Existe uma anedota que ilustra o poder de conquistar pessoas, do político mais influente da história do Brasil, Getúlio Vargas. Seria interessante que os advogados pudessem extrair desta passagem alguns ensinamentos para ajudá-los a se relacionar melhor com seus clientes e com as pessoas em geral.
Dizem que durante determinado período de seu governo e com o intuito de desenvolver um melhor relacionamento com a população, Getúlio Vargas concedia frequentemente audiências às pessoas do povo que o procuravam. Atendia pessoalmente as reclamações, dava opiniões e resolvia contendas e divergência como se fosse uma espécie de juiz da nação. Claro que o objetivo desta atitude era apenas para ouvir desabafos, e aumentar sua popularidade.
Em certa ocasião, dois comerciantes brigaram e resolveram procurar o presidente para ouvir sua opinião sobre o caso e saber quem tinha razão. Como de costume, Getúlio os recebeu separadamente, para evitar constrangimentos.
O primeiro comerciante entrou e lhe contou o caso, apresentando suas razões. O presidente ouviu atentamente a argumentação, ponderou algumas questões e, ao final disse-lhe: “O senhor TEM RAZÃO”. O comerciante saiu todo feliz da audiência, satisfeito com a resposta de Getúlio e, na passagem, ainda desdenhou do adversário.
O segundo comerciante, preocupado com a atitude de seu desafeto, entra e expõe também seu caso, procurando desenvolver com eloqüência suas argumentações. Ao final, pergunta ao presidente quem tinha razão. Getúlio, pensativo, observa-o com seriedade durante longos minutos e finalmente diz: “O senhor tem TODA RAZÃO!”. O segundo comerciante também sai todo feliz da audiência.
Estarrecida com a situação, dona Darcy Vargas, esposa do presidente, que a tudo assistira não se conteve e questionou: “Getúlio, acho que não está absolutamente correto o que você acabou de fazer. Isto não é atitude de um presidente, pois você deu razão a um comerciante que lhe contou uma história de um jeito, e em seguida também deu razão ao outro comerciante que lhe contou uma historia oposta”.
Getúlio observa as ponderações de sua esposa atentamente, considera seriamente o que ela falou e lhe responde com convicção: “Darcy, você TEM RAZÃO”.
Getúlio era um mestre da persuasão, e conhecia profundamente a natureza humana. Ele sabia que era inútil criticar e contradizer aos outros, portanto prestava bastante atenção às pessoas, interessava-se pelos seus problemas, procurava dar razão a todos e, no final, as pessoas faziam o que ele queria.
Esta historieta foi contada no livro “Como Persuadir, Falando”, do advogado Modesto Marque Oliveira, (Edições de Ouro, 1979). Ela nos traz uma lição simples, mas fundamental para a carreira de muitos profissionais, em particular aqueles do setor jurídico. Muitas vezes, pelas próprias características de sua profissão, os advogados acabam negligenciando a importância do relacionamento interpessoal e da necessidade de aprenderem a se tornarem bons persuasores.
Advogados precisam desenvolver sua competência como persuasor, seja para conquistar clientes e estreitar o relacionamento com os mesmos, seja no relacionamento com integrantes da instituição judiciária, durante eventuais negociações para realização de acordos, numa defesa diante de um tribunal e em muitas outras situações da carreira jurídica.
Portanto sugerimos que, a exemplo do grande presidente Getúlio Vargas, os advogados busquem desenvolver sua capacidade de persuasão, e valorizem mais a habilidade de relacionamento interpessoal para que possam obter melhores resultados em sua vida profissional e pessoal.
Engenheiro Ari Lima, o senhor tem razão (já estou aprendendo).
O autor se esqueceu, apenas, de dizer que após se sentirem com toda razão do mundo os contendores foram p'rá rua e, lá, partiram para os finalmente, cada um mais cheio de razão em relação ao outro.
O pulo do gato estaria no apaziguamento, negociando o relacionamento entre os brigões com cada qual cedendo alguns centímetros.
Mas, mesmo assim, o autor tem um pouco de razão, já que esse seria o ponto de partida para o acordo.
Com todo o respeito ao autor, e defendendo totalmente o seu direito de opinião, peço vênia para dele discordar, no entendimento de que o artigo prega a imoralidade.
Sim, já que o exemplo tomado, ainda que em caráter de ironia, é lógico, contitui suprema imoralidade.
Arriscaria até a dizer que talvez as alusões ao ilustre presidente suicida e que tantas realizações teve em nosso país, como a CLT por exemplo, não passam de mero folclore.
Reservo-me o direito de duvidar da veracidade dos fatos expostos, já que, entre a exposição e o perfil moral do ilustre falecido Getúlio Vargas, fico com este último.
O exemplo é péssimo, e não se adequa a qualquer Advogado que prime pela seriedade no exercício de sua nobre profissão.
Este continua sendo o meu pensamento, depois de trinta e dois anos de advocacia.
Dijalma Lacerda foi presidente da OAB/Campinas em 2001,2002,2003,2004,2005 e 2006.
O articulista, defensor empedernido do lema "os fins justificam os meios", parece aconselhar a busca, mediante relacionamentos espúrios, de apreciações judiciais dogmáticas das "nossas provas", e a análise céptica das contrárias. É de bom alvitre avisar ao sr. Ari que sua conduta é típica.
Concordo com o título, mas achei absolutamente péssimo o exemplo.
Getulio Vargas, com todos os seus defeitos e pecados, cometidos no governo, continua a ser o politico brasileiro que teve maior presença no século passado. Como advogado não se notabilizou, mas no exercício da atividade política não encontrou símile entre aqueles com quem conviveu, alterando substancialmente o perfil da política brasileira
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