Sob os auspícios da OAB São Paulo, foi criada uma lista de autoridades que não são queridas pela Ordem dos Advogados, notórias por desrespeitas as prerrogativas da classe profissional. Foi como um punhal cravado no ego de procuradores, delegados, juízes e muitos outros operadores do Direito, a polêmica relação. Alega-se abuso e ilegalidade por parte da autarquia sui generis que é a Ordem.
Pitoresca a alegação da parte dos detentores do poder público que desprezam advogados, fazendo-os esperar por horas, sonegando cópias de inquéritos e processos, destratando-os de forma vil e toda a sorte de desmandos, num país que ainda precisa entender o que é limitação e fiscalização de poder, seja ele qual for.
A legalidade do ato não está sob enfoque no presente ensaio, até porque é pouco crível ser legal a nominação explícita de quem agride direito, onde deveria ser apenas um registro público daqueles que já turbaram tais prerrogativas. Uma coisa é historiar as ocorrências, outra bem diversa é imputar a alguém a marca de inimigo da advocacia. Gostaria de concentrar atenção dos leitores sobre a origem da lista, sua conveniência e impacto na sociedade, trinômio relevante para a discussão ventilada na mídia.
Qual a razão para um ato radical da OAB? Hodiernamente, os advogados são vítimas das mais insólitas ações ilegais. Os julgadores acreditam que a eficácia da ordem jurisdicional é alcançada esmagando a combatividade da classe e as prerrogativas do profissional. Afinal, é o advogado único soldado de uma causa rechaçada por toda a sociedade, mormente tratando-se de delitos de repercussão. Apequenar o advogado, em algumas mentes cansadas de pensar, é sufragar uma justiça célere, eficaz e almejada pela coletividade. Eis a origem de reação, de defesa, de desgaste entre as relações institucionais entre Ministério Público, Judiciário, Polícia e Advocacia.
A segunda questão a ser enfrentada é a conveniência. Será mesmo oportuna a listagem de personalidades públicas que já aviltaram as salvaguardas profissionais de advogados? Acredito que a publicação de inteiro teor das medidas tomadas pela Ordem contra as autoridades seria mais competente e informaria com maior eficiência a sociedade do que a cristalização de expurgos por meio de relação de nomes, tal qual um Índex, amigo da inquisição e retrógrado quanto ao respeito democrático que as instituições reclamam. Ser combativo não significa ser abrutalhado.
Ser enfático, não importa em ser grosso. Protestar, não pode ser confundido com agressão. E é justamente por isso que os advogados que são vítimas de destrato precisam contar com uma resposta célere da OAB, acionando autoridades, representando administrativamente e conferindo ampla publicidade sobre o ocorrido.
Em tempos de fluidez de informações e formação instantânea de opinião, é na sociedade que os operadores do direito ganham ou perdem força, sendo a imprensa livre a arena desses duelos institucionais. Nas barras dos tribunais resolvem-se as ilegalidades, rechaçando a petulância que acomete algumas autoridades. Todavia, uma agressão injusta à classe não franqueia à Ordem práticas medievais.
A opinião pública não entende atos de revanchismo ou retaliação, quanto mais institucionais. Ter coragem não é ser agressivo, portanto. Por fim, “fichar” pessoas é prática avessa às características dos advogados que são diariamente vítimas de fichas, ordens tresloucadas e traiçoeiras prisões por retaliação e medo judiciais.
É de se concluir que, embora legítimo o ato de reação da Ordem dos Advogados, não foi pela legalidade que se pautou a autarquia. Reagiu a uma injusta agressão e reiteradas manifestações de descaso com a classe, é verdade — mas era de se esperar o combate por parte da OAB de forma mais elegante. Não se paga olho por olho e nem dente por dente. E a Ordem deveria saber que a educação e cortesia são valores que não poderão ser rebaixados diante da brutalidade quotidiana da qual somos vitimados.
Em tempos de crise, o protesto veemente com respeito é a melhor resposta. Jamais a sociedade poderá mirar no advogado um estorvo e sim uma garantia, desarmando sofismas inculcados em desfavor dos defensores. A não cooperação e a resistência pacífica, prescritos na bula de Gandhi, são os melhores combates ao longo do tempo.
Está de parabéns o Dr. Eduardo Mahon pela lucidez de seus comentários á cerca da famosa 'lista negra da OAB'.
Defender e lutar, de forma intransigente, pelo respeito à classe dos advogados e suas prerrogativas legais deve ser sempre o norte dos que dirigem a nossa instituição.
Mas fazer dessa luta uma forma de 'revanchismo', de prosódia eleitoreira, chegando à utilização de métodos medievais, como bem lembrado pelo Ilustre e culto subscritor do artigo, em nada vai contribuir para que a dignidade e respeitabilidade dos advogados seja preservada e resgatada.
O episódio poderá dar às instituições que tiveram nomes de seus membros'listados' a mesma oportunidade: começar a publicar a 'lista negra de advogados'!
Afinal, para quem se vale do 'olho por olho...', como também oportunamente mencionado pelo articulista, a reação deverá se dar da mesma forma...
E, em que isso fará da nossa classe mais respeitada, considerada e protegida dos desmandos dos que desrespeitam as nossas prerrogativas profissionais?
Certamente a forma escolhida, esta divulgação de uma lista de pessoas 'não gratas' à OAB SP não é a correta.
Paulo Menna Barreto
Advogado militante
Mogi Mirim - SP
Ainda que fosse legal, não cabe a tal da "lista negra", símbolo de inquisição arrogante. Não se corrige erros, com outros erros. Nem sempre o legal, é moral.
Caro Dr. José:
Eu é que não compreendo o seu "desentendimento". Divulgar o ato de desagravo já é uma censura a quem o praticou.
Os problemas são três, basicamente: primeiro, já disse o Cristo no Evangelho: "ningupem dá testimunho de si mesmo!". Se uma entidade classista, por mais nobre que seja, se arvora no direito de "reparar injustiças e agravos" supostamente sofridos pelos seus membros, de cara, tem a devida suspeição, quanto a ISENÇÃO;
Segundo, trata-se de um procedimento eminentemente admionistrativo, de defesa de prerrogativas e não de "julgamento" e "apenção" do "ofensor". Se graves foram, a lesão aos direitos do constituinte, às prerrogativas do advogado, os danos morais, etc. cabe o NECESSÁRIO e CORRETO, processo judicial, com reparações, multas, indenizações, condenações penais, etc.
"Tribunais" de exceção, não!
Em terceiro, existe uma "pena", jamais cominada em código algum, à do indeferimento liminar, de eventual inscrição nos quadros da Ordem, de algum "ofensor" que tenha o nome lançado no "index"! E isso de forma definitiva, sem prescrição!
Ora, Dr., faça-me o favor, isso é tão absurdo e inconstitucional que não poderá ser confirmado por juízo algum.
É disso que se trata.
Saudações.
Qualquer bacharel que peça inscrição na OAB pode ter seu pedido impugnado por qualquer pessoa, baseando-se a impugnação na ausência de idoneidade moral. Não existe "indeferimento liminar" de tal pedido, que se sujeita aos tramites da lei, assegurados o contraditório e a ampla defesa. A existência de um registro de pessoas que violam as prerrogativas profissionais (que servem para proteger a cidadania, não o advogado) é perfeitamente legal. Parece-me inadequada e desnecessária apenas a sua divulgação pública. A OAB não precisa dessa divulgação.
Dr. Raul Haidar,
Realmente, concordo com a sua posição.
Que se mantivesse um registro das pessoas que desrespeitam as prerrogativas profissionais dos advogados, mas que fosse evitada a sua publicação.
Divulgar a lista, na minha humilde opinião, não foi uma decisão feliz.
Sábias e coerentes as colocações do Dr. Eduardo Mahon. Contudo, a lista, que os interesses corporativos contrários insistem em apelidá-la de “lista de inimigos”, se faz necessária também, pelas próprias razões que o Colega elencou. É que advogados combativos e honestos, que atuam, não em seu nome, mas na defesa da cidadania, continuam recebendo voz de prisão em audiências, seja de delegados, promotores e juízes, em que pese invioláveis seus atos no exercício da profissão, e seus nomes inclusos nos cadastros e distribuidores criminais pela prática de desacato à autoridade. Em contra-partida, não se verifica, absolutamente, nenhuma daquelas autoridades respondendo por abuso de poder ou de autoridade. Com a autoridade que eu reconheço no Dr. Eduardo, pela sabedoria e sensatez de suas ponderações eu lhe pergunto: “Será que nesse relacionamento entre advogado e autoridades é só aquele que excede nos seus atos, para merecer, invariavelmente, a voz de prisão e o processo por desacato? Portanto, em que pese deselegante – mas legal –, a lista é oportuna, ao menos para fomentar o debate sobre essa grave questão que é a violação das prerrogativas dos advogados e que vêm imperando em todos os lugares onde o profissional é chamado para atuar.
A respeito do artigo quero esclarecer que a publicaçãO de qualquer lista é demagógica e inconsequente.
Quem é o pior inimigo da advocacia? É o advogado que fere a ética. é aquele que cometeu estelionato, apropriação indébita e outros crimes de natureza patrimonial. Em geral lesam seus clientes.
O que faz a OAB com estes infratores?
Pune-os das mais diversas formas,de advertencia at'e exclusão do quadro profissional.
O que a OAB faz após estes inimigos da advocacia ( pois feriram a ética e descumpriram seu dever para com a profissão e para com a sociedade?
Um vez reabilitados, voltam a receber a sua carteíra e podem exercer novamente a profissão.
Ora, se algumas destas pessoas agiram como grandes inimigos podem voltar a receber a carteira de volta ( princípio da não perpetuação da pena) como barrar outras pessoas que praticaram atos menos danosos a sociedade.
Porque agir com rigidez apenas em relação aos ofensores da prerrogativa e não fazer o mesmo com os transgressores da ética.
A OAB-SP, repito, está agindo de forma irresponsável repelindo princípios fundamentais do estado de direito e insculpidos no texto constitucional.
É eleitoreira sim esta decisão e acho que qualquer advogado com um mínimo de razoabilidade repudia tal lista;.
Julio Brandão
advogado
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Caro Julio Brandão
Como vai aquele pedido de explicações do Dr. José Cláudio Bravos?
Não é nada ético julgar o papel da OAB principalemnte quando se utiliza da mesma para alcançar vaga no 5º Constitucional....
Estou de olho.... e pode deixar que estarei em todas as audiências públicas em que você tentar pleitear a vaga ao 5º...
Dra Ana: a sra. presta um desserviço à chapa do dr. D'Urso com esses "comentários" que nada mais são que pixações...A sra. deve ser inteligente, pois apoia o melhor candidato e a melhor chapa. Mas, por favor, exponha idéias, não faça pixações!
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