Cotas para negros podem aumentar racismo e excluir quem não merece

"RobertaSpacca” data-guid=”roberta_kaufmann.jpeg” />No Brasil, ninguém é excluído pelo simples fato de ser negro. Quem não consegue chegar à universidade é porque não teve condições financeiras de pagar boas escolas e obter qualificação suficiente para ser aprovado. Independentemente da cor da pele. Cotas para negros nas universidades não resolvem o problema. Os não-beneficiados são tratados de forma desigual, na medida em que se delimita o direito de acesso a todos, com a redução no número das vagas disponíveis.

O pensamento, polêmico, foi apresentado pela procuradora do Distrito Federal Roberta Fragoso Kaufmann, em sua tese de mestrado. Ela é contra qualquer tipo de ação afirmativa para negros que não esteja relacionada também à questão econômica. Para a procuradora, políticas que não partam deste princípio podem aumentar o racismo aos negros, em vez de incluí-los de fato na sociedade. Ela indica bolsas de estudo e incentivos fiscais como formas de resolver a questão da desigualdade.

Em entrevista à revista Consultor Jurídico, Roberta critica os brasileiros que estão deslumbrados com uma medida criada pelos norte-americanos, baseada na realidade de segregação total vivida pelos negros nos Estados Unidos. Segundo ela, quase todos os artigos jurídicos e livros publicados sobre a questão das ações afirmativas concluem que estas são medidas de concretização do princípio da igualdade, de um Estado de bem-estar social, embora a matriz deste modelo sejam os Estados Unidos, o paradigma do Estado liberal.

Mas o problema maior, segundo Roberta, não é este. E sim as diferenças históricas, sociais e culturais que engendraram o racismo nos Estados Unidos e no Brasil. Estas diferenças começam no processo de colonização de cada país e no modo como cada um escravizou e libertou os africanos. A maior diferença, contudo, é que enquanto no Brasil houve uma integração de raças comandadas pela intensa miscigenação, nos Estados Unidos houve um sistema institucional de segregação que proibiu a convivência entre brancos e negros. E só isso seria suficiente para que soluções que tiveram um papel importante para combater o racismo nos Estados Unidos sejam desaconselhadas para enfrentar o mesmo fenômeno no Brasil. Mesmo porque o fenômeno não é o mesmo.

“Quando digo que sou a favor de ações afirmativas baseadas também no critério econômico, não agrado os principais líderes do movimento negro porque a maioria é de classe média e não seria atingida pela minha proposta”, afirma a procuradora.

Roberta Fragoso Kaufmann é advogada, nascida e formada em Recife, pela Universidade Federal de Pernambuco. Foi a primeira colocada na prova para mestrandos na Universidade de Brasília. Tornou-se mestra com a apresentação da tese que virou o livro Ações afirmativas à brasileira: necessidade ou mito?. Pouco depois foi convidada pelo ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal, para assessorá-lo. Aceitou e permaneceu na Corte por cinco anos. Atualmente, é procuradora do Distrito Federal.

Leia a entrevista

ConJur — A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que política pública baseada em critério racial é racismo e considerou que escolas do Estado não podem fazer programas de ação afirmativa para favorecer minorias étnicas. Como a senhora vê essa decisão?

Roberta Fragoso Kaufmann — Com cautela. Nos Estado Unidos houve a instituição de uma política pública oficial de segregação. Todos os níveis de governo fomentavam a exclusão dos negros. Essa política racial foi sustentada por decisões da Suprema Corte e também por leis editadas pelo governo. Ou seja, o problema de integração do negro à sociedade americana não foi apenas uma herança perversa da escravidão, mas, sobretudo, conseqüência do racismo institucionalizado proporcionado pela atuação conjunta da sociedade e dos poderes que compunham o governo. Por tais razões, considero extremamente necessário, para a realidade americana, o desenvolvimento de políticas de ações afirmativas para negros.

ConJur — Então, o que é bom para os Estados Unidos não é bom para o Brasil?

Roberta — A diferença fundamental é que não podemos simplesmente importar um modelo que foi pensado para outra realidade. Quem pretende implementar no Brasil o modelo de ação afirmativa dos Estados Unidos esquece a realidade americana de segregação racial institucionalizada e as diferenças estruturais que existiram e ainda existem em relação à formação histórica e social de cada povo. Isto não quer dizer, obviamente, que as ações afirmativas no Brasil não sejam válidas. Mas devemos ter em mente e batalhar para que o modelo a ser implantado aqui decorra da análise do nosso próprio contexto.

ConJur — Quais seriam os critérios para se adotar política de ação afirmativa no Brasil?


Roberta — Podemos conceituar as ações afirmativas como um instrumento temporário de política social, por meio do qual se visa a integrar certo grupo de pessoas à sociedade, para aumentar a participação desses indivíduos sub-representados em esferas nas quais tradicionalmente permaneceriam alijados por razões de raça, sexo, etnia, deficiências física e mental ou classe social. As cotas são apenas um dos mecanismos existentes na aplicação da política de proteção às minorias desfavorecidas. Aparecem com a reserva de vagas no vestibular, para ingresso nas universidades e na porcentagem de empregos para determinados grupos. Existem diversas outras modalidades de medidas positivas que podem ser adotadas, como bolsas de estudo, reforço escolar, linhas especiais de crédito e estímulos fiscais diversos.

ConJur — Qual o problema das cotas?

Roberta — A política de cotas fere o princípio da igualdade, porque os não-beneficiados acabam sendo tratados de maneira desigual, na medida em que se delimita o direito de acesso a todos, com a redução no número das vagas disponíveis. Assim, pessoas inocentes terminariam punidas por atos — o preconceito e a discriminação que impediram o acesso das minorias — para os quais não deram causa, e em relação aos quais podem divergir profundamente.

