Guadagnin não ganha direito de resposta em jornal

A deputada federal Ângela Guadagnin (PT-SP), que não conseguiu se reeleger, não conseguiu direito de resposta no jornal Valeparaibano, do município paulista de São José dos Campos. O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou o pedido de direito de resposta da deputada, contra notícias publicadas pelo jornal nos dias 22 e 23 de julho.

Consta no pedido, que o diário publicou fotos da parlamentar com as expressões “mensaleiros” e “dança da pizza”. Guadagnin alegou que também foi ofendida com as notícias que a relacionaram com políticos envolvidos em escândalos de corrupção.

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo entendeu que não houve a intenção de difamar ou injuriar a ponto de justificar a concessão da resposta. Segundo o TRE, as notícias se referiam a fatos públicos e notórios e eram apenas críticas a um político. A deputada recorreu ao TSE.

O relator, ministro Cesar Asfor Rocha, manteve o entendimento do TRE-SP. Ele ressaltou que “para se chegar a conclusão diversa da firmada pelo decisum regional [TRE-SP], seria necessário proceder ao reexame de fatos e provas”, o que não pode ser feito na sede do recurso especial interposto pela deputada.

Visite o blog Consultor Jurídico nas Eleições 2006.

Leia a decisão

Respe 26.259

“Cuida-se de recurso especial interposto por Angela Moraes Guadagnin contra acórdão do TRE/SP assim ementado (fl. 122):

“Direito de Resposta. Salvaguarda à honra alheia, face a noticiário que desborda do direito de informar, atingindo-a. Conjunto de prova que não revela tal intuito. Recurso Improvido”.

Nas razões do recurso, assevera-se que o acórdão recorrido contraria o disposto nos arts. 58 da Lei nº 9.504/97 e 5º, V, da CF/88, pelo fato de não ter sido coibido o excesso e a ofensa moral por publicação de foto da recorrente em matéria jornalística, devendo ser concedido o direito de resposta “(…) como forma de restabelecer a lisura do processo eleitoral em casos de divulgação de afirmações caluniosas, injuriosas, difamatórias ou sabidamente inverídicas” (fl. 133).

Contra-razões às fls. 152-162.

A douta Procuradoria-Geral Eleitoral manifesta-se pelo não-conhecimento do recurso especial (fls. 165-168).

O recurso não tem como prosperar.

O Tribunal de origem, no exame das provas dos autos, indeferiu o pedido de direito de resposta, por entender que não teria havido ofensa ou afirmação inverídica em detrimento da candidata, ora recorrente, vislumbrando somente na dita publicação mera crítica política, à consideração de que a “(…) divulgação de notícias e fotos teve natureza claramente objetiva, conduta jornalística que integra o conceito de liberdade de imprensa, enquanto não deslustra a honra alheia” (fl. 125).

Para se chegar a conclusão diversa da firmada pelo decisum regional, seria necessário proceder ao reexame de fatos e provas, inexeqüível em sede de recurso especial, a teor dos Enunciados Sumulares nos 279/STF e 7/STJ.

Pelo exposto, nos termos do 36, § 6º, do RITSE, nego seguimento ao recurso.

Publique-se em sessão.

Brasília, 18 de outubro de 2006.

MINISTRO CESAR ASFOR ROCHA

RELATOR”

Band disse:
21 de outubro de 2006 às 11:57

Vou ficar sem ver a dancinha do cara de pau! Que triste moralizar um pouco a câmara. Fica muito sisuda!

hammer eduardo disse:
21 de outubro de 2006 às 13:38

As urnas devolveram a rotunda deputada a mediocridade de onde nunca deveria ter saido. Aquela sua atitude nojenta e afrontosa no parlamento (alias defendendo uma ratazana petralha que ja HAVIA confessado que tinha levado grana!) apenas serviu para mostrar aos olhos do povão o baixissimo nivel desta corja de petralhas que vieram para saquear e atrasar o Pais em mais 50 anos , eles são literalmente o Juscelino ao contrario.
Lembremos tambem que a mediocre parlamentar fazia parte da tropa de choque daquele outro calhorda-mor do zezinho dirceu que ainda conta no plenario com um outro capacho para sempre tentar defender o indefensavel na figura daquela ridicula senadora (arghhhh) ideli salvatti , são as modernas guerrilheiras do mal a serviço de seus mestres das artes cada vez mais ocultas. Que a medicocridade as receba de volta de braços abertos!

Armando do Prado disse:
21 de outubro de 2006 às 15:39

Proponho uma APOSTA muito simples: quem perder escreve texto (30 linhas), aqui mesmo, elogiando o candidato vencedor. Vai ser difícil achar alguma qualidade política no Geraldinho. Faço esse desafio, pois vejo que alguns tucanos continuam a acreditar em vitória do Geraldinho. Devem acreditar também em Papai Noel, Boitatá, Saci, Sereia, Coelhinho da Páscoa, etc.

Band disse:
21 de outubro de 2006 às 18:47

O Problema não são as qualidades, professor, mas as faltas delas, e aí, é claro, de Lula se escreveria um tratado da falta de caráter. Claro que para ver isto é necessário se ter algum, pelo menos. Este que é o desafio, votar com venda nos olhos!

Armando do Prado disse:
21 de outubro de 2006 às 19:36

O coordenador da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia foi acusado de estar criando uma "Mentirobras".

Resposta de Garcia: “Se houvesse uma Mentirobrás, Alckmin a privatizaria”.

