Falhas técnicas invalidam grampos como prova judicial

"RicardoSpacca” data-guid=”ricardo_molina.jpeg” />Trabalho é o que não falta para o perito em fonética forense Ricardo Molina. Com a multiplicação estratosférica das interceptações telefônicas nas investigações policiais, o especialista tem sido cada vez mais procurado pelos acusados para elaborar laudos sobre as gravações. E com a experiência de quem faz até 120 perícias por ano, Molina não tem dúvida em dizer que a qualidade das gravações produzidas pelas polícias do país é ruim o suficiente para invalidá-las como provas judiciais confiáveis. “Há pouca transparência e uma mistificação técnica”, afirma o perito em entrevista ao Consultor Jurídico. “Quando não é o conteúdo que é manipulado, é a qualidade técnica que é péssima.”

Pelas normas internacionais, não deveriam ser aceitas como provas judiciais gravações que no Brasil são tidas como verdades absolutas e incontestáveis. Assim, são aceitas como boas interceptações com interrupções da gravação feitas automaticamente pelo sistema de telefonia. Só, que explica o perito, interrupções absolutamente iguais a esta podem ser feitas para adulterar o conteúdo das conversas gravadas. Por isso, ensina Molina, de acordo com as normas internacionais da fonética forense, gravações com interrupção devem ser descartadas, mesmo que a interrupção seja resultado de falha técnica.

Não se trata apenas de uma questão técnica, diz Molina. Como o sistema de grampos é uma caixa preta, não é possível fazer uma auditagem independente sobre as gravações. “A responsabilidade quanto à autenticidade da gravação é da operadora de telefonia, que é uma empresa privada e sem fé pública”, diz. Molina conta que mesmo amparado por uma ordem judicial, não conseguiu conhecer o sistema de interceptação usado pela Polícia Federal.

Outro problema é o da interpretação. Como todo mundo está com medo de falar ao telefone, acaba conversando em código. E a polícia acaba fazendo uma interpretação livre de tudo o que se conversa pelo telefone. Assim, ao telefone, camisa vira dólar, farinha é droga e tênis é arma. Pode ser até que o código seja verdadeiro, mas como ensina o perito e prescrevem as convenções técnicas internacionais, não cabe ao perito que faz a transcrição da gravação autenticá-lo.

A disparidade de força entre a polícia e os acusados é outro problema apontando pelo perito. Ele conta que os envolvidos em operações polícias contam com apenas três dias para elaborar uma defesa prévia em cima de uma acusação baseada em até 15 mil conversas telefônicas. “Não dá nem tempo de ouvir o material”, afirma Molina, ao apontar outro defeito: os relatórios produzidos pela polícia são parciais. Eles são feitos para achar elementos acusatórios dos envolvidos.

A situação dos grampos fez o técnico empunhar a bandeira política por uma maior transparência na atuação da polícia. Convidado para se pronunciar na CPI das Interceptações Telefônicas Clandestinas, que acontece na Câmara dos Deputados, Molina destroçou os métodos empregados pela Polícia Federal. Aproveitou a tribuna para propor mudanças nos procedimentos como a criação de um banco de dados paralelo com as gravações e a inclusão de um lastro criptográfico para identificar vazadores.

Ricardo Molina de Figueiredo é professor da Faculdade de Medicina da Unicamp. Mas não é médico. Chegou a estudar engenharia, mas graduou em música. Só ao fazer mestrado, encontrou-se com a fonética forense, especialidade que lhe rendeu fama nacional.

Molina conta que quando tomou gosto pela área, o Brasil não dispunha de peritos na matéria. Tanto é que em 1991, a Polícia Federal o convocou para auditar uma fita em que o ministro do Trabalho no governo Collor, Antonio Rogério Magri, admitia ter recebido uma propina de US$ 30 mil. Seu nome caiu então no noticiário. “Foi um caso que quase me atropelou, porque eu não estava sequer preparado psicologicamente para lidar com uma coisa daquele porte”, afirma.

Desde então seu nome ficou ligado a casos tão diversos quanto retumbantes: a compra de votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso; o acidente aéreo com os integrantes da banda Mamonas Assassinas; o pagamento de suborno no caso Waldomiro Diniz; as mortes de Celso Daniel e de Paulo César Farias; e os atentados do PCC em São Paulo. Quando a Unicamp fechou o laboratório de fonética forense, Molina abriu uma empresa privada para continuar a fazer as perícias.

Também participaram da entrevista os jornalistas Maurício Cardoso e Rodrigo Haidar.

ConJur — Há exagero nas interceptações telefônicas?

