Ação justiceira não tem ética nem moral, não é Direito

A tentação do espetáculo é o grande desvio de rota que o império da mídia impõe aos agentes públicos. Tornar a gestão do Estado um show televisivo é não apenas um risco administrativo, mas, sobretudo, um dano ético. O fenômeno não é apenas brasileiro. É um subproduto da “Idade Mídia” em que vivemos.

Faço o preâmbulo a propósito da recente Operação Furacão, da Polícia Federal. Há nela aspectos louváveis: foram trancafiados personagens da elite brasileira — inclusive integrantes do próprio Poder Judiciário —-, acusados, entre outros delitos, de lavagem de dinheiro. Num país habituado a ver apenas os pobres serem presos, não há dúvida de que a operação surpreendeu positivamente.

Eis, porém, que a mencionada tentação do espetáculo fez o estrago. Efetuadas as prisões, os acusados fizeram o que qualquer pessoa em uma sociedade democrática faz em tal circunstância: chamaram o advogado. Este, por sua vez, procurou acesso aos autos, para saber de que são acusados os seus clientes.

E aí, para surpresa geral, prevaleceu não a lei, que garante tudo aquilo, mas a prepotência policial. Foi negado o contato do cliente com o advogado e o acesso deste aos autos. Nem ao tempo do regime militar a truculência chegou a tal nível. Desprezou-se um instituto clássico e elementar como o habeas-corpus.

Foi preciso que uma instituição como a Ordem dos Advogados do Brasil se mobilizasse e fosse ao Supremo Tribunal Federal e ao Ministério da Justiça pedir (e obter) providências. Felizmente, prevaleceu o bom senso, a truculência foi neutralizada e o Estado Democrático de Direito foi restaurado no âmbito da Polícia Federal.

Se se tratasse de um fato isolado, não haveria nem razão para tratar de tal tema aqui. Seria um problema pontual, menor. Mas não é. Ao tempo em que presidi o Conselho Federal da OAB, entre 2003 e 2006, a Polícia Federal protagonizou espetáculos equivalentes, detendo advogados, invadindo escritórios e quebrando o sigilo que a lei impõe nas relações entre estes e seus clientes.

Tal procedimento fez com que a OAB deflagrasse, em 2004, campanha nacional em defesa das prerrogativas da advocacia. Não se tratava de demanda corporativa: as prerrogativas da advocacia são, na verdade, da cidadania.

O advogado é um defensor da sociedade. Diz a lei que todo cidadão, não importa se infrator ou não (e não importa o grau da infração), tem direito a um advogado. E o advogado não pode ser confundido com o cliente, nem responder pelos eventuais delitos deste. Mais: ter um defensor não significa que se estará preservado de responder penalmente pelo que se praticou. Muito pelo contrário.

Se há uma causa pela qual a OAB se bate desde sua origem é contra a cultura da impunidade. Denunciou sempre privilégios de delinqüentes ricos, que se valem do emaranhado que são as leis processuais brasileiras, que permitem um número incontável de recursos, fazendo com que muitas causas prescrevam antes que o infrator seja julgado.

É preciso rever essas leis e essa reivindicação constou das diversas campanhas que empreendemos em prol da reforma do Judiciário, ao longo de duas décadas. A reforma obtida, em 2004, representou apenas o passo inicial. Há outros, muitos, a serem dados — e um dos mais importantes será o de rever a legislação infraconstitucional que envolve a processualística judicial.

Mas esse é outro assunto, a que podemos retornar oportunamente. Cabe aqui insistir no ponto de partida deste artigo: a gestão pública como espetáculo, sobretudo num país inculto e despolitizado como o nosso, que compra gato por lebre.

Para um povo carente de justiça, a ação justiceira de milícias e esquadrões da morte pode muitas vezes soar como positiva. Mas os que conhecem a ciência do Direito sabem o dano ético e moral que isso representa — e sem ética e moral não há Direito.

Roberto Busato

é presidente da Comissão de Relações Internacionais do Conselho Federal da OAB e ex-presidente nacional da entidade.

O Federalista disse:
26 de abril de 2007 às 14:17

Parabéns pelo artigo!

De fato estamos assistindo a um conluio entre o Ministério Público e a Polícia Federal, que utilizando a Imprensa, estão a transformar em Show, os seus ofícios.

Os defensores ficam sabendo das notícias por meio da Rede Globo. Sem querer entrar no mérito, sabemos que a imprensa condena os acusados antes mesmo do judiciário.

Isso porque existem agentes públicos que não podem abrir a própria geladeira à noite que iniciam uma entrevista ao ver a luz acesa.

Penso que o Conselho Federal da Ordem deve lutar contra esse tipo de prática carnavalesca. Lembro-me da mega-operação da PF que, para prender uma simples dondoca num shopping de São Paulo, precisou de mais de uma dezena de agentes munidos de armamento pesado. (a imprensa, claro, pré-avisada) Pelo amor de Deus, parem com essa palhaçada!!!!! Bastavam dois agentes fardados -sem metralhadoras e fuzis-, com uma ordem de prisão!

A Polícia Federal tem que parar com esses espetáculos e simplesmente cumprir com o seu papel constitucional.

Wilson Arruda disse:
26 de abril de 2007 às 14:42

Também apreciei muito o artigo. Parabéns ao subscritor. Negar ampla defesa a qualquer acusado é um ato de selvageria, que não condiz com uma sociedade civilizada. Lembrem os policiais federais que amanhã podem ser eles nesta situação, já que a corrupção impera solta em todos os níveis do poder, da polícia, da igreja, do botequim da esquina, etc..

Luiz P. Carlos (((ô''ô))) disse:
26 de abril de 2007 às 14:47

“Sem sangue, suor e lagrima não ha mais tempo para o exercício da DEMOCRACIA. Não é ceticismo, não é pessimismo, é a realidade. Os Poderes Públicos constituídos se engalfinharam de tal ordenamento na corrupção, que se tornaram poderosíssimo e neutralizadores dos antídotos democráticos. Ninguém vence com a Justiça pelas próprias razões constitucionais ou legais. Não ha Juiz que resista aos interesses ofertados e se resistir são sumariamente aniquilados pelos corruptos.”

O BAGULHO É DOIDO... O PROCESSO É LENTO... E A PARADA É SÉRIA CUMPADI !!!

Que os traficantes e as novas milícias são criminosos bárbaros, que cometem crimes hediondos, que nos assustam e nos trazem um clima de terror, que precisam ser contidos e trancafiados na forma da lei, não temos a menor dúvida.

No entanto o que mais me aterroriza não são esses bandidos notórios, alias, também não são esses bandidos notórios que mais cometem crimes hediondos, tão pouco os que mais matam inocentes diariamente no Brasil.

