Advogado de Cabrini diz que ele foi vítima de armação

O jornalista Roberto Cabrini foi vítima de uma armação. Os 10 papelotes de cocaína encontrados no porta-luvas do carro dele foram colocados lá para incriminá-lo. É o que afirma seu advogado, Alberto Zacharias Toron. Cabrini foi preso na terça-feira (15/4) sob acusação de porte de drogas. Ele foi transferido do 100º Distrito Policial, no bairro Jardim Herculano (zona sul), para o 13º DP, no bairro Casa Verde (zona norte).

O advogado entrou com uma petição nesta quarta-feira (16/4) no Departamento de Inquéritos Policiais. Ele pediu o relaxamento do flagrante ou a concessão da liberdade. “Espero que amanhã tenhamos uma decisão para resolver esse grande equívoco que fizeram contra o jornalista”, disse Toron ao site Consultor Jurídico. Os autos também foram enviados ao Ministério Público.

Segundo o advogado, a mulher presa com Cabrini o ameaçava já há algum tempo. Ela marcou um encontro com ele e, minutos depois, a Polícia apareceu. Na busca, segundo o advogado, os policiais foram direto à cocaína. Toron lembra que a droga foi encontrada no porta-luvas, justo no banco do passageiro, onde a mulher estava sentada. Ela foi liberada na terça e foi elencada como testemunha do inquérito. “Foi um absurdo. Ele não é traficante e nem usuário”, diz Toron.

Segundo a Polícia, ao ser preso Cabrini portava 10 papelotes de cocaína. O jornalista foi indiciado por tráfico de entorpecentes, porque negou que fosse usuário. Cabrini e a TV Record, onde ele trabalha como repórter especial do programa Domingo Espectacular, afirmam que estavam fazendo uma reportagem investigativa.

O jornalista conta que investigava o caso antigo da entrevista que fez com o líder do PCC, Marco Camacho. “Jamais parei de investigar e, apesar das inúmeras pressões, sempre tive certeza da autenticidade da entrevista que efetuei em maio de 2006 com o líder da facção, Marcos Camacho”, afirma o jornalista em carta.

Na manhã desta quarta-feira (16/4), a direção da Record soltou nota dizendo que o seu departamento jurídico está acompanhando o caso e que vai prestar a assistência que for necessária ao jornalista. O jornalista disse que foi até o local onde foi preso para pegar três DVDs com informações sobre os ataques do PCC em 2006.

A Abraji Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos recomenda a seus associados que comuniquem antecipadamente às autoridades quando tiverem de passar por situações em que possam ser confundidos com praticantes de atos ilícitos. Conhecido jornalista de televisão, Cabrini já foi correspondente internacional da TV Globo em Londres e Nova York. Após passagem pelo SBT e pela Bandeirantes, ele foi contratado pela Record este ano.

Daniel Roncaglia

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Paulo Jorge Andrade Trinchão disse:
16 de abril de 2008 às 20:41

É possível. Por enquanto cabe o bom senso, não vamos pré julgar o conceituado jornalista.

Carlos disse:
16 de abril de 2008 às 20:50

Ora, se ele não é usuário, pq deveria dizer que é usuário? Para ser apenado (é. O STF já decidiu que não a descriminalização no art. 28 e sim despenalização...) nas condições do art. 28 da Lei de Drogas e ficar marcado por isso?

Um jornalista do calibre do Cabrini, portando só 10 papelotes de coca, não será condenado nem aqui nem na china. Ouçam o que digo.

Carlos disse:
16 de abril de 2008 às 21:06

Correção. Não HÁ...

A.G. Moreira disse:
16 de abril de 2008 às 21:14

A demora na soltura está, tão demorada, que eu acredito que todo este cenário, faz parte da "reportagem" que ele estaria fazendo ! ! !

A.G. Moreira disse:
16 de abril de 2008 às 21:16

A demora na soltura está, tão evidenciada, que eu acredito que todo este cenário, faz parte da "reportagem" que ele estaria fazendo ! ! !

Expectador disse:
16 de abril de 2008 às 22:37

ALGUMA COISA aconteceu.

Dificilmente a polícia "plantaria" drogas num jornalista renomado, muito embora se respeite a posição do também conceituado advogado (no entanto, defensor contratado).

Evidentemente, não basta alegar não ser usuário de drogas. A partir do momento em que o jornalista foi preso e apreendidas drogas com ele, há a presunção de credibilidade dos agentes públicos.

E, se não é usuário, é traficante, lógico!

Como não há aparência de ser traficante o jornalista, responderá ele por "ALGUMA COISA": porte para consumo próprio, que é o mais brando.

Lamente-se!