Ricardo Molina — O último caso que recebi, por exemplo, tinha dez DVDs com três mil gravações cada. Tudo de um caso só, que era a Operação Águas Profundas [Vinte e seis pessoas foram presss em 2007 acusados de fraudar licitações da Petrobras]. A polícia faz escuta por três anos e depois eles entregam o pacote na mão do indiciado, que vai ter três dias para a defesa prévia. Não dá nem tempo de ouvir o material. É um flagrante desrespeito. As armas não estão sendo iguais.


ConJur — A polícia tem agentes suficientes para escutar tudo isso?

Molina — Supõe-se que sim, porque as gravações são acompanhadas de relatórios. Só que a maioria dos textos é sintética. Eles não transcrevem a gravação. Quando fazem, colocam uma coisa que eles chamam de diálogo. É maluco: diálogo é uma sinopse.

ConJur — Como é o manuseio da polícia desse material?

Molina — Até a CPI dos Grampos está interessada nessa questão, porque ninguém sabe a a resposta, a não ser a própria polícia. Uma vez, uma juíza deferiu pedido para que eu fizesse a assistência técnica da degravação de interceptação em um caso que acompanho. A primeira vez que fui à sede da PF em Brasília, eles me deixaram três horas esperando em pé, de tanta raiva que estavam da ordem judicial. Tive de ir três vezes, com uma bateria de advogados, para conseguir entrar. “Como uma pessoa de fora vai entrar no ninho da PF?”, pensaram. Aquilo era uma violação para eles. E o que eles chamam de acompanhamento é colocar você em uma mesa para ler o relatório deles.

ConJur — Em que situação isso aconteceu?

Molina — É o caso que envolve um desembargador [ José Eduardo Carreira Alvim, do TRF da 2ª Região, acusado na Operação Hurricane]. Não vou discutir a questão, porque a acusação é ridícula. Eles inventaram uma história depois de dois anos e meio de gravações com base em um minuto de conversa. Se não falar alguma coisa que possa ser interpretado como comprometedora nesse tempo todo, a pessoa pode se candidatar a santo. No caso é pior, porque a conversa que incrimina o cliente não foi ele que falou. Foi uma conversa que uma pessoa do círculo dele teve com a esposa e alguém no fundo disse alguma coisa que parecia o incriminar. Quer dizer que se uma pessoa fala na rua que você recebeu um milhão, você pode ser processado? Fofoca é uma coisa, fato é outro. E depois ele é filmado preso, vira manchete na televisão.

ConJur — O procedimento de interceptação da polícia tem auditagem?

Molina — Não. E a polícia faz questão de dificultar o máximo que estranhos tenham acesso às informações. Mesmo no meu caso, que tinha uma autorização judicial para acompanhar o processamento das gravações, eles não deixaram. Sempre dizem que as gravações são autênticas, mas quando se questiona interrupções nas conversas, eles afirmam que são falhas sistêmicas.

ConJur — Dá para diferenciar as falhas sistêmicas das provocadas?

Molina — Desafio os peritos deles a irem na frente de um juiz com uma gravação que eu vou editar e dizer o que é falha sistêmica e o que não é. No sistema Nextel, é impossível diferenciar. A polícia diz que as gravações são autênticas porque é assim que recebem da operadora. A responsabilidade quanto à autenticidade da gravação não é mais da polícia, mas da companhia telefônica, que é uma empresa de capital privado e sem fé pública. Nada do que foi gravado pode servir como prova, porque é passível de manipulação. Uma vez escrevi em um laudo dizendo que é melhor consultar os engenheiros da Nextel. Evite intermediários.

ConJur — Mas isso só acontece no sistema usado pela Nextel?

Molina — Não, mas o Nextel tem a o problema de ser um canal de cada vez. Tecnicamente não se pode autenticar porque é uma descontinuidade. É diferente de um telefone que está ligado e sempre gravando um ruído de fundo, que funciona como uma espécie de cola entre as falas. Se isso é eliminado, não há coerência nas falas. O argumento da polícia é de que a conversa parece lógica.

ConJur — No cinema, os filmes são montados e parecem bastante lógicos.

Molina — As pessoas estão tão apavoradas de falar ao telefone que as conversas não parecem lógicas, porque todo mundo fala de forma cifrada. Inverteu a coisa. A pessoa que não deve nada começa a falar cifrado. Se por acaso cair no grampo, a polícia vai interpretar que tem culpa porque ele está falando cifrado.

ConJur — A operadora pode interferir no processo?

Molina — A relação da polícia com a operadora é uma coisa que não se sabe muito bem como funciona. As operadoras não gostam de falar. São muitos estágios do momento em que a ligação é feita até quando a conversa é gravada na PF. A operadora faz os grampos contra a sua vontade. O processo das operadoras precisaria ser transparente para a sociedade.

ConJur — E não é?