ConJur — Existem alternativas?

Roberta — Se as ações afirmativas adotadas não forem numericamente fixadas por meio de cotas, os efeitos da política positiva seriam diluídos entre toda a sociedade e, assim, não haveria o risco de discriminar reversamente alguém. Bolsas de estudos ou incentivos fiscais diluem o ônus da política entre todos da sociedade e não em relação a um grupo específico. Com as cotas, todo o ônus dessa política é suportado pelos que foram excluídos, gerando a chamada discriminação reversa.

ConJur — Quando se dilui o ônus, a sociedade sente menos.

Roberta — Exatamente. Acredito na viabilidade de ações afirmativas lato sensu para negros no Brasil. Não podemos esquecer que o Estado brasileiro, quando promoveu a escravidão, teve um papel relevantíssimo na correlação perversa entre o negro e a pobreza. A escravidão durou 300 anos no Brasil. Depois que foi abolida, não foi concedido nenhum tipo de auxílio governamental aos negros. O Estado brasileiro se omitiu no dever de integrá-los à sociedade. Ao mesmo tempo, a imigração foi largamente incentivada. Os estrangeiros receberam hospedagem e foram inseridos no mercado de trabalho com a ajuda do Estado. O negro recém-liberto, por sua vez, preferia o ócio ao trabalho insano da lavoura. Por tais razões, os negros até hoje sofrem os efeitos da pobreza. É o chamado efeito transgeracional da exclusão de origem. Tal conseqüência tem importância decisiva para o debate sobre as ações afirmativas no Brasil, na medida em que desmitifica a correlação entre os péssimos indicadores sociais e econômicos relativos aos negros e a prática de racismo pela sociedade. Não somos uma sociedade racista, diferentemente da sociedade norte-americana. Por tais razões, as ações afirmativas para negros no Brasil devem necessariamente conjugar o fator racial com o econômico, porque a pobreza é o grande fator de exclusão do negro na sociedade brasileira, e não o racismo.

ConJur — A isenção fiscal para uma determinada minoria não cai no mesmo problema das cotas raciais?

Roberta — Não, porque quando você concede isenção fiscal para determinado segmento, dilui-se o ônus entre toda a sociedade. Não há a discriminação reversa de um grupo específico. Como exemplo de isenção fiscal utilizada como ação afirmativa pode-se destacar a norma do estado de São Paulo que previra redução de ICMS e IPVA às empresas que tivessem, pelo menos, 30% dos empregados com idade superior a 40 anos. A lei foi revogada em parte porque o Supremo Tribunal Federal considerou que nenhum estado pode legislar sobre isenções de ICMS sem o acordo dos demais estados-membros. Mas considerou válida a política quanto ao IPVA, sinalizando pela constitucionalidade desse tipo de ação afirmativa.

ConJur — Do que depende a constitucionalidade de uma ação afirmativa?

Roberta — Depende da razoabilidade quanto aos critérios eleitos pelo legislador, ou seja, qual é a minoria escolhida para ser beneficiada. Por exemplo, reservar vagas em estacionamento para idosos ou deficientes físicos é uma ação válida. A partir da presunção de que eles têm uma deficiência de locomoção, a medida é adequada. O exemplo mostra que ações afirmativas devem ser analisadas mediante um contexto histórico e social específico e não de maneira universal ou absoluta. A escolha de um grupo para ser objeto de uma ação afirmativa pode ser válida em um país e não ser em outro. Como exemplo, poderíamos citar as ações afirmativas para turcos na Alemanha, para esquimós no Canadá e para chineses na Malásia. No Brasil nenhum desses grupos poderia ser alvo de ações afirmativas, já que aqui nenhum deles sofre discriminação.


ConJur — Nos Estados Unidos a ação afirmativa é uma forma de integrar os negros que foram alvo de uma política institucional de segregação. No Brasil, os movimentos negros reconhecem que não houve uma política institucional de segregação, mas que culturalmente o efeito acabou sendo o mesmo. Como responder a esse argumento?

Roberta — No Brasil, nunca houve qualquer tentativa de limitar o acesso das pessoas ao exercício de direitos por causa da raça. O fato de ser mulato, ou negro, não impediu a assunção de cargos ou de posições sociais de destaque, ainda quando vigente o sistema escravocrata. Já nos Estados Unidos, o simples fato de um cidadão ser considerado negro já significava uma barreira intransponível na sociedade, independentemente de sua posição social. Mesmo o negro rico norte-americano não possuía os direitos mais básicos, vedados por lei, como o de casar com uma pessoa de outra raça, votar, ser votado, freqüentar escolas, piscinas, parques.

ConJur — Existe um critério objetivo para dizer quem é negro?

Roberta — A forma de classificação racial é outra grande diferença entre o Brasil e os Estados. Lá, o critério de definição racial é o de ascendência. Negro é aquele que possui uma gota de sangue negro, de acordo com o critério chamado one drop rule (regra de uma gota).

ConJur — Qual é o critério usado no Brasil?

Roberta — O critério da aparência. Se usássemos o critério dos Estados Unidos, quem de nós não seria considerado negro? A única raça do nosso país é a brasileira, formada pela constante miscigenação entre brancos, negros e indígenas. Neguinho da Beija-Flor [puxador de samba] fez um teste que demonstrou que quase 70% do seu DNA é europeu. A ginasta Daiane dos Santos também tem mais ascendência européia do que efetivamente africana. Isso desmistifica a idéia de que a ascendência no Brasil pode determinar a raça que a pessoa pertence. Usamos a auto-classificação, que sempre foi induzida. Nos censos, a pessoa tem que escolher entre: branco, preto, mulato, amarelo, indígena. Em 1976, no Programa Nacional de Amostragem Domiciliar (PNAD), o entrevistado ficou livre para determinar a cor que pertencia. O resultado foi impressionante: 135 cores diferentes no Brasil entre as quais algumas pérolas como azul-marinho, branca-suja, bronzeada, cabo-verde, café-com-leite, fogoió, galega, jambo, lilás, melada, queimada, rosada, russo, sarará e trigueira. A classificação racial está muito mais voltada a uma questão cultural e social do que genética.