Na verdade... o que mais me aterroriza nesse País são os JUIZES, DESEMBARGADORES, PROMOTORES E PROCURADORES, que aterrorizam os cidadãos muito mais do que qualquer MARCOLA, FERNANDINHO BEIRA MAR, ELIAS MALUCO, CACIÓLA, MARCOS VALERIO, MENSALÕES, DOSSIÊS, ETC., até mesmo mais que os próprios PREFEITOS, GOVERNADORES, PRESIDENTE, SENADORES, DEPUTADOS E VEREADORES.

Afinal uma Nação sem JUSTIÇA, ou com uma justiça conivente, omissa, cafetina da impunidade, que chafurda na hipocrisia constitucional, que chega ao extremo de relatar, definir, dirimir e por fim julgar ATOS INCONSTITUCIONAIS E CRIMINOSOS deliberando como se fosse LEGAL E CONSTITUCIONAL, ou seja, INSTITUCIONALISANDO OS CRIMES praticados pelo ESTADO. Estado esse que há muito esta literalmente dilacerado como ESTRUTURA SOCIAL DEMOCRATICA. Não tem credibilidade moral, intelectual, para propor reformas no Judiciário, medidas de segurança nacional, para decretar tolerância zero, ou apontarem supostos Terroristas.

QUEM MATA MAIS INOCENTE, QUEM ATERRORIZA MAIS A POPULAÇÃO?!
Essa é a resposta que procuramos a cinqüenta e sete anos, desde que no morro do juramento foi feito à primeira promessa do crime organizado aos moradores, onde Tião Medonho ao discursar para a plebe, prometeu; Todo dinheiro dos assaltos e do crime reverterão em parte para suprir as necessidades da comunidade.

Porem, muito antes deles os políticos já faziam tal prometimento, e ai esta a estrutura do Estado mais que corrompida, e matando inocentes diariamente aos montes de todas as formas cruéis e Hediondas. Os poderes judiciários, em cima do muro fazendo pose de sisudo e rogado, assistiam passivamente e reagiam tímida e modestamente aos acontecimentos. Melhor, bem melhor do que hoje que já desceram do muro e estão atuantes na sua grande maioria aliados ao *ESTADO PARALELO.

E não adianta esse papo de reforma do judiciário, que o caminho não é esse, essa historia de facção criminosa comandos organizados isso só existe de fato e de DIREITO junto aos poderes públicos constituídos, EXECUTIVO, LEGISLATIVO e JUDICIARIO que se organizam para furtar e se locupletar à custa do povo, o resto é conversa fiada pra iludir a cidadania, que por sua vez finge que acredita e aposta no terror e no caos urbano como solução.

Não tem essa de morador da favela ter medo de Bandido nem de Milícia. O entendimento é que existe uma guerra entre pobres e ricos, poderosos e humilhados, achacadores e achacados e eles sabem perfeitamente que na guerra morrem inocentes. Um milhão de moradores numa determinada comunidade de pobres ou ricos, onde todos amam e preservam suas famílias, se entenderem que o traficante ou qualquer um estiver excedendo o pacto é literalmente esmagado pelo povo.

Esse papo de dizer que o bandido é um monstro, não é mentira, mas que os moleques tem algum ideal naquela mente torpe que caminha e trilha por linhas tortas objetivando algo maior. Isso é fato notório e de difícil analise. O que esta acontecendo na pobre sociedade Brasileira, é um grupo de revoltados analfabetos, conseqüentemente primatas e despreparados, desempregados, famintos, desassistido pelo poder publico, marginalizados, que não tem acesso as suas reivindicações que usam do expediente cabível em sua mente, de traficar para expor com crueldade suas revoltas, arrumar grana para combater e se fortalecer diante do irresponsável desprezo das classes mais abastadas, em tempo que destrói através do vicio os seus inimigos na esmagadora maioria desta classe média e alta, que é sem duvida o seu alvo. Tudo indica que os motivos não são meramente torpes como aparenta ser do tipo querer enriquecer ou ficar famoso, ter muitas mulheres e ser o dono do poder, etc. Caso esse fosse o interesse se contradita com o curtíssimo tempo de vida que os mesmos têm, sabem e estão vendo que seus colegas morrem assassinados, mal caem por terra, de imediato aparece um novo líder para desafiar. Quem quer grana, poder, mulher e fama querem tempo para curtir tudo isso; coisa que bandido jamais terá no front com a nossa gloriosa PMRJ.

Portanto cidadãos Brasileiros, muita calma e muita atenção nessa hora. Estamos colhendo o que plantamos. O momento é irreversível e nem sempre o que se parece ou se enxerga representa o caminho da verdade.

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COCLUSÃO DESTE ARTIGO: Toda e qualquer desgraça Nacional emana do Poder Judiciário; se o prefeito não cuida dos hospitais, escolas, idosos, salubridade, moradia, impostos e tributos, só um juiz tem poderes para obrigá-lo a cuidar na forma da lei e ou com lisura e legalidade, se um policial é corrupto, se um político é ladrão, se uma autoridade prevarica, enfim, tudo numa democracia depende deste poder judiciário. Ninguém tem bola de cristal para adivinhar que o candidato mente em suas promessas, mas o judiciário tem poderes para proibi-lo de se candidatar. Depois de eleito, só o judiciário pode intervir e fazer com que se cumpra à Constituição. Reformas constitucionais, alteração de legislação, atos e contratos, licitações, etc., só o judiciário tem poderes para intervir. Nesse caso a miséria nacional se deve aos JUIZES, DESEMBARGADORES, PROMOTORES E PROCURADORES, coniventes com o esquema.
Luiz Pereira Carlos.
RJ, sábado, 13 de janeiro de 2007.

Ampueiro Potiguar disse:
26 de abril de 2007 às 15:15

Todo mundo agora, depois do mal feito, tem razão.
O articulista e o professor conhecem a Oração aos Moços, de Rui Barbosa. Vivemos, dizia o Jurista, "...num país onde a lei absolutamente não exprime o consentimento da maioria, onde são as minorias, as oligarquias mais acanhadas, mais impopulares e menos responsáveis, as que põe e dispõem, as que mandam e desmandam em tudo". Indica que dois políciais, em vez de prender, seriam presos. Vejam: mandam e desmandam. O que muita gente ainda não entendeu é que as comunicações hoje são imediatas, antecipam-se, até, aos fatos. O problema não é esse. O problema, que na verdade é a solução, está em que as "oligarquiais mais acanhadas" estão produzindo fatos estarrecedores. Logo, devem arcar com as consequências, incluindo a execração pública. Hoje, entendam, tudo é publico. Como deve ser. Quanto à defesa, quanto feita com ansiedade, não justifica tanta reclamação. Toneladas de provas não podem ser vistas, de imediato, por uma dezena de advogados. Calma gente. Quem inocente for, inocente é.E assim será. A Polícia Federal não pode agir, num país como o nosso, como uma procissão de padres. Até porque, alguns deles foram presos na tal hurricane.