Molina — Infelizmente não. Talvez até para poder manipular. Uma ressalva importante: o que é autorizado é o grampo de um número telefônico. Mas, quando se está gravando aquele número, você grava todas as pessoas que usam aquele número, inclusive a família. Já vi casos com questões íntimas, que não tinha nada a ver com a investigação. Você está violando o direito de pessoas que não têm, em princípio, nada contra elas. Imagine, por exemplo, descobrir que o empresário tem uma amante? É uma gravação que pode desaparecer depois. Pode interessar para ser negociada.


ConJur — Não dá para saber como foi feita a gravação?

Molina — Não. E nem por quantas mãos passou. Uma coisa que a polícia não revela é o modus operandi da gravação. O argumento dela é que se fez comparação com a cópia original. Mas, se não tenho acesso a isso, como posso acreditar nessa história? A gravação é autêntica porque a Polícia Federal diz que é autêntica. Só quem não trabalha com informática que pode cair numa história dessas. São explicações mambembes, que não convencem. Uma das idéias que sugeri foi mandar as gravações para dois lugares. Um para a polícia e outro para um banco de dados que guardaria a cópia de segurança. Assim, seria possível checar o que passou pela operadora e foi para a polícia.

ConJur — Qual seria a metodologia para se dar alguma confiabilidade ao grampo?

Molina — É um dos assuntos que a CPI está discutindo: a criação de uma comissão técnica, que tente manter um sistema realmente à prova de fraude. Atualmente, a polícia afirma que as interrupções não são fraudulentas porque outras gravações têm os mesmos defeitos. É um silogismo ao contrário: uma gravação é boa porque é tão ruim quanto as outras. Se você compara um objeto com outro que não foi periciado, você está cometendo um crasso erro de lógica. No Nextel, sempre que se aperta e solta o botão, cria aquele intervalo que pode ser de 10 milisegundos ou de três segundos. Depende da velocidade dos interlocutores em acionar os botões. A Nextel, por uma questão de economia de transmissão, normaliza esses intervalos para 200 milisegundos. Para engenharia de comunicação é maravilhoso, mas para autenticar é um problema. As gravações ficam mais curtas do que elas aparecem na conta telefônica. Quem garante de que a conversa não foi editada? E o problema é que a maioria dos grampos é Nextel.

ConJur — Qual é o problema das interrupções?

Molina — Acontece o seguinte: tem gravações que param em momentos estranhos. Gravação com interrupção tem que ser desqualificada. Não interessa se foi falha sistêmica, porque não se pode ficar no terreno do hipotético. Quando pergunto aos peritos da PF se podem garantir que a gravação não foi montada, eles respondem “prejudicado”. Como “prejudicado”? A pergunta tem uma resposta simples: sim ou não. Eles não podem garantir e eles sabem disso.

ConJur — As partes têm acesso a todo o material gravado?

Molina — A lei garante que todo o material gravado seja disponibilizado, o que provoca as aberrações. A pessoa recebe 15 mil telefonemas para analisar em três dias. A obrigação da polícia deveria ser transcrever tudo, mas eles não fazem isso sob a alegação de que a quantidade de gravações é muito grande. Então que se grave menos.

ConJur — Há uma seleção do que é gravado e do que é transcrito?

Molina — Há uma dupla seleção. Primeiro, eles selecionam as gravações que acham que são do interesse deles. É um critério estranho, pois se tem coisa que inocenta o acusado, isso não é selecionado. A defesa é que tem que se virar para procurar. Depois tem a seleção da seleção. É quando pegam os melhores momentos e interpretam. A pessoa fala: “E aquele negócio, tudo bem?”. No relatório sai que ele está se referindo àquela juíza que eles estão tentando comprar. Pode até ser que seja isso, mas não se pode deduzir. Se a investigação levou a isso, então não precisa de gravação. Agora, se a prova é a gravação, a coisa está mal contada. Se o cara está falando cifrado e não dá para entender, procure outro jeito. Existe até um dicionário deles: bola vira cocaína, camisa vira dólar, tênis vira arma.

ConJur — Quem faz os relatórios?

Molina — Em depoimento ao Ministério Público, um camarada da polícia mostra bem como a situação funciona. Primeiro, ele diz que é um mero escrivão, que não tem formação nenhuma na área de fonética, mas que foi chamado para fazer transcrições. No mundo todo esse trabalho é feito por gente treinada. Uma coisa que vai provocar efeitos sérios na vida de uma pessoa não pode ser jogada na mão de um cara que se diz incapaz de fazer aquilo. Depois, esse escrivão foi perguntado sobre o critério de seleção. Ele afirma que é orientado pelo seu superior a selecionar os trechos pertinentes e relevantes para a investigação. Ou seja, aqueles que apontam para a culpabilidade. O limite entre edição e montagem é tênue, mas, na Justiça, não pode ter nem uma coisa nem outra. Se é prova, tem que estar íntegra.

ConJur — O perito pode interpretar o que foi dito?

