Chamar alguém de negro não é racismo, afirma TJ gaúcho

O fato de alguém, em uma discussão acalorada, chamar uma pessoa de negra não significa racismo. É preciso estar evidenciado que houve um tratamento pejorativo e diferenciado por causa da cor da pele.

O entendimento é da 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que negou indenização por dano moral pleiteada por uma mulher negra.

A autora da ação alegou ter sofrido discriminação racial durante discussão com uma vendedora do Armazém Cigano, localizado no Shopping Total, em Porto Alegre. Para os desembargadores, a situação não ocorreu simplesmente porque a mulher é negra, mas porque sua mãe a influenciou a tomar satisfações da funcionária em tom áspero.

“A jurisprudência desta Corte firmou entendimento no sentido de que somente gera indenização a expressão que constitui insulto revelador de discriminação”, anotou o desembargador Odone Sanguiné, relator do caso. Para ele, no entanto, não existe preconceito racial no caso como ficou descrito nos autos.

Segundo o processo, a mãe da autora da ação estava do lado de fora da loja quando pediu para ela cobrar explicações da vendedora. Tudo porque a vendedora pediu para a autora da ação que retirasse sua bolsa de cima de um banco e a fechasse. A própria autora da ação confirmou que não percebeu qualquer atitude ofensiva ou discriminatória da funcionária. No entanto, ela foi induzida pela mãe a perguntar se haveria algum problema de negro entrar na loja. A atitude desencadeou um diálogo agressivo.

O desembargador lembrou que é comum pessoas negras transitarem no shopping. “Talvez em maior número do que outra raça, e não houve qualquer prova que a mesma vendedora tenha sempre agido de forma discriminatória”, afirmou. De acordo com os autos, a vendedora tinha inclusive se relacionado afetivamente com um homem negro.

Segundo Sanguiné, para que o racismo seja configurado é preciso haver a distinção entre o tratamento ofensivo por causa da cor e o uso de expressões usuais que servem para identificar a pessoa pelo seu biotipo. O fato de alguém ser chamado de negro não gera danos morais. A situação se altera quando a expressão é utilizada de forma pejorativa. “A configuração do dano moral exige mais do que contrariedade ou mero dissabor”, reforçou o desembargador.

Processo 70.020.502.241

A.G. Moreira disse:
15 de setembro de 2007 às 08:31

Um magistrado "iluminado", teve o discernimento de decidir, que "chamar um negro de negro", não é crime ou insulto nem discriminação !!!

A menos que o negro não suporte a sua côr e se considere "vitimado pela Natureza" !!!

EduardoMartins disse:
15 de setembro de 2007 às 09:38

Se a filha encrenqueira chamasse ela de branca seria descriminação? Então pq simplesmente chamar alguém de negro poderia ser?

Infelizmente, há muitas decisões forçadas e absurdas na justiça por causa dessa besteira, inclusive com altas indenizações (2 mil já é fora da realidade da maioria dos brasileiros, é só olhar o nosso salário mínimo).

Condenação por simplesmente chamar alguém de negro não deveriam existir, como não existe quando chamam alguém de branco, a menos que acompanhada de algum tipo ou tentativa de humilhação ou depreciação somente pelo fato de ter essa pigmentação da pele. No caso, a motivação da discussão não foi essa e nem foi ela quem começou, ela foi provocada. É aquele velho ditado: Quem diz o que quer, ouve o que não quer.

veritas disse:
15 de setembro de 2007 às 09:57

Que país !!!!

Paulo AB Camargo disse:
15 de setembro de 2007 às 11:54

A própria pergunta feita à funcionária do estabelecimento é que deu início à discussão. A questão da cor foi levantada pela autora, ao que relata o CONJUR.

Luiz Guilherme Marques disse:
15 de setembro de 2007 às 15:40

Data venia dos que pensam em contrário, entendo que alguém chamar outrem de negro, no meio de uma discussão acalorada, significa racismo sim.
O que se diz no meio de uma discussão acalorada, regra geral, tem o intuito de ofender, de menosprezar.
Não conheço quem chame alguém de branco e este último se sinta ofendido, pois ninguém usou a expressão branco para ofender outrem. Mas, quando alguém quer ofender um negro, xinga-o de negro, com a intenção de menosprezá-lo.
A gente fingir que não sabe disso é hipocrisia.
Não conheço maiores detalhes do caso concreto, a não ser o que está relatado no Consultor Jurídico.
Verifica-se, da parte de algumas pessoas, a intenção de minimizar a discriminação contra negros, mas é só a gente querer enxergar com imparcialidade o problema que consegue verificar a tremenda pressão que sofrem os negros em geral, intimidados silenciosamente pela barreira invisível que os impede de ir confiantemente a determinados lugares, conviver em determinados meios etc.
A diferença que se instituiu entre pessoas brancas e negras, ricas e pobres etc. representa uma crueldade terível, que somente a evolução moral da humanidade conseguirá ir diluindo aos poucos.

Armando do Prado disse:
15 de setembro de 2007 às 16:13

Boa decisão. Precisamos parar com esses milindres do politicamente correto e tratar do importante. O que importa é a situação terrível a que são submetidos os descendentes dos africanos.

Cansei de ser chamado de branquelo e branco aguado, sem me sentir diminuido. Negro é negro e pronto, como branco é branco e amarelo é amarelo.

Vamos parar de frescuras e cuidar do que interessa.