ConJur — O Brasil não adota o princípio da igualdade formal, não é?

Roberta — De fato, não adota. Esse é o princípio de que todos são iguais perante a lei e o Estado não pode fazer nada para tentar minimizar as desigualdades. No Brasil, a situação precária em que se encontra o indivíduo pode perfeitamente justificar uma atuação estatal para minimizar as desigualdades. É o que acontece em relação aos deficientes físicos e idosos. A questão é que antes de se eleger um critério é preciso analisar o contexto histórico, social e econômico do país. Nos Estados Unidos, o critério racial foi o escolhido para a privação de direitos. Não importava se a pessoa fosse rica. Só de ser negra não podia estudar nas mesmas escolas que brancos, não podia freqüentar piscinas públicas, nem praias, parques. Eles tinham hospitais, bairros, religiões próprias.

ConJur — Mas o fato de ser isoladamente negro no Brasil também não é um fator para exclusão de direitos?

Roberta — Definitivamente não. Aqui a exclusão dos direitos é em relação à pobreza. Os que não têm acesso à universidade são as pessoas pobres, que não conseguem pagar boas escolas para ter a qualificação necessária para passar no vestibular. Se analisarmos a história do nosso país, o rei dom João V, em 1731, deu o cargo de procurador-geral da Coroa a um negro. Dizia que ser negro não era impedimento para uma pessoa assumir o cargo. No século XVII, o negro e ex-escravo Henrique Dias foi condecorado com o posto de herói da pátria. Não são poucos os negros que conseguiram ter ascensão social e atingir cargos de prestígio: Machado de Assis, Lima Barreto, José do Patrocínio, Conselheiro Rebouças, Tobias Barreto, dentre tantos outros. Esse fato é totalmente impensável e inimaginável na época de segregação nos Estados Unidos. Isso significa que aqui ser negro, isoladamente, não é fator para não ter acesso a bens e direitos.

ConJur — Quando se pôs fim à era da segregação institucionalizada nos Estados Unidos?

Roberta — Em 1954, na decisão Brown vs. Board of Education a Suprema Corte acabou com a segregação nas escolas, que havia sido confirmada pelo Judiciário desde o célebre caso Plessy vs. Ferguson, 1896, com a política de “iguais, mas separados”. No entanto, tamanha foi a resistência social que a decisão de Brown levou quinze anos para ser implementada. Numa das principais contendas, o governador do Arkansas, Orval Faubus, preferiu fechar uma escola do estado a cumprir a decisão judicial que mandou matricular alunos negros. Foi necessária uma intervenção com tropas federais para que a escola fosse reaberta. O critério de exclusão dos direitos foi efetivamente racial. No Brasil não é assim. Não se pode dizer que os negros, pelo simples fato de serem negros, têm direitos vedados. Existe preconceito e discriminação da sociedade em relação aos negros, mas tais fatores, somente, não legitimam uma política afirmativa.


ConJur — Então, o fato de existir preconceito e discriminação não é suficiente para uma política afirmativa?

Roberta — Só se ficar comprovado que o preconceito e a discriminação operam com tamanha força que é praticamente impossível ultrapassar a barreira para a inserção social, como era nos Estados Unidos. Não foi por acaso que a criação e implementação das ações afirmativas para negros aconteceram nos Estados Unidos. Nas décadas de 60, 70 a situação racial era tão grave no país que alguma coisa tinha de ser feita. As ações afirmativas não surgiram por acaso, mas porque a segregação imposta foi tão grave que o governo se sentiu na obrigação de fazer uma política de integração. O curioso é que os líderes negros nunca foram favoráveis a esse tipo de política.

ConJur — Não?

Roberta — Não. Uma das ironias sobre a criação das ações afirmativas é que estas foram imaginadas e colocadas em prática por alguns brancos que estavam no poder, não por negros. Os principais líderes do movimento negro organizado não se manifestaram favoravelmente à política integracionista. Martin Luther King chegou a se manifestar sobre o tema, advertindo que a adoção de políticas afirmativas seria contraproducente para o movimento negro, porque não conseguiria encontrar justificativas diante de tantos norte-americanos brancos pobres. As ações afirmativas não se originaram da observação de que era preciso desenvolver uma sociedade mais justa, mais democrática ou mais humana. Elas surgiram em um momento social marcado pela iminência de um conflito civil. Não houve uma relevante construção teórica prévia, nem dos negros, nem de brancos, nem de partidos de esquerda, nem de direita, sobre as justificativas do princípio da igualdade, a partir de considerações sobre as modalidades de justiça compensatória ou de justiça distributiva, dentre outras questões jurídico-filosóficas.

ConJur — Qual o papel da miscigenação na questão racial no Brasil e nos Estados Unidos?

Roberta — No Brasil, a miscigenação é uma constante, desde o início da colonização. Os portugueses que vieram colonizar o país chegaram sem família, sem mulheres e não tiveram outra opção a não ser se miscigenar com as negras e as índias. Os portugueses também tinham contato intenso com os negros antes da colonização, já que Portugal esteve durante 800 anos sob domínio mouro, dos povos do norte da África. Com isso, os portugueses desenvolveram adaptabilidade em relação ao convívio com outras raças, uma plasticidade social.

ConJur — E nos Estados Unidos ?

