USP dá ultimato para que alunos desocupem a reitoria

A reitoria da Universidade de São Paulo determinou que estudantes desocupem o prédio da administração central até às 16h desta terça-feira (15/5). O recado da reitora Suely Vilela foi entregue a 24 representantes dos alunos em reunião realizada na segunda-feira (14/5) com seis professores. Segundo o documento (leia abaixo), as 14 reivindicações só serão negociadas depois da desocupação iniciada no dia 3 de maio.

Em plenária após a reunião, 200 militantes analisaram que a contraproposta da reitoria foi insuficiente. Os alunos, deste modo, afirmam que vão manter a ocupação. Uma nova assembléia dos estudantes deve ser feita na quarta-feira (16/5), às 18h, no prédio da História e Geografia.

Se a reitoria não for desocupada, a Procuradoria da USP deve entrar com um Mandado de Reintegração de Posse. Na segunda-feira, a universidade admitiu que irá adotar medidas judiciais contra os alunos que invadiram a reitoria.

Não será a primeira, vez este ano, que uma universidade pública de São Paulo entra com uma medida judicial contra uma mobilização de estudantes. Em março, alunos da Universidade de Campinas também invadiram o prédio da administração central. A reitoria pediu judicialmente a reintegração, mas a desocupação só aconteceu três dias depois de uma longa negociação, já que a Polícia preferiu não usar a força. Os dois lados cantaram vitória e o sub-secretário do Ensino Superior, Eduardo Chaves, pediu demissão do cargo.

A diretoria da Escola de Comunicação e Artes também chegou a informar, em reunião com professores, que a Procuradoria-Geral do Estado iria, em nome da reitoria, processar os estudantes. A PGE nega. O governador José Serra (PSDB) evita entrar na briga.

Boletim de Ocorrência

A coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, informou nesta terça-feira (15/5) que a reitoria da USP foi à Delegacia registrar Boletim de Ocorrência pelo fato de documentos sigilosos da administração estarem sendo distribuídos fora da universidade. “Não estamos acusando ninguém. Mas os documentos foram parar nas mãos de terceiros e isso precisa ser investigado”, diz Marcia Avanza, assessora da reitoria. “Existem até casos de estupro relatados nos arquivos. São coisas privadas, que não podem vir a público”, diz ela.

Outra questão que deve gerar uma discussão judicial entre os estudantes e a reitoria foi o suposto uso do e-mail indevidamente. No domingo (13/5), a lista de endereços eletrônicos de Suely Vilela teria recebido os cumprimentos pelo Dia das Mães. O e-mail teria sido enviado a partir do prédio da reitoria.

As exigências

A USP argumenta que os estudantes estão sendo instrumentalizados por facções esquerdistas. Segundo funcionários, os estudantes quebraram portas, móveis e arrancaram grades. Os manifestantes negam as acusações e dizem que os móveis foram desmontados. E que somente as portas foram danificadas. Eles controlam a portaria do prédio e impedem os servidores de trabalhar.

Os alunos que participam da invasão explicam que o movimento não tem intenções violentas, mas a entrada forçada foi necessária porque os seguranças impediram que eles chegassem até o gabinete do reitor.

O movimento exige que a reitoria se posicione sobre as medidas tomadas pela gestão José Serra no início do ano. Entre elas, estão a criação da Secretaria de Ensino Superior (as escolas estavam antes na Secretaria de Ciência e Tecnologia), a inclusão das universidades no Siafem (Sistema de gerenciamento orçamentário) e a contratação de mais professores.

Para os estudantes, o governo restringiu a autonomia universitária com as medidas. A gestão Serra nega as críticas. Afirma que a Secretaria foi criada para valorizar as universidades e que o Siafem será utilizado apenas para dar mais transparência aos gastos.

O Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), formado pela USP, Unicamp e Unesp também afirma que a autonomia das entidades ainda não foi prejudicada.

Outro pedido é por mais moradia. A reitoria propõe construir 334 vagas nos campi Butantã, São Carlos e Ribeirão Preto – os estudantes querem ao menos 771. Também não houve acordo sobre a contratação de professores. A reitoria havia informado que a contratação de docentes será divulgada até o dia 30 de maio.

Leia o documento entregue aos alunos:

São Paulo, 14 de maio de 2007

A Reitoria da Universidade de São Paulo, em reunião realizada na data de 14 de maio de 2007 com a comissão de representantes dos ocupantes do prédio da Reitoria, reitera uma vez mais as propostas contidas nos documentos emitidos após a reunião de negociação em 08/05/2007 e condiciona o seu atendimento à desocupação do prédio da Reitoria até as 16h do dia 15/05/2007. Assim ocorrendo, a Reitoria se dispõe a prosseguir na análise dos temas da pauta de reivindicações, por comissão paritária de professores e alunos, a ser constituída após a desocupação.

A Reitoria.

Armando do Prado disse:
16 de maio de 2007 às 00:25

Nem os prepostos dos generais de plantão e os reitores de improviso dos anos 70, ousaram tanto. Os estudantes, contrariando aqueles que acham que hoje só temos alienados, devem resistir e repelir injusta afronta de gente que outrora era dirigente da UNE.

Richard Smith disse:
16 de maio de 2007 às 10:41

A invasão da reitoria, por um bando de "militantes" industriados pelo PT, pelo PSTU e, pior, pelos reitores que não querem que os orçamentos BILIONÁRIOS das universiodade paulistas entrem para o sistema de controle financeiro, o SIAFI, superou quaisquer limites.

Primeiro, reconheceram em carta os magnificos srs. reitores que NÃO EXISTE (e nunca existiu) qualquer ameaça à chamada "autonomia universitária";

Segundo, a Reitora da USP CONCEDEU TUDO que os baderneiros queriam, inclusive a anistia prévia e a propessa de não -punição;

Terceiro, o poderoso e raivoso SINDUSP (sindicato dos funicionários da USP) declarou-se em GREVE, em "apoio" aos baderneiros xexelentos.

Apoio ao quê, perguntaram? "Contra a opressão do governo Serra", responderam os bolchjeviques aburguesados.

Mas ora, se não existe nenhuma ameaça à "autonomia" ("autonomia" de gastar o suado dinheirinho dos paulistas, sem que eles possam jamais saber no quê!), se TODAS as "reivindicações" foram atendidas, o que querem os valentes?

"um governo do PT, uai", responderiam eles.

Então, vem o caro "professor" PeTralha, fujão, borra-cuecas, mistificador, anti-clerical, mentiroso e abortista, ZURRAR os seus slogans furibundos e sem sentido, tentando torcer a situação, uma vez mais e fazer proselitismo político-partidário barato.

E depois quer ser respeitado!

É o fim da picada.

Richard Smith disse:
16 de maio de 2007 às 11:12

Acerca do assunto, o editorial de hoje do "Estadão":

"A INVASÃO DA REITORIA DA USP

Por determinação do governador José Serra, a Procuradoria-Geral do Estado entrará com uma ação de reintegração de posse para desalojar os estudantes que, desde o dia 3, ocupam as instalações da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), na Cidade Universitária, caso eles não saiam ainda hoje. A decisão é inédita. Como já se tornou rotina em incidentes desse tipo, a direção da USP tentou negociar a desocupação com os invasores. Mas, como as negociações não prosperaram, pois os alunos insistiram em fazer reivindicações absurdas, Serra se dispõe a romper o impasse, recorrendo à Justiça para acabar com uma inadmissível afronta ao princípio da autoridade por um grupo de estudantes irresponsáveis.

A Reitoria da USP foi invadida no dia 3 por cerca de 300 estudantes, cujo objetivo era pressionar a reitora e o Conselho Universitário a se posicionarem contra a política adotada por Serra para as três universidades públicas paulistas. Vinculados a micropartidos de esquerda radical, como o PC do B, o PSOL e o PSTU, e contando com apoio do Sindicato dos Trabalhadores da USP, os estudantes acusam o governo estadual de reter verbas para o ensino superior e de ser contrário à autonomia das universidades.

Os secretários de Ensino Superior e de Planejamento, José Aristodemo Pinotti e Francisco Vidal Luna, refutaram a acusação, alegando que o governo apenas quer que a USP, a Unicamp e a Unesp coloquem suas contas no Sistema Eletrônico de Execução Orçamentária a exemplo do que fazem a Assembléia Legislativa, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público, sem que isso fira a autonomia das instituições.

Desde o início, a ocupação da Reitoria foi marcada por atos de puro vandalismo. Além de terem arrombado portas, danificado móveis e depredado salas da Reitoria, os invasores abriram arquivos, apoderaram-se de documentos confidenciais da administração e os divulgaram junto ao chamado 'movimento estudantil'. Muitas informações dizem respeito a assunto de interesse privado de professores e alunos, como laudos médicos, e jamais poderiam ter vindo a público.

Ao tentar negociar a desocupação da Reitoria, os dirigentes da USP constataram que os invasores, por pertencerem a diferentes facções ideológicas e grupos políticos, não se entendiam. 'Há grande inconsistência entre eles, com tendências bem distintas', disse o vice-reitor Franco Lajolo. Com o passar do tempo, o motivo original da invasão - a crítica à política educacional de Serra - foi substituído por reivindicações como a construção de mais moradias estudantis, a contratação de docentes e a reforma de alguns prédios do campus.

Algumas dessas reivindicações foram aceitas pela Reitoria, ainda que com reservas. É o caso da expansão do Conjunto Residencial da USP (Crusp). Os estudantes alegam escassez de apartamentos, mas os dirigentes da USP sabem que muitas unidades estão ocupadas por antigos alunos, que já se formaram e se recusam a devolver as chaves, e por servidores administrativos da própria universidade, que não têm direito a esse benefício. Além disso, alguns apartamentos estariam sendo sublocados e uma das unidades do bloco F do Crusp teria sido cedida por estudantes vinculados ao PSTU para ser utilizada como escritório do MST.

O impasse nas negociações surgiu quando os invasores impuseram, como condição para a desocupação, que a reitora Suely Vilela se comprometesse a não aplicar qualquer sanção administrativa e legal contra eles. E, por terem infringido vários artigos do Código Penal, também exigiram garantias de que não seriam processados pelo Ministério Público - o que é um disparate, pois o órgão encarregado de zelar pela ordem jurídica não pode assumir esse tipo de compromisso.

Ao reivindicar impunidade após praticar atos de violência e vandalismo, essa minoria inexpressiva de estudantes - que representam menos de 0,5% do total de 80.589 alunos matriculados na maior universidade pública do País - pretende colocar-se acima da lei. O governo do Estado cumprirá a sua obrigação se, além de pedir a reintegração de posse da Reitoria, acionar judicialmente esses vândalos, a fim de que sejam responsabilizados civil e penalmente pelos abusos que cometeram."

Viu "fessô", mentiroso e mistificador?

Erick de Moura disse:
16 de maio de 2007 às 11:33

Caro colega Richard, nem perca o seu tempo mais com o dito "fêsso", a não ser é claro quando devidamente provocado e as circuntâncias o exigirem. Sabe "cumé" né, ele é daquela categoria do professor Carneiro, que lidera os baderneiros na USP, o indivíduo só por que é professor acha que pode ficar dando pitacos nos outros, pois estaria numa categoria "acima" dos pobres mortais, ah haja paciência!!!

Richard Smith disse:
16 de maio de 2007 às 11:56

Pô amigo Érick, você é um cara mesquinho e cruel!

Quer privar o professor/patulléia (você reparou que este sumiu do mapa, depois que o denunciei como um heterônimo do "fessô"?) da sua sova diária?

Você não reparou que o elemento gosta de apanhar?

Como, humanitariamente, privá-lo disso, diga-me?

Um abração a você.

Bira disse:
20 de maio de 2007 às 12:21

Vergonhoso. Fica a impressão que a carga educacional é de tal forma pequena que os alunos tem tempo suficiente para longos protestos.

Richard Smith disse:
20 de maio de 2007 às 13:03

Ô amigo Bira, "fica a impressão"?!

Como disse REINALDO AZEVEDO no seu "blog", o único que está dando a extensiva, adequada E ISENTA cobertura do assunto:

Quem são os invasores? São todos da USP? Se sim, há quanto tempo estão nela? Qual tem sido o seu aproveitamento?

Em outras palavras: como é que eles tem retribuido (em termos de aproveitamento só, ressalte-se) o dinheiro suado que o povo paulista tem depositado neles?

Simples assim. Uma vez respondidas essas perguntas e verificada também a idade de alguns do "aluninhos" profissionais e sua vinculações umbelicais com PT´s e PSTU´s da vida, as coisa se colocarão automaticamente na devida perspectiva.

Um abraço.

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