Richard Smith disse:
21 de outubro de 2006 às 21:45

Desculpem-me a repetição, mas além do assunto ser importante, ainda envolva a sra. Ângela Guadagnin:

LULLA/PT E A QUESTÃO DO ABORTO

O próprio Lula, várias vezes já se declarou favorável ao aborto. E isso durante pelo menos duas décadas:

O Partido dos Trabalhadores (PT) havia acabado de nascer. A Editora "O Repórter de Guarulhos" publicou então o livro Lula - Luís Inácio da Silva: Entrevistas e Discursos. A obra não é muito agradável de ser lida. A linguagem é vulgar, cheia de palavrões, que refletem o nível cultural e moral do atual candidato. Lula fala sobre os contatos sexuais que as crianças de sua época tinham com animais, já aos 10 ou 12 anos. Aos dezesseis anos, ele teve sua primeira experiência sexual. Foi com uma mulher "numa dessas casas de São Paulo" (pg. 204). Depois que ficou viúvo, diz ele que endoidou de vez: "Eu queria sair com mulher de segunda a domingo" (pg. 204). Sua posição sobre o aborto é perfeitamente coerente com a libertinagem de sua vida, a respeito da qual não demonstra vergonha ou arrependimento. Vejamos:

"- O que você acha da legalização do aborto?

- Eu posso até ser mal interpretado, sabe, mas sou contra a legalização do aborto. Sou contra por dois aspectos, espera aí, sou contra não, minto, minto, minto. Eu sou a favor do aborto.Primeiro porque eu acho que a pessoa pode cometer um erro. Às vezes, nascer a criança é muito mais prejudicial do que praticar o aborto. O que não adianta é a coisa ficar na clandestinidade e acontecerem milhões de casos. Muitas vezes as pessoas perdem a vida arriscando-se a tomar remédios inadequados, arriscando-se a se tratar com pessoas incapacitadas. Então, seria muito melhor legalizar isso, sabe, dar condição de salvar pelo menos a vida da mãe. Para evitar que as mulheres tomem remédios feitos em casa, tentem ir atrás de feiticeiros, de chá de cobra, de enfermeiros, de parteiros, sei lá. O ideal seria que não precisasse ninguém abortar, mas, como existe essa necessidade, o aborto deveria ser legalizado." (LULA - Luiz Inácio da Silva: Entrevistas e Discursos. 2ª. edição, Guarulhos: O Repórter de Guarulhos, 1981. pg. 238).

b) Nas eleições de 1990, um fato decisivo na derrota para Collor, foi a exibição da ex-namorada de Lula, Miriam Cordeiro, dizendo que o presidenciável havia-lhe oferecido dinheiro para abortar sua filha Lurian. Miriam recusou-se, levou a gravidez até o fim, deu à luz e apresentou a menina ao pai, dizendo: "Toma e mata". Mesmo que tenham criticado o uso do fato para fins eleitorais, não conheço nenhum depoimento posterior de Miriam Cordeiro confessando que o que disse era mentira.

c) Em 1994, o PT resolveu tirar a máscara. Propôs publicamente como PROGRAMA DE GOVERNO do candidato Lula, a legalização do aborto e do casamento de homossexuais. Creio que, até hoje, esta foi a atitude mais sincera do Partido. O resultado foi desastroso. Pressionado, Lula voltou atrás. Mas não conseguiu ganhar a eleição.

d) Nas eleições de 1998, Lula, candidato da coligação Muda Brasil, que reunia PT - PDT - PSB - PCdoB e PCB, escreveu um "Programa de Saúde da União do Povo", no qual, depois de muito "blá,blá,blá", disse com todas as letras que se comprometia a oferecer o aborto às vítimas de estupro. Vejamos suas palavras:

(http://www.datasus.gov.br/cns/programas/PROGRAMACARTALULA.htm)

"Finalmente, não poderia deixar de assumir um compromisso especial com as mulheres brasileiras, tanto a respeito da necessária humanização do parto, como na questão do aborto. Eu, pessoalmente (...) sou contrário ao aborto. Mas como presidente da República não poderei ignorar que no Brasil mais de 2 milhões de abortos [esta estatística baseia-se na mais científica "chutometria"] são realizados anualmente de forma ilegal, clandestina, sem os necessários cuidados médicos (...).".

e) Nas eleições de 2.002, Lula tomou uma postura conhecida como "paz e amor", evitando atacar seus adversários e entrar em temas polêmicos. Suas 73 páginas do Programa de Governo não mencionam o tema aborto. No entanto, o aborto está presente em um dos "Cadernos Temáticos do Programa de Governo" intitulado "Saúde para a Família Brasileira". Este caderno de 26 páginas apresenta a seguinte passagem na página 14:

Nosso governo assumirá o compromisso de assegurar tratamento diferenciado e efetivo para a população feminina, priorizando as seguintes ações públicas:

(...)

- o da garantia dos serviços de assistência nos casos previstos no artigo 128 do Código Penal.

f) Lula defende que rede pública de saúde possa fazer abortos:

00:07 07/09/2002

Redação (editor ultimosegundo@ig.com)

SÃO PAULO - "O estado tem que cuidar e não apenas proibir". Segundo o candidato do PT à presidência, Luiz inácio Lula da Silva, o aborto é uma questão mais de saúde pública que de ideologia. "Todo mundo é contra", disse, em entrevista à "Rede TV!" nesta sexta-feira. No entanto, o governo não pode ignorar que a prática existe, seja legal ou não."Milhares de meninas ficam grávidas todos os dias e tentam tirar com agulha de tricô ou chás", afirmou. Nesses casos, segundo ele, "O ABORTO É UMA QUESTÃO DE SÁÚDE PÚBLICA E DEVE FICAR A CARGO DO ESTADO". (!!!)

São de autoria do PT:

1º) Projeto de Lei 20/1991: dos deputados Eduardo Jorge (PT/SP) e Sandra Starling - (PT/MG): Dispõe sobre a obrigatoriedade de atendimento dos casos de aborto previstos no Código Penal, pelo Sistema Único de Saúde. Situação: Pronto para Pauta. [Nota: foi a dificuldade em fazer aprovar esse projeto que levou os abortistas a pressionarem o Ministro José Serra para que introduzisse o aborto no SUS com uma única canetada, driblando o Congresso Nacional.]