Roberta — Nos EUA, existiam leis que proibiam a mistura de raças e impediam também o casamento inter-racial. Em alguns estados, se houvesse infidelidade com uma branca, a pessoa recebia uma multa. Se fosse com uma negra, o valor era diversas vezes maior.

ConJur — De que maneira as diferenças históricas que separam o Brasil e os Estados Unidos são importantes para o desenvolvimento das relações raciais nos dois países?

Roberta — Nos Estados Unidos, quando houve a abolição, em 1865, 87,5% dos negros eram escravos, apartados do convívio social. Lá, a abolição foi precedida da guerra civil mais violenta que se teve notícia naquela sociedade. O saldo foi de 600 mil mortos. A sociedade não estava acostumada à presença do negro livre e a libertação gerou um ódio racial imenso, com o surgimento de organizações contrárias a eles, como a Ku Klux Klan. A organização adotou como política oficial a expulsão e a morte dos negros. Entre 1915 e 1920, eles contavam com cinco milhões de membros, dentre os quais, o presidente da República, governadores e congressistas em geral.

ConJur — E no Brasil?

Roberta — No Brasil, em 1887, um ano antes da abolição da escravatura, 90% dos negros já eram livres. A maioria já estava integrada na sociedade. A abolição não foi precedida de guerras, mas recebida com aclamação social, decretado feriado nacional por cinco dias e a Princesa Isabel recebeu o título de “A Redentora”.

ConJur — Onde começa o problema dos negros no Brasil, então?

Roberta — Os indicadores sociais são claros ao mostrar que a situação do negro no Brasil é bastante precária e muito pior do que a dos brancos. No entanto, quando o movimento negro faz a sua leitura dos indicadores, conclui que a única explicação possível para esse fato é o racismo. Eu contesto. Um indicador social que diz que os negros estão em situação pior do que os brancos não quer dizer necessariamente racismo. Para mim, a raiz do problema é econômica.

ConJur — A questão racial está ligada à questão social.

Roberta — Intrinsecamente ligada. O negro ganha menos do que o branco porque, sendo mais pobre, não consegue ter a qualificação necessária para conseguir ganhar mais. No Brasil, o negro rico vira branco. E o branco pobre vira negro. Esse fato não pode ser ignorado quando se fala em ações afirmativas.


ConJur — Teríamos mais resultado com um Estatuto da Igualdade Social e não da Igualdade Racial, não é?

Roberta — Sim. Por outro lado, é possível instituir ações afirmativas em que se leve em conta o critério racial. No entanto, a questão econômica deve estar atrelada. Por exemplo, conceder bolsa de estudos em cursinho pré-vestibular para negros que ganham até dois salários mínimos. Essa é uma política afirmativa que leva em conta as peculiaridades históricas. De fato, os negros no Brasil passam por um problema de exclusão. Mas insisto na tese de que essa exclusão não é por conta da cor. 70% dos pobres brasileiros são negros. Por isso, ser negro significa ser pobre. As ações afirmativas têm de contemplar essas duas vertentes.

ConJur — O projeto de criação do Estatuto da Igualdade Racial prevê políticas de saúde pública e educacionais baseados em critério raciais. Faz sentido?

Roberta — Sim. Estudos demonstram que, de fato, as pessoas que têm ascendência negra possuem determinados problemas que outras raças não têm. Em relação à política educacional, a idéia é colocar o negro em uma situação de protagonista. O negro precisa ser colocado em posição de destaque. Eles são muito importantes para a construção da identidade brasileira. Os nossos principais valores são relacionados à cultura negra, como o samba, o futebol, a capoeira.

ConJur — Das 57 universidades federais, 16 adotam o sistema de cotas e 41 não. O fato de 16 já adotarem cotas é um avanço ou o fato de 41 ainda não adotarem é um retrocesso?

Roberta — Acho que o fato de 41 não adotarem o sistema de cotas é uma coisa boa. As cotas geram discriminação reversa. O pior modelo do meu ponto de vista é o da Universidade de Brasília, apesar de eu ser egressa de lá. Além de ter instituído cotas de 20% para negros, sem atrelar à questão econômica, instituíram uma comissão para dizer quem é branco e quem é negro. A pessoa manda a foto e eles analisam. Essa é a maior violação ao princípio da igualdade que pode existir. Um retrocesso. Como é possível que uma terceira pessoa diga a que cultura eu pertenço e com que raça eu me identifico?

ConJur — Não há como estabelecer critérios objetivos para considerar quem é negro e quem não é.

Roberta — No século XIX se acreditava que as raças podiam ser determinadas geneticamente. Mas desde o século XX sabemos que isso não é possível. Se fizerem uma análise de DNA para saber quem é negro vão encontrar mais dúvidas que certezas. Brancos de aparência podem no fundo ser negros e vice-versa. A raça não é uma questão genética. O critério de auto-classificação do Brasil sempre foi louvado mundo afora. No Brasil há muita miscigenação racial com uma convivência harmônica. Uma ação afirmativa baseada na raça pode desestabilizar esse equilíbrio frágil que existe no Brasil. Políticas afirmativas mal planejadas e elaboradas de maneira apressada podem aumentar o racismo, em vez de combatê-lo.

ConJur — Por quê?

Roberta — Veja bem: o estudante é aprovado e ingressa na faculdade por meio das cotas. Depois, não consegue permanecer estudando porque não tem condição econômica. Muitos negros são pobres e precisam de ajuda financeira para continuar estudando. Então, ao invés de cotas, o ideal seria conceder bolsas de estudos para eles continuarem estudando.

ConJur — Você é loira. Já foi acusada de racista por conta das suas posições?

