Artigo originalmente publicado no jornal Folha de S. Paulo no dia 28 de janeiro
Colhe o mundo, atualmente, uma notável safra de pseudo-líderes, populistas e despreparados, que conduzem nações mais ou menos desenvolvidas, exclusivamente baseados no poder de comunicação com o povo, principalmente com aquela parcela menos favorecida.
Partem do princípio de que, para os políticos, “as promessas que fazem só comprometem os que as recebem” — como dizia Roberto Campos, que muitos sequer conheceram. Foi, de resto, o que ocorreu, quando o presidente Lula, a fim de ver aprovada a DRU no Senado, prometeu à oposição e ao povo, que não iria lançar pacotes tributários, nem aumentar tributos, e descumpriu o prometido, alguns dias depois.
Na mesma linha, o histriônico presidente venezuelano — capaz de criar desnecessárias resistências por ser incapaz de controlar seus repentes e ofensas, transforma o narcotráfico colombiano e sua indústria de sequestros em “idealística” guerrilha. Começa, entretanto, em sua democracia de um homem só, a sentir as resistências de um povo cansado de ver que o governo tem dinheiro em excesso, por força de sua monoeconomia (petróleo), mas, curiosamente, no país, tudo falta e a inflação explode.
O certo é que a “democracia” de um presidente despreparado, que pretende ser perpétuo, periclita na Venezuela.
O mesmo se pode dizer de Morales, que pretende, também, se perpetuar no poder e que começa, em face de sua enciclopédica e truculenta ignorância, a dividir a nação. Lá também a democracia corre risco.
É de se lembrar que todos os três presidentes são amigos de um ditador que, segundo os dados internacionais, fuzilou, sem julgamento, — os homicídios perpetrados nos famosos “paredons” — muito mais pessoas que Pinochet e que, no entanto, nenhum juiz espanhol ou italiano pretende levar aos tribunais internacionais.
Nada obstante devessem os dois, de há muito, terem sido condenados pelas mortes que causaram, pelos tribunais de seu tempo — pois, pelo Tribunal da História, já estão julgados, no mesmo nível de Hitler, Mussolini e Stálin — a única diferença entre esses assassinos (Fidel e Pinochet), é que o Chile progrediu mais do que Cuba.
A Ásia não fica distante das Américas, sob esse aspecto. O presidente do Paquistão tem na força do exército sua sustentação contra a vontade popular, sendo notória a sua omissão na proteção devida à sua concorrente, Benazir Butto, lamentavelmente assassinada em plena campanha para desbancá-lo do poder.
O continente todo passa por momentos de conturbação. O oriente próximo continua um barril de pólvora, em que a democracia é um sonho distante.
Da África, nem há o que se falar, sendo os recentes episódios do Quênia uma triste reincidência das pretéritas lutas tribais, de cruel violência.
A Europa se isola dos problemas extracontinentais e os Estados Unidos, depois da desastrada presidência de George Bush, responsável pela morte de 151 mil civis no Iraque, corre o risco de votar num outro populista despreparado para conduzir seus destinos, em momento em que sua economia dá sinais de decadência.
Neste mundo atormentado por falsas lideranças e fantástica mediocridade política, creio que valeria a pena retomar-se a idéia — que propus em meu livro O Estado de Direito e o Direito de Estado, em 1977 — de uma “escola de governo” em nível de primeiro grau, para os cargos municipais, segundo grau, para os cargos estaduais e universitário, para cargos federais, na qual se preparariam líderes para dirigir a nação. Arthur Lahl, embaixador da Índia na ONU, chegou inclusive a pensar numa “Universidade Mundial”, em 1970, para preparação de líderes internacionais. Tanto na minha proposta como na de Lahl, os governos financiariam tais escolas (Brasil e ONU), sem ônus para os que se sentissem vocacionados e fossem aprovados em exame vestibular.
De alguma forma, é o que a Escola de Comando e Estado Maior do Exército, nos cursos do CPEAex, faz com os coronéis em vias de ser indicados ao generalato, que passam, um ano inteiro, estudando, na Praia Vermelha, os grandes problemas nacionais e mundiais, antes de sua eventual promoção.
Creio que é o momento de a sociedade exigir a melhor preparação de seus líderes, objetivando fazer o Estado servir a sociedade e não a sociedade, aos governos.
Falar em democracia para uma américa latina (américa da insegurança jurídica) é bastante difícil.
Não é apenas o conhecimento (por sinal muito distante, considerando a com a qualidade de ensino) que permitirá obtermos melhores horizontes, mas a mudança de mentalidade do povo.
Não adianta termos um DOUTOR3 na presidência se pensa como uma galinha.
Líderes ou pessoas talentosas não se revelam com diplomas.
Dizem que há três pessoas que a sociedade civil corre risco se colocados no poder: o militar, o religioso e o intelectual.
A história tem nos revelado as atrocidades dessas três mazelas sociais.
Creio que o artigo peca por excesso de atributos pessoais ao próprio autor. Por outro lado, criticar a opção do povo pelos seus governantes - legitimamente eleitos -, é a teratologia mais estúpida que já tive a infelicidade de ler. Aliás, se o político "elite" é o que tem "suficiência cultural", não seja por isso, tivemos um sociólogo de araque, que não fez nada mais do que "entregar" o patrimônio construído pelo contribuinte à iniciativa privada.