2º) Projeto de Lei 176/1995: do deputado José Genoíno (PT/SP) Dispõe sobre a opção da interrupção da gravidez (por simples solicitação da gestante!). Situação: Apensado ao Projeto de Lei-1.135/1991, ora tramitando em conjunto.

3º) Projeto de Lei 605/1999: do deputado Professor Luizinho (PT/SP) Dispõe sobre a obrigatoriedade dos servidores das Delegacias de Polícia informarem às vítimas de estupro sobre o direito de aborto legal. Situação: Aprovado pela Câmara. Enviado ao Senado, onde recebeu o nome PLC 18/2001. Tramitação em regime de urgência sustada graças a requerimento do Senador Pedro Simon (PMDB/RS). Aguardando Parecer do relator Sebastião Rocha (PDT/AP) da Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

4º) Projeto de Lei 1.135/1991 dos deputados Eduardo Jorge (PT/SP) e Sandra Starling (PT/MG): Suprime o artigo 124 do Código Penal Brasileiro (o aborto provocado pela própria gestante deixa
de ser crime). Situação: Pronto para Pauta.

5º) Projeto de Lei 1.174/1991 do deputado Eduardo Jorge (PT/SP) Dá nova redação ao artigo 128 do Código Penal (ampliando os casos de não punição do aborto). Situação: Apensado ao Projeto
de Lei 1.135/1991, tramitando em conjunto.

6º) Projeto de Lei 1.956/1996 da deputada Marta Suplicy (PT/SP) Autoriza a interrupção da gravidez nos casos que menciona (má formação fetal - aborto eugênico). Situação: Apensado ao
Projeto de Lei 1.135/1991, tramitando em conjunto.

São de autores fora do PT:

7º) Projeto de Lei 3.280/1992 do deputado Luiz Moreira (PTB/BA) Autoriza a interrupção da gravidez até a 24ª semana nos caso previstos na presente lei (má formação fetal - aborto eugênico). Situação: Apensado ao Projeto de Lei 1.135/1991, tramitando em conjunto.

8º) Projeto de Lei 2.929/1997 do deputado Wigberto Tartuce (PPB /DF) Permite às mulheres estupradas por parentes a interrupção da gravidez. Situação: Apensado ao Projeto de Lei
1.135/1991, tramitando em conjunto.

FORÇAS OCULTAS:

1. Em 1995 estava em tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Câmara dos Deputados o famoso Projeto de Lei 20/91, de autoria dos deputados Eduardo Jorge (PT/SP) e Sandra Starling (PT/MG), que pretendia obrigar os hospitais públicos a abortar crianças no caso de um estupro e no caso (inexistente) em que o aborto fosse "necessário" para salvar a vida de uma gestante enferma. No dia 30 de outubro de 1995 o deputado Hélio Bicudo(PT/SP) foi designado como relator do projeto. No dia 6 de dezembro, Hélio Bicudo ousou emitir um relatório em desacordo com a bandeira abortista de seu Partido (PT). Seu parecer não continha nenhum permissivo para o aborto. Em caso de estupro, ele propunha uma solução genial: se a mulher não desejasse ficar com a criança após o nascimento, o Estado assumiria para si o encargo de educá-la. O substitutivo de Hélio Bicudo fez com que forças ocultas o obrigassem a deixar o cargo de relator do projeto, em favor da abortista Zulaiê Cobra Ribeiro (PSDB/SP), que assumiu tal função em 28 de março de 1996.

2. No dia 26 de novembro de 1996, a nova relatora emitiu seu parecer, obviamente favorável ao projeto abortista. No entanto, Hélio Bicudo (PT/SP) continuava a pertencer à Comissão (CCJR) e poderia votar contra o parecer da relatora. Pelo menos teoricamente...

Chegou o dia 28 de agosto de 1997, quando, depois de inúmeros adiamentos, finalmente o projeto abortista foi votado. Hélio Bicudo (PT/SP) compareceu e fez um solene discurso contra o aborto.

Uma multidão lotava as galeria da sala da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR). Vários parlamentares, sentindo a pressão popular, posicionaram-se a favor da vida. A relatora Zulaiê Cobra (PSDB/SP) não escondeu seu desespero diante de uma possível e iminente derrota.

A votação foi nominal. Como de costume, todos os deputados do PT votaram a favor do aborto. E Hélio Bicudo? Forças ocultas obrigaram-no a ausentar-se na hora da votação. Sua ausência, infelizmente, foi decisiva. Graças a ela, houve um empate (23 x 23 votos). Prevaleceu então, o parecer favorável da relatora e o projeto foi aprovado na Comissão.

Depois, Hélio Bicudo tentou justificar-se dizendo que, sendo ele suplente, achou que não seria chamado para votar e, por isso, não permaneceu na sala. No entanto, vale lembrar que a deputada Marta Suplicy (PT/SP), chamada para votar em lugar dele, também era suplente e permaneceu até o fim da sessão (e votou a favor do projeto, é óbvio).

3. Em Goiânia, no início de 1997, os vereadores perceberam um clamor popular pela revogação da lei municipal do aborto. O primeiro que se prontificou a apresentar um projeto revogando a lei 7.488/95 foi Djalma Cotinguiba Araújo. Eu estava presente quando no dia 3 de junho de 1997 ele fez a proposta, recebida com grande exultação pelos jovens reunidos em certa paróquia. No entanto, por infelicidade Djalma pertencia ao PT. Forças ocultas obrigaram-no a retirar o projeto de pauta (!), renunciando àquilo que um político mais preza - a popularidade - em favor das diretrizes do Partido. Resultado: a glória da revogação da lei do aborto ficou para um outro vereador: Iram Saraiva Júnior, de um outro partido(PMDB).