Radar disse:
16 de abril de 2008 às 23:58

Posso até estar errado. Mas acredito na versão do jornalista Cabrini, e desconfio de todas as demais.

Alguém já ouviu falar flagrante forjado?

Alguém já ouviu falar de mulheres que ferram os ex?

Pois é, eu também!

Solamento disse:
17 de abril de 2008 às 09:46

Só lamento, por isso adoro o Direito.
Ter credibilidade, ser renomado, e esta atrás das grades. Claro que torço por ser mais uma injustiça (armação) e tambem mesmo pq esta muito bem assessorado. Vamos aguardar ..Cabrini...Isabella...fatos que não queremos acreditar se realmente for verdade.

Claudio disse:
17 de abril de 2008 às 10:34

Se houve, nesse caso, algum tipo de armação, não foi da polícia. Obviamente pode ter "dedo" da mulher nesse meio e os policiais, ao receber uma denúncia sobre drogas, cumpriram o dever deles, ou seja, vistoriaram o carro e aprenderam a droga no porta luvas do veículo de Cabrini. Outro ponto correto é que se ele diz não ser usuário, que a droga não estava destinada ao seu próprio consumo, então corretamente foi autuado por téafico, já que a legislação não autoriza ninguém a portar droga para fins jornalísticos.A Justiça deverá resolver o problema e não a polícia. Além disso, ao que consta nos noticiários, a polícia apreendeu mídia contendo imagens comprometedoras do jornalista.

pimenta é refresco disse:
17 de abril de 2008 às 12:48

pois é....esse jornalista é pródigo em juízos apressados.

Mauricio_ disse:
17 de abril de 2008 às 13:14

Se a manchete fosse "Motoboy é preso em São Paulo por porte de drogas", ninguém aqui estaria colocando em dúvida a atuação policial.

Ricos e famosos não cometem crimes na mentalidade do brasileiro.

A legislação penal, nessa mesma mentalidade, é feita para pobres e anônimos.

Não entro no mérito do caso concreto, até porque só quem sabe a verdade são os policiais que o prenderam e o próprio envolvido.

Todavia, temos de aprender que a legislação penal se dirige a todos: ricos, pobres, famosos, anônimos, empresários, operários, autoridades, servidores subalternos, médicos, advogados, pedreiros, ajudantes e por aí vai.

O fato de alguém ser jornalista e famoso não o impede de se envolver com entorpecentes.

Aliás, quantos famosos já não se envolveram em escândalos em razão de drogas?

Não sei se o jornalista é culpado ou inocente e isso quem dirá será a Justiça.

Só lembro aos desavisados que não é apenas a intenção de lucro que caracteriza os crimes da Lei 11.343/2006.

Diversos verbos caracterizam condutas criminosas ligadas às substâncias entorpecentes.

Nenhum dispositivo dessa lei dá a jornalistas imunidade para transportar entorpecentes, ainda que em trabalho de "reportagens investigativas".

Em todo caso, não devemos de fato fazer nenhum prejulgamento. Embora alguns jornalistas não observem muito o princípio da presunção de inocência em suas matérias, nós, operadores do Direito, não devemos seguir esses exemplos.

Washington disse:
17 de abril de 2008 às 13:55

Não tenho procuração do jornalista - a bem da verdade, já conta com os serviços de um dos maiores criminalistas do país - mas todos tem conhecimento do funcionamento das famosas "denúncias anônimas" no contexto policial.

Não creio que o tratamento de execração dadas aos jornalistas - que a mais das vezes são os maiores execradores - possa ser visto como um ato natural, acho que estaríamos involuindo e remontando aos ditâmes da lei de talião. Decerto, sou um crítico feroz do exercício antí-ético de alguns jornalistas (VIDE PROCESSO MAINARD X P.H. AMORIN - CENSURADO NO PRÓPRIO CONJUR).

Creio que independetemente de quem sejam os criminosos, não é dado a quem quer que seja o respeito à presunçâo de inocência, é este o exercício constante - e difícil - que temos que fazer, posto princípio constitucional.

Ademais, é de boa lembrança as palavras ditas pelo pastor luterano alemão Martin Niemöller:

"Quando os nazis levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse".

Tomemos primeiro corretamente ciência dos fatos, antes que façamos juízo de valor.

Washington disse:
17 de abril de 2008 às 15:56

Caros:

Podemos até divagar acerca da possibilidade de ser, ou não, o repórter usuário de drogas. Agora, traficante!

Se não pudermos respeitar o princípio da presunção de inocência, vamos, pelo menos, respeitar o princípio da razoabilidade.

A disse:
17 de abril de 2008 às 16:31

Concordo com todas as colocações do Dr.Washington Oliveira, numa rapida passada Ele abordou os pontos principais. Realmente tambem não tenho procuração do Cabrini para defende-lo , mas que esta historia esta pra la de mal contada , com toda certeza! Lembremos que a função de Reporter via de regra "incomoda" pessoas de variados naipes e uma boa armação nunca pode ser descartada , ainda mais quando se constata que o Cabrini ainda faz o genero superado do "reporter na rua". Quem observa atraves dos Orgãos de Comunicação serios , constata que os "famosos , perfumados , importantes" e outros adjetivos menos votados , NUNCA vão em bocas de fumo em favelas esquisitas em horarios idem , via de regra dispõe de seus "serviçais" para tais tipos de empreitada ou mais facil ainda , ligam para qualquer "disk-droga" da região que faz a entrega a domicilio sem maiores problemas , resumindo: Não acredito que o Cabrini tenha sido tão BURRO de se expor dessa maneira. O cheiro de armação esta no ar e fedendo forte!
Quanto ao outro assunto abordado pelo Dr.Oliveira , tambem fico triste de ver que vez por outra o CONJUR "bota a viola no saco" e não permite comentarios sobre certos assuntos o que no minimo é anti-democratico , para não usarmos outros adjetivos. De qualquer maneira , o ultimo artigo ( o tal "incomentavel") escrito pelo Dr.Marcio Chaer é simplesmente impecavel pois cobre todas as eventuais faixas de discussão. O amorim é mesmo um mediocre e pelo visto tambem gosta da "colecionar" artigos duvidosos do codigo penal , haja visto que o de Ética ele ja desconhece a um bom tempo. Mais um ponto para o Mainardi que segue incomodando as ratazanas da atual republica. AVISO! Cuidado Mainardi , verifique sempre o seu porta luvas................

Dr.Pereira disse:
17 de abril de 2008 às 22:40

Sob todos os ângulos que formos analisar o acontecido, temos um lamentável equívoco, da polícia, se ¨plantou¨ a droga no carro do repórter, ou do repórter, se realmente estava portando a droga.

Como militante que sou, considero a condenação dele questão insuperável, na justiça penal, quem senta no banco dos réus, só levanta absolvido, se não há prova concreta do delito.

Mesmo que seja uma ¨armação¨, ficaria muito difícil à defesa desfazer a prova (cocaína).

ALIÁS, OUSO FAZER UM QUESTIONAMENTO...

SOU CONTRA JULGAMENTOS PELA IMPRENSA OU PELA BOCA DO POVO.

DEIXEMOS A JUSTIÇA ATUAR. QUEM SABE ELE NÃO CONSEGUE PROVAR SUA INOCÊNCIA.

SINCERAMENTE. VICIADO É UMA COISA, TRAFICANTE DE DROGAS, ACHO QUE PEGARAM PESADO DEMAIS.

NÃO DÁ PARA CONCILIAR A FUNÇÃO DE REPÓRTER ETC, COM O DELITO DE TRÁFICAR.

www.professormanuel.blogspot.com disse:
18 de abril de 2008 às 01:56

Dr. Pereira,

Sinceramente, não vi condenação pela imprensa. Ela noticiou os fatos e divulgou as versões. Quem está fazendo juízo de valor - sem sequer conhecer o processo - somos nós, comentaristas.

Uns para dizer que, com certeza, foi armação. Outros para dizer que ele é culpado.

O enquadramento por tráfico, feito pela polícia, foi feito pela quantidade da droga, como é padrão. Isto não quer dizer que esta será a opinião do MP ou do juiz.

Por outro lado, nenhuma atividade é incompatível com o tráfico de drogas - lembre-se do cantor belo e do jogador Edinho. Não pensem que todo traficante usa gorro, corrente e fala "cumequié". Traficante não é só aquele que fica na esquina oferecendo "pedra" a "dez real".

Esqueçam a versão das novelas. Drogas são um negócio muito lucrativo.

Márcio disse:
22 de abril de 2008 às 13:15

REALMENTE, A CONJUR JÁ ERA...AGORA, NÃO SEI SE OS AMIGOS PERCEBERAM, ALGUMAS MATÉRIAS QUE CONFLITAM COM INTERESSES DA CONJUR NÃO PODEM MAIS SER COMENTADAS...QUE DEMOCRACIA, NÃO É SR. MARCIO CHAER??? (Refiro-me à matéria sobre um conhecido desafeto da revista, o jornalista Paulo Henrique Amorim).

FICA AQUI O MEU PROTESTO!!!!!

RI3EIRO disse:
23 de abril de 2008 às 10:44

Não entendí o porque da censura de não podermos fazer comentário sobre texto referente ao caso Paulo Amorim?
Solidarizo-me com o protesto do Marcio.

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