta corte tornam-se quase lei, pois é a palavra final sobre determinadas matérias. É assim que funciona em qualquer país organizado por uma Constituição efetivamente respeitada. Fora disso, é o caos e a bagunça ou... a morosidade arraigada.
Pronto, lá vem outro para servir de guarda. Ora, cabe ao Poder Judiciário interpretar a lei, não guardá-la, exceto nas suas ações e deliberações! Além disso, decisões coletivas? Era só mesmo o que faltava. Retornamos ao fascismo, às corporações! Aliás, o povo sempre foi, mesmo, tratado como gado. Quero apreciar, destarte, para onde irá o tropeiro no estouro da boiada!
Parabéns ao novo Ministro. Vida longa à Ética e à Justiça, vida longa à sua liberdade e isenção para que ele possa julgar corretamente, uma vez no cargo. Felicidades para ele... e para nós.
Mas se o poder corrompe, e na esperança de que isso não ocorra, neste Brasil varonil, como sempre o negócio é rezar. E se o que importa é que ao cidadão seja feita justiça na 1a. Instância, porém, se não for possível, que seja então feita justiça na 2a. Instância, e, se de novo não for possível (sem querer rimar, mas o que já é incrível), que lhe seja feita justiça, enfim, em Instância superior, daí, mais uma vez, seja lá quem for o ministro, enquanto for indicado pelo Presidente, mais uma vez o negócio é rezar. E se por acaso, um dia, o povo exausto e descrente, a moral por um fio, a felicidade uma quimera, se nesse dia houver guerra (pois não há ainda, com a violência impune?), nesse caso só restará uma Tabuleta, esta machadiana: "Aos vencidos, ódio e compaixão. E ao vencedor, as batatas." (seja lá o que isso possa significar, na ocasião). Portanto, para todos os efeitos, o negócio é rezar.
Ei, pessoal, vamos maneirar nas teorias conspiratórias. Ninguém pode saber, exatamente, o que o presidente pretendia ao nomear o desembargador Lewandowski, mas quem milita na advocacia ou acompanha a vida acadêmica sabe que se trata de uma escolha que honra o Supremo e, naquela Corte, teremos muitos anos para apreciar os embates jurídicos ¬ que desde já estou prelibando ¬ entre o novo ministro e Gilmar Mendes, indubitavelmente os dois membros mais qualificados do STF. Pelo menos desta vez, o presidente acertou. E se até aqueles que a maioria de nós considerou que não estavam à altura do cargo já votaram contra o governo, não é justo preconceber que o de maior habilitação vá ser subserviente.
Do Prof. Lewandowsky, nas Arcadas, lembro-me de seu jeito entusiasmado, algo elétrico, tanto nas aulas de TGE quanto no pós-aula, ao continuar atendendo quem o procurasse para tirar uma dúvida aqui outra acolá, no mais das vezes esticando a explicação até o sinal da próxima aula. Se manteve esse espirito atencioso e desprendido, teremos um grande ministro, talvez dos melhores. Parabéns, professor.
Não vejo nenhuma preocupação de eventual vínculo do novo Ministro com o PT, desde que ele foi nomeado (não concursado) Juiz por Orestes Quércia, de partido político reconhecidamente de oposição ao do Presidente Lula. O que me preocupa sim é o comentário do articulista Fernando Rodrigues em seu Blog na página da UOL. Não deixem de consultá-lo.
Esperamos que os próximos indicados também sejam da classe, chega de políticos.
Esperamos que os próximos indicados também sejam da classe, chega de políticos.
Esperamos que os próximos indicados também sejam da classe, chega de políticos.
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Esperamos que os próximos indicados também sejam da classe, chega de políticos.
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