4. Em abril de 2001, o PT preparava mais um golpe: desejava que o Projeto de Lei 18/2001, recém-chegado ao Senado, de autoria do deputado Professor Luizinho(PT/SP) fosse votado e aprovado em regime de urgência. Tal projeto deveria obrigar os delegados de polícia a mentir, informando às vítimas de estupro que a lei lhes assegurava o direito de matar a criança concebida. Os delegados deveriam também indicar às mulheres os lugares próprios para o aborto.
No dia 18 de abril de 2001, o projeto seria votado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. Na tarde do mesmo dia, ele seria apressadamente apreciado pelo plenário. Depois, vitorioso, seria encaminhado para a sanção do Presidente da República.

Graças a Deus, o regime de urgência foi sustado, mediante um requerimento assinado pelo Senador Pedro Simon(PMDB/RS) e o projeto voltou a tramitar normalmente.

Um detalhe interessante, porém, é que a primeira pessoa indicada para relatar o projeto foi a senadora Marina Silva (PT/AC). Como ela, porém, é protestante e contrária ao aborto, mas pertencia ao PT, forças ocultas obrigaram-na a renunciar à relatoria do projeto. Tal informação eu obtive no próprio gabinete da senadora. A "batata quente" ficou então para sua correligionária Heloísa
Helena (PT/AL), a qual, depois, passou o encargo para o senador Sebastião Rocha(PDT/AP).

5. No dia 25 de abril de 2001, estava em pauta na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 947/1999, de autoria do deputado Severino Cavalcanti (PPB/PE), que "institui o Dia do Nascituro, a ser festejado no dia 25 de março de cada ano". Por felicidade, foi escolhida como relatora do projeto a deputada Ângela Guadagnin (PT/SP).

Amicíssima de Dom José Nélson Westrupp, ela é membro da Comissão Diocesana de Defesa da Vida de São José dos Campos. Obviamente, a deputada não podia deixar de emitir um parecer favorável ao projeto. No entanto, como conciliar isso com a bandeira abortista de seu Partido(PT)? Forças ocultas permitiram que ela redigisse um belíssimo relatório em defesa da vida, mas impediram que ela comparecesse no dia da votação. Assim, a tramitação do projeto não pôde prosseguir pela ausência da relatora.

Mais ainda: no dia 30 de maio de 2001, a deputada petista Ana Corso (PT/RS) pediu vistas do projeto a fim de emitir um voto em separado, obviamente, contrário ao projeto. E a votação do projeto foi sendo protelada indefinidamente... até os dias de hoje.

NO PT NÃO HÁ LIBERDADE

À luz dos fatos acima (contra os quais não há argumentos), pode-se perceber o autoritarismo com que o PT trata os seus filiados. Fica agora fácil compreender o alcance das palavras contidas no Estatuto do Partido, aprovado em 11 de março de 2001. Vejamos um artigo que trata dos mandatos dos parlamentares:

"Art. 66: O Partido concebe o mandato como partidário e os integrantes das Bancadas nas Casas Legislativas deverão subordinar sua ação parlamentar aos princípios doutrinários e programáticos,
às deliberações e diretrizes estabelecidas pelas instâncias de direção partidária, na forma deste Estatuto."

Aliás, desde sua pré-candidatura, o petista deve reconhecer sua inteira submissão ao Partido:

"Art. 69: Desde o pedido de indicação como pré-candidato a cargo legislativo, o filiado comprometer-se-á rigorosamente a:

I- reconhecer de modo expresso que todo mandato eletivo pertence ao Partido e que suas instâncias de direção poderão adotar todas as medidas necessárias para preservar esse mandato se deixar a legenda ou dela for desligado."

É de se notar, pelos exemplos já citados, que o mandato dos parlamentares, em vez de pertencer
aos eleitores ou de pertencer a Deus, pertence de maneira absoluta ao Partido.
(PT), que tem o poder de punir qualquer desobediência.

Alguém poderia invocar alguma exceção. Sim, há exceções. Todas elas, em confirmação da regra. Houve casos, raríssimos, de parlamentares petistas votando contra o aborto. Mas sempre, em tais casos, o voto contrário do petista não iria fazer diferença para a aprovação do projeto.

Assim, por exemplo, encontramos Hélio Bicudo (PT/SP) no dia 23 de abril de 1996, votando a favor da Proposta de Emenda Constitucional 25A/95, do deputado Severino Cavalcanti, que pretendia incluir em nossa Constituição o direito à vida "desde a sua concepção". Hélio Bicudo foi um entre 32 que votaram SIM contra 356 que votaram NÃO. Essas concessões são importantes para dar ao público uma aparência de liberdade, que de fato não existe no PT.

Vejamos o caráter extremamente excepcional com que um petista pode votar segundo a sua consciência:

"Art. 67: § 2º: Excepcionalmente e somente por decisão conjunta da Bancada e da Comissão Executiva do Diretório correspondente, precedida de debate amplo e público, o parlamentar poderá ser dispensado do cumprimento de decisão coletiva, face a graves objeções de natureza ética, filosófica ou religiosa, ou de foro íntimo.

Para o PT, portanto, a ditadura é a regra. A liberdade é exceção.

Nenhum petista, portanto, é livre:

a) para ser autor de um projeto de lei que valorize a vida intra-uterina, que desestimule a prática do aborto ou que revogue uma lei abortista (pode-se procurar em vão, desde a mais humilde Câmara Municipal até o Senado Federal por um único parlamentar petista que tenha conseguido fazê-lo);

b) para dar parecer favorável, como relator, a um projeto de lei pró-vida, e comparecer no dia da votação (ver o caso Ângela Guadagnin);

c) para votar contra o aborto em uma sessão em que o seu voto poderá influir decisivamente no resultado (ver o caso Hélio Bicudo).

