Não raras vezes, observamos um gestor público reclamando da imprensa. É curioso. Geralmente, os órgãos da administração direta, indireta e fundacional têm assessorias de imprensa que bem podem cuidar de uma informação veiculada de forma errônea. Ademais, fortunas são empenhadas para que os jornais noticiem os feitos da gestão, numa questionável categoria de “informação pública” e, de rebarba, acabam ganhando um “bônus” da simpatia da mídia a fim de poupar esta ou aquela personalidade pública.
É como se as gravadoras recebessem o conhecido “jabá” para tocar uma música e contribuir para fazer um novo sucesso. O administrador público também investe em imprensa, seja contratando assessorias, empenhando verba pública para propaganda institucional, gerando privilégios, blindagens, espaço, visibilidade, criando a “pauta-jabá”, digamos assim. Por isso que, em determinados sites ou jornais, uma notícia desagradável ao administrador público deixa de ser publicada por “simpatia” ou “antipatia” com este ou aquele, coincidentemente na proporção do patrocínio ou da pontualidade de pagamento.
Como já afirmei diversas vezes, a liberdade de imprensa não é absoluta. Não por estar atrelada a uma caduca legislação autoritária, cunhada no período plúmbeo da ditadura militar. A liberdade de imprensa está jungida não à lei ordinária, porque a Constituição não impõe qualquer barreira no direito de informar, de criticar a administração pública, do livre pensar, de manifestação, de convicção, de politização do pensamento. A liberdade de imprensa sofre mesmo é com o jabá.
Um jornal também é uma empresa e, infelizmente, não pode se filiar a esta ou aquela corrente. Digo “infelizmente”, porque o leitor teria uma opção genuína caso soubesse ao certo as preferências da redação ou mesmo do proprietário do meio de comunicação. No Brasil, não se dá essa característica e os anunciantes privados não chegam a pagar completamente os custos ou, pelo menos, não impõem grandes margens de lucros. A “empresa-jornal” deve recorrer ao patrocínio público e é justamente aí que começa a verdadeira limitação à liberdade de imprensa.
Quando o administrador público se vê alvejado de críticas na/pela imprensa, aciona a assessoria para “conter” o problema, tentando retirar uma matéria ou fazendo com que não se alastre. Frustrada a estratégia, procura saber como estão as verbas publicitárias destinadas àquele veículo de comunicação. Se, ainda assim, não houver como “convencer” o jornal, o jornalista, o blogueiro, a personalidade pública socorre-se da empoeirada máxima da “defesa da honra”, utilizando-se uma legislação penal fascista, como forma de pressionar o crítico a permanecer em obsequioso silêncio.
Ocorre que a mídia mudou, está infestada de profissionais independentes (ou que se dizem), libertos da questão de lucratividade empresarial como pano de fundo da redação. E mais: os próprios jornalistas de carteirinha, aqueles que estudaram numa faculdade e sabem o que estão fazendo, torcem o nariz para pressões dessa natureza, ainda que as contemporizem por uma circunstância.
Aliás, os blogs são um fenômeno. E, como toda a mídia, sofrem com os mesmos problemas: também pratica-se o jabá no blog. Numa determinada semana, saraivadas de críticas ao administrador público; noutra, inopinadamente, publicidade das realizações, artigos, menções, enfim. Mas, no geral, o jornalismo está sendo pautado pela agilidade, informalidade e imediatismo dos blogueiros, que ousam mais porque não têm a carteira assinada. Talvez por isso sejam vítimas de mais processos “contra a honra”, movidos por autoridades públicas.
É preciso entender que a carreira pública tem ônus e bônus. Estabilidade, prestígio, autoridade, realização, são os bônus do funcionário estável ou comissionado. Transparência, moralidade, eficiência, são os ônus. Acrescentaria outro: tolerância. É ingênuo pensar que a convivência pública é idêntica à de uma empresa privada, na qual o criticado é o dono ou diretor, a menos que ainda se acredite que o Estado é mais um empreendimento que subordina o cidadão. Fico espantado ao perceber que até futuros candidatos à carreira política não estão preparados para o espaço público, onde é preciso aprender a jogar com as armas políticas e não tentar demitir o cidadão de sua cidadania, exonerando direitos constitucionais.
Nem a honra, nem o jabá, nem os zumbis legislativos da ditadura são capazes de apequenar a liberdade de imprensa. O gestor público não pode ter afetação toda vez que for criticado.
POR QUE NÃO JOGARAM SAPATOS EM SADDAM?
É interessante o comportamento dos jornalistas, particularmente os brasileiros que são imbecis, burros e cretinos. A cena grotesca do jornalista que atirou o sapato contra o presidente George W. Busch continua rendendo e ocupando um bom espaço dos jornais e da própria internet. Acho engraçado é que contra o tirano sanguinário Saddam Hussein jamais algum jornalista ousou lhe arremessar sapatos, porque o autor da façanha seria eliminado no local pela truculência da polícia política do regime.