Embira disse:
26 de abril de 2007 às 15:33

Novo verbete que deverá ser incorporado aos dicionários por conta da Veja e de setores da OAB: ação espetaculosa. Significa qualquer iniciativa da PF ou do MP contra os criminosos do colarinho branco. Se a ação for contra meliantes de favela, mesmo com uso dos caminhões blindados chamados caveirões, arrombamento de portas pela madrugada, tiros de fuzil AR15, spray de pimenta, gás lacrimogêneo e todo o arsenal normalmente usado nessas ocasiões, não estará caracterizada a ação espetaculosa.

Alemão disse:
26 de abril de 2007 às 16:07

Selvageria é insistir em garantias de prerrogativas de indivíduos com formação e que tiveram oportunidades para chegar onde chegaram e fazer o que fazem!
O que é mais selvagem?
Um desembargador e toda sua turma de comparsas terem seus "direitos" violados (e os deveres? Onde estão?) ou um réles indivíduo sofrer o com o mesmo tratamento? Qual a diferença objetiva entre eles?
Esse papo de democracia é muito bacana, muito bonito, inspira muitas falas e dizeres.
Na verdade, um verdadeiro estado democrático de direito é para países desenvolvidos, exclusivamente desenvolvidos e com um grau de civismo elevadíssimo. Caso contrário, o que teremos é um legítimo estado brasileiro, onde a defesa dessa "pseudo-democracia" gera bons lucros aos seus mais ferrenhos defensores.
Perguntei logo acima:
Ond estão os deveres desses Ilmos. Srs. envolvidos?
Não teriam eles que dar o exemplo indondicional a todos os outros que hierarquica, cultural e socialmente estão abaixo?
Com todo esse discurso de direitos violados dos investigados (como se fossem pobres ladrões de galinhas e não tivessem agora acesso aos mais caros escritórios de advocacia para defendê-los) esses "bons moços" ainda acabaram passando por vítimas e não por réus.
E depois querem que um rapaz de 15, 16 anos com um fuzil na mão tenha alguma noçao de direito e justiça?
Prestem atenção na inversão de valores que ocorre diariamente em nosso país!
Dessa forma não adianta de nada investir em educação, saúde e moradia!
Será que os investigados não passaram por boas escolas? Não se trataram em hospitais caríssimos quando necessitaram ou não moram em luxuosas "meias-águas"?
Mas sabem qual é o segredo de tudo isso?
A certeza da impunidade! Alguns estão acima do bem e do mal e da própria lei e da justiça dos homens, pois essa última só serve para os comuns.

Bob Esponja disse:
26 de abril de 2007 às 16:19

Conforme dito, o advogado não é defensor da sociedade, ele defende tão somente quem o paga, seu cliente. Logo qualquer opinião expressa pelo advogado é viesada ,em menor ou maior grau. Neste sentido o presente artigo visa exclusivamente defender os clientes dos advogados, no caso os acusados.
Típico...

Rodrigo disse:
26 de abril de 2007 às 16:26

Lá vem a OAB defendendo o estado democrático de direito. Porque não bateram o pé no golpe de 64? Ou quando do AI/5? Acho que está na hora destes representantes de classe assumirem que o advogado defende o "status quo" e nada mais. Defender a sociedade uma pinóia.

olhovivo disse:
26 de abril de 2007 às 16:39

Há alguns comentaristas que têm dificuldade até em ler um artigo. O foco da questão não é se os indigitados são culpados ou inocentes. Isso só o julgamento definitivo irá dizer. É cedo ainda para qualquer conclusão. A questão é: pode o estado, através de seus servidores públicos, impedir o acesso do advogado aos autos para conhecer o motivo da prisão de seu cliente? E se a prisão for ilegal? Não se pode esquecer que, antigamente, alguns policiais forjavam posse de entorpecentes para indevidamente prender pessoas. Não se pode esquecer que os donos da Escola Base, por seus advogados, tinham o direito de saber por que tiveram a prisão decretada. Não se pode esquecer que aquela mãe acusada de adicionar cocaína na mamadeira da filha, por seu advogado, tinha direito de ver o inquérito e saber por que foi presa. Linchadores de plantão, calma, não se precipitem.

Fantini disse:
26 de abril de 2007 às 17:02

A cada artigo corporativista que leio neste espaço convenço-me profundamente do acertado caminho que trilha a PF na história de nosso país.

Não vi, neste caso, qualquer show praticado pela PF. Não vi presos algemados ou apresentados para imprensa como troféus, como indevidamente costuma-se fazer com outros tipos de criminosos (homicidas, sequestradores, etc...) Aliás, para estas pessoas, nunca vi a OAB, ou seus membros entoarem campanhas, marcarem reuniões ou protestarem publicamente.

O show, de péssimo gosto, foi protagonizado, unicamente, pelas estrelas outrora intócáveis.

Fico a me perguntar:

Será que os abusos praticados, nunca vistos antes, nem mesmo durante na famigerada ditadura (tal como o articulista disse), passaram desapercebidos pelo STF?

Por que será que a prisão de nenhum dos envolvidos na mencionada operação foi relaxada, haja vista as inúmeras ilegalidades e abusos?

Será que os nobres causídicos não tiveram a suficiente competência em demonstrar as atrocidades praticadas às escancaras, sob à luz do dia, com a vigília da imprensa?

Parece que à falta de argumento jurídico, critica-se as ações da PF desenterrando-se traumas nacionais descontextualizados e destorcidos, que devem envengonhar as verdadeiras vítimas do regime de exceção, na tentativa de se inverter os protagonismos e antagonismos do crime organizado nacional.

Por fim, quero crer que o autor não quis comparar a ação da PF com ação de milícias, esquadrões da morte, ou coisa que o valha, pois ainda acredito na seriedade do autor, mesmo porque ele ainda deve ter um pingo de respeito por instituição pública séria como a PF.

Saudações,

Band disse:
26 de abril de 2007 às 17:05

"a ação justiceira de milícias e esquadrões da morte" só existem onde a justiça não funciona, como é o nosso caso no Brasil! Não existe a menor dúvida! E o povo humilde só possui este meio de defesa contra a morosidade e inoperância dos agentes públicos batendo cabeça entre si enquanto o povo mesmo está totalmente desprotegido. Onde os altíssimos salários são insuficientes para tornarem as pessoas saciadas e cumpridoras dos juramentos que fizeram.

