Mulher pode ter matado Ubiratan, diz procuradora

“Parece uma ironia do destino, mas um homem que enfrentou tantos embates durante a vida profissional, que participou de um dos episódios mais marcantes do sistema penitenciário, e que tinha muitos inimigos, possa ter morrido nas mãos de uma mulher em que ele confiava ou que pelo menos, que não tinha razões para temê-la”. A opinião é da procuradora de Justiça em São Paulo, Luiza Nagib Eluf, que estudou por muitos anos o crime passional e escreveu um livro sobre o tema, chamado Paixão no banco dos réus.

O coronel da Polícia Militar Ubiratan Guimarães, que comandou o Massacre do Carandiru e era deputado estadual pelo PTB, foi encontrado morto, com um tiro no abdômen, em seu apartamento, no bairro dos Jardins, em São Paulo no domingo (11/9).

Segundo a procuradora, pelo que foi apurado até o momento tudo faz crer que foi uma pessoa próxima que o matou, já que não há sinais de arrombamento no apartamento e nem vestígios de luta. “Há vários indícios de situação de intimidade entre a vítima e o assassino. A polícia encontrou também sêmen, o que traduz uma situação de intimidade.”

Crime passional

Nos estudos de Luiza sobre o crime passional, a procuradora diz que a pessoa que comete o crime movida pela paixão tem um perfil característico. “Que paixão é essa que leva a pessoa a eliminar o objeto de desejo e comete a maior de todas as traições? Ela tem uma conduta extremamente egoísta, possessiva, egocentrada e vingativa. Não se pode querer obrigar alguém a ser fiel. A única fidelidade que existe é espontânea, não pode ser exigida como obrigação, por um dever, um compromisso.”

A advogada Carla Ceppolina, 40, namorada do coronel, foi a última pessoa a ser vista em sua companhia na noite de sábado. Em depoimentos informais a policiais do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa, na segunda e na terça-feira (12/9), ela negou a autoria do crime. Admitiu apenas que discutiu com o namorado no sábado, por causa do telefonema de uma mulher que ele recebeu

Um perito que trabalha no caso revelou, nesta terça-feira, que o tiro que matou Ubiratan Guimarães partiu de uma arma calibre 38, o que reforça a possibilidade de que ele tenha sido baleado com uma de suas próprias armas. Ele guardava em casa sete armas, inclusive um revólver 38. A polícia não tem suspeitos para o disparo.

Fragmentos do crime

Ubiratan foi morto quando estava sozinho em casa. Segundo o delegado-geral Marco Antônio Desgualdo, “as primeiras pistas não indicam envolvimento do PCC. A porta de trás do apartamento estava aberta”, disse.

O coronel foi deixado em casa pelo motorista no sábado à noite. Ele não tinha agenda de campanha no domingo, mas os assessores estranharam a falta de contato, já que ele costumava telefonar mesmo nos dias em que não tinha compromisso.

No fim da tarde, dois assessores foram ao apartamento e encontraram seu corpo caído, aparentemente com um tiro na barriga. No início da noite, o corpo apresentava rigidez cadavérica, o que indica que a morte ocorreu pelo menos 12 horas antes. A perícia do cadáver começou a ser feita por volta da meia-noite da segunda-feira (11/9).

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Adriana Aguiar

é repórter do jornal DCI.

Josimar disse:
13 de setembro de 2006 às 10:35

A Policia deveria estar investigando todos os Moradores do Prédio, pois se não há indicios de novos frequentadores no Edificio a chave está aí.
Quem sabe não exista algum morador ( integrante do PCC ) que alugou algum apto. apenas para aguardar o momento certo de agir.
O correto é verificar o tempo de moradia decada proprietário.
Pôxa estou me saindo melhor que o Cherlok Homes (É assim mesmo que se escreve??? )

Embira disse:
13 de setembro de 2006 às 11:12

1.Velhinha de Taubaté: acho que não é insinuação, mas, comentário de especialista, pessoa que já analisou muitos casos semelhantes e conhece as características de autoria de determinados crimes;
2. Josimar: o nome correto do personagem parece ser Sherlock Holmes, mas, você está se saindo muito bem como investigador. Olha - tem um outro caso nebuloso que ocorreu na mesma região dos Jardins que nem o provecto Suplicy conseguiu desvendar. Quem sabe você não pode dar uma mão?