TOTALITARISMO

O controle do PT sobre seus membros é mantido através de uma rígida disciplina. "O Partido não reconhece o direito de seus filiados organizarem-se em frações, públicas ou internas" (art.233, §3º.). Os organismos superiores podem intervir nos inferiores (art. 229), inclusive dissolvendo-os
(art. 230). "A infidelidade partidária se caracteriza pela desobediência aos princípios doutrinários e programáticos, às normas estatutárias e às diretrizes estabelecidas pelos órgãos competentes"
(art. 211 "caput"). Os parlamentares podem ser infiéis ao Partido "pela atitude ou pelo voto" (art.211, §2º). As sanções vão desde a advertência até a perda de mandato (art. 210).

UMA EXCELENTE ORGANIZAÇÃO CONTRA A VIDA E A FAMÍLIA

Como visto, no Congresso, o PT é líder absoluto em autoria de projetos de lei abortistas Outra bandeira do Partido é a do direito ao homossexualismo. Desde 1992, o PT possui um Núcleo de Gays e Lésbicas (NGL) (1) O filiado ao PT tem o dever de "combater todas as manifestações de discriminação em relação à [...] orientação sexual"(art. 14, inciso II). Todas as marchas de "orgulho homossexual" recebem apoio expresso do PT. No Congresso, há várias matérias pró-homossexualismo: além do Projeto de Lei 1.151/1995, da ex-deputada Marta Suplicy (PT/SP), que "dispõe sobre a parceria civil registrada de pessoas do mesmo sexo e dá outras providências", encontramos a Proposta de Emenda Constitucional 67/1999 do deputado Marcos Rolim (PT/RS)
que pretende tornar o homossexualismo um direito constitucional e o Projeto de Lei 5003/2001, da deputada Iara Bernardi (PT/SP), que pretende punir aqueles que "discriminarem" os homossexuais (talvez a Igreja Católica, por não admitir homossexuais nos seminários e
conventos...). Uma rápida visita às várias Assembléias Legislativas e às Câmaras Municipais revela que o PT tem um plano de ação nacional, muito bem orquestrado, para a implantação do aborto e do "casamento" de homossexuais em nosso país. São incontáveis os projetos de lei de vereadores e deputados estaduais petistas visando o favorecimento da prática do aborto e do
homossexualismo. Uma ação de tal magnitude não se encontra em nenhum outro partido.

Anápolis, 30 de setembro de 2002.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Presidente do Pró-Vida de Anápolis."

(www.providaanapolis.org.br)

(1) Verificar em http://listas.pt.org.br/homo.htm

JPLima disse:
21 de outubro de 2006 às 23:15

“APOSTA” Professor Armando, coisa mais infantil. Eu meu Caro Professor Armando, fui Petista, e pior que alguns ilustres petistas “Gatunos” em franca atividade no PT, é ver a militância perdida numa ideologia ultrapassada, arcaica e sem futuro. Até mesmo o principal líder dessa atual “Organização”, perdida entre o passado e o futuro, LuLLa, sabe que chegou ao fim. A reeleição poderá até acontecer, mas a Governabilidade, a pesar de todo sua IGNORÂNCIA, Ele sabe, não terá com isto que está ai, o PT de ontem e de hoje ACABOU. O que restou dos 12 anos dos Governos do PSDB e PT é isto que estamos vendo aí: o País mergulhado numa crise jamais vista pós Ditadura. Corrupção nos Três Poderes, a partir do Palácio do Planalto, o País ridicularizado no Exterior, e isso sem falar na credibilidade das Instituições internas. O próprio Lulla, sem saber ainda o que lhe reserva as Urnas, articula a criação de um Partidão, colocando um fim no PT. Aquele Partido que durante todo tempo em que foi Oposição e que tinha como palavras de Ordem Ética e Moral, sucumbe diante de uma possível reeleição do seu principal líder, e de maneira catastrófica tem seu fim determinado pela pratica de Corrupção, Crime Eleitoral e Improbidade Administrativa de seus membros. Eu pergunto: APOSTAR em que? Isso não é brincadeira, lamentavelmente.

Armando do Prado disse:
22 de outubro de 2006 às 00:35

Esse Mr Richard deve sofrer de verborragia solta, pois rabisca quilômetros de coisas desconexas mais próprias para um desvairado. A derrota que se aproxima está deixando-o transtornado.

Lula no comício hoje em Curitiba na Boca Maldita, para milhares de pessoas:

"Neste Estado até preconceito contra o meu dedo eles já fizeram. É uma doença que fica dentro da pessoa. Na campanha se espalha pela cabeça dos preconceituosos".

Lula se referia a um adesivo que fizeram no Paraná, com a mão com 4 dedos e um sinal de proibido em cima.

Em seguida disse:

"Se eles tem preconceito contra quem nao tem um dedo, imaginem o preconceito contra os negros, as mulheres, os pobres"

MATOU A PAU

O POVO GRITAVA DEMAIS... BANDEIRA PRA TODO LADO.

E ainda tem as loucas da Kombi que acham que o povo é bobo

Armando do Prado disse:
22 de outubro de 2006 às 00:53

Aviso aos plutocratas e aristocratas falidos que insistem em pensar que o país é só deles:

Lula 62% Alck da Opus Dei 38%

Votos válidos.