Roberta — Quando digo que sou a favor de ações afirmativas baseadas também no critério econômico, não agrado os principais líderes do movimento negro. Por quê? Porque a maioria é de classe média e não seria atingida pela minha proposta. A grande massa dos negros, que é pobre e não tem acesso à informação, está alheia ao debate. Quando defendi a minha tese de mestrado na UnB, parecia que eu era a pessoa mais racista do mundo. Meu carro foi pichado com os dizeres: “o mérito é burrice e você é a maior prova disso”. Isso porque fui aprovada para o mestrado por mérito, por meio de concurso público. O movimento mais radical me vê como racista, infelizmente.

Rodrigo Haidar

é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Lilian Matsuura

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Torre de Vigia disse:
29 de julho de 2007 às 10:26

Sem dúvida alguma se trata de mais uma "macaquice" tupiniquim: País mestiço que é o Brasil, síntese de raças diversas, belo e fogoso como retrata Darcy Ribeiro (este sim sociólogo de verdade e não daqueles embusteiros comunistas da PUC), superou muito antes o racismo e o "apartheid" que vigoram nos EUA até hoje. Ridícula e perigosa a previsão de cotas.
Quem está propalando e querendo implantar tal sistema de cotas raciais deve ser acusado pelo Ministério Público imediatamente por crime de racismo. Todos são iguais. Brancos, pretos, gays, sapatões, todos estamos na mesma merda, submetidos a um governo corrupto, que desvia dinheiro da educação e da saúde para os seus bolsos. Milhões e gerações estão condenadas à ignorância, morte, desemprego, às drogas, graças a uma Política corrupta em que o dinheiro público paga a pensão dos filhos bastardos de muitos.
Muda Brasil. Tirem o voto do ignorante e do menor de 18 anos.

DPF Falcão - apos disse:
29 de julho de 2007 às 12:51

O sistema de cotas para negros é a negação da meritocracia; transmuda-se o direito de conquista pelo favor público.
Sistema de cotas tendo como critério a cor da pele é dizer que o negro é inferior, incapaz de atingir os patamares em que hoje estão os chamados "brancos".
Mas... e os brancos pobres, aqueles brancos que desde sempre foram excluídos da vida com dignidade?
E os índios que aqui já habitavam antes dos brancos e negros?
O sistema de cotas somente para negros (apenas pela cor da pele)pode levar a injustiças e a situações tão ridículas como as de filhos de ministros (até do STF), parlamentares, generais, desembargadores, membros do MP, altos funcionários dos três poderes etc, terem vaga garantida nas universidades e, ao pararem seus carros (no mais das vezes, de luxo) contarem com os serviços de um "flanelinha" branco para vigiá-los e lavá-los, já que não há sistema de cotas para brancos pobres.
Interessante: o filho do minisro terá cota; o do faxineiro do prédio desse ministro, se for branco, não!
E ainda tem gente que acredita nisso! Trata-se, na verdade, da defesa de bandeiras que instigam, recorrentemente, à luta de classes, ao racismo, ainda que sob o manto de reparar injustiças históricas.
A luta deve ser por igualdade de oportunidades, por um ensino básico de qualidade que proporcione a todos o direito de ingressar, por mérito, nas universidades, caso contrário, daqui a pouco estaremos instituindo o sistema de cotas para o mercado de trabalho, para os esportes, a literatura, as artes, independentemente de capacidade e mérito, que devem estar presente em todas as relações humanas, dentre outras fundamentais como a moral e a ética.

Roland Freisler disse:
29 de julho de 2007 às 16:43

Por favor, leiam este excelente artigo: Armadilha para Negros".
http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=833

A.G. Moreira disse:
29 de julho de 2007 às 18:36

Se o cidadão ( branco, negro, índio, etc.) tem "condições econômicas", ele tem oportunidades e poderá aproveitá-las ou rejeitá-las.

No Brasil, os negros que são destaque, são poucos, mas, eles existem em todos os setores .

É interessante notar, que os negros, desde a sua vinda para o Brasil, tiveram contato e atividades com a agricultura .
Por outro lado, não temos notícia de que o Estado, em tempos contemporânios, tenha discriminado o cidadão negro, negando-lhe o acesso a terras, para o desenvolvimento agrícola .

Entretanto, nunca se viu queixas ou reivindicações, por parte dos Movimentos ou Associações de negros, para a aquisição de terras .

Porquê ???

Dijalma Lacerda disse:
29 de julho de 2007 às 18:38

Apenas para reflexão: pensem na teoria da "plus valia".

Já pensou colocarem você para lutar contra o Mike Tison ?

Ficaria bem mais equilibrado se lhe dessem um 38 cheinho de balas não é?

Pois bem, nós, socialmente privilegiados,, somos os Mike Tisons da sociedade quando disputamos algo com os nossos irmãos menos preparados, sejam eles brancos, negros, amarelos, pouco importa. Há de se aplicar a teoria da "plus valia". Porém, de que forma ?
De forma a que esses nossos irmãos não sejam humilhados, e sintam realmente há honestidade de propósitos.
O que ocorre é que o sistema de quotas não está inspirando essa interpretação de sinceridade de propósitos, já que é excludente sim, é racista sim.
A sociedade tem que se organizar seriamente, e dar condições para que aqueles que foram simplesmente esquecidos ao longo do tempo, tenham REAIS chances de se preparar, de estudar, de trabalhar com dignidade, etc. etc., enfim, para que se sintam realmente valorizados socialmente falando. Para que tenham auto-confiança e se sintam socialmente realizados.

Neli disse:
29 de julho de 2007 às 20:57

Concordo!
A COTA deveria ser para todos aos alunos egressos de Escolas Públicas.
Infelizmente,quem estuda em escola pública não tem condição de chegar a cursar a universidade Pública.
O riquinho,filho de classe média/alta), estudou em ótimas escolas,pagas,e a Universidade é custeada por toda a nação,num verdadeiro atentado à justiça.
Sou sim pela cota em universidade pública,mas só para aquele que estudou em escolas públicas,independentemente de ser negro.