Advogado não é defensor da sociedade, da verdade e nem da justiça, caro Davi Silva! Advogados defendem quem os pagam. Pena que desembargadores e juízes pensam assim também agora!

Walter A. Bernegozzi Junior disse:
26 de abril de 2007 às 17:21

Deprime ver a ingenuidade, a falta de senso crítico, a visão rasa e a análise estreita, perfunctória e obtusa manifestada por alguns comentaristas nesse site.
Dia outro, defendeu-se aqui a não participação do advogado na fase de inquérito policial. Sustentou-se, ainda, que em casos graves não deveria ser dado direito à defesa.
Tudo isto deprime, mas não pasma.
Afinal, estamos no Brasil. A cegueira intelectual aqui grassa.

PS: Roberto Busato, a lucidez, em momentos de histeria social, é atributo de poucos. Parabéns pelo artigo.

barbosa disse:
26 de abril de 2007 às 18:06

PARABENS À POLICIA FEDERAL. NÃO DÊEM OUVIDO ÀS CRÍTICAS. VOCÊS DERAM UM SHOW. SÓ NÃO GOSTEI DO NOME. POR QUE NÃO "FURACÃO", OU "CAVEIRÃO"??? NÓS, A MAIORIA DOS BRASILEIROS, QUEREMOS VER UM SHOW DESSE A CADA MÊS. POLÍCIA FEDERAL!!! BELO TRABALHO. BELA INVESTIGAÇÃO. UM ANO DE TRABALHO NO SILÊNCIO... VOCÊS MERECEM O APLAUSO DA SOCIEDADE. E A SOCIEDADE ESTÁ APLAUDINDO...QUERENDO MAIS. NÃO LIGUEM PARA AS CRITICAS. CUMPRAM O SEU DEVER.
PARABENS A TODOS OS PF`s. Vocês foram brilhantes.

Wilson disse:
26 de abril de 2007 às 18:32

Enviei inúmeras mensagens à OAB Nacional denunciando uma verdadeira farra salarial no Judiciário, com reajustes de até 154% em cargos comissionados (apadrinhados de juízes e desembargadores). Nunca obtive resposta, pois a OAB, pelo jeito, só se importa em fazer política e conseguir vagas em tribunais através do quinto constitucional. É uma instituição em descrédito e não tem autoridade para questionar a ação da PF.

A.G. Moreira disse:
26 de abril de 2007 às 19:07

Q u e p e n a ! ! !

Uma Tribuna da categoria do "Consultor Jurídico" e um artigo, de elevado nível, emitido
por uma figura proeminente , de elevado saber jurídico e de alta respeitabilidade , não mereciam ser achincalhados , por "comentadores" , que se encontram em "seara alheia" , sem a menor competência ou qualificação , para comentar assuntos jurídicos !!!

Radar disse:
26 de abril de 2007 às 20:34

Curial que a OAB só coloque a cabeça fora d´água nos nomentos em que peixes graúdos são "espetacularizados"

Penso indisfarçável o prisma do ilustre articulista:

DIGA-ME QUANTO DINHEIRO TENS NA CARTEIRA E EU TE DIREI QUEM ÉS!

prosecutor disse:
26 de abril de 2007 às 20:41

Mais uma mistura de alhos e biugalhos. Impedir a defesa dos presos de ver o inquérito é, de fato, um absurdo, mas de resto, qual o prblema em exibir criminosos presos? E nem me venham com a conversa da presunção de inocência, porque o país que mais presa a inocência de seus cidadãos é onde a imprensa tem mais liberdade de mostrar a todos os presos. Consultem qualquer site na internet e vejam fotos, à cores, de gente muito mais importante do que juiz federal no Brasil!

Luismar disse:
26 de abril de 2007 às 21:06

Eu já ia descer o malho no articulista, mas aí li o texto e vi que está correto.

O Conjur é que está cravando títulos e subtítulos chamativos, na linha "Notícias Populares". A gente vai conferir o texto e não é o que parece.

Amigo da Justiça disse:
26 de abril de 2007 às 22:37

Certíssimo! Como eu defendi em outra matéria. Quer chamar atenção coloquem uma melancia na cabeça.

Neli disse:
26 de abril de 2007 às 22:49

Concordo em tese!

Se a operação da polícia federal tivesse ficado à sorrelfa,como a população iria saber que pessoas com altíssimos cargos estariam vendendo os seus trabalhos,também à sorrelfa?
Sou contra o estardalhaço num sentido: um crime comum(homicídio,por exemplo),a imprensa agir como de fosse o Judiciário e atirar pedradas no acusado:seja culpado ou não!

Quanto à crimes contra a Administração Pública(corrupção),não!

Mais: quantas pessoas no Brasil não queriam exercer a honrosa função pública e não tiveram oportunidades?
Mais ainda: proponho a pena mínima nos crimes contra a Administração Pública para 15 anos,além de pesadas multas...o crime,por exemplo,de corrupção é tão hediondo quanto o latrocínio.

