A poucas semanas de fazer a abertura de seu capital, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tem pela frente uma briga judicial com Naji Nahas. O investidor entrou com uma ação contra a Bovespa e a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ) para pedir uma indenização de R$ 10 bilhões. A reportagem é do jornalista Eduardo Salgado, da revista Exame.
No final dos anos 80, Nahas era um dos maiores investidores de ações do país. Em junho de 1989, deixou de honrar financiamentos tomados para comprar papéis e desencadeou a crise no mercado de ações brasileiro que arrasou com a bolsa do Rio. Na ação protocolada na Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (2/10), o advogado Sergio Tostes, da Tostes e Associados, pede a condenação da Bovespa e da BVRJ por ter confiscado a parte da carteira de ações de Nahas que, segundo ele, estava custodiada nas duas bolsas e não era usada como garantia dos financiamentos.
Nahas diz que possuía 5 milhões de ações da Vale do Rio Doce, 4 milhões de ações da Petrobras, além de papéis de empresas como White Martins e Suzano, que totalizavam 300 milhões de cruzados novos (na época, o equivalente a 225 milhões de dólares).
“A Vale e a Petrobras estavam com preço baixo e, por isso, comecei a comprar”, diz Nahas. A ação também pede a condenação da Bovespa porque Eduardo da Rocha Azevedo, então presidente da bolsa, teria pressionado bancos que financiavam Nahas para que cortassem o seu crédito. “Isso não vai dar em nada. E, se Nahas falar no meu nome, processo ele”, diz Rocha Azevedo. O advogado Paulo Aragão, que cuida do IPO (oferta de ações) da Bovespa, previsto para novembro, faz outra leitura: “O momento que ele escolheu para fazer isso, após quase 20 anos, mostra que o objetivo é pouco legítimo.”

A Isto é Dinheiro publicou, em 2004: “Foi justamente acreditando na valorização dos papéis que Nahas comandou as polêmicas operações dos anos 80. Nelas, o investidor comprava as ações e tinha o prazo de cinco dias para pagar. Caso não tivesse dinheiro, poderia vender os papéis a um banco financiador e recebia os recursos à vista, no chamado D+0. Só que para entrar no negócio, os bancos embutiam uma taxa de juros. “Para a operação dar lucro, a valorização das ações tinha que superar a taxa dos bancos”. “Não houve crime algum e todos os bancos queriam financiar o Nahas porque sabiam que ele tinha patrimônio para cobrir as apostas”. O problema é que Nahas acabou sendo condenado por um cheque sem fundos, de US$ 10 milhões, quando a CVM decidiu mudar as regras do jogo e proibir as operações D+0. O cheque foi devolvido pelo falecido banqueiro Pedro Conde, do BCN. Nahas acredita que tanto Conde quanto Rocha Azevedo estavam do outro lado da corda, apostando na queda do Índice Bovespa – e, no fundo, o que estava em jogo era uma queda-de-braço entre “comprados” e “vendidos” do mercado. “Se eu não quebrasse, eles teriam quebrado”, disse Nahas. Como, depois de junho de 1989, as ações logo retomaram a tendência de alta, o ex-ministro Mário Henrique Simonsen declarou à Justiça que houve manipulação para baixo – e não para cima”. Acho que a estória está mal contada. Nahas não teria praticado crime algum, pois, agia a portas abertas e à luz do dia, dentro das regras do mercado. Houve até o caso de quatro grandes empresários que, entusiasmados com os lucros de Nahas, pensaram em criar um banco só para financiá-lo. A instituição chamar-se-ia, se bem me lembro, Planinbank. Só não foi consumada a idéia porque quebraram Nahas.
Eu me lembro de uma incrível entrevista dele ao Jô, onde ele disse, se não me falha a memória: "Papai me deu 50 para eu começar a vida" O Jô perguntou "50 mil dólares?" E ele "Não. 50 milhões de dólares".
Realmente, ele era um player que já entrou grande no mercado. Dificilmente nós, pobres mortais, saberemos a verdade sobre tudo o que ocorreu. Na época, foi um escândalo. Talvez essa ação nos possibilite conhecer um pouco mais do que ocorre nas entranhas desse mercado....
Esse país é mesmo uma piada!
Leia-se: Este.
Não sei quanto será, nem quem irá pagar a conta . -
Mas o Sr. Naji Nahas, certamente , irá receber uma "grana mui grandiosa", judicialmente !!!
Aprontaram com ele !!! Jogaram "mui sujo" com ele e deram o tombo nele,... naqueles tempos idos !!!
Com todo respeito uma piada é pegar um laudo de Wall Street e ignorar, e pegar um laudo da Bovespa onde se afirmava que objetivamente não podia se vislumbrar manipulação, mas que era possível se ter forte intuição de manipulação dos mercados. Esse laudo nos anos 90, de que embora os números não pudessem garantir, havia indícios por "intuição" de manipulação do mercado, foi mostrado em cópia em programa de TV.
Essa história vai longe.
Mais cedo ou mais tarde, isto iria acontecer. Na época fiz um comentário prevendo esta indenização. O Sr. Naji Nahas foi ruidosamente perseguido pela mídia pelos acontecimentos. Esqueceram que o Sr. Naji Nahas jogava nas Bolsas de acordo com as regras existentes na época. A mídia jamais questionou estas regras e, na época, bateu duro em Naji Nahas. E agora, Jose? E o Sr. Rocha de Azevedo, autor da tramoia? Onde fica nesta? Vamos aguardar...
Para pagar indenizações?
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