Gritem, esperneiem, ranjam os dentes, mas serão derrotados de forma acachapante como eu dizia há pelo menos 20 dias. Não é possível mais, esses país ser apenas de uma elite predadora e irresponsável, que só vê os seu próprio nariz. São acomodados, lutam para ter os seu apto., seu 2º carro do ano, filho em escola particular, restaurante no fim de semana, assinatura da Veja, barriga saliente, e muita arrogância contra o povo, olhando com desprezo os que constroem de fato essa nação. A "casa grande" ainda persiste, e é preciso desconstruí-la aos poucos. A elite deve agradecer pois o povo o está fazendo democraticamente, participando do jogo que a aristocracia criou, sem revolução, sem movimentos de força, dando oportunidade, portanto, para que essa aristocracia burra se redima e dê oportunidade de participação aos milhões de excluídos.

De qualquer maneira, nossa geração que resistiu à ditadura militar, não vacilaremos em resistir aos boatos e tentativas de levar essa eleição para os 3º e 4º turnos.

Chega de Bornhausens, ACM's e Jeiressatis, fiéis servidores dos poderosos, que já foram derrotados em seus Estados. Agora o povo pede passagem para as reformas necessárias e aprofundamentos das conquistas sociais.

JPLima disse:
22 de outubro de 2006 às 01:01

Profesor Armando, o Senhor é professor mesmo ou é um ímbecil, sofrendo de dislexia? Pelo menos tente raciocinar antes de comentar.

JPLima disse:
22 de outubro de 2006 às 02:01

22/10/2006 | 0:00
Fumaça e fogo petistas
Lula se reuniu em um apartamento dos Jardins, em São Paulo, com o ex-ministro José Dirceu e Márcio Thomaz Bastos após o debate no SBT. O ministro da Justiça saiu no carro com ele e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Fica a suspeita de que o nome de Dirceu surge como cortina de fumaça, até a eleição: ele toparia "ir para o sacrifício" no caso do dossiê. (FONTE:claudiohumberto.com.br)

é isso aí: só tem "gatuno" no PT.

Armando do Prado disse:
22 de outubro de 2006 às 10:50

juacílio v. é daqueles analfabetos funcionais que hoje pululam nas "faculdades". Analfabeto e boçal, pois não consegue entender o que lê. Quanto a ser petista, v. é um mentiroso, pois pela conversa deve ser um fascistinha deslumbrado.

Richard Smith disse:
22 de outubro de 2006 às 12:19

Ô Juacílio você nunca foi petista, tá vendo?

Para ser "petista", você precisa enfiar profundamente a sua cara no "marrom" do Excomungado e dos próceres da sua quadrilha - como o minúsculo revolucionário de boteco, josé dirceu - como o fazem os PeTralhas canalhas (e caloteiros) que o criticaram.

Vê se aprende, rapá.

Um abraço a você.

JPLima disse:
22 de outubro de 2006 às 12:21

haaaa (risos), o Armando foi fisgado.

Era essa a resposta que eu esperava dele. Isso não tem nada de professor.

A Diferença entre nós, meu caro Armando, é que eu não sou um Prostituto Intelectual.

Richard Smith disse:
22 de outubro de 2006 às 12:21

"Verborragias quilométricas com inutilidades fundamentalistas e mal educadas".

Mais uma vez, a PeTralhada ao invés de afrontar, com argumentos, as colocações feitas pelos opositores à candidatura do Excomungado (agora vocês percebem porque o chamo assim?!) prefere partir para o achincalhe e a desqualificação moral do "ofensor".

Eles julgam a intenção do contendor e não as suas colocações. Desonestidade intelectual máxima, como sói acontecer com canalhas PeTralhas.

Quá, quá, quá, quá!

Mas e aí putada PeTralha e quanto ao ABORTO e o PT mesmo?

O gatinho comeu a linguinha de vocês?

Espero que não, pois gosto muito de gatinhos para quer vê-los mortos por envenamento e podridão!

Richard Smith disse:
22 de outubro de 2006 às 12:42

Ô Juacílio: falando em "loucas", você percebe como as moças, quando ficam sem argumentos começam a xingar e gritar his´tericamente slogan e desfiar lorotas que não tem nada a ver com o caso?

Não é impressionante?

A minha avó preconizava excelente remédio para "moças" já passadas que tinham incontinências histéricas...casamento, ou algo "assemelhado", se é que você me entende.

Outro abraço, hein?

JPLima disse:
22 de outubro de 2006 às 12:57

Caro Richard,

Concordo plenamente com vc. O que ocorre é que esse pessoal não consegue manter a discusão em alto nível. Foi por está razão que tive que fazer isto com o este Senhor que se diz professor. Agora tenho a certeza que estão todos na mesma VALA.

Robespierre disse:
22 de outubro de 2006 às 22:38

...vejo que as duas estão de mãozinhas dadas, as comadres salazaristas. que romântico, sobraram só as duas na kombi tucanalha. os ratos abandonaram cedo o navio, não? richard conta para o estudantinho analfa funcional o que é salazarismo. ah, já que v. estão tão juntinhas aí na kombi, conte também que v. serão derrotados de forma acachapante...

delenda daslu!

Robespierre disse:
22 de outubro de 2006 às 22:39

...agora richard falando sério: v. falar em discussão de alto nível, deve ser gozação, ou v. além de outras dificuldades não tem senso crítico? releia o que v. escreveu e veja quantas vezes usou e abusou de termos chulos? quem baixou o nível, senão você meu caro? no início, quando o "comentarista" ainda participava (onde está v. comentarista?) v. ainda mantinha uma conversa razoável, mas na medida que a derrota se configurou como definitiva, v. perdeu a compostura...

... a vida não se resume em eleições meu caro, além de ser péssimo exemplo para estudantezinhos desprovidos de espírito crítico, veja que ele está repetindo suas bravatas feito papagaio...

