A sensação generalizada de impunidade no Brasil, o impacto das imagens dos episódios gerados pelo PCC e as transmissões de sessões das CPIs em Brasília estão provocando um abalo na imagem dos advogados. Essa foi uma das conclusões do debate A Advocacia na visão da Imprensa, promovido pelo Cesa — Centro de Estudos das Sociedades de Advogados, na última terça-feira (29/5).
Para o jornalista Frederico Vasconcelos, da Folha de S. Paulo, os canhões que há tempos estão apontados para o sistema judiciário como um todo, agora miram os advogados. “Esses profissionais estão na berlinda”, afirmou o repórter, referindo-se à prisão do advogado Sérgio Wesley da Cunha, que defende um suposto integrante do PCC. Para Frederico, que é autor do livro “Os Juízes no Banco dos Réus”, os episódios recentes reforçam na população de que os advogados, ao defenderem supostos criminosos, estão a favor do crime.
O advogado Wesley da Cunha foi preso enquanto dava depoimento na CPI do Tráfico de Armas. Acusado de pagar R$ 200 a um funcionário terceirizado da Câmara dos Deputados para obter gravação de sessão sigilosa da CPI, recebeu voz de prisão do deputado Moroni Torgan (PFL-CE) depois de rebater a uma provocação do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP).
Segundo pesquisas, o índice de acordos na Justiça trabalhista cai muito quando há um advogado intermediando. Baseado, também, nessa informação, o jornalista afirmou que a população identifica na figura do advogado um dos responsáveis pela morosidade do Judiciário.
Além disso, Frederico Vasconcelos citou que as questões do sigilo e do direito de não se incriminar têm contribuído para reforçar a noção de que o advogado não tem compromisso com a verdade nem com a transparência. Segundo ele, os advogados deveriam ser mais acessíveis à imprensa.
Braz Martins, presidente do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-SP, durante o debate, invocou o Código de Ética profissional que impede o advogado de prestar informações sobre o processo sob seu patrocínio ou mesmo sob o encargo de colegas. “Costumam me perguntar se o advogado pode mentir. Eu respondo que o advogado trabalha com várias verdades: a verdade do cliente, a da outra parte, a das testemunhas e a principal de todas que é a transitada em julgado”
De acordo com Martins, a possibilidade de comunicação do advogado é limitada pelo Código de Ética. “A Constituição Federal prevê a liberdade de expressão e o direito de informação, mas o advogado é constituído para defender o cliente e não para dar informações.” O presidente do Tribunal de Ética, no entanto, entende que ao advogado cabe reagir e rebater informações erradas ou noções distorcidas.
A jornalista Cristine Prestes, editora do caderno de Assuntos Jurídicos do Valor Econômico manifestou a dificuldade que os jornalistas têm para obter informações junto aos advogados, o que acaba contribuindo para a difusão de informações imprecisas.
Débora Pinho, editora da Seção Leis & Negócios da revista Exame citou exemplos de situações em que os advogados podem ajudar na defesa de seus clientes usando o interesse que a imprensa tem sobre a causa. Alexa Salomão, também da revista Exame, explicou aos cerca de 100 advogados presentes, representantes dos maiores escritórios do país, que a imprensa se norteia pelo interesse do público e não pela noção que um setor ou outro tem do que seja mais importante cultural ou socialmente.
"Usando o interesse que a Imprensa tem sobre a Causa".Muito subjetiva a expressão acima.Tenho todo Respeito pela Imprensa.É, e deve ser uma das espadas das Liberdades.No entanto muitas das vezes por "Forças Ocultas" de cada Setor da Imprensa,Ausencia de ÉTICA no Redator, desconhecimento de Tramitação Processual pelo Jornalista ou Repórter.É todo mudado o sentido do esclarecimento realizado pelo Advogado.Que muitas das vezes necessita até do Auxílio de uma Assesoria de Imprensa de sua Confiança.Para tentar esclarecer os fatos que a Imprensa tem Interesse.
Não há dúvida que a Nobre profissão da " Advogado", está sob o foco da desconfiança da sociedade, diante de todos os fatos ocorridos nos últimos tempos. Não obstante, todo este redemoinho de notícias negativas à classe, é oriunda de uma imprensa sensacionalista, que se aproveita de jargões jornalistícos carregados de "ibope", para fomentar o caos social.
Ademais, certamente a classe Causídica tem a sua parcela de culpa, pois a representação institucional da classe, é voltada para uma seara das castas advocatícias mais benefíciadas, aos grandes e mega escritórios, quando, a meu ver, deveria realizar um trabalho de conscientização da importância do "Advogado", na condução sensível da busca e alcance dos direitos do "povo".
Agora virou moda: Tudo é culpa da imprensa sensacionalista, segundo os advogados. A síndrome de Lula é mesmo sedutora, por isso foi adotada por vários setores quando estão em foco os seus integrantes. Os deputados também acham que tudo é culpa da imprensa... Também os presos da Operação Anaconda e Sanguessuga. Ah essa imprensa sensacionalista, que está sempre contra mim.... Fala sério!
Diante das atuais circunstâncias tem sido difícil não vincular os advogados a atividades suspeitas e inferir sobre suas relações promíscuas com criminosos e com a mídia. É só não omitirmos o episódio lamentável, no caso Suzanne Richthofen, da farsa montada por dois altos dirigentes da OAB, a revista Veja e a Rede Globo. Uma tentativa anti-ética e intoleravelmente desonesta de incluenciar a opinião pública a favor de uma ré confessa autora de um crime hediondo.
Quem não se dá ao respeito...que pague o preço! Se a OAB não tivesse se transformado num partido político e não ficasse perdendo tempo com ações polícitas contra o Governo, tomando para si as atribuições que são afetas ao Ministério Público e aos partidos políticos e realmente exercesse uma fiscalização séria e competente, como manda o Estatuto, nada disso estaria acontecendo.
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