Neli disse:
29 de julho de 2007 às 21:00

Morfeu:
existem sim negros em altíssimas funções públicas;menciono um dos maiores penalistas brasileiros,o Professor Damásio é negro.
O concurso público é a forma mais democrática dos bons estudantes,ingressarem no serviço público.

Habib Tamer Badião disse:
29 de julho de 2007 às 21:12

Excelente o artigo da colega Roberta Fragoso. Enfrentou o tema com civilismo e doutrinariamente coroou seu trabalho com uma interpretação macro política de causar inveja aos mais destacados cientistas políticos.
Negro é capaz e confundí-lo com os deficientes é praticar discriminação racial que desmoraliza a nossa democracia!!!

Jobson Mauro disse:
29 de julho de 2007 às 23:07

Alguém sabe como eu posso ter acesso à tese de mestrado da Dr. Roberta?

Karla sinova disse:
29 de julho de 2007 às 23:16

Certíssima a procuradora. Cotas para negros , além de prejudicarem os mais preparados, que perderão vagas para menos capacitados , é absolutamente cruel com os milhões de brasileiros brancos e ao mesmo tempo pobres, que evidentemente também sofrem todas as misérias típicas de uma Nação injusta. Isso sem falar na enorme dificuldade em se definir quem é negro ou não, em um País caracterizado pela miscigenação.

Luismar disse:
30 de julho de 2007 às 00:36

O mais esquisito é o critério para definir quem tem direito a cotas.
Parece ser o olhômetro, sujeito a falhas como vimos no caso dos gêmeos capa de uma edição da Veja.
Geneticamente, não dá pra distinguir negros e brancos. O Neguinho da Beija-Flor fez um exame e constatou que 67% de seu DNA tem origem européia.
Outro dia vi na internet a foto do casal formado por um negro e uma loira que tiveram dois filhos gêmeos, mas produto de espermatozóides diferentes. Um tem a pele mais escura, semelhante ao pai; o outro é branquinho igual a mãe. O primeiro poderá se valer do sistema de cotas; o segundo não.
Ridículo.

Rodrigo disse:
30 de julho de 2007 às 08:53

Vou transcrever alguns trechos da intrevista:
"O negro recém-liberto, por sua vez, preferia o ócio ao trabalho insano da lavoura."
"Não somos uma sociedade racista, diferentemente da sociedade norte-americana."
Onde essa mulher vive???

Kristofer Willy disse:
30 de julho de 2007 às 09:10

Quem é perito para dizer quem é negro e quem não é? Um antropologista?

Winston disse:
30 de julho de 2007 às 12:36

O que chega a ser cômico nessa questão de cotas é que o problema que motivou sua criação não é resolvido pelo governo nem lembrado pelos defensores e detratores: o péssimo ensino público de 1º e 2º graus. A criação de cotas para negros, pobres, alienados ou alienígenas não resolverá a questão. Negros e pobres não conseguem entrar na universidade por falta de formação escolar. Facilitar o acesso ao nível superior a pessoas que muitas vezes não sabem sequer ler ou escrever corretamente, que não conseguem interpretar um texto básico, é condena-las a uma vida acadêmica frustrante e a uma vida profissional muitas vezes medíocre.
A solução é investir na formação do aluno, para que possa chegar à faculdade com os conhecimentos necessários tanto para um bom desempenho na faculdade como no exame vestibular.
E, no curto prazo, criar "cursinhos" pré-vestibulares que possam concluir a formação que deveria ter sido proporcionada pelas escolas públicas.
Entretanto, concordo com a afirmação que não são apenas os cidadãos de pele negra que penam para ingressas na faculdade, mas sim a grande maioria dos pobres, de qualquer cor, raça ou origem.
Existe preconceito racial explícito? Não.
Existe preconceito racial velado? Sim.
Isso impede o ingresso dos cidadãos negros na faculdade? Não, definitivamente não.
Não é a cor da pele que determina se uma pessoa vai passar no vestibular, e sim a sua formação escolar.
Não devemos abandonar a meritocracia em razão da grande mediocridade do ensino, mas melhorar o ensino para nivelar o mérito.
Senão, continuaremos a tratar o câncer com aspirinas...

Orlando Maluf disse:
30 de julho de 2007 às 12:36

Sobre o assunto, volto a reiterar meu pensamento: alcançamos tardiamente uma compreensão da sociedade sobre as questões racistas, os verdadeiros e inaceitáveis absurdos decorrentes de um comportamento doentio e generalizado, herdado da mentalidade criminosa que fizeram do Brasil o último país a reconhecer a abolição da escravatura como conduta humana imprescindivel a nos tornar uma verdadeira nação.
À parte quaisquer outras distorções que a humanidade vem sofrendo até hoje, o fato é que não existe diferença de raças, e os homens são todos iguais perante a Constituição e a Lei.
Por tal razão, creio que o sistema de cotas oprime o pretenso beneficiado e o coloca como ser inferiorizado em relação aos demais, com a pecha de necessitar sempre de um auxílio a mais para demonstrar seu valor, como se esmola fosse.

Ezac disse:
30 de julho de 2007 às 22:04

Temos de acabar com o termo racismo. Somos todos iguais. a diferença é um pouco de melanina. No inicio todos eram negros até vir o albino.
O Termo correto seria colorfobia, pois apenas existe a rejeição pela cor e sua representação social (ex escravo).
Estudei em colégio estadual em uma época que professor lutava por cátedra. Havia defesas de tese, mestrados, etc.
Os professores escreviam livros que eram base para vestibulares.
Havia o saber e a vontade de ensinar.
Tinha aluno bagunceiro?
Tinha, mas o diretor impunha sua autoridade que até os pais entendiam.
Vamos lutar pela reconstrução da escola e valorização do mestre pelo merito como em qualquer profissão.
Em uma boa escola estadual ou municipal todos terão chances iguais.