Amigo da Justiça disse:
26 de abril de 2007 às 23:30

Pelo jeito que as coisas caminham, daqui alguns dias, a Polícia Federal desloca 500 policias para prender uma senhora de 60 anos. Se essa senhora for Juíza, e o crime for corrupção, 1000 policiais, mais o pessoal do administrativo para dar volume. Muitos daqueles policiais com aquelas metralhadoras só atiraram quando no curso de formação. Todo esse espetáculo para pedir aumento de salário, passar uma imagem para a sociedade que é a instituição mais honesta, acima de todas as outras, ou, ainda, para ser usado como marketing eleitoreiro do PT, como fizeram nas eleições passadas. Defendo a publicidade e a liberdade de imprensa, dentros dos limites da lei, mas não que o servidor público avise antes para a imprensa sobre a operação com a nítida intenção de chamar atenção e desmoralizar outra instituição. Há uma grande diferença em subir o morro com carros blindados e com armamento pesado, mas não é nada proporcional e razoável deslocar centenas de policiais para prender 3 diretores da Schin. Não acho certo utilizar um preso na operação como o caçador faz com a cabeça da caça, seja Juiz ou não, seja rico ou não. Respeito a dignidade humana é um dos fundamentos da nossa República. Esse prejulgamento público que ocorre com as pessoas em virtude da imprensa é inaceitável, e se um desses indivíduos for inocente? Lembram do caso do Juiz Federal Mazloum? Pelo menos, nada foi provado, denúncias consideradas ineptas, mais do que isso, cruéis pelo STF. Essa imagem de descrédito do Poder Judiciário que a PF e a imprensa quer passar é algo muito sério para o funcionamento das instituições no País. Dois dias atrás, um Juiz do DF deferiu liminar para permitir que os permissionários de Van voltassem a circular. Chegou ao ponto do Secretário do DF acusar o Juiz de está comprado, porque muitas das suas decisões estão sendo contrárias ao governo, e que a operação furacão deveria passar pelo DF. Isso é absurdo. Daqui alguns dias os juízes estarão (ou já estão) com medo de deferir liminar com o receio de serem acusados de venda de sentença. Todos nós cidadãos somos prejudicados com isso, e só quem ganha é, principalmente, o Governo. Para os que defendem o trabalho da PF, não reclamem se algum dia ela arrombar a sua porta com 300 policiais, com todas as emissoras de TV atrás para te filmar, porque voce foi citado pelo conhecido, do conhecido, do conhecido de alguém que foi citado na interceptação telefônica. E mais, esqueçam o seu direito de conversar com um advogado, e não recorram ao Judiciário, porque ele não presta, não é confiável. No dia-a-dia, temos muito mais casos de abusos e corrupção policial do que de membros do Poder Judiciário. Pessoas inocentes podem está tendo sua vida moral massacrada por acusações improcedentes. Lembram do Juiz Mazloum? Nada foi provado. Ele apenas tinha sido citado, por algum conhecido, do conhecido, na interceptação telefônica sobre algo que ele fez, dentro da legalidade de acordo com as suas funções de Juiz. Hoje ele processa duas procuradores regionais da República e dois delegados da pf. Espero que ganhe muito dinheiro. Imagine se todas as instituições chamasse a Imprensa toda vez que for fazer algo de importante, porque não é só a PF que faz coisas importantes. O Juiz do júri, inclusive impede às vezes a filmagem. Defendo o trabalho sério de todo agente público, e não o sensacionalismo com interesses espúrios.

Armando do Prado disse:
26 de abril de 2007 às 23:42

Antes que me esqueça: Viva o MPF! Viva a PF!

E vamos continuar a investigar, pois na Paulista, Vieira Souto, Morumbi, Jardins, et caterva, tem mais bandidos que em todas as cadeias do país. É investigar para confirmar.

Ramiro. disse:
26 de abril de 2007 às 23:46

Onde está o raio da OAB quando a gente precisa dela? Recorri a OAB-RJ com provas de constrangimento ilegal e indício de conluio por parte do Ministério Público Federal e Defensoria Pública da União, o Presidente da OAB-RJ mandou eu arranjar um advogado. A DPU-RJ negou toda e qualquer, absolutamente toda e qualquer ação judicial contra membros do MPF, me obrigando a adentrar com H.C., única medida jurídica que um não advogado pode impetrar. Bateu nas mãos do Ministro Gilmar Mendes, que me informam no STF, mandou para a PGR se manifestar.

O Procurador-Geral da República me acusou de estar sendo processado, e se recusa, os ARs voltaram, a indicar o número e instância onde corre o processo, contra n certidões negativas da Justiça Federal.

Vendo este atual governo, e lembrando de Göebbels e a era Stalim, fico pensando se não estão tentando criar na conjugação MPF e PF uma espécie de KGB tupiniquim.

Ramiro. disse:
26 de abril de 2007 às 23:48

Só respeito o MPF o dia que cumprir a Constituição Federal, e posso dizer, tenho provas que o MPF rasga a Constituição quando lhe interessa. Viva o MPF e a PF? Alguém foi no STF e STJ pesquisar as inépcias de ações do MPF? São algumas bem interessantes...

Dr. Francisco Rodrigues disse:
27 de abril de 2007 às 06:42

O principal e de suma importância é que a Polícia Federal, cumprindo determinação da Justiça prestou um relevante serviço à sociedade. A imprensa, por sua vez, não ficou para trás, divulgando aquilo que o povo precisa saber. Graças à sábia e serena determinação do Excelentíssimo Senhor Ministro Cezar Peluso, à ação da PF e da Imprensa, é que o povo sente que se renova a chama da esperança de que o nosso País pode vir a ser melhor para as gerações futuras.

Luiz P. Carlos (((ô''ô))) disse:
27 de abril de 2007 às 07:43

POLICIA FEDERAL - DOSSIE PT, QUAL A ORIGEM DA GRANA, BINGO OU PEDAGIO URBANO.
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Quando caiu o esquema da compra do DOSSIE PT não ficou esclarecida a origem desta grana, uns dizem que o Lula simpatiza mais com a legalização do jogo do que com a legalização dos pedágios urbanos em avenidas municipais, tal disputa teria dado origem a um esquema de denegrir a imagem do PT. E até hoje a POLICIA FEDERAL não conseguiu investigar tal origem. Com a prisão da cúpula similar a dos pedágios, esperamos uma resposta em breve.

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http://www.mpachecocidadao.blogger.com.br/

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ALERJ - SÓ A POLICIA FEDERAL PODE CONTER ESSE ESQUEMA.
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O Podre Poder Judiciário - TJRJ - aliado a ALERJ, ao Ministério Público do Rio de Janeiro, deveriam ser investigados pela POLICIA FEDERAL, no caso deste escandaloso esquema de FRAUDE no pedágio INCONSTITUCIONAL da Linha Amarela, posto em AVENIDA, extorquindo a cidadania e alimentando a corrupção.

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http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/04/379592.shtml
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não disse:
27 de abril de 2007 às 08:17

É MUITO PUXA SACO. AQUI NO BRASIL SE ALGUMA COISA AVAMÇOU FOI GRAÇA A CORAGEM DA IMPRENÇA, E QUEM TENTA CALA-LA TÁ É TANTANDO GATANTIR MERCADO, MEIO DE VIDA.PARABENS SENHORES DA IMPRENSA, PELO AMOR DE DEUS CONTINUEM DENUNCIANDO, ESSA É UNICA METRALHADORA QUE NOS RESTA.

MARCELO FREITAS disse:
27 de abril de 2007 às 08:56

É triste ler as "pseudos-verdades" sustentadas pelo nobre articulista!

Fala como se todas as ações da Polícia Federal não tivessem sido respaldadas em mandados judiciais, especialmente quando se refere a "invasões" em escritórios de advocacia.

Não se pode negar o papel fundamental da OAB no Estado democrático de Direito. Mas também não se pode negar o FATO de que advogados cometem, sim, crimes, muitos deles GRAVÍSSIMOS. Por essa singela razão, devem ter suas residências, escritórios (às vezes, quartéis de organizações criminosas), comunicações, minuciosamente, investigados, assim como todos os servidores públicos, especialmente, policiais, que "passam para o outro lado", ou seja, o da criminalidade, devem ter suas intimidades devassadas. Só assim o Brasil poderá “erguer os olhos” e seguir adiante.