Roland Freisler disse:
15 de setembro de 2007 às 19:06

Até que desta vez o professor falou corretamente: é preciso acabar de vez com esse negócio do "politicamente correto",uma imitação tupiniquim dos nossos irmãos lá do Norte. Igualmente como o professor, estando no Rio, cansei de ser chamado por negros de "branquelo" e outros adjetivos.E não brincavam não...

A.G. Moreira disse:
15 de setembro de 2007 às 21:31

Ninguém pode ser acusado,nem condenado, por , adivinhações ou hipotéticas, ilações de sua fala .
Mas, unicamente, pelo que ele diz !!!

Lincoln disse:
15 de setembro de 2007 às 21:37

O desembargador cometeu uma gafe "étnica" (ou seria ideológica?), pois não existe raça em se tratando de seres humanos.

Interessante a cogitação de que "ser chamado de negro" daria direito à indenização. Já se toma o termo com um valor negativo só para discutir essa questão.

No mais, realmente é hora de por um ponto final nessas asneiras perigosas de ações afirmativas, discriminação às avessas, politicamente correto e outros animais da mesma triste raça.

Paulo Henrique M. de Oliveira - Criminalista disse:
16 de setembro de 2007 às 04:54

Já se disse que o nosso “racismo” é pior do que o de outros países, na medida em que o nosso é velado. Não admitimos ser racistas, o que nos faz parecer um país que convive muito bem com as diferenças, mas a realidade não é bem esta. Normalmente, o sujeito diz não ser racista, mas não casaria com pessoa negra, não deixaria um filho ou filha fazê-lo, não dá emprego a um negro etc. Quando um negro galga alguns degraus sociais, é sempre motivo de espanto, como no caso do Ministro Joaquim Barbosa, sempre mencionado como “o primeiro ministro do STF negro” e não por seu elevadíssimo saber jurídico.

Se o dia foi tumultuado, dizemos ter tido um dia “negro”. Se o passado de alguém tem pontos desabonadores, falamos que se trata de um passado “negro”. Se a situação está complicada, dizemos que a coisa está “preta”. Se o humor é pesado e não respeita o que poderia ser a dor de alguém, então é um humor “negro”.
No auge de uma discussão, com os ânimos acirrados, a toda evidência que chamar alguém de “negro” é condição de ofensa, sim. Basta imaginar que, se a briga fosse entre dois brancos, o matiz da pele jamais viria à baila.

A decisão parece ter sido acertada, porém, porque a própria autora foi quem primeiro trouxe a cor da sua pele para o contexto da briga.

Paulo Henrique Martins de Oliveira
ADVOGADO – OAB/SP-78.747

Carlos Alberto disse:
16 de setembro de 2007 às 13:05

Pelo que entendi do texto, a funcionária da loja foi asperamente interpelada pela freguesa, originando o popular bate-boca, e ainda mais, quem colocou a cor na discussão foi a freguesa. Para mim está claro que foi mais uma tentativa em se locupletar utilizando a cor da pele, criar uma confusão para depois vir à Justiça pedir os famosos "Danos Morais", este fato não passou de mais um tiro no pé, e prejudica todos os negros honestos. O que está acontecendo no Brasil atualmente não é discriminação por côr,credo, etc. mas sim falta de vergonha na cara, desde as classes mais pobres até a presidência do Congresso Nacional, não há mais dignidade, é a intenção de levar vantagem em tudo e contra todos.

Bob Esponja disse:
17 de setembro de 2007 às 10:17

Todas as medidas contra o racismo só aumentam o proprio racismo. Como foi dito não temos raça, somos todos iguais, e o tratamento desigual não fortalece a igualdade.
Estão tentando importar uma situação que naõ existe aqui, somos um povo resultado de uma mistura, indio negro branco; basta lembrar daquela pesquisa de dna realizada onde muita personalidades negras tinham mais dna europeu que outras ditas brancas.
Pigmentação da pele não significa nada, somos seres humanos e ponto final.

paulo disse:
19 de setembro de 2007 às 07:39

Idiotice. É mais um modismo essa estória de afrodescendente que está se espalhando igual febre. Daqui a pouco nas escolas, o "quadro-negro" será "quadro-afrodescendente"; chocolate preto: "chocolate-afrodescendente"; a noite não será mais negra, mas "noite-afrodescendente" e se voce quiser comprar um carro preto, pedirá: quero um carro "afrodescendente". Essa turma de chatos deveria sumir do Brasil com aquela musiquinha de fundo da Cris Nicoloti...

maria disse:
19 de setembro de 2007 às 16:07

Relacionamento inter-pessoal, social, está cada vez mais complicado.
Quantas vezes já escutamos:
- só podia ser mulher,
- só podia ser loira (conotação de menos inteligente)
- observações sobre "ser velho"
- "seu machista"
- ser criança,
- ser "aborrecente"
- "seu pé-de chinelo" (pobre)
Todo cuidado com palavras é pouco.
É melhor manter alguma formalidade, MUITO controle emocional,
ser cordial e sempre educado.
"A cortesia nos faz parecer, por fora, como deveríamos ser por dentro"
(e muita, muita paciência de Jó)

Farolin disse:
06 de novembro de 2007 às 10:12

Posso apostar que todos que fizeram estes comentários sobre racismo são brancos. Prova cabal de que o racismo está mais que presente em nossos dias, em que pese, ser da forma velada. O fato dos negros não terem quase nenhum acesso à internet, quiça, explique a ausência de suas opniões aqui, além de deixar claro que isto é o resultado de tantos séculos de opressão.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.