Contra o presidente Bush, que é um democrata, é fácil atirar sapatos. Há pouco li, já nem sei aonde, que um organismo internacional de jornalistas já está peticionando em favor da liberdade do atirador de sapatos. Conclusão: os jornalistas gostam mesmo é de ditadores e de destilar todos os dias esse discurso xarope contra os Estados Unidos.
Mas nenhum desses cretinos imigra para qualquer desses países do Oriente. Todos vão para os Estados Unidos fazer seus cursos, se aperfeiçoar e gozar de liberdade e democracia.
Jornalistas jabazeiros viraram blogueiros jabazeiros e continuam levando sapatadas do Tio Rei.
O iraquiano criou um problema eterno para todos os jornalistas. Com esse pretexto, o de que um repórter pode atirar sapatos no entrevistado, vão poder humilhar bastante os profissionais para que eles entrem bem mansinhos nas salas de entrevistas.
A "imprensa" , somente, sobrevive ( e muito bem ), porque o Estado, além de lhe dar a "concessão" ( gratuitamente e eternamente ) , ela, ainda, recebe de todos os "governos" ( também permanentemente ) valores que não se publicam, a troco de "exaltar" , qualquer obra ou feito e "minorar" ou não publicar, os erros e "desgovernos" dos governos ! ! !
Caro Alex,
Estudante de direito não pode fazer generalizações injustas. Nem todos os jornalistas são burros, etc.- Se existem alguns colegas seus que são semi-analfabetos, nem todos são.
Você tem razão quanto a ser "grotesca" a cena do sapato. Mas como um de nós reagiria tendo o seu país invadido por exercito estrangeiro cujo chefe maior mentiu a respeito de armas inexistentes para explicar a invasão e depois vem mentir ainda mais numa tentativa de "marketing" esta sim totalmennte grotesca?
Cenas grotescas, meu caro, são as dos soldados americanos arrastando prisioneiros nus e torturando-os por diversão! Cenas grotescas são diriamente vistas há muitos anos em Guantanamo, onde pessoas são presas e torturadas sem acusação, sem processo, sem defesa.
Cena grotesca mesmo é um representante do Brasil (salvo engano o chanceler Amorim) ser obrigado a tirar seus sapatos para ingressar em território americano! Bush tirou os sapatos no aeroporto quando veio aqui ?
Bush não é democrata, mas republicano. Sua eleição foi sabidamente uma fraude. Isso até os cachorros abandonados do Bronx sabem...
Caro Alex, os estudantes de direito são o futuro da Advocacia, da Magistratura, do Ministério Público, da Polícia, etc. Por isso merecem o nosso respeito. Reflita um pouco sobre tudo. Leia um pouco de história, especialmente contemporânea. Hoje isso é fácil, nem precisa daqueles livros pesados de antigamente. Há excelentes revistas de história na banca de jornal a preços bem razoáveis. E, sobretudo, meu caro, não generalize. Há sim muitos jornalistas burros, cretinos, idiotas, mentirosos, venais. Mas não acredito que esse tipo de gente inexista entre os estudantes de direito. Mas não são todos...
É Dr. Raul, realmente exagerei quanto aos jornalistas. Na hora, a gente escreve o que se passa na cabeça. Um abraço.
Sem 'jabá' muitas portas se fecharão, daí bye bye mídia local. Imaginem até onde irá parar se houver a sangria! rs
Tem político deixando a cela da prisão para ser diplomado no novo cargo. Tem corrupto que se reelege porque ainda não transitou em julgado a condenação. Político hoje em dia é celebridade igualzinho a ator de novela: para muita gente que é educada através da mídia, quando o ator da novela encarna o vilão e é encontrado na rua, ele merece até uma ameaça de morte. Pergunta lá pra dona que fez a Odete Roithman se eu tô mentindo.
Daí como a educação(?) no Brasil é culpa dos políticos e gestores públicos mesmo, se eles não querem arranhar a imagem na mídia, podem optar por deixar de lado o poder que tanto os seduz ou, o que seria mais fácil, PARAR DE ROUBAR E SACANEAR O POVO. Porque hoje em dia, nem sempre o jabá salva. Tá cheio de blogueiro querendo apenas ver o circo pegar fogo. Mas não deve existir tantos assim que jamais se venderiam.
E parabéns ao jornalista que mandou a sapatada histórica! Se a imprensa não tivesse cumprido seu papel na exigência da democracia, não existiria liberdade de expressão também, e eu não poderia chamar o estado de policialesco. Opa! Cadê o DOPS? hehehe
Quantos daniel dantas existem, ou melhor, quantos mecenas????
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