Jamais tive qualquer simpatia pelo "barbudo" da ilha, contudo, compará-lo ao Chaves e ao Morales, é uma imbecilidade sem fim. A proposito, a tal proposta de "escola de formação de políticos" teria o poder de garantir a verdadeira e exemplar depuração dos defeitos crônicos do próprio animal humano? A utópica proposta soa muito mais como balela para vender livros. Fui...
Caro Paulo Jorge Andrade Trinchão (Advogado Autônomo),
Pseudo-intelectuóides em fim de carreira necessitam mesmo de uma longa apresentação para "impressionar".
No mais, vale lembrar que cada povo, além do próprio governo, tem os formadores de opinião que merecem!
Por fim, a infeliz frase dirigida a Chávez bem que poderia (ou merecia) ser repetida aqui: "Por qué no te callas?" (Juan Carlos, o velho e gagá bobo da corte).
Caro Paulo Jorge Andrade Trinchão (Advogado Autônomo),
Pseudo-intelectuóides em fim de carreira necessitam mesmo de uma longa apresentação para "impressionar".
No mais, vale lembrar que cada povo, além do próprio governo, tem os formadores de opinião que merece!
Por fim, a infeliz frase dirigida a Chávez bem que poderia (ou merecia) ser repetida aqui: "Por qué no te callas?" (Juan Carlos, o velho e gagá bobo da corte).
Escola mundial para formação de políticos seria uma outra maneira de fazer a cabeça dos futuros governantes e de monopolização ideológica.
Penso eu que, como na Alemanha, a simples obrigatoriedade de se ter formação universitária como pré-requisito para concorrer a cargos eletivos, já seria um grande avanço. E, além disso, os candidatos deveriam ter realizado um tipo de monografia ou defesa de uma dissertação, e se suas idéias fossem relevantes, poderiam lançar-se em alguma candidatura.
Realmente, saiu um tanto quanto esdrúxula a comparação entre diversos líderes de Estado que não têm nada em comum uns com os outros.
Por fim, conseguiu o professor Ives Gandra piorar ainda mais seu artigo despropositado, ao comparar Hitler e Mussolini a Fidel e Pinochet,partindo não sei de que caracteres em comum.
Ah, claro, no final bem se vê que todo esse rodeio desajeitado era pra mencionar sua proposta dos 70' da tal Escola de Governo.
Por que não falou logo? Não precisava dessa pretensa análise panorâmica mundial dos líderes políticos pelo mundo pra chegar à sua proposta, inserta em seu livro de 1977.
Claro, a Escola de Governo teria o condão de sanar as "novas" lutas tribais no Quênia, democratizar o Paquistão, extirpar populistas do governo dos EUA, resolver os problemas da América Latina ... é o emplastro Brás Cubas!!!
Parece que a patrulha socialista ficou bravinha.
FORMAÇÃO HUMANISTA É MAIS IMPORTANTE.
Sai mais barato e é mais eficaz o Estado investir na formação dos alunos: filosofia, cidadania, educação ambiental.
Somente para argumentar, em que pese o fato dos bacharéis em Direito serem formados em "Ciências Jurídicas HUMANAS E SOCIAIS, as FACULDADES DE DIREITO ABANDONARAM A FORMAÇÃO HUMANISTA DOS ALUNOS.
Numa sociedade voltada exclusivamente para o consumismo e individualismo, não há formação de líderes à altura de um Estado Democrático de Direito.
Até quando a elite vai persistir em defender seus interesses pessoais, em detrimento da evolução do Povo, com investimentos na educação?
EDUCAÇÃO E PROGRESSO!
Tem razão o ínclito professor. Saudoso dos tempos do dr. Roberto Campos, o inventor da correção monetária que causou a maior devestação financeira do mundo.A inflação existia. Chegaria a um tempo que morreria. Por inércia ou reação. A correção monetária deu-lhe vida por muito tempo. Tempos bons para financistas e endinheirados.Estávamos na paz dos cemitérios. Esqueceu o articulista que a questão esta invertida por obra e graça por proposta do incenssado J. Kennedy: "Não pergunte o que o Estado pode fazer por você. Mas o que você pode fazer pelo Estado". O recado virou axioma para todos os governos.Que fazer então, doutor? Que o populismo é uma praga, não resta dvidas. No entanto, populistas não duram muito. Um governo sério, para agir em favor do povo, durará muito menos. O Dr. Granda sabe disso.Mas tegiversa ao incluir seus desafetos políticos num mesmo cesto.Sabe o doutor Granda também que todo o Direito existente (ele é um dos grandes cultores)foi gestado e parido pela história. Revolução Francesa. Se tudo errado está, façamos a revolução,né não?
Como já mencionou um comentarista que me antecedeu, canhotos ficaram bravinhos. Só ficou faltando o professor. Acredito que logo mais ele apareça, afinal, a patrulha funciona como uma nuvem de gafanhotos.
Quem conhece um pouquinho a história da humanidade sabe que o Estado só serve a ele mesmo.
... o maior defeito de um ser humano, é não perceber a hora de parar e deixar para outros viventes a continuidade da batalha. É o caso desse professor seguidor da Opus Dei, e notório defensor de empresas e empresários, bem ao contrário de seu filho, que se revelou grande magistrado trabalhista. Ainda bem...
...outra coisita: seria iteressante resgatarmos artigos e cartas públicas de ilustre professor a combater a ditadura militar, como fizeram Gofredo, Dallari e tantos outros.
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