Talvez se o articulista não estivesse sendo pago para, numa "legitimação extraordinária", defender direitos alheios, a situação, quem sabe, seria diversa. Estaríamos a ler outras palavras, expressão da VERDADE... quem sabe, desta vez...

Quanto a questão da veiculação na imprensa, acreditamos que muitas coisas possam ser melhoradas. O que não se pode, entretanto, é privar a sociedade do pleno e irrestrito conhecimento de fatos graves. O Judiciário é, sem dúvida, quem definirá sobre a culpabilidade dos presos investigados!

Por fim, para refutar as semiverdades tão veementemente defendidas pelo nobre articulista, somente podemos fazer uso das palavras de DESMÓSTENES:

“A verdade é indivisa.
O que não é plenamente verdadeiro,
Não é semi-plenamente verdadeiro,
É plenamente falso.”

Sanromã disse:
27 de abril de 2007 às 10:01

Volto ao tema. Que seja dada liminar para a escuta, está na lei. Também mandado de busca e apreensão, está na lei. Mas onde está a prisão provisória ou outro nome que se lhe dê. A Constituição só permite a prisão em flagrante e quando houver necessidade específica. Disse em 24/04: "...SEM FLAGRANTE e com provas de conversas telefônicas que não provam ABSOLUTAMENTE NADA. Esses Juízes e Ministros que decretam a prisão a pedido da PF deveriam se ater à Constituição. O Ministro Fisher do STJ deu a aplicação correta à Carta Magna não deferindo a prisão de ninguém. Corretíssimo. Ou flagrante, ou prova material do crime. A honra do cidadão não pode ficar à mercê da autoridade policial." Com estes esclarecimentos acompanho integralmente o colega.

Luismar disse:
27 de abril de 2007 às 10:17

Curioso como o artigo do Busato é correto e diz o elementar: uma vez ocorridas as prisões, os advogados devem ter acesso aos autos e aos presos.

A polêmica fica só entre os comentaristas e suas posições extremadas.

De minha parte, aplaudo o MPF, a PF e, principalmente, a coragem (ainda que parcial) dos ministros Peluso e Félix Fischer.

O Brasil está mudando. Não temos mais figuras imperiais, intocáveis em seus castelos.

Na república democrática, todos são cidadãos e estão sujeitos às mesmas leis.

Cissa disse:
27 de abril de 2007 às 10:19

Discurso pobre e ridículo.
DANO ÉTICO E MORAL APENAS PARA TRÊS OU QUATRO, OS DEMAIS NÃO SOFREM DISSO, são apenas acusados dos mesmos crimes para os quais a polícia tem prova, contra todos, inclusive os três ou quatro.! ESSA ATITUDE DE SEMI-DEUS É PATÉTICA.

edisio disse:
27 de abril de 2007 às 10:40

Outro detalhe relevante: se a excomungada Operação Furacão tramitava em "segredo de justiça", como é que a TV escancarou tudo? E por que os advogados não tiveram acesso aos processos? O Dr. Busato tem razão. Vamos lutar contra o "show" diário da Polícia. Qualquer polícia. Que deve ser a primeira a respeitar o direito dos presos. Sem perder a autoridade que a lei, a doutrina e a cultura jurídica de nosso povo lhe defere.
Outro pormenor: por que apenas os magistrados e o procurador da República foram libertados. Onde está o princípio da isonomia, tão celebrado na doutrina?

não tem disse:
27 de abril de 2007 às 10:41

Show da corrupção.
Isto sim é que é sção de bandalheira, sem ética, sem moral e sem Direito.
As liminares nos faziam acreditar no Direito. Pensávamos que eram legais os caça níqueis, os bingos. Agora, depois da operacão Furacão, quem acredita mais nessas liminares?

Daniel disse:
27 de abril de 2007 às 10:51

Todos os dias vemos na imprensa escrita e na TV suspeitos detidos sendo apresentados pela polícia, muitas vezes de cuecas (sem dólares, é claro) e com hematomas pelo corpo, isso é muito comum. Por que as pessoas e orgãos que estão fazendo a defesa veemente dos suspeitos presos nesta operação não denunciam estes abusos também? Por que para alguns a justiça se pronuncia mais rápido do que para outros? Por que os "bons" advogados que tem honorários estratoféricos conseguem resolver as coisas mais rápidamente que os normais? Existe algum tipo de prioridade para estes "bons" advogados? Todos são iguais perante a lei, ou como diz a música "Todos iguais, todos iguais, mas uns mais iguais que os outros"?

MARCELO FREITAS disse:
27 de abril de 2007 às 10:53

Prezado MÁRCIO AGUIAR,

O exercício da dialética, tão bem aprimorado pela Polícia Federal, através dos seus Delegados, especialmente nos últimos anos, é algo absolutamente salutar, assim como é o presente debate aberto.

Gostaria de saber, uma vez que a Academia Nacional de Polícia não nos ensinou, onde, em qual dispositivo constitucional ou legal, é que está assegurado aos advogados, ou a qualquer pessoa, a inviolabilidade, ABSOLUTA, como se pretende, dos escritórios, residências e comunicações???

Nobre Advogado, há o INTERESSE PÚBLICO que deve prevalecer sobre o interesse particular, ainda que de categoria tão bem quista como a dos Advogados.

Sobre o acesso aos autos, pelos advogados, entendemos que deve ser amplo. Essa posição é absoluta na Polícia Federal! Há, entretanto, um porém: A impossibilidade lógica de se interrogar grande número de presos, fazendo uso dos autos e, ao mesmo tempo, permitir, naquela ocasião, que dezenas de advogados tenham acesso àqueles autos, que estão sendo usados pelos Delegados.

Ressalto que o prazo é apenas de 05 (cinco) dias. Portanto, absolutamente exíguo.

Penso que, se ocorrem abusos, ninguém melhor do que o Advogado para demonstrá-los ao Poder Judiciário, aquele mesmo Poder que decreta as medidas de busca e apreensão em escritórios, prisões, até mesmo de Advogados e Policiais, e meios de provas diversos.

Por fim, a OAB representou e representa um papel decisivo no aprimoramento das Instituições. O que não se pode, entretanto, é a pretexto de defender interesses gerais, da coletividade, camuflar interesses de apenas um seleto e reduzido grupo de pessoas que se julgavam acima do bem e do mal.

Como dito no início, sempre sujeito ao exercício da dialética...

