Os mesmos não podem mandar na OAB a vida toda

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Esta é a primeira reportagem da série que a Consultor Jurídico publica sobre os candidatos à presidência da seccional paulista da OAB. Cada reportagem, publicada na seqüência alfabética dos nomes dos candidatos, constitui-se de um perfil e de respostas a cinco perguntas idênticas feitas aos quatro postulantes.

A sensação de fragilidade e abandono demonstrada por milhares de advogados anônimos foi o motor que lançou o quase anônimo advogado Clodoaldo Pacce Filho na corrida pela presidência da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil. Sua missão, revelou à Consultor Jurídico, é dar voz ao “baixo clero” da advocacia contra o que ele chama de “coronéis que dirigiram a entidade nos últimos 20 anos. Com 54 anos, mais velho dos quatro concorrentes, esta é a primeira e a última vez que concorre à presidência da entidade. “Agora é o momento. Não nasci candidato nem vou morrer candidato.”

A eleição na OAB-SP acontece na próxima quinta-feira (30/11), a partir das 10 da manhã.

Suas chances de vencer estão na capacidade de convencer a maioria dos advogados, que não milita nas pugnas internas da categoria, de que ele pode representá-los melhor do que os políticos tradicionais da classe. Tarefa difícil, já que além de enfrentar dois “políticos tradicionais” — o atual presidente e candidato à reeleição Luís Flávio D’Urso e o oposicionista Rui Celso Fragoso — ele terá de se bater com Leandro Pinto, outro outsider como ele.

Pacce forjou sua têmpera política no movimento estudantil, em plena ditadura. Foi presidente do Centro Acadêmico e do Diretório Acadêmico da PUC-SP, onde estudou, entre 1975 e 1979. “Nós enfrentamos e resistimos. Foi um período em que aprendi muito, principalmente a respeitar a liberdade”.

Não por acaso, especializou-se em liberdade de expressão, Lei de Imprensa e dano moral. É advogado da Editora Três, que publica, entre outras, a revista IstoÉ. Atua no mercado junto com outros cinco sócios no escritório Clodoaldo Pacce Advogados. “Me garanto na área de Direito de Família. Mas a busca pela liberdade, a preservação e a conquista da liberdade são as razões que me levam a postular essa candidatura e reivindicar ser presidente da OAB”, diz o candidato.

A política de classe tem dificuldades de outra natureza. A exigência de compor chapas com 103 nomes, a seu ver, significa um empecilho à alternância de poder e à renovação dos quadros diretivos da Ordem. Inconformado com os critérios para participar da eleição, o candidato lembra que as 103 pessoas devem: ser associados a, no mínimo, cinco anos; estar adimplentes com a anuidade; por fim, não ter nenhuma condenação transitada em julgado no Tribunal de Ética. “Quando se encontra uma pessoa que preenche os três requisitos, ela não quer participar”, exemplifica a dificuldade que passou. Em nome da renovação ele advoga, inclusive, contra a reeleição na OAB.

Leia as opiniões de Clodoaldo Pacce Filho sobre os principais temas da campanha:

ConJur — Por que o senhor quer ser presidente da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil?

Clodoaldo Pacce — Primeiro, para resgatar a dignidade que os colegas tiveram aviltada nos últimos três anos. Na nossa gestão, seremos exigentes no respeito às prerrogativas profissionais, que não são privilégios. Os magistrados e promotores não têm respeitado o profissional, que no seu dia-a-dia empina a barriguinha no balcão do Fórum. A atual gestão atuou de forma tímida na defesa das prerrogativas dos advogados. Queremos ser respeitados pelo Judiciário. Mudar essa relação de vassalagem com o Judiciário. Mas, acima de tudo, quero modificar a postura da Ordem dos Advogados do Brasil em relação ao advogado. Chega de personalismo. Os últimos três anos foram caracterizados por uma projeção excessiva na mídia do atual presidente da seccional paulista da OAB. Ele pede bis quando a advocacia pede respeito. O advogado anônimo sente-se completamente fragilizado e abandonado. Não é possível que os mesmos caciques e cardeais se perpetuem a frente da entidade, fazendo prevalecer interesses desconhecidos pela classe. A minha chapa, Livre sem cabresto, luta pela independência do advogado.


ConJur — Quais são as três principais propostas da chapa Livre Sem Cabresto — Oposição Séria?

Clodoaldo Pacce — A primeira grande mudança que vai haver é de postura. O presidente não vai dirigir a entidade isoladamente e nem focar a sua atuação na divulgação da sua própria imagem. Vamos governar de forma colegiada. Os conselheiros terão voz ativa e independente. Quero ser criticado, para buscar as melhores soluções para a nossa atividade.

Judiciário

A estrutura do Judiciário é jurássica. Precisamos trazê-lo, se não para o 3º Milênio, pelo ao menos para o século XX. O advogado sofre com a lentidão da Justiça, as dificuldades são imensas. Os processos não andam e o advogado não consegue fazer o que o seu cliente pretende. Temos ainda que reverter a situação dos 50 mil colegas que dependem da Procuradoria de Assistência Judiciária. O convênio entre a Ordem e a procuradoria foi mal feito. A tabela de honorários avilta a dignidade do profissional. Como se não bastasse, o advogado tem dificuldade para receber o que lhe é devido pelo Estado. Há ainda a questão dos precatórios que estão paralisados. Não estão lutando para agilizar a liberação desses precatórios. A sociedade está sendo penalizada e o advogado também. Isso é uma vergonha. Nós queremos e vamos colaborar com o Judiciário, mas vamos cobrar soluções para os nossos problemas. Assim, traremos dignidade para o exercício profissional.

Inadimplência

Vamos implementar o Plano de Recuperação dos Inadimplentes, que vai respeitar as condições sócio-econômicas de cada colega advogado. Identificaremos o colega que está inadimplente, para acompanhá-lo. A maioria dos advogados não entra nessa situação por vontade própria. Às vezes, por dificuldades de ordem profissional. Outras, por questões familiares. Aí, a contribuição à OAB fica para depois. É justificável. Nós queremos colaborar. Seremos parceiros e não algozes. A anuidade da OAB-SP é a mais cara, sem que o colega tenha retorno. É muito pouco o que se oferece ao advogado. O valor não poderá ser reduzido de imediato, mas faremos corte de despesas, racionalização e recuperação de perdas operacionais. Nos últimos três anos, a Ordem passou de 2,5 mil funcionários, incluindo a Caasp, para 4,5 mil funcionários. Se eleito, vou identificar se houve nepotismo. Quem estiver trabalhando, vai continuar trabalhando. Quem estiver no cabide de emprego, pode procurar outro. Vamos reverter esse quadro.

ESA e Caasp

A ESA, através de Maria Leonor Leite Vieira, vai oferecer aos colegas um sistema de atualização jurídica. Serão realizados cursos, palestras e seminários também no interior, que está mais abandonado que a capital. Todo o material que for produzido ficará disponível pela internet. Todos os advogados, inscritos ou não na ESA, terão acesso online ao conteúdo teórico de todas essas aulas. É uma contribuição importante. Vamos ampliar a atuação da TV OAB, que também terá uma participação importante na realização de seminários e palestras. Caasp (Caixa de Assistência aos Advogados de São Paulo) que é uma entidade fundamental, está em uma condição obsoleta. O que foi conquistado nos últimos 20 anos é o que se tem até hoje. Nada foi alterado. Oferecer descontos em livro, em farmácia é muito pouco. O advogado quer mais. O plano de previdência que está sendo oferecido aos colegas também será revisto. Ele não traz nenhum benefício que o diferencie dos planos oferecidos pelo mercado. Vamos ampliar a atuação da Caasp, para dar melhores condições ao advogado. A administração será transparente, tanto na OAB, quanto na Caasp.

ConJur — Qual a sua avaliação da atual gestão?

Clodoaldo Pacce — É uma avaliação sofrível. Teve a questão do projeto do paralegal, proposta pelo candidato [Luiz Flávio Borges] D’Urso, no exercício da presidência. No dia 3 de outubro de 2005, ele apresentou o projeto ao Conselho Federal. Com a instituição do paralegal, o bacharel que não conseguiu aprovação no Exame de Ordem poderá exercer alguns atos da profissão. É o reconhecimento da meia faculdade, do meio bacharel e do meio advogado. É um absurdo, quando estamos lutando pela elevação do padrão das faculdades, do ensino. O D’Urso nega que tenha apresentado o projeto. Eu tenho isso documentado. O Conselho Federal teve bom senso, em votação unânime, e rejeitou essa insanidade. Outro problema dessa gestão foram as intimações online. Não sei se tenho muito azar, mas não consigo acessar o sistema de intimação online. Já desisti. Vamos atualizar e aprimorar a parte técnica das intimações online para que não se consagre como irritação online. O advogado não tem tempo para perder e precisa de agilidade em todos os seus atos.


Defesa das prerrogativas

A OAB-SP teve uma manifestação tímida na época da invasão dos escritórios. Essa foi uma das maiores agressões que advocacia já sofreu. Nem no tempo da ditadura isso aconteceu. A manifestação foi muito modesta para a gravidade da agressão que sofremos. As nossas prerrogativas não podem ser aviltadas. Hoje, o advogado está sendo desrespeitado e a OAB não está se esforçando para defender as suas prerrogativas. Há seis meses, a advogada Anete Chain entregou ao presidente D’Urso uma representação para pedir providências em relação a uma juíza de Barueri que insiste em destratar os advogados. Até agora, ela não obteve resposta. Não podemos admitir esse tipo de comportamento.

Gastos da OAB-SP

Em 2005, a OAB gastou R$ 4 milhões entre hospedagens, viagens, alimentação de seus dirigentes. Quando surgir o balanço final de 2006, com as eleições, vamos levar um susto. Hoje, a entidade está quebrada. Os gastos com transportes feitos em 2005 é o equivalente a ir para Miami de três em três dias, durante um ano inteiro, com passagem de ida e volta. Enquanto isso, o advogado está sofrendo. É muita mordomia para pouco resultado.

ConJur — Qual a situação atual da advocacia?

Clodoaldo Pacce — O mercado está completamente refratário, a sociedade não acredita no Judiciário. Infelizmente, é uma classe que conta com a descrença de grande parte da população. Quando há descrença, a população deixa de procurar orientação jurídica e o advogado não tem como sobreviver. Temos que oferecer melhores condições de trabalho para os advogados. Isso se faz com a mudança de postura da OAB-SP. Também com a mudança da tabela e dos prazos de pagamentos de honorários da Procuradoria de Assistência Judiciária. A questão dos precatórios precisa ser agilizada. Na medida em que essas situações forem alteradas, tudo melhora. Além disso, há o problema do Executivo federal e estadual que costuma legislar em causa própria. Essas medidas geram acúmulo de processos. Existem, por exemplo, inúmeras ações contra o INSS. A revisão de aposentadorias e uma série de outras situações poderiam ser equacionadas de forma mais rápida e mais simples. A Justiça não tem condições de atender a esses reclames.

ConJur — Qual a sua análise do Judiciário?

Clodoaldo Pacce — Temos a impressão de que alguns magistrados ingressam na carreira sem nenhuma experiência profissional. Isso causa um abalo muito grande e gera a chamada juizite. É um vírus que contamina todo o sistema judicial e, às vezes, até o advogado. O vírus da juizite é o prevalecimento da soberba, quando o magistrado se julga acima do bem e do mal e que pode mais do que qualquer outra pessoa. Não é assim. A Constituição Federal deve ser respeitada e o advogado, mais do que tudo, tem que ser respeitado nas suas prerrogativas. Além disso, não podemos aceitar que todo o problema do Judiciário se resuma a falta de verba. Todos os setores têm falta de verba. O que falta é disposição para mudar, administrativamente, o quadro.

Privilégios do Judiciário

Cerca de 65 milhões de processos, teoricamente, estão em tramitação. Os nossos fóruns estão abarrotados e o Judiciário goza de privilégios imensos. De 360 dias, apenas 200 estão sendo efetivamente trabalhados. São férias, licenças, feriados, feriados que se emendam com dias úteis e o advogado está sofrendo. Por que o Judiciário não pode fazer um plantão extra, avançar o horário normal, o sábado e o domingo? O advogado não se cansa de fazer hora extra no seu escritório. É uma medida que pode trazer grandes resultados. A balança está desequilibrada contra o advogado. Nós seremos parceiros do Judiciário, mas não podemos aceitar esse quadro. Ainda sofremos as conseqüências das duas últimas greves dos servidores da Justiça. Nada mudou. O Judiciário não fez a lição de casa e ninguém está cobrando isso do Judiciário. A OAB agirá com altivez na defesa dos seus associados. O Judiciário precisa de apoio, precisa de mais pessoa, preciso de novos concursos. Vamos exigir que todas essas medidas aconteçam, mas que também os resultados apareçam.

CHAPA 14 — LIVRE SEM CABRESTO — OPOSIÇÃO SÉRIA

CARGO

NOME

PRESIDENTE CLODOALDO PACCE FILHO
VICE-PRESIDENTE ACACIO FERNANDES ROBOREDO
SECRETÁRIO-GERAL MARIO GUGLIELMI
SECRETÁRIO-ADJUNTO LUIS CARLOS CIOFFI BALTRAMAVICIUS
TESOUREIRO JOSE CARLOS RODRIGUES PEREIRA DO VALE
CONSELHEIRO EFETIVO ADILSON COSTA
ADRIANO GUEDES LAIMER
ALLAN KARDEC RIBEIRO FILHO
ANTONIO CARLOS DOMBRADY
ANTONIO COUTINHO TRAVANCA
ANTONIO CUSTODIO LIMA
ANTONIO SERGIO FALCAO
ARMEN KECHICHIAN
ASDRUBAL MONTENEGRO NETO
CARLOS JOSE MARTINEZ
CARMEN LUCIA MENDONCA DE OLIVEIRA
CHRISTIAN OMETTO CARREIRA PAULO
CLAUDIA REGINA SOARES DOS SANTOS
CLAUDIA RINALDO
DILICO COVIZZI
EDY PAAL
FABIO BAUAB BOSCHI
FABIO SCHUINDT FALQUEIRO
FERNANDO CEZAR COUTINHO
HELOISA HELENA MACHADO GRIESINGER
ISRAEL VERDELI
ITAMAR FINOZZI
JAIME SILVA TUBARAO
JEAN CADDAH FRANKLIN DE LIMA
JOÃO CARLOS RODRIGUES PERES
JOSE CARLOS ETRUSCO VIEIRA
JOSE LUIZ DE ARRUDA GONCALVES
LAURA ELISA REHDER
LUIS DUILIO DE OLIVEIRA MARTINS
LUIZ AUGUSTO DE CAMARGO OPICE
MARCELA ALVIM CINTRA CHAVES
MARCO FABIO DOMINGUES
MARCOS MORIGGI PIMENTA
MARIA DE FATIMA CHAVES BRANDÃO B. ALARCON
MARIA ISABEL M. M. DE SOUSA PEREIRA
MARIA LEONOR LEITE VIEIRA
MARIA LUIZA DO ESPIRITO SANTO
MARIELZA CUOCO
MIRLA LOFRANO SANCHES
OSWALDO QUEIROZ JUNIOR
PAULO SERGIO MIGUEZ URBANO
REYNALDO RIBEIRO DAIUTO
RICARDO AUGUSTO ZICHIA ESCOBAR
RICARDO MARQUES
RINALDO JANUARIO LOTTI
RIVALDO ASSIS CINTRA
ROBERTO FLEURY DE A ARRUDA CAMARGO
ROBSON MAIA LINS
RUBENS BRACCO
SEIJI HAIASHI
SERAFIM AFONSO MARTINS MORAIS
SERGIO FAMA D´ANTINO
SERGIO IGOR LATTANZI
SILVANA TORTORELLA VIEIRA
THAIS DE MORAES YARYD RAMIREZ
CONSELHEIRO SUPLENTE ARLINDO MIRANDA PEREIRA
CELIA CRISTINA MACEDO ALMEIDA DE O LUIZ
CLAUDIA SCARMAGNAN DÜWEL
DAISY MARIA MARINO
EDUARDO PUGLIESE PINCELLI
FABIANA DEL PADRE TOMÉ
FABIANO LOURENCO DE CASTRO
FERNANDA MARQUES PIRES
FLÁVIA CUNHA SEABRA
FLÁVIA VEGH BISSOLI
GABRIELLA GARCES SANCHEZ
GERALDO VALENTIM JUNIOR
GLAUCO BAUAB BOSCHI
JOSE VANDERLEI FELIPONE
JULIO ANTON ALVAREZ
JÚLIO AUGUSTO LOPES
LUCIA MARIA GOMES PEREIRA
LUCIMARA FERRO MELHADO
LUIZ PASETTI
MARILEY TORRES DOS SANTOS
NEIDE MARIA VIEIRA BORGO
PAULA REGINA RODRIGUES
PAULO HENRIQUE MARIANO
PAULO ROGERIO NOVELLI
RENATA MARTINS GOMES
RENE D´ELBOUX
RICARDO MENESES DOS SANTOS
RINALDO ALENCAR DORES
ROGERIO NOGUEIRA DE ABREU
SANDRA CRISTINA DENARDI LEITAO
CONSELHEIRO FEDERAL EFETIVO ALFREDO GRIESINGER
CLAUDIO ROGERIO BENEDITO
MARCIO PESTANA
CONSELHEIRO FEDERAL SUPLENTE FABIO ARRUDA
PAULO SERGIO CREMONA
PRESIDENTE — CAASP MARCELO MARTINS FERREIRA
VICE-PRESIDENTE — CAASP MARIA BERNADETE SPIGARIOL
SECRETÁRIO-GERAL — CAASP RODOLFO JOSE WYSS JUNIOR
SECRETÁRIO ADJUNTO — CAASP MARIA JOSE RADESCA MIGLIANO
TESOUREIRO — CAASP GARDEL PEPE
DIRETOR SUPLENTE — CAASP JULIANA GABRIEL
DIRETOR SUPLENTE — CAASP RODRIGO BARONE
DIRETOR SUPLENTE — CAASP WALDYR PEREIRA

Lilian Matsuura

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Spartacus disse:
26 de novembro de 2006 às 11:21

O Dr. Clodoaldo Pacce Filho inicia sua entrevista com uma falácia "ignoratio elenchi", o que já a frontispício compromete sua candidatura, pois nenhuma outra gestão jamais defendeu as prerrogativas dos advogados de modo tão renhido quanto a que se encerra e pede bis.

É bem verdade que nunca os advogados foram tão atacados também. Em toda a história da advocacia brasileira, nem mesmo nos períodos mais autoritários, como no estado novo de Getúlio e durante a ditadura militar instalada em 1964, os advogados não foram tão acachapados como têm sido na atualidade, sofrendo o ataque tanto do governo e da Polícia Federal, que deturpam os fatos e subvertem conceitos confundindo autoria delitiva com aconselhamento jurídico, quanto da mídia, que parece fazer questão de vilipendiar toda a classe com chamadas sensacionalistas ao noticiar os fatos abusivos perpetrados por aqueles outros dois.

Tais ações têm logrado obter a chancela de parte do Poder Judiciário e do Ministério Público, hoje integrados por pessoas que nunca militaram na advocacia ou o fizeram muito pouco, de modo que sua experiência não condiz com suas atitudes pois definitivamente desconhecem a profissão. Mas, o que se me afigura ainda pior: parecem odiar advogado. E afirmo isso porque sou o testemunho vivo de situações que a comprovam, como v.g. no julgamento de um cliente nosso, no ano de 2005, tivemos a oportunidade de ouvir de uma Procuradora da República, membro do Parquet Federal, a qual argüida se havia praticado a advocacia, jactou-se ao responder: “graças a Deus, não, nunca advoguei”. Outrossim, juízes, que acham ser o advogado dispensável para a administração da justiça, e outros que fazem questão de fixar honorários em valores aviltantes sob o pretexto não revelado de que eles mesmos necessitam muitos meses ou até anos para conseguir ganhar a soma pretendida pelo advogado a partir da só aplicação da letra da lei (de 10% a 20%). Mas estes magistrados é que não merecem estar onde estão, ocupar o cargo que ocupam, pois deixam suas decisões influenciar-se por seus desígnios pessoais, seus recalques, seus rancores, sua inveja, sua consciência de incompetência para terem sido bem sucedidos na advocacia, sua imoralidade, porque forjam argumentos para camuflar sua odiosa vontade não revelada. Não têm coragem nem hombridade para assumir posições e o fundamento verdadeiro que os motiva a esmagar a honorária advocatícia.

Assim, os advogados de hoje estão sob cerrado ataque de todos os lados. A OAB tem feito o seu papel. Prova disso é a postura altiva e estrênua assumida em relação aos que violam nossas prerrogativas, assumindo posições jamais assumidas antes.

Mas não se pode olvidar que a defesa dos advogados não pode ser exigida apenas dos dirigentes da OAB, incidindo a classe, que se compõe de pessoas eruditas, no vezo de todo brasileiro que espera um salvador da pátria que virá defendê-lo. Prova disso foi o ato público realizado pela OAB quando das invasões dos escritórios de advogados, em que compareceram apenas uns 200 colegas, embora toda a classe tenha sido exaustivamente convocada para participar do ato público.

O problema é o individualismo da maioria dos advogados, a ausência de espírito de corpo entre os advogados, responsável pelo pequeno apoio que destinam aos interesses maiores que permeiam toda a classe. Modificar esse paradigma necessita de tempo, paciência e perseverança, pois implica um lavor diuturno para mudar uma mentalidade e incutir na mente de cada um a exigência do comprometimento de todos nas causas da classe.