Habib Tamer Badião disse:
30 de julho de 2007 às 23:56

Negro é pessoa, gente e tem dignidade! No tempo de Pedro II tivemos a honra de contar com nossos irmãos negros no ministério executivo e foram brilhantes! Importaram modelo doutrinário americano para o nosso País! O Brasil é composto orgulhosamente de 70% de Negros, O Brasil é negro e com orgulho.
Parabens a Dra. Roberta Fragoso pelo excelente artigo.

Alochio disse:
31 de julho de 2007 às 08:02

Sr. Winston e demais colegas:

1. O percentual de alunos "cotistas" aprovados nas disciplinas, em várias Universidades que adotam as cotas, é superior ou semelhante aos "não-cotistas". Logo, não acredite nessa estória de que o "cotista" não sabe "nem ler nem escrever".

2. Se adotarmos o sistema ECONÔMICO, e não a RAÇA, a coisa vai ficar igualmente difícil de identificar: em Vitória, as ESCOLAS PÚBLICAS dos bairros de CLASSE MÉDIA-ALTA têm sensivelmente melhor desempenho que as demais escolas públicas, de acordo com recente entrevista do ex-vice prefeito (que é educador).

2.1. Se o CRITÉRIO-RAÇA for substituído pelo CRITÉRIO-ALUNO-ORIUNDO-DE-ESCOLA-PÚBLICA, ficaríamos na mesma!

3. A "raça" é um critério ruim! Até pode não ser o melhor. Mas ... é um critério! E que espelha uma resposta à política de BRANQUEAMENTO que reconditamente se alastra no Brasil desde a abolição.

3.1. Em si mesmas, as cotas por consideração de RAÇA/COR continuam sendo válidas. O que é preciso analisar são os demais critérios de PROPORÇÃO (20%, 30%, 40% não é muito?) e de RAZOABILIDADE (até quando será adotada? podem ser criadas vagas adicionais só para isso?). Além disso, nas LEIS DE COTAS, que muitas vezes versam sobre CARGOS E SERVIÇOS DO EXECUTIVO, mas são oriundas de PROJETOS DE INICIATIVA DO PODER LEGISLATIVO (isso não fere a iniciativa do Chefe do Poder Executivo??).

... é uma opinião.

Adriano P. Melo disse:
31 de julho de 2007 às 10:14

A tese da douta Procuradora, com todo o respeito, é desprovida de de senso de conhecimento da história. A única diferença entre o racismo americano e brasileiro é que lá existe o ódio racial, fato ratificado pelas leis segregacionistas, enquanto em terras tupiniquins não se mata (como lá, ao menos) por ser negro. De qualquer forma, em ambas as nações a discriminação racial levou, após a abolição da famigerada escravatura, uma multidão de pessoas, que antes viviam sob a mira dos senhores, mas que, bem ou mal, tinham um teto e uma porção mínima de sustento, a serem simplesmente jogadas à margem da sociedade, pois os fazendeiros jamais iriam pagar para negros trabalharem. Assim sendo, os grandes latifundiários importaram mão de obra, ao invés de pagar os negros pelo trabalho no campo (a novela Terra Nostra Nostra mostra bem isso, sem citar os negro, claro). Logo, dizer que cotas para negros exerce um efeito contrário é, no mínimo, chover no molhado, haja vista que a discriminação nunca deixou de existir no Brasil. O que devemos discutir é se o Brasil tem uma dívida com a maior parte de sua população. Se sim, esta dívida deve ser paga, seja adotando cotas em universidades ou de outra forma. Devemos combater também é esse sistema elitista em corrói nossa sociedade, premiando os alunos oriundos de escolas particulares em detrimento dos que realmente precisam, sejam negros ou não. Acabem com a hipocrisia dos vestibulares em universidades públicas e adotem o critério social que muitos dos problemas de cotas e etc serão facilmente resolvidos. Do contrário, continuaremos vendo uma grande massa de segregados lutando (ainda) contra uma discriminação que alguns insistem em dizer que aqui não existe!!!

Dr. Marcelo Galvão SJCampos/SP - www.marcelogalvao.com.br disse:
31 de julho de 2007 às 10:35

A cota para as pessoas é simplesmente tentar dar os desiguais chances de sobreviverem em nosso país. Só lhes faço uma pergunta apenas. Quantos negros tinham na sua sala de aula desde o ensino primário. Quantos negros tinham no seu bairro?

drefla1 disse:
31 de julho de 2007 às 10:57

Achei de grande valia as informações obtidas com essa entrevista, interessante tambem os comentários, acharia tambem importante que ao se afirmar que não sei quantos porcento são negros ou tantos brancos, ou desfavorecidos são tantos....
enfim como eu fiquei em grande dúvida quanto as afirmações aqui aprensentadas, ficarei com o posicionamento do sr. Ali Kamel autor do livro NÃO SOMOS RACISTAS UMA REAÇÃO AOS QUE QUEREM NOS TRANSFORMAR NUMA NAÇÃO BICOLOR..
por que nesse pequeno livro que é bem objetivo, ele dá várias pesquisas de fontes seguras, demonstra obviamente em números onde se encontra a DESIGUALDADE; Para se ter idéia no livro tem o capítulo assim "sumiram com os pardos" que achei interessante, por que existe mais pardos doque negros no Brasil, não fui eu que criei esse tipo de classificação, vamos assim colocar....
Olha o mais louvável deste livro é a repercução das COTAS no mundo, não deu certo, é claro...
E eu não vou contar o final do livro, a parte que eu mais gostei, porque eu já sabia a solução porem não tinha percebido.EDUCAÇÃO a única solução; olha gostei muito desta leitura; indico aos colegas.
até mais

Murassawa disse:
31 de julho de 2007 às 11:04

Entendo que cota p/universidade é uma das portas de entrada p/ acirrar mais ainda o racismo, principalmente p/ empobrecimento das familias brasileiras, pois, no brasil c/ as últimas políticas economicas introduzidas acabau-se c/ a classe média que existia até os anos 60, portanto, penso que a melhor forma de acesso à universidade deva ser por merecimento/competencia, mesmo porque, c/ a introdução da cota cai por terra de que todos são iguais perante a lei.