Cissa disse:
27 de abril de 2007 às 10:55

Percebo apenas que a tal da Constituição é usada quando conveniente e, para poucos. Na Constituição que eu tenho, o povo tem direito a educação, saúde, moradia e lazer. Diz que a lei é para todos. Diz que há lei e que ela é para todos. Não diz que é a família Sarney quem dita as regras de prisão de acusados e que a polícia deve avisar com atencedencia suas ações, justamente para não ocorrerem fugas. Diz que bandido não ocupa cargo público e, que acusado não é bandido até que se prove. Então, juiz não é semi-deus, assim como neuro-cirurgião, creia. Prisão temporária é para todos, inclusive para eu, você, o juiz ou o promotor. E diz ainda a tal da Constituição que a imprensa é livre. Nota-se que o caldo desandou assim que os advogados tomaram conhecimento dos inquéritos e atapalharam o restante da operação. Realmente é muito difícil saber quem é o bandido neste país. Só sei que eu não sou. Meu pai não é. juiz não pode ser. Sua função social não lhe permite, ele é quem delineia a sociedade, assegura não haver o caos. O que me intriga agora, caro advogado, é a razão de uma guerra civil no estado do Rio de Janeiro, não seria isso o caos?
Não sou advogada, mas para ver o óbvio é necessário apenas acompanhar os fatos.
A polícia federal pode ter se excedido, sim, mas graças a ela e, apenas a ela, juiz acusado é acusado e preso.
Lavagem de dinheiro é crime.
Bicheiro ligado a crime é acusado e, se necessário, preso. Escola de samba é só em fevereiro e não desfila no judiciário.

DPF Adriano disse:
27 de abril de 2007 às 15:13

Como ja declinado neste espaco, os causidicos defendem interesses dos seus patrocinadores. E assim faz a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
...
Em outras palavras, primeiro ascende o interesse de quem paga os honorarios, depois os interesses da classe profissional dos advogados (que tem por escopo render mais privilegios e prerrogativas) e por fim, se ainda houver tempo, usa-se o discurso largo e facil da defesa do Estado Democratico de Direito.
...
O problema eh que quando o interesse do cliente (e cliente abonado, que nada de bracada em montanhas de dinheiro arrecadadas atraves da atividade criminosa organizada) entra em conflito com o interesse publico da persecucao criminal, esta eh sempre impertinente, eh sempre um abuso, eh sempre eco da ditadura.
...
A OAB, entao -- na defesa de sua classe e dos patrocinadores de seus associados -- leva a termo tatica antiga de combate, usada inclusive por advogados no tribunal do juri: DESQUALIFICA O ADVERSARIO, vale dizer, ataca o oponente ao inves de seu argumento e suas razoes. Ai, coloca na vala comum e raza todas as instituicoes que levam a termo a persecutio criminis.
...
E, por obvio, o alvo mais facil e largo, eh a POLICIA. E como eh a POLICIA FEDERAL que mais combate os atos criminosos dos clientes dos seus associados, a OAB se lanca numa cruzada contra tal Instituicao Policial.
...
Mas, esquecem os nobres causidicos, que todas as diligencias levadas a termo pelo Departamento de Policia Federal (DPF) ascendem sob a egide dos ditames do Estado democratico de Direito!
...
Se tudo que o DPF faz em suas operacoes eh tao obtuso, tao ilegal, tao imoral, por que os indiciados continuam presos, sao denunciados e sobre eles advem acao penal?
...
Mas, nao ha interesse de responder essa pergunta.
...
O importante eh vosciferar, bradar. O relevante eh a verborragia que tenta macular a imagem e prestigio da Instituicao Policial Federal. Todavia, tal tatica de “terra arrasada” nao ha de prosperar.
...
O DPF nao se queda com verbos, os seus homens e mulheres nao temem a ira dos poderosos agentes do crime e daqueles que os defendem nos pretorios e nos campos das ideias.
...
Mais ainda, os Pretorios e a populacao brasileira cerra fileiras com os Policiais Federais. Isso, em nome de um pais mais justo, menos sujo, onde o que perpetra o crime, seja SOB TOGA, ou de AK-47, eh preso e sente o peso da espada de Themis.
...
E no Brasil essa espada tem nome: Departamento de Policia Federal!

Amigo da Justiça disse:
27 de abril de 2007 às 15:54

Muito bonito Adriano. Todas as instituições são corruptas, salvo a Polícia Federal, integrada somente por homens íntegros, super qualificados e acima de qualquer suspeita. Penso até que esse país seria melhor se tivessemos um policial federal na presidência da república, outros na função judicante e legislativa. O furto dos EUROS, dois delegados da pf na operação furacão, policiais federais na operação temis, policiais federais na quadrilha de sequestradores, policiais federais entrando com mercadoria falsificada no País, policiais federais vão num restaurante no DF e querem sair sem pagar, sendo necessário chamar a PM para intervir, etc... etc... não faltam casos de corrupção, desqualificação e abusos por parte de servidores da polícia federal. Aí dizem: Mas a PF corta na própria carne! Prendem os policias quando envolvidos com outras autoridades, e não fazem mais do que a obrigação da Polícia que é de investigar. Como todos os outros órgãos do sistema penal que estão incumbidas de realizar o direito penal. O trabalho da PF sozinho não chega a lugar algum.

Eduardo Mauat disse:
27 de abril de 2007 às 17:25

Na Policia Federal infelizmente existem colegas que se deixam contaminar pela corrupção. A eles, enquanto colegas, pleiteamos apenas um julgamento justo e imparcial.

Não iremos desfraldar bandeiras de moralismo em suas defesas e nem chamar pejorativamente de "invasão" as buscas legalmente autorizadas pela Justiça. Queremos que os colegas sejam tratados dignamente, tenham a sua imagem respeitada, mas não iremos utilizar nenhuma suposta prerrogativa para incentivar que outros cometam as mesmas falhas.

Trabalhar para o crime as vezes é obrigação do advogado, pois todos merecem uma defesa técnica, mas quando essa divisão entre defesa e participação não é tão clara, ai vem a necessidade de investigação, das buscas para a correta delimitação da conduta de cada qual.

Vemos os juízes, em sua maioria, apoiando e contribuindo ativamente para as apurações.

Sem dúvida, esse é um Poder que merece ser respeitado justamente pela postura digna e isenta. Tenho certeza que esse papel também se aplica a OAB e aos seus dignos advogados.