Richard Smith disse:
22 de outubro de 2006 às 23:40

PeTralha canalha e caloteiro:

Em primeiro lugar, 40.000.000 (40 milhões) de eleitores não cabem numa kombi. A piada é imprópria, mesmo para uso neste espaço, aonde o número de PeTralhas e PeTelhos que nutrem afeto erótico pelo "grande líder" não é maior do que aqueles que são contrários a ela.

Em segundo lugar, para tudo há uma hora e um lugar. "Conversa razoável" é para tempos e situações "razoáveis".

O Excomungado, que já havia rompido todos os paradigmas de "eu não sabia", de "erros dos meninos", de "aloprados" e outros convenientes estupros da lógica, do bom-senso e da decência, agora resolveu radicalizar, com mentiras e boatos, acerca das supostas "privatizações", dos cortes do "bolsa-esmola" e até da "privatização" da Amazônia (?!!!!).

Neste panorama, você acha que é mesmo hora de condescender com Petralhas safados, mentirosos e mistificadores como você, o Professor e outros que pululam neste espaço, "repercutindo" os "pensamentos" e as "notícias" de outros canalhas bem piores, como o josé dirceu, o tarso genro, o tão e outros mais?!

Não, até você, eu acredito que não deve achar possível.

Daí o porque, altamente hipócrita a sua queixa de que eu estou "magoandinho" a susceptibilidade dos leitores do Conjur e sendo "mauzinho" para os seus ouvidinhos.

Entendeu, canalha?!

Por derradeiro, quanto ao Comentarista, eu creio que ele não sobreviveu ao desgosto do primeiro turno ou então é mais um caloteiro safado, como você!

Richard Smith disse:
22 de outubro de 2006 às 23:43

E aproveito para perguntar novamente aos "aparelhadores" e cultores da candidatura do Excomungado:

E sobre a ligação instrinseca entre Lulla, PT e ABORTO, vocês não tem nada a dizer?

Cambada de safados!

Robespierre disse:
23 de outubro de 2006 às 03:32

Viva o Estado mínimo e a iniciativa privada!

Nesta segunda fantasia política, nosso colunista narra o hipotético encontro do candidato com 22 importantes empresários e banqueiros.

Bernardo Kucinski

Uns estão sentados ao redor da majestosa mesa oval da diretoria do banco. Outros se servem de canapés de caviar e camarão num balcão ao longo da parede. Bebem Chivas Regal 18 anos e Rothschild safra 1970. O candidato pede atenção, batendo delicadamente as mãos.

“Prezados amigos. Quero em primeiro lugar agradecer a presença de todos, e a concordância em manter este encontro sob reserva. Agradeço em especial ao Benjamin, também ao André e demais amigos do banco que organizaram tudo (1). O adversário é ladino, e provocou um grande estrago na nossa campanha ao me obrigar a desmentir publicamente nossos planos de privatizações. Vejam vocês, fui obrigado a desmentir até por escrito, na carta ao PDT. Muitos me telefonaram, intrigados, cobrando uma explicação. Pedi esse encontro para explicar o momento delicado que atravessamos e reafirmar nosso compromisso. Ora, que sentido teria a minha candidatura se não fosse para retomar as privatizações interrompidas por este governo populista? Não teria sentido nenhum.

As privatizações foram a grande tarefa histórica do PSDB. Foram quase 50 empresas, todo o setor siderúrgico, fertilizantes, petroquímica, teles, bancos, tudo a preço de oportunidade (2). Praticamente todo o patrimônio acumulado por gerações e gerações de brasileiros. E nós conseguimos. Não foi fácil, mas conseguimos. Privatizar é a nossa razão de ser. Temos que tirar do Estado brasileiro a capacidade de fazer política econômica à revelia do mercado".

(murmúrios de aprovação, alguns batem com o nó dos dedos no tampo da mesa em sinal de aprovação)

“Não vamos confundir necessidades de campanha, com os verdadeiros compromissos políticos, que como vocês sabem, eu nunca traí. A redução da participação do estado na economia é um dos fundamentos de nossa doutrina, como disse muito bem o Luiz Carlos (3). Pois eu não vendi um bom pedaço da CESP há menos de quatro meses? Não mandei à Assembléia a lei que permite a privatização da empresa de transmissão? (4) E, antes disso, não privatizamos a Sabesp, a Comgás, a CPFL?

Lembrem-se de que em 12 anos só aqui no Estado de São Paulo, o PSDB privatizou 20 empresas? Agora mesmo, eu não tomei todas as medidas para vender 20% das ações da nossa Caixa? (5) É verdade que o Cláudio teve que suspender a venda dessas ações, mas isso é temporário. A reação foi muito forte. E é sobre isso que eu quero falar. Porque está claro que vamos ter que mudar de tática. Fazer com que a proposta venha do Congresso. Usar palavras diferentes. Privatizar virou palavra feia, essa é que a verdade. Sofremos aí uma derrota ideológica, localizada mas importante e se não reconhecermos isso, não vamos conseguir privatizar mais nada. E há muita coisa ainda a ser privatizada, os serviços portuários, as estradas de rodagem, a Susep, bancos estaduais, a maior parte do setor elétrico, isso sem falar nos Correios, Banco do Brasil e a Petrobras (6)".

(muito bem, é isso aí, batidas de aprovação)

“Vou ser franco com vocês, o Fernando errou outro dia quando disse que era favorável a privatizar a Petrobras (7). É claro que se a Petrobras fosse privada daria muito mais lucro e seria muito mais eficiente. Mas para que falar em privatizar a Petrobras se podemos simplesmente vender mais blocos de ações com direito a voto? Vender ao público, aos trabalhadores, aos fundos de pensão. Vamos chamar isso de controle popular, controle social, democratização. Ao mesmo tempo fazemos ofertas públicas de grandes lotes na bolsa. Aí vocês entram comprando pesado.