Molina — Não. A Associação Internacional de Fonética Forense e Acústica, que é a organização mais respeitada nessa área tem um código de procedimentos. Um dos itens desse código diz que o perito em momento algum deve fazer juízo de valor quanto à sinceridade do autor da conversa que está sendo transcrita. Quando se interpreta, está se colocando em dúvida a sinceridade de quem fala. Se a pessoa fala camisa, você transcreve camisa. Se diz que camisa significa “dólar”, o perito está violando a norma.


ConJur — Tem uma portaria da PF dizendo que só precisa ser transcrito aquilo que comprova a materialidade do crime.

Molina — Pois é, mas aí quem decide o que deve ser transcrito? Um escrivão. Fico pensando porque alguns grandes nomes, próximos do poder, nunca aparecem nas gravações. Nomes que são bem conhecidos e que a gente sabe que estão envolvidos em consultorias estranhas. Quando o irmão do Lula foi gravado e a gravação foi remetida para a mídia, apareceu apenas um trecho. É curioso: eles nunca gravam pouca coisa, mas só sai na imprensa uma pequena parte. A impressão que fica é que foi uma mostra grátis. Fico imaginando qual seria a reação do escrivão se por acaso encontra uma gravação bombástica? Ele mostraria para o chefe ou tentaria negociar diretamente com a fonte?

ConJur — Há informações de que existiria um mercado muito próspero de compra e venda de gravações.

Molina — Essa é outra grande preocupação da CPI. Há uma forma técnica de resolver a questão do vazamento. É um sistema que dá, para cada gravação, um número criptografado. Se vazar, sabe-se quem foi. O problema é que quando a gravação chega na imprensa, a pessoa é atropelada e julgada sumariamente. Não é raro a mídia colocar no ar coisas que sequer existem. Teve o caso do desembargador [Carreira Alvim]. Por causa das tais falhas do sistema, a frase que apareceu na TV Globo é cortada, não tem na gravação. Ele não fala: “A minha parte em dinheiro”. Mas como estão hipnotizadas, as pessoas não prestam atenção. Se a Globo falou, é verdade. Outro exemplo mais grosseiro foi o caso do assessor do ex-ministro Silas Rondeau, Ivo Almeida Costa, para quem eu fiz um laudo. A Globo diz que uma funcionária da Gautama levava R$ 100 mil em um envelope pardo que estava dentro da bolsa. No laudo, eu disse que os caras têm visão de raios-X. Como eles sabiam o que tinha dentro? Aí, quando a mulher sai do gabinete o envelope é ofício branco. Além disso, o envelope era muito pequeno para caber R$ 100 mil. Só se fosse cheque, porque dinheiro vivo não podia ser. São, no mínimo, mil notas de R$ 100.

ConJur — Seria uma inovação tremenda pagar propina em cheque.

Molina — E em cheque nominal. Seria o cúmulo da estupidez humana receber R$ 100 mil dentro do seu gabinete e depois acompanhar o cara até o elevador sabendo que o ministério está cheio de câmeras. Depois do laudo, a Globo fez mea culpa e reconheceu o erro. Talvez para amenizar os custos do processo que eles vão tomar. Mas no final eles falam que foi a PF quem repassou as notícias. A polícia fala uma abobrinha qualquer e boto no ar assinando embaixo? Esse tripé Polícia Federal, Rede Globo e Ministério Público tem funcionado muito bem. A Polícia Federal faz uma prova ruim, a Globo melhora a prova botando no ar e o Ministério Público pega e age. O promotor já chega no teu laboratório junto com o carro da Globo. A coisa é bem azeitada.

ConJur — Como é o mercado dos grampos ilegais?

Molina — Qualquer detetive particular, já tem um preço tabelado. Grampear telefone fixo é barato: coisa de R$ 300 por dia. E a pessoa dá o relatório com a gravação da semana. Existem vários tipos de grampos. Desde aquele rudimentar, que é abrir a caixa do telefone e botar dois fios desviando para outro ou até pagar alguém da operadora para fazer isso para você. Com os celulares é mais complicado, por isso que é mais caro. Já a polícia faz tudo direto da fonte e a operadora não fica com o backup disso.

ConJur — Por que ela não pode monitorar as conversas dos seus clientes.

Molina — Não pode. Mas, a Nextel, por exemplo, faz alterações na gravação. São alterações que teoricamente seriam feitas pelo sistema. O programa normaliza os intervalos de silêncios. E se alguém da Nextel resolve mexer? Se eles quiserem, é claro que eles podem. No entanto, para a operadora, ficar grampeando é também uma coisa politicamente ruim por estar entregando gravações dos seus clientes.

ConJur — O senhor já teve acesso a gravações ilegais?

Molina — Sim. E elas são tecnicamente muito boas. Não parece tão complicado fazer isso.

ConJur — Dá para fazer boa prova com grampo?