Se todos participassem, nossa força seria ainda muito maior. Quando todos entenderem que sós somos como gravetos, que qualquer criança pode quebrar, mas unidos formamos um tronco hígido e vigoroso que nem motosserra é capaz de atravessar, aí formaremos uma só voz na defesa de nossas prerrogativas. Esse o objetivo final que se deve ter em mente, a conclusão de um projeto de poder, que passa, necessariamente, pela restauração do prestígio da advocacia. E esse projeto já foi deflagrado pela atual gestão da OAB, por isso que pede bis, para não ser interrompido. As vaidades pessoais, os interesses individuais devem ceder o passo, neste momento, à causa maior de todos nós.

(a) Sérgio Niemeyer
Advogado - Professor de Direito - Palestrante - Parecerista
sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br

Vitor disse:
26 de novembro de 2006 às 17:40

Sr Clodoaldo, falou o q. muitos não diriam. Parabéns........livre sem cabresto.

Raul Haidar disse:
26 de novembro de 2006 às 18:34

Tenho grante estima e simpatia pelo nosso colega Clodoaldo. Ele é inteligente. Pena que não tenha acompanhado de perto a realidade da OABSP neste gestão. Se o fizesse, saberia que despesas de "viagem" representam, inclusive, aquelas relacionadas com cursos, palestras e demais eventos do Depto. Cultural, que nesta gestão realizou mais de 4.000 palestras e cursos, batendo todos os "records" da nossa história, num gigantesco esforço para ajudar nossos colegas de todo o Estado no seu aprimoramento, especialmennte ante a queda da qualidade do ensino jurídico. Quando um advogado, Conselheiro ou não, vai ao interior fazer uma palestra, as suas despesas de locomoção e estada devem ser pagas pela OAB. Sempre foi assim e sempre será, mesmo numa possível gestão do dr. Clodoaldo. Ele tem razão ao afirmar que o Convênio da Assistência Judiciária foi mal feito. Eele foi assinado em 2002, na desastrada gestão anterior, quando o diretor tesoureiro era o dr. Vitorino, procurador do Estado, que hoje apoia o dr. Rui. Tem, ao que sei, vigência de 5 anos. Não é,portanto, obra da atual gestão. Esta trabalhou muito para que na criação da Defensoria Pública de SP ficassem preservados os legítimos direitos dos advogados que atuam na Assistência Judiciária, uma vez que os defensores não conseguirão atender a toda a demanda. A OAB não está "quebrada". Esteve no final da gestão anterior. Veja as contas divulgadas pela entidade, especialmente as de 2004, já aprovadas pelo Conselho Federal. O dr. Clodoaldo, como oposicionista, tem o direito de criticar a atual gestão, mas não o de se afastar da realidade.

Mário de Oliveira Filho disse:
26 de novembro de 2006 às 18:53

Agradeço ao Dr. Sérgio Niemeyer pela defesa do trabalho desenvolvido pela Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB/SP, que tenho a honra de presidir.
Se por um lado a advocacia nunca sofreu tantos ataques, pór outro, também nunca teve, em gestão alguma, uma Comissão tão atuamte e dinâmica.
Pela primeira vez na história da OAB s e realizou uma sessão de desagravo público em frente ao fórum na praça pública.
Os processos de representações contra autoridades estão rigorosamente em dia,
O Conselho de Prerrogativas dividiu-se em três turmas julgadoras e também pela primeira vez, se realizou uma sessão de julgamento pelo Conselho, fora da capital. Foi na última quinta-feira em, Araçatuba.
Há no Congreso, o projeto de lei sobre a criminalização das ofensas aos direitos e às prerogativas.
Hoje a Comissão tem aproximadamente 350 membros, que em regime de voluntariado trabalham 24 horas por dia o ano todo em regime de plantão para atender advogados.
E por fim, a divulgação dos processos(atenção: nunca se falou em lista negra ou em lista de inimigos! Essa colocação é equivocada) onde se concedeu, depois do devido processo legal e em atenta obediência ao disposto na Lei 8.906/94, o nome das autoridades que desrespeitam a lei.
É preciso trabalho e coragem.
Tanto o trabalho como a coragem são dos 350 membros da Comissão.
Mário de Oliveira Filho
Presidente da Comissão de Direitos e Prerogativas da OAB/SP

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