O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, ofereceu denúncia ao Supremo Tribunal Federal, nesta quarta-feira (21/11), contra 15 acusados de envolvimento com o chamado mensalão mineiro, entre eles o ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e o empresário Marcos Valério.
Em 15 de setembro passado, reportagem da revista Consultor Jurídico revelou o relatório da PF que envolvia o ministro de Lula com o mensalão mineiro. De acordo com o relatório, Mares Guia movimentou altas somas de dinheiro, sem origem declarada, em 1998, quando o então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo, tentou a reeleição, sem êxito. Nesta quinta-feira (22/11), Mares Guia renunicou ao cargo no Ministério.
A denúncia é por peculato, lavagem de dinheiro. No Supremo, o relator do caso é o ministro Joaquim Barbosa. O procurador-geral pede que o advogado Rogério Tolentino, sócio de Valério na empresa 2S Participações, seja investigado separadamente. Ele também teria recebido dinheiro do valerioduto em Minas.
Antonio Fernando afirma que houve “desvio de recursos públicos do Estado de Minas Gerais, diretamente ou tendo como fonte empresas estatais”. E que Eduardo Azeredo foi “um dos mentores do crime perpetrado e seu principal beneficiário”.
Defesa prévia
Representado pelo advogado Arnaldo Malheiros Filho, Walfrido dos Mares Guia apresentou defesa prévia à Procuradoria-Geral da Republica, que até então estudava se iria denunciar ou não o ministro. O ministro afirmou que não teve acesso aos autos que estão na PGR, já que o processo estaria correndo em segredo de Justiça, mas que se defendeu com base em relatório da Polícia Federal divulgado.
Mares Guia afirmou que não participou nem da captação nem da destinação dos recursos. As anotações em que aparecem nomes e quantias e que seriam a prova de que ele comandou a distribuição de recursos durante a campanha, segundo o ministro não passam de projeções e estudos de campanha. E diz que os R$ 24.590.000 que teria distribuído não passam de invenção de Nilton Monteiro, a quem chama de “larápio”.
Sobre a proposta de marketing apresentada por Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, em nome de Mares Guia, o ministro justifica que foi encaminhada com seu nome porque ele já conhecia Duda e Zilmar. Por conhecer Zilmar, foi ele o destinatário da carta da publicitária com a proposta de campanha, mas Mares Guia afirma que encaminhou a missiva ao comitê de Azeredo, sem tomar conhecimento dos termos.
O ministro justificou o empréstimo tomado em nome da sua empresa, a Samos, e avalizada por Azeredo. Segundo Walfrido, ele foi procurado por Azeredo, que estaria sendo executado por Cláudio Mourão, coordenador financeiro da campanha do ex-governador. Mares Guia teria tomado, então, o empréstimo de R$ 500 mil do Banco Rural e transferido para conta indicado por um assessor de Azeredo. Só depois, segundo ele, soube que a conta era do publicitário Marcos Valério.
Esse Mares Guia nunca me enganou!. Sempre teve jeito de PESCAR EM ÁGUAS TURVAS !!!!
Peculato, pena mínima de 2 anos. Lavagem, pena mínima de 3 anos. Passados mais de 8 anos, só pena superior a 4 anos por algum desses crimes salva o processo da prescrição.
A investigação das contas de campanha de Minas foram desenvolvidas para contrapor ao MENSALÃO, como se uma coisa fosse semelhante à outra ! ! !
Façam a mesma investigação nas contas de campanha do Lulla, do PT, do PMDB, do PTB, etc. , e verificarão que todas são IGUAIS em irregularidades ! ! !
DEMOROU! Até que enfim, pegaram o Walfridão com a boca na botija! É como dizem: "tantas vezes vai o cântaro á fonte, que acaba se quebrando". Agora, é o Azeredo! Depois, os políticos de Minas querem que "Minas recupere o seu lugar na política nacional". Tá recuperando: quem tem um Newton Cardoso e outros que-tais, só pode dar merda, mesmo!
Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG
Uma mera denúncia está longe de constituir verdade definitiva. Primeiro, é preciso ver se será recebida. Se é apta ou inepta. Se tem base empírico-probatória. Se não é crime eleitoral e não comum, como nela descrito. Depois - se recebida - é preciso ver se o PGR se desincumbirá do ônus (exclusivamente da acusação) de prová-la, na fase do contaditório e da ampla defesa. Aliás, não é incomum o oferecimento de denúncias, pelo MPF, ineptas ou sem elementos suficientes.
SOMENTE PARA INCENTIVAR, MAIS INFORMAÇÕES;
"A PARTIR DE AGORA COMEÇA-SE A PREPARAÇÃO DA MASSA DA CHAMADA PIZZA", afinal os atores neste episódio são os verdadeiros "projetistas" e usuários (pioneirosdo chamado MENSALÃO.
Diga-se de passagem o sr. Clesio Andrade para se candidatar vice na chapa do Senador Eduardo Azseredo à reeleição em 1998, teve que "deixar"
a diretoria da DNA PROPAGANDA do sr. Marcos Valério de quem era sócio.
Dá para acreditar nessa pizza, pronta e assada,a ser comida por todos nós ?
O termo “mensalão” emplacou na mídia. Nunca foi comprovado o pagamento mensal a parlamentares, mas, o termo ficou. Foi um lance de esperteza do criminalista Roberto Jefferson, que sabe muito bem que a melhor defesa é o ataque. Quando um correligionário seu foi flagrado recebendo propina nos Correios, Jefferson partiu para o ataque, denunciando o “mensalão”. Agora, falam em mensalão “petista” e “mensalão” mineiro. Na verdade, o que existiu foi um esquema de caixa-dois eleitoral com a mesma finalidade (financiamento de campanhas); os mesmos intermediários (bancos) e o mesmo operador (Marcos Valério). Maria Inês Nassif, no Valor Econômico, afirma: “O empresário Marcos Valério não era simplesmente um operador petista, mas um profissional do ramo de lavagem de dinheiro e montagem de caixa 2 para campanhas eleitorais. E profissional dessa área não tem partido: o dele é o que está no poder e o contrata”. “Por quase dois anos a oposição tratou o caso do mensalão como uma anomalia introduzida pelo PT no sistema político. A udenização do discurso oposicionista no auge da crise política beirou o golpismo. Agora, a mesma PF que indiciou os envolvidos do PT e de seus aliados concluiu o inquérito do "valerioduto" mineiro e chegou à conclusão de que este é um esquema muito mais complexo, pois envolveu mais de 150 políticos, 17 partidos e um total de R$ 100 milhões movimentados nas eleições de 1998 sem conhecimento da Justiça Eleitoral”. Portanto, esse negócio de mensalão “mineiro” e “petista” é criação cerebrina: os dois esquemas são elos da mesma corrente e assim deveriam ser vistos pela mídia e a PGR, se não estivessem em jogo fortíssimas pressões políticas.
ET: o "mensalão mineiro", portanto, não é mensalão, nem mineiro. É um esquema de caixa-dois que pode ser usado em qualquer Estado da Federação e, até, no exterior. Será que já não foi exportado?
Excelente comentário, Embira.
uai, é tudo um tanto quanto,, complicado,,sem novidades sô!
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