DPF Adriano disse:
27 de abril de 2007 às 17:30

Sr. Jacques,
...
A unica instituicao que corta na proria carne com a mesma forca que corta na carne alheia eh o DPF.
...
Todos os exemplos citados pelo senhor foram investigados, localizados e neutralizados pelo proprio DPF! Nao foi o MP, nao foi a OAB. O proprio DPF eh que extirpa o mau policial de suas fileiras.
...
Nos fazemos o dever de casa.
...
No DPF o pau que da em Chico da em Francisco.
...
Seja Agente de Policia Federal, seja Delegado de Policia federal, se estiver envolvido com crime ele(a) sofrera as devidas consequencias legais.
...
No DPF nao se joga a sujeira para debaixo do tapete vermelho!
...
E a OAB? O que tem feito em face dos seus quadros que pervertem a sua condicao de advogado em prol de atividade criminosa?
...
O DPF, por obvio, nao eh melhor nem pior que nenhuma outra instituicao que compoe o sistema criminal nacional; mas, com certeza, eh muito mais transparente e trata os delinquentes de dentro como trata os de fora.
...
DPF Adriano
http://segurancaeestrategia.blogspot.com/

Amigo da Justiça disse:
27 de abril de 2007 às 22:33

Realmente caros policiais, voces defendem a liberdade de imprensa quando juízes e outras autoridades estão sob suspeitas de corrupção. Agora quando seus policiais, que seja por motivos outros, a imprensa não é tão bem-vinda. Notícia no consultor jurídico: Sindicato defende policial federal que se estranhou com imprensa (27/04/07). Será mesmo que pau que bate em chico, bate em francisco? Como já dizia o ditado: no dos outros é refresco.

Amigo da Justiça disse:
27 de abril de 2007 às 22:37

Muito bom comentário sr. Eduardo, concordo com você.

DPF Adriano disse:
28 de abril de 2007 às 02:10

Mais uma contribuicao a discussao. E essa eh do Paulo henrique Amorim:
...
21/04/2007 11:38h
STJ PREJUDICA A LUTA CONTRA O CRIME

Paulo Henrique Amorim

. O crime é “organizado” quando se organiza com a polícia e a Justiça.

. Sem essa aliança, o crime fica “desorganizado”.

. O trabalho exemplar da Polícia Federal nas operações Hurricane e Têmis chegou ao marco zero da luta contra a corrupção no Brasil: a corrupção na Justiça.

. Que o Capitão Guimarães e Anísio Abrahão David são suspeitos de liderar o crime organizado do Rio até a bateria mirim da Beija-Flor sabe.

. A Polícia (republicana) Federal do Dr. Paulo Lacerda abriu a porta da Justiça brasileira.

. Como diz, com propriedade, hoje, a manchete do caderno Metrópole 1 do Estadão: “PF estoura ‘bingão’ da Justiça”.

. A Justiça deveria estar eufórica – a parcela majoritária e respeitável da Justiça brasileira – deveria abrir a porta para a PF e permitir que se cumpra o dever de investigar os corruptos.

. Foi o que fez o Ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a PF a prender os suspeitos na Hurricane e mandar bloquear os bens.

. Não foi o que fez o ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça.

. Ele não deixou prender os suspeitos da operação Têmis.

. É mais ou menos assim: ele marcou o pênalti, mas não disse contra quem era.

. E logo agora que o STJ está sob suspeita.

. É isso mesmo: paira uma grave suspeita de corrupção sobre a segunda corte de Justiça do país.

. O Tribunal do juiz Fischer tem um de seus membros suspeito de vender sentença, segundo a Hurricane – o ministro Paulo Medina, que tirou “licença médica”.

. A decisão do ministro Fischer é um obstáculo ao trabalho da PF e do Ministério Público.

. A decisão do ministro Fischer pode facilitar a destruição de provas, a movimentação de contas e, em última analise, a sobrevivência do crime organizado.

. Qual é o crime que as duas operações da PF investigam? A compra de sentenças.

. É isso o que está em jogo: apurar a corrupção na Justiça brasileira.

. E a Justiça deveria ser a mais interessada nisso.

. Não tem importância.

. A Polícia Federal do Dr. Paulo Lacerda vai chegar lá.

. Como diria Leonel Brizola, o Dr. Paulo está “arrodeando o alambrado”.

Cissa disse:
28 de abril de 2007 às 11:35

Sr. Eduardo Mauat (Delegado de Polícia Federal), gostaria de agradecer por intermédio de seu nome a toda corporação do Polícia Federal. "Laranjas podres" há em todas as área, não é exclusividade da polícia, mas, finalmente consigo olhar com orgulho para uma instituição e ter um mínimo de crença neste país.
Graças ao trabalho dos Senhores vislumbro um país de pessoas sérias, dígnas. Vejo nos senhores pessoas que sairam de um lar onde lhes ensinaram a ser homens honestos, respeitosos dos direitos e liberdades de todos. Acredito que cada um dos membros envolvidos nessa operação são sinônimo de orgulho de Vossas famílias, sejam pais, filhos, esposas ou maridos
Adorei ver os homens da PF exautarem o encontro de uma enormidade de dinheiro por estar alí aprova do crime, a alegria de ser bem sucedida a missão.
Até mesmo virou jargão no Casseta e Planeta que brincou com o intusiasmo dos homens da PF. Finalmente a piada não é contra nós, é a favor. PARABÉNS A TODOS. Obrigada por devolverem um pouco da minha esperança no meu país.
O nojo que sinto ao ler o noticiário sobre esses demagogos, dissimulados foi neutralizado pela força, pela atitude, pela seriedade como responderam a tudo.
Nós sim somos o Brasil.

Douglas disse:
30 de abril de 2007 às 16:15

Show de Midia?
É festa para o povo brasileiro ver um magistrado sendo preso por falcatruas e roubos. Por que a menina que roubou um pote de manteiga para matar a fome foi presa e apresetada aos 4 quantos da terra? Qual a diferença dela e de um magistrado? Os dois cometeram crimes contra o povo. Um por ganância, outro por FOME!
Quanto a direito de defesa, todos tem, mas no seu devido tempo. Os dignissimos advogados não acharam direito seus clientes serem presos e não terem acesso ao processo? poucos dias foi pouco. A justiça deveria terminar com o processo e mante-los em carcere até o término das investigações, e aos dignissimos doutores pouca informação. São responsaveis pelos atos de seus cliente sim! Por que não os informaram que se presos poderiam sofrer as sanções previstas em lei?
Magistrado e ladrão de galinha são iguais perante a lei e NÃO tem direito a foro privilegiado.

Douglas disse:
30 de abril de 2007 às 16:25

Show de midia II.
Lembro-me quando o Dr. Paulo Maluf e seu filho se entregaram, a repercussão foi enorme. A OAB gritou aos 4 quantos que isso não podia?
Não achou foi bom. E os Srs. advogados?
Ficaram felizes tambêm. Afinal um empresário e exelente politico, as urnas assim mostraram, estava sendo preso e sua vida devassada.
Viva a Midia!!!

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