Hoje, 40% das ações da Petrobras já são negociadas na bolsa de Nova York. Isso graças a nós, ao PSDB, graças ao Fernando. E eu vou continuar. Isso eu prometo. Mas com inteligência. Vou propor parcerias com a iniciativa privada no setor energético, no gás. Incentivar a entrada de empresas privadas na distribuição de gás, no mercado de refino e transporte de petróleo (8). Mesmo antes dessa reação, eu só falava em privatização para casos menos sensíveis com a Susesp. Evitava até falar da privatização dos Correios. Dizia que era preciso amadurecer mais um pouco (9). Vamos inovar gente. Vamos criar toda uma nova linguagem, positiva. Pra frente. É quase a mesma dificuldade enfrentada pelo Fernando, quando os americanos exigiram as privatizações, inclusive da Petrobras, para emitir os títulos do Tesouro americano de 30 anos, que garantiram os bradies da renegociação da dívida externa. Sem o Plano Nacional de Desestatização, não teria havido URV, nem nada (10).

Mas a reação no caso da Petrobras foi forte demais. O que fez o Fernando? Mandou uma emenda ao Congresso propondo a “flexibilização” no monopólio de exploração do petróleo. Não falou em privatização. Falou em flexibilização. Foi extremamente cuidadoso. E conseguimos. Hoje centenas de blocos de exploração já estão nas mãos das multinacionais. Às vezes é uma questão de timing. O Fernando também não começou pela Vale, que era o patrimônio mais importante que a equipe do Real queria vender, depois da Petrobras. E vejam o sucesso dessa operação. Foi arrematada por apenas R$ 3,3 bilhões e hoje só num semestre consegue o dobro disso de lucro (11).

É verdade que ainda há 30 ações na justiça contra a privatização da Vale. Mas nós temos os melhores advogados. Já derrubamos 60, vamos derrubar essas trinta também. Vejam o caso do André, que está aqui ao meu lado, seu banco pagou US$ 80 milhões de dólares para ficar com 20% da Light e hoje essas ações já valem 180 milhões de dólares. Um lucro de 130% (12). Todas as privatizadas estão dando um belo retorno graças às tarifas que conseguimos emplacar, os contratos que esse governo populista felizmente ainda não conseguiu modificar. Mas tenham a certeza de que é o que eles vão fazer, se continuarem no poder. Por isso é que eles querem tirar o nosso pessoal das agências reguladoras.

Agora, vamos falar do Banco do Brasil. Eu sei que é isso o que mais interessa. É um caso complexo. Talvez eu tenha que retalhar o banco, como fiz com a Nossa Caixa, que eu dividi em sete subsidiárias, para poder ir vendendo uma a uma (13). Já conseguimos emplacar a idéia de que os petistas colocaram o Banco do Brasil a serviço de um partido político e de que o futuro do Banco do Brasil está na privatização (14). E talvez tenhamos que resolver primeiro o problema do crédito rural, estimular os bancos privados a entrarem pesado no crédito rural, senão não vamos conseguir o apoio da bancada ruralista para privatizar o BB.

Com vocês vêm, tudo tem o seu tempo. O importante agora é vencer a eleição. Vamos vencer. Vamos virar o jogo, como viramos no primeiro turno. E vamos acabar com o aparelhamento do Estado, acabar com o Estado gigante. O Estado têm que ser mínimo. Esse são meus dois compromissos: Estado mínimo e retomada cautelosa mas firme das privatizações".

(O candidato reforça as últimas palavras esticando dois dedos da mão direita, num sinal que também é o da vitória. Alguns aplausos. Ruidosas batidas de aprovação no tampo da mesa..)

- fim da fantasia política -

(1) “A despeito das palavras de Alckmin, o banco Pactual segue acreditando que um mandato do PSDB entre 2007 e 2010 teria impactos favoráveis sobre as empresas estatais, dada a possibilidade de privatização. Para Pactual, a Eletrobrás é a companhia mais bem posicionada...” Yahool Notícias, Infomoney, 06/10/2006.

(2) Conf. "O Brasil privatizado". Aloysio Biondi. FPAS, São Paulo,1996.

(3) Luiz Carlos Mendonça de Barros, em Valor econômico, 09/01/06

(4) Projeto de Lei que altera o Programa Estadual de Desestatização (PED).

(5) Conforme Elio Gaspari na Folha de S. Paulo e O Globo, 15/10/2006.

(6) Declarações textuais de Mendonça de Barros, EXAME, junho de 2006.

(7) Conf. Folha de S. Paulo, 18;10/2006

(8) Conf. O Programa de Governo do candidato.

(9) Conf. O Globo de 15/01/06

(10) Conforme relato detalhado de Maria Clara Machado, em "A Real História do Real", p. 179. Ed.Record. RJ, 2005. p. 155.

(11) Conf. Brasil de Fato, 07/08/06. O lucro do primeiro semestre de 2006 foi de R$ 6,1 bilhões.

(12) Conf. EXAME, de 27/09/2006, p. 14;

(13) Uma delas, a Nossa Caixa Seguros e Providência já foi vendida em maio de 2005à Mapfre Vera Cruz Seguradora, por R$ 225,8 milhões.

(14) Conf. Maílson da Nóbrega, In; O Estado de S. Paulo, 01/10/2006

Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é editor-associado da Carta Maior. É autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998” (2000).

Richard Smith disse:
23 de outubro de 2006 às 11:47

E aproveito para perguntar novamente aos "aparelhadores" e cultores da candidatura do Excomungado:

E sobre a ligação instrinseca entre Lulla, PT e ABORTO, vocês não tem nada a dizer?

Cambada de safados!

Richard Smith disse:
23 de outubro de 2006 às 11:48

São, ou não são, podres?

Canalhas!

Você precisa estar logado para enviar um comentário.