Maria do socorro disse:
13 de setembro de 2006 às 14:10

Com certeza esse crime foi mesmo passional. Ao receber o telefonema da outra mulher, CARLA, sentiu que estava sendo abandonada...e cometeu o crime.

Carlos José Marciéri disse:
13 de setembro de 2006 às 15:41

Será que não existem freios no Ministério Público Estadual e no Federal. Aqui, uma Procuradora de Justiça, alegando experiência, ofende a honra alheia em nítida afronta a Constituição. No 'Estadão', outra Procuradora, mas do MP Federal, com rédeas soltas ataca decisões do STF, exige linguagem jurídica e não aceita linguagem jornalística. Será que estão trabalhando ou somente dedicando a outras atividades?

tyba disse:
14 de setembro de 2006 às 01:21

A namorada do coronel é, até agora, a principal suspeita do homicídio. De acordo com o noticiário, na noite do crime a moça esteve com o namorado, com quem brigou por ciúmes. Ela declarou ter deixado o prédio por volta das 19 horas, mas o porteiro a viu sair perto das 22 horas. O porteiro, ainda segundo a notícia, tinha começado seu turno às 21h30.

Em geral, bandidos usam arma própria, comumente automática, e atiram na cabeça.

Já atiradores ocasionais preferem apontar para a barriga para não correr o risco de errar.

Nos crimes praticados na intimidade, em lugar seguro e sem a presença de testemunhas, acontece de o autor fazer um disparo e, notando a morte iminente, esperar a constatação do óbito.

Só em caso de necessidade é dado o tiro de misericórdia. Ou a morte é abreviada por asfixia.

Deixe-se claro, no entanto, que a namorada do coronel é apenas suspeita. Não há contra ela acusação ou denúncia.

Caos disse:
14 de setembro de 2006 às 06:46

A figura a ser vista aqui é a de Nemeides.
Seria a justiça além da dos homens, visto ter Ubiratan escapado desta. Nemeides, representada por uma ninfa na mitologia Grega, castigava aqueles a quem a Sorte favorecia e que agiam contra a natureza. Ubiratan não seria o unico responsavel por carandiru. Mas estava lá e poderia te feito algo a mais.
Enquanto Nemeides traz de volta o equilibrio, vai a justiça discutindo se a pena de Ubiratan deve ou não ser suspensa. Parece, Outros, que não aprendemos nunca nada. Num é?

Jose Antonio Dias disse:
14 de setembro de 2006 às 10:51

Este caso é muito interessante. Parece aquele em que o corpo foi achado em um poço, com 15 (quinze) tiros na cabeça e a policia concluiu que foi suicídio. A criminosa está na cara, meu...

Malagoli disse:
14 de setembro de 2006 às 11:44

"Até tu, Brutus meu filho?".

Kurt Cobain disse:
14 de setembro de 2006 às 23:41

"Maria do socorro (Criminal 13/09/2006 - 14:10
Com certeza esse crime foi mesmo passional. Ao receber o telefonema da outra mulher, CARLA, sentiu que estava sendo abandonada...e cometeu o crime. "

CAra Maria do socorro, como V. Sª. pode ser tão IMPRUDENTE???? A senhora deve ter matado as aulas de PENAL, de PROCESSSO PENAL, de CONSTITUCIONAL.....
"ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;" Art. 5º, inc. LVII da CF... Ou seja: Até que se prove o contrário, a namorada do coronel NÃO PODE SER CONSIDERADA CRIMINOSA!

Milton Córdova disse:
18 de setembro de 2006 às 10:35

Naturalmente, a autoria pode ter sido de qualquer pessoa (coisa mais óbvia ululante), e parece que todos os caminhos leval ao "mordomo", ou seja, à Carla.

Acontece que isso é tão óbvio, que penso ser muito dificil (senão impossível) que a Carla, mulher tão inteligente, faria isso, "à vista de todos". Todo mundo viu ela entrar, sair do apartamento, atender telefone e tudo o mais. Pelo critério da razoabilidade e do bom senso, eu diria que não foi a Carla.

Wanderley Gonçalves Carneiro disse:
27 de setembro de 2006 às 20:35

conheci o cel ubiratan há trinta anos, quando exercia o cargo na policia militar e depois na civil. ao contrário o cel não tinha inimigos. Bandidos esse são inimigos de toda sociedade.
foi uma grande perda. A carla por sua reconhecida inteligência, se é que cometeu o delito, não deveria estar no seu melhor dia. wanderley g. carneiro

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