Sou único na familia de 7 irmãos que veio da roça e estudou em escolas públicas até o nivel médio e formou-se na UNIVERSIDADE particular e hoje tenho dois filhos que são formados e pós graduado e não tive as facilidades que muitos estão tendo hoje e não dão valor, pois, pelo que tenho acompanhado, metade dos que recebem bolsa escola e entram na universidade p/ cota, abandonam os estudos no primeiro ano de escola, mais uma razão pela qual entendo que a universidade é para aqueles que efetivamente tem interesse e tem competência.

Luiz Fernando disse:
31 de julho de 2007 às 11:07

O enfoque é correto, a meu ver. Cotas raciais eliminam o critério acadêmico do mérito, que é a base do desenvolvimento científico e intelectual de qualquer país. O mérito passa a ser a cor da pele e isso diz tudo. Vamos pagar o preço dessa norma burra e demagógica dentro de algumas décadas.

Edimar Miguel disse:
31 de julho de 2007 às 14:10

Essa lei além de burra, como já foi dito, fere o princípio do tempo e espaço, pois, o que se vê e o que se quer é eliminar diferenças e buscar harmonia entre os povos. Mais uma vez o desgoverno submete o Estado, nesse caso, contrariando até nossa miscigenação, pois o brasileiro atual é o rescaldo do cruzamento dos elementos branco, silvícola e negro.
Dá-lhe, Roberta. Parabéns pelo belo trabalho de pesquisa.

Jose Antonio Dias disse:
31 de julho de 2007 às 16:21

É evidente que esta lei é demagógica. Fins eleitoreiros. Os negros jamais deveriam aceitar esta discriminação racial. Pior, discriminação racial legal. Quem tem competência não necessita de medidas eleitoreiras para atingir o fim que pretende. Qualquer negro, branco, amarelo pode chegar a Universidade desde que tenha base cultural, ou seja, um bom primário e um bom secundário e muita fôrça de vontade. Vou mais longe: a grande maioria dos nossos estudantes universitários saem das faculdades semi analfabetos, em razão dos péssimos cursos universitários. Em meu escritório, a cada 20 candidatos a estágio, 19 são reprovados por completo desconhecimento da matéria. Para entrar em uma Faculdade é preciso estudar, estudar e estudar. Não será´por meio de cotas que o negro alcançará o que almeja, ou seja, a sabedoria. Por meio de cotas ele obterá um mero papelucho que, envolto em moldura, ficará esquecido em uma parede qualquer.

Alochio disse:
31 de julho de 2007 às 20:53

Caros amigos:

1. Me respondam: alguém procurou os dados sobre o DESEMPENHO DOS "COTISTAS"?? Vejam se os COTISTAS são inferiores, iguais ou superiores aos NÃO COTISTAS. Veremos que QUANDO NÃO SUPERIORES, os índices de aprovação dos COTISTAS são semelhantes aos dos não cotistas.

1.1. Isso não é questão de ser CONTRA ou A FAVOR: é estatística. São dados objetivos, coletados nas universidades! A UERJ as divulga. "Joga no google".

2. Pergunto ainda: alguém referiu que DE CADA 20 CANDIDATOS A ESTÁGIO 19 FICAM REPROVADOS. Quantos são COTISTAS??

3. Despois nóis conversa. É mais bom falar com as informação nas mão. Êta nois.

LUCIANO disse:
01 de agosto de 2007 às 17:09

Eu não tenho condições de estudar mesmo com cotas. Gostaria de não ser diferenciado de ninguem. Fico triste em saber que Branco fica de uma lado direito, negro do lado esquerdo, indio na diagonal...e assim vai. ô país de gente burra, além de corrupto.

Hamilton Magalhães disse:
11 de agosto de 2007 às 00:41

Só por ingenuidade ou má-fé é que se pode acreditar que, com o emprego de cotas, os negros terão mais oportunidades.

E pior: que não existe uma pequena parcela de negros que também representam a elite econômica. Serão esses os verdadeiros beneficiados e não os negros pobres. Negros, indios, mamelucos, cafusos ou a etnia que preferirem.

Querem dar acesso a Universidade pública. Cobrem mensalidade e distribuam bolsas para os mais carentes. Assim os ricos não vão priorizá-la quando resolverem se formar.

Mas é lógico que não é isso que nossa elite quer. Quer sim continuar a dispor do Estado para, depois de formados, cobrarem por seus serviços com o que consideram justo.

Leonardo Almeida disse:
16 de agosto de 2007 às 13:41

Parabéns à Dra. Roberta Fragoso. A sua tese acerta o "ponto nevráugico" da questão: a reserva de cotas é uma discriminação às avessas e desvia o foco do real motivo da inacessibilidade ao ensino superior!

Bira disse:
18 de agosto de 2007 às 12:15

O governo dito dos movimentos sociais apenas defende o lobby que o elegeu. Assim ocorre com todos os partidos e seus "lobbys". O problema deste lobby, tolo, é que não percebe que a corrupção é endemica e que seus idolos já possuem patrimônio acima de 1 milhão, pelo menos aqueles que declararam e os pobres mortais deslumbram-se com 15 reais.
Cotas, para que cotas se somos apenas a raça humana?.

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