Jovem que matou família pega 140 anos de prisão

O pintor Carlos Fabiano Faccion foi condenado a 140 anos de prisão por matar a sua família em março de 2002. Ele não poderá apelar em liberdade. A condenação foi imposta pelo júri popular da cidade de Batatais, a 355 quilômetros da capital paulista.

Na chacina, foram mortos os pais, duas irmãs e uma sobrinha de Faccion. Uma irmã estava grávida de nove meses. O feto também morreu. Um outro irmão do acusado, de sete anos, e uma sobrinha, de três, sofreram danos cerebrais por causa dos ferimentos, mas sobreviveram depois de meses internados. Somente a avó, de 72 anos, que também dormia, não sofreu ferimentos. Foram mortos Carlos Alberto Faccion, de 52 anos; Maria Aparecida da Silva, de 46 anos; Elaine Cristina, de 24 anos, grávida de nove meses; L., de 15 anos e T. R., de quatro.

O pintor pediu ao Tribunal de Justiça de São Paulo para não ser julgado em Batatais. O pedido de desaforamento foi negado com base no argumento de que já acabou o clamor público em cima da chacina. Portanto, não há ameaça à parcialidade do corpo de jurados.

Faccion cometeu os crimes com a ajuda de sua namorada, Edna Emília Milani, e um adolescente. Os familiares foram mortos a paulada. O pintor justificou o crime dizendo que sua família era contra o seu namoro com Edna. Ela já foi condenada a 132 anos de prisão. Como a condenação por uma das mortes lhe rendeu pena superior a 20 anos, ela terá direito a um novo julgamento, previsto para daqui a dois meses. O adolescente (C.F.S.), que participou da chacina em troca de meio quilo de maconha, ficou menos de três anos internado na Febem.

A chacina foi descoberta pelo comerciante Luís Antônio Barbiero, 52 anos, patrão de Carlos Alberto Faccion numa empresa de grama, cimento e calcário. Barbiero notou o atraso do funcionário e foi à sua casa. Às 6h30, viu que o portão e a porta estavam abertos. Entrou na casa e, na cozinha, viu o corpo do funcionário. Foi até um dos quartos e viu outras duas vítimas. Chocado, chamou a polícia.

A casa foi isolada e as duas crianças sobreviventes foram levadas para a Santa Casa de Batatais e depois transferidas para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Uma denúncia anônima levou a polícia até o pintor, na época com 25 anos. Ele estava com a companheira Edna Emília Milani, então com 20 anos, e o menor C.R.S., de 13.

Faccion estava sujo de sangue e alegou que havia sido agredido na cidade vizinha de Brodowski. O casal foi detido e, na delegacia, confessou o crime com detalhes. Edna disse que se sentia ameaçada pela mãe de Faccion e planejou a chacina. Ela convenceu o rapaz a executar o plano e a contratar o adolescente em troca de meio quilo de maconha.

Faccion contou que esperou a mãe dormir. O primeiro a morrer foi o pai, atingido pelo filho na cabeça com uma barra de ferro. Em seguida, o menor cortou-lhe o pescoço. Depois, a mãe foi morta pelo filho. A irmã Elaine Cristina, de 24 anos, grávida de 9 meses, ainda resistiu e tentou proteger, com o corpo, a filha L. F. D. S., de três anos, e o irmão L. H., de sete. Mas,foi atingida por Edna . L., de 15 anos, tentou ajudá-las, mas morreu com a irmã T. R., de quatro.

A avó Alice Faccion, de 72 anos, que também estava no quarto, nada sofreu e, abatida, foi atendida no hospital da cidade. Ela disse que nada viu e só ouviu barulhos de golpes. Na fuga, os acusados usaram a Variant do pai de Faccion, encontrada logo depois num dos trevos de Batatais. Edna disse que queria matar os adultos após o parto de Elaine e preservar as crianças, mas Faccion antecipou o plano. L. e L. H. tiveram traumatismo craniano e passaram por cirurgias.

Fernando Porfírio

é repórter da revista Consultor Jurídico

Band disse:
08 de março de 2007 às 20:44

O adolescente (C.F.S.), que participou da chacina em troca de meio quilo de maconha, ficou menos de três anos internado na Febem.

ACUSO disse:
08 de março de 2007 às 21:29

Cento e quarenta e dois anos de prisão para um canalha ( que juntamente com a sua diabolica parceira ), mata a familia não é nada; principalmente porque ninguem, neste país, passa mais que trinta anos enjaulado, por mais que cometa crimes hediondos ! No Estados Unidos, seriam todos ( inclusive o menor bandido que participou dessa chacina e já se encontra solto para praticar mais crimes ), condenados à pena de morte! E ainda tem gente no congresso defendo bandido e a liberação de drogas. A maioria do povo brasileiro também precisa ter vergonha na cara !

Luismar disse:
08 de março de 2007 às 23:46

O pobre rapaz ficou sem família. Não seria o caso de lhe dar perdão judicial?

Já o 'dimenor' está solto e vai poder chacinar outra família. É justo.

allmirante disse:
09 de março de 2007 às 08:34

Acho que q sentença deveria ser de 500 anos. Assim daria esta esperança de vida ao acusado.

ERocha disse:
09 de março de 2007 às 08:36

1) Para que condenar a 140 anos se não vai passar nem 30?

2) Um estudante de medicina em SP matou 3 pessoas no cinema e a justiça (com letra minúscula mesmo) disse que não eram 3 crimes e apenas 1. O cara sera solto fim do próximo ano e não ficou nem 10 anos. Cabe um paralelo em que este sujeito que matou a família não cometeu 5 crimes e sim 1 crime??

Murassawa disse:
09 de março de 2007 às 10:09

Vamos refletir o que o Sr. Eduardo C.Rocha e Sr. Luismar escreveram, senão vejamos:

- O pintor foi condenado a 140 anos, por ter matado diversas pessoas e ferido duas crianças, ou seja, foi somados a quantidade de crimes cometidos num só local e de forma continuada, certo?
- O Estudante de medicina matou 3 e feriu outros, num só local e de forma continuada e foi condenado por um só crime e está prestes a deixar a prisão, certo?
- O di-menor, como bem escreveu o Sr. Luismar, confessou que cortou o pescoço de uma das vitimas e já esta souto, certo?

- Pergunto, quem está correto, quem julgou o estudante de medicina ou quem julgou o pintor, se a lei é a mesma? ou eu que sou ignorante e não pertenço a este mundo.

jorgecarrero disse:
09 de março de 2007 às 12:14

Mais uma palhaçada... Aqui, na terra maravilhosa da impunidade e da improbidade legalizada, vai cumprir a pena em até 30 anos. Bom comportamento, regalias, brechas na lei etc e tal... tá livre, daqui a pouco.

Helena Fausta disse:
10 de março de 2007 às 22:52

Será que não está na hora de tirar a venda dos olhos da justiça para que caia também a dos julgadores? Para este criminoso eu seria o carrasco.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.