Molina — às vezes dá. Para alguns clientes, falo que não dá para desqualificar a gravação porque ela está boa com começo, meio e fim. O departamento de milagre está em instalação. Como qualquer advogado decente, digo: “sinto muito, mas você vai para a cadeia. O que eu posso fazer é tentar reduzir a tua pena”. Agora, no mínimo, metade das gravações não é boa. Por vários motivos: ou porque não tem conteúdo ou por problemas insolúveis.

ConJur — Tem gravação boa que pelas normas internacionais não seria aceita?

Molina — Sim. Lá fora eles são bem rigorosos. São normas estabelecidas por organizações idôneas que funcionam quase como leis. Elas dizem, por exemplo, que o perito deve partir do princípio que a gravação é ruim e manipulada. Aqui se faz o contrário. A polícia parte do princípio de que se ela fez, a prova é boa. Além disso, há a questão, que eu acho que é mais grave: a duração do grampo. Isso é um negócio que não pode continuar.


ConJur — A lei estabelece quinze dias.

Molina — Eles estão entendendo que é eterno. Tem casos, por exemplo, de autorização de grampo passada por e-mail, que é um negócio complicado. A polícia diz que não dava tempo e que precisava grampear. Se há urgência, significa que o cara já estava grampeado. Uma autorização de grampo com urgência é suspeitíssima.

ConJur — Afinal, o que é o Guardião?

Molina — O Guardião é um sistema para organizar as ligações. Quem grampeia é a operadora. O Guardião cria arquivos e tabelas como informações sobre dia, hora, número alvo, número de origem. E ele estabelece conexões: se um número ligou para outro, ele começa a grampear este. É claro que a PF nunca vai admitir. Mas, a gente tem algumas informações que indicam que sim.

ConJur — A CPI pode mudar a legislação de modo de fazer com que a escuta telefônica se torne uma prova confiável?

Molina — Há essa vontade política da CPI, mas infelizmente ela não é muito popular. No imaginário da população perpassa a idéia de que a PF é uma instituição fantástica. Os jornais também não dão apoio à CPI porque eles precisam dessas noticias. Não é a imprensa que vai colocar a PF em xeque. Dentro do Congresso é outra coisa, o ânimo é para refrear. Inclusive porque muitos parlamentares estão sendo grampeados.

ConJur — Além da legislação, o que tem que mudar?

Molina — O sistema tecnológico é muito ruim. Se fosse melhor, não teria tantas interrupções. Parece que é cômodo. Tenho certeza que algumas gravações são manipuladas, porque não é possível acontecer coisas assim com tanta freqüência e não consertarem esse negócio. Alguma coisa ocorre entre a captação da operadora e a transmissão para a PF. É ali que acontecem os problemas técnicos que criam descontinuidades. Três engenheiros de telecomunicações resolvem isso, fácil.

ConJur — E por que não consertam?

Molina — Propus na CPI um grupo de estudos que teria acesso ao funcionamento do sistema. Não vou ficar estudando o negócio na teoria. Quero ir à operadora para ver como é que as coisas são feitas. Se as gravações forem boas, as ruins serão desqualificadas. Porque do jeito que está, qualifica tudo pelo defeito. Está havendo pouca transparência e uma mistificação técnica. As provas são indícios indiretos que independem da credibilidade da instituição. Um dos papas da fonética forense, o professor Harry Hollien, que dá aula na Florida, tem um texto clássico que se chama A acústica do crime. Nele, ele fala que o perito não deve ter seu julgamento afetado pela credibilidade da agência que produziu a gravação. E certamente, ele está falando de FBI e CIA. A gente tem que fazer a mesma coisa.

ConJur — A PF formou recentemente uma turma de peritos de fonética forense.

Molina — Um grande equivoco da PF é ter um quadro de peritos quase todo de engenheiros. Eles deveriam colocar mais lingüistas para trabalhar junto, porque estamos falando de linguagem, não de um som qualquer. Há vários níveis de organização, articulação. O som da fala não é como o de um instrumento. Ele vincula informação. É um fenômeno cultural, não é apenas físico. O engenheiro tem dificuldade de lidar com fenômenos sócio-culturais. São reducionistas por natureza.

ConJur — O tom da voz muda o significa do que é dito?

Molina — Nunca se consegue produzir duas frases da mesma forma. Um equívoco que cometem é pensar que a voz é uma impressão digital. Tem gente que faz exames na base do visual: este espectrograma é parecido com o outro, portanto deve ser a mesma pessoa. A sonoridade não é visual. É preciso interpretar o gráfico. Como o número de gravações é grande, tem muita gente dizendo por aí que faz laudos. Mas, têm resultados totalmente insustentáveis.

Daniel Roncaglia

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Phodencius disse:
08 de junho de 2008 às 12:56

irrita ouvir tamanho besteirol.O Guardião não grampeia automaticamente um numero que liga para outro interceptado.Se fosse assim,uma empresa de telemarketing liga para um numero grampeado e pronto.Milhares grampeados em minutos...

O guardião somente GERENCIA as interceptaçoes,vinculando um numero aos respectivos arquivos de audio e extrato de chamadas.Assim que finda o prazo de 15 dias,a operadora não envia mais o sinal para o guardião e assim a gravação é suspensa.A empresa de telefonia celular não envia o audio á policia sem autorização específica para AQUELE numero.O unico jeito de se monitorar um numero especifico é se for grampeado o IMEI,ou seja,o SERIAL do aparelho.Assim,qualquer CHIP da MESMA operadora colocado na MESMA carcaça fica monitorado.

O que estão dizendo de numeros grampeados automaticamente so porque ligaram para numeros interceptados é BABAQUICE!

Phodencius disse:
08 de junho de 2008 às 13:01

No caso do ilustre desembargador,ao que PARECE,de fato foi vitima de injustiça.Dois anos de grampo não justificam a mingua de dialogos suspeitos...

Luismar disse:
08 de junho de 2008 às 14:03

Algumas observações do perito são procedentes, outras não como expôs o Phodencius.

Diz o Molina: "E ele (o Guardião) estabelece conexões: se um número ligou para outro, ele começa a grampear este."

Não tem cabimento. Se o sistema trabalha com os dados que recebe da operadora, como pode grampear outras linhas? Só se o sistema criar pernas e for pra rua subir em postes ou instalar o grampo em caixas de telefone pra captar o sinal.

olhovivo disse:
08 de junho de 2008 às 14:30

O perito Ricardo Molina, professor da Unicamp, doutor em fonética, com diversos trabalhos publicados no exterior, autor de 120 perícias por ano, está errado. Certos estão o investigador "Phodencius" e o bacharel Luismar. Hehehehehe...

Ramiro. disse:
08 de junho de 2008 às 15:54

As afirmações do Perito Ricardo Molina são contundentes,e deixam o glorioso MPF dos avantes do professor petista numa sinuca de bico.

Ou abrem um processo criminal de denunciação caluniosa contra o Perito, art. 339 do CP, ou então apuram. De qualquer modo está cada vez mais impossível fugir à exceção da verdade.

E esta exceção da verdade para ser isenta terá de ser realizada inclusive fora do Brasil, visto que no Brasil a PF é parte interessada, logo sob suspeição.

Quanto aos prazos para analisar tudo de três dias, trata-se de inconstitucionalidade, visto que o STF reconhece os tratados internacionais sobre direitos humanos como norma materialmente constitucional, O Pacto de San Jose da Costa Rica,
http://www.cidh.org/Basicos/Portugues/c.Convencao_Americana.htm

No artigo 8º, §2º, alíneas b e c inclusivem invalidam as manobras do glorioso MPF de no meio do processo pedir ao Juiz Emendatio Libbeli, e o Juiz, se lichando para o Direito Constitucional que emana do art. 5º, §§ 1º, 2º e 3º, e para os arts. 1 e 2 do Pacto de San Jose da Costa Rica, baixa no processo a aplicação do art. 383 do CPP, que na opinião deste estudante é de uma óbvia ululante inconstitucionalidade material, inconstiucional em seu aspecto material de forma insanável, mas há quem diga que é a CF/88 que tem de ser vergada, recepcionada pelo CPP com glosas e derrogações da CF/88 ao CPP fascista de 41, que nem obra de legislador o foi, visto que no Estdo Novo o Congresso estava fechado.

Depois é o STF que atrapalha a vida dos outros.

MPF e PF, acham que o Perito Ricardo Molina está acusando em falso, tentem meter o art. 339 do CP nele, isso eu adoraria ver, a necessária exceção da verdade, perícias isentas, apurações dos fatos. Ou vão fingir que não viram nada?

Ramiro. disse:
08 de junho de 2008 às 16:17

No mais há uma dúvida, entre MPF e PF quem vai querer ser a nova Gestapo e a nova SS? Goebbels, este já tem seus métodos ressuscitados, na entrevista basta a citação do envelope atribuído a dinheiro e ao Juiz Federal de 2ª Instância Carreira Alvin.

As afirmações do Perito Ricardo Molina não fortíssimas e não isentam ninguém do MPF e da PF de ter de dar aplicação imediata ao artigo 143 da Lei 8.112 de 1990.

Só um comentário final. Danou-se! Ou vão fazer a devida exceção da verdade, ou PF e MPF vão sair totalmente desmoralizados, no sentido de quando a coisa não dá para acochambrar, quando têm de enfrentar um desafio que não podem enfrentar na falácia dos argumentos ad hominem, ad verecundiam, ad consequentiam, ad baculum, e afins, quando a coisa tem de sofrer uma exceção da verdade que é possível, e que se sabe os resultados serão altamente devastadores, é hora da PF e do MPF esquecerem o CP, o art. 339, assobiarem para o lado e dar outro tratamento ao caso, como se isso tudo que foi exposto na entrevista nunca houvesse existido, fosse uma ilusão de óptica, algo que nunca teve realidade, e que se alguém disser que leu é uma alucinação, se vários disserem, uma alucinação coletiva.

Adoraria ver uma verdadeira exceção da verdade para o caso.

Spartacus disse:
08 de junho de 2008 às 16:30

(continuação)

Mas sou mais atrevido do que o Prof. Molina. Afirmo e reafirmo que as conversas gravadas, quaisquer que sejam, isoladamente não provam nada, nem mesmo que o diálogo realmente ocorreu. As razões disso são óbvias e dispensariam maiores reflexões se o debate fosse travado entre pessoas preocupadas com a racionalidade e a lógica dos argumentos. Como no Brasil tudo é feito com base na mediocridade do famoso “jeitinho” brasileiro, a razão cede o passo para a paixão, o discurso racional, para o emotivo, e assim perde-se o fio da objetividade e aceita-se a submissão, o jugo, a dominação barata assestada contra os direitos fundamentais do indivíduo.

De qualquer modo, a entrevista acima, a exemplo do depoimento do mesmo Prof. Molina à CPI dos grampos, revela o despudor da PF, eviscera o lado putrefato que a PF e seus integrantes insistem em ocultar da sociedade com argumentos tolos, falácias de todo tipo, como que encarnando o espírito de um paladino prestidigitador, o que explica a aprovação que visam a obter da massa incepta.

(a) Sérgio Niemeyer
Advogado – Diretor do Depto. de Prerrogativas da FADESP - Federação das Associações dos Advogados do Estado de São Paulo – Mestre em Direito pela USP – Professor de Direito – Palestrante – Parecerista – sergioniemeyer@adv.oabsp.org.br ou sergioniemeyer@ig.com.br

Spartacus disse:
08 de junho de 2008 às 16:31

Entrevista demolidora.

Há tempos venho sustentando que a PF tornou-se um feudo fechado, cujos suseranos não se curvam sequer à ordem judicial. A prova está aí, na afirmação do Prof. Ricardo Molina. Mesmo munido de mandado judicial para acompanhar o processo de interceptação e verificá-lo, isto é, verificar como a PF age, como procede nas interceptações, mesmo assim foi impedido. Isso revela um fato grave, aliás, gravíssimo: a PF não respeita a lei nem as ordens judiciais. Que moral possui, então, para garantir a lei e a ordem e servir como polícia judiciária ou entidade de apoio à realização da justiça, se é ela própria, por seus membros, a primeira a transgredir os preceitos que lhe são dirigidos?

Quem assistiu o filme “O Senhor das Armas” deve lembrar bem um diálogo entre Yuri Orlov (Nicolas Cage) e o Jack Valentine (Ethan Hawke) em que o primeiro diz ao segundo que este não pode agir contra as regras porque isso significaria negar o fundamento de suas próprias ações. Pois bem, isso entre pessoas que prezam a ética. Mas parece que o Brasil funda-se em um compromisso diverso em que a ética de quem está investido em alguma espécie de poder não vale para si mesmo, mas somente para os que não compartilham desse mesmo poder. Numa palavra: no Brasil parece ser válido transgredir a lei, obviá-la, obstruí-la, burlá-la, forjar argumentos para tudo isso, usar qualquer forma de subterfúgio a pretexto de fazer os outros cumprirem a lei, menos aquele que está investido no poder para essa tarefa.

(continua)

Luismar disse:
08 de junho de 2008 às 16:43

Projeto do "democrata" Berlusconi é o sonho de consumo de muita gente na "Corruptolândia":

"ROMA - O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, anunciou neste sábado, 7, um procedimento pelo qual serão proibidas as escutas telefônicas, exceto nas investigações relacionadas à máfia e ao terrorismo, e que prevê penas de cinco anos para quem as ordenar, realizar ou divulgar." (Agência Efe)

SANTA INQUISIÇÃO disse:
08 de junho de 2008 às 18:15

O Estado, para cumprir seu fim, deve ser forte e se mostrar presente na vida dos cidadãos. E a melhor maneira é através de interceptações telefônicas, que deve ser prestigiada e ampliada, mesmo contendo erros e falhas. A PF está no caminho certo, tendo em vista o superior interesse do estado brasileiro.

Luiz Carlos de Oliveira Cesar Zubcov disse:
08 de junho de 2008 às 18:23

O Dr. Ricardo Molina está se tornando uma referência nas denúncias contra o Estado Policial.

O combate à criminalidade interessa à sociedade, mas o controle da privacidade do cidadão por meios escusos e arbitrários é de atração única daqueles que subjugam a nação.

Com matérias e reportagens expondo sempre de forma responsável as ilegalidades e os abusos do uso indiscriminado das escutas telefônicas, o Conjur passa a se destacar como uma tribuna livre e corajosa na defesa do Estado Democrático de Direito, não se arrefecendo diante das críticas aventureiras.

Com a exibição teatral da peça “Combate ao Crime Organizado” em franco sucesso, a confusão sobre o perigo real está instalada e não sei mais de quem me proteger. Afinal onde estão os delinquentes, no meio do povo ou nas repartições públicas travestidos de xerifes?

O pior é que, quando os bandidos se utilizam das suas profissões para o deleite das suas aberrações a sociedade passa a conviver com verdadeiros psicopatas e lombrosianos. Esses camaleões sociais se camuflam com tanta naturalidade que fazem a demência iludir os mais experientes psiquiatras, daí a dificuldade em levá-los ao banco dos réus.

A sociedade não será refém dos degenerados.

pietro disse:
08 de junho de 2008 às 18:32

Se o Sr. Molina tem acesso a 120 escutas por ano e segundo informes foram feitas mais de 400.000, tô duvindando que sua afirmação seja a regra geral. As interceptações são feitas mediante programas que fazem ótimas gravações. Só aceito a opinião de pessoa isenta. O Sr. Molina ganha dinheiro para contestar pericias e quanto mais matérias forem publicadas nesse sentido, mas ele ganha dinheiro. Com certeza advogados, incluo o Advogad Autonomo abaixo, vão usar tal matéria nos processos de seus clientes, pobres vítimas do Estado Policial.

Phodencius disse:
08 de junho de 2008 às 19:19

Sr.OLHOVIVO:

Embora o Dr.Molina possa ter um bilhão de perícias...ele não OPERA o guardião...ao contrario deste investigador aqui.Basta usar a logica.Seria certo um telefone "puxar"o outro,em progressão geométrica?O Dr.Molina pode ter feito muitas pericias(e recebido por elas)...é logico que fará laudos para beneficiar a parte contratante.Não estou dizendo que não possa existir falhas.O que estou dizendo é que não existe essa babaquice de que o guardião grampeia as linhas por conta propria.

Alias...o senhor tem problemas com a justiça????

Phodencius disse:
08 de junho de 2008 às 19:32

Alias...com o "Olhovivo" eu não vou nem iniciar qualquer discussão...não vale a pena.

daqui a pouco a policia federal prende um traficante com uma tonelada de cocaina e ele diz que a prisão foi arbitraria..que poderia ser para consumo...rs.TUDO o que a policia faz está errado...TUDO.

Nem me atrevo imaginar a sua aversão pela policia,mas enfim,cada um com seus problemas.

Mas com relação ao GUARDIAO,Sr.Olhovivo,não precisa acreditar neste singelo investigador,que embora não tenha doutorado igual o Dr.Molina,tem 21 anos de conhecimento prático,e me considero bastante apto a dizer que é REALMENTE BESTEIRA,e argumento de quem é completamente LEIGO no assunto,que o Guardião implementa o monitoramento de forma automática.Isso nao existe.Se fosse assim,o Brasil inteiro estaria grampeado,sem exceção...empresas,governo,tudo.

Seja imparcial.Não precisa acreditar em mim..pesquise.Se quiser eu mesmo lhe mostro o guardião e como funciona.É so deixa um e-mail para contato que terei o maior prazer em lhe mostrar o funcionamento do guardião,e assim desfazer essas lenda divulgada pelo Dr.Molina...

Phodencius disse:
08 de junho de 2008 às 19:40

Olhovivo:

"O perito Ricardo Molina, professor da Unicamp, doutor em fonética, com diversos trabalhos publicados no exterior, autor de 120 perícias por ano, está errado(...)"

Ora Sr.Olhovivo:Assim sendo,é necessario juiz? Basta um laudo do deus MOLINA e pronto.Basta esperar ele receber o tutu,copiar o laudo dele e se basear no laudo dele...afinal de contas...somente ele está certo.ELE tem doutorado entao...ELE conhece.O Juiz que contraria ele,desconsiderando o laudo é um boçal ne? Mesmo se o Juiz tiver doutorado,centenas de horas sentenciando,certo está o molina ne?...me poupe..

Ramiro. disse:
08 de junho de 2008 às 20:27

ad hominem, ad verecundiam, ad consequentiam, ad baculum, e afins, tentando construir uma "derrapagem, em bola de neve". Não vamos perder o foco.
A ciência incomoda e incomoda muito. O Processo de Galileu Galilei é um exemplo, os Inquisidores tinha autoridade mais inquestionável que hoje, e para Igreja Católica cometerem "erros subjetivos de avaliação".

Não é tentