Toffoli repudia tese de estado policial no Brasil

“Não estamos vivendo um estado policial”. A declaração é do advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, que participou nesta sexta-feira (8/8) da 10ª Conferência Estadual dos Advogados do Rio de Janeiro. O evento é promovido pela seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil.

Ao discursar no evento, Toffoli criticou a tese de que o país vive um estado policial. De acordo com o advogado, a propagação desse pensamento causa um acirramento que coloca em lados opostos os advogados e, e em outra trincheira, juízes, promotores e policiais. “Isso não é bom para ninguém”, assinalou.

O representante da Advocacia-Geral da União defendeu que o governo não está fechado para o debate. Ele reconheceu, no entanto, que há excessos e erros, mas que se tratam de exceções à regra. Toffoli frisou que o fato de o governo estar aberto ao diálogo já é uma justificativa suficiente para rejeitar a tese do vigor do estado policial no Brasil. “Não vamos radicalizar o discurso. Se houver esse exagero, quem perde é o cidadão”, afirmou.

Toffoli encerrou dizendo que há uma disputa de poder, mas que é preciso pensar na maneira como as críticas são feitas. Para o advogado, é tempo de refletir sobre as exceções, mas, sobretudo, deve-se ressaltar que as instituições estão funcionando e devem ser preservadas.

Por sua vez, o presidente da OAB-RJ, Wadih Nemer Damous Filho, que há um ano alertou em entrevista à revista Consultor Jurídico para a iminência de um estado policial, afirmou nesta sexta-feira que já não comunga da mesma opinião.

Defesa da Cidadania

Antes de criticar o discurso do estado policial, o advogado-geral da União, José Antônio Toffoli afirmou que os defensores dos pais da menina Isabella (Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá) deveriam ser homenageados pela advocacia. “Isso é defesa da cidadania e o papel da advocacia”, afirmou.

Toffoli registrou que não conhece os advogados do casal, mas disse que os advogados foram “corajosos ao enfrentar a massa que condenava antecipadamente os acusados”. Citando a filósofa, Hanna Arendt, o advogado-geral da União encerrou dizendo que “cidadania é o direito a ter direito”.

Marina Ito

é correspondente da Consultor Jurídico no Rio de Janeiro.

ASR - adv disse:
08 de agosto de 2008 às 20:28

Ao que parece, o Advogado Geral da União desconhece a realidade nacional.
A exceção é encontrar alguém que não tenha sofrido qualquer abuso por parte de qualquer autoridade pública, não apenas a policial.
Pois bem, a título de exemplos: a Prefeitura que não cadastra o novo contribuinte do IPTU, o BO que fica engavetado na delegacia, a certidão que nao sai no prazo de lei, o Juiz que não chega no horário para começar a audiência e, ademais,pára no exíguo tempo de trabalho para tomar café, a escrevente que não sabe digitar porque é comissionada,pois é "peixe" de alguém, o advogado malandro, o Estado que não paga (precatório dá até vontade de rir, para não chorar), o bueiro aberto... Ou seja, nada, absolutamente nada funciona de modo satisfatório!!!!
Mas tudo bem para o Toffoli, já que ele é o Estado, não precisa de nada disso!!!

no pain, no gain disse:
08 de agosto de 2008 às 21:36

Acho que o nome é "Estado da bandidagem"...

Luismar disse:
08 de agosto de 2008 às 22:14

Na esteira dos anteriores, Estado Bandidal.

O crime avança tanto, os criminosos conseguem tantos avanços, conquistas e garantias que a bandidagem está prestes a se tornar Instituição.

Breve, teremos uma PEC para criação da Bandidoria Geral da República.

J. Ribeiro disse:
09 de agosto de 2008 às 10:16

Será que o correto não seria "Estado Autoritário", diante de atos típicos de abuso de poder e de impunidade dessas "autoridades autoritárias"?
A questão central central é inversa, isto é, precisamos de regras mais rigorosas para abuso de autoridade.

arno disse:
09 de agosto de 2008 às 10:27

Pode haver despreparo técnico de alguns policiais mas Estado Policial só se for para os delinqüentes inexpressivos.
Que Estado Policial é esse em que os traficantes comandam a comercialização dos "produtos" dentro e fora dos presídios?
Onde políticos de má conduta penal e civil, suspeitos ou já condenados podem ser candidatos?
Onde a prescrição é a melhor defesa para os crimes cometidos pelos políticos, empresários e outras figuras de expressão?
Que Estado Policial é esse que permite o estado paralelo, onde nem candidato tem acesso?
É compreensível a preocupação dos que andam a margem da lei e estão na iminência de serem descobertos.
Parabéns Senhor Advogado Geral da União pelo posicionamento.

MONTENEGRO disse:
11 de agosto de 2008 às 10:21

Parabéns ao Advogado Geral. Quem pensa diferente é porque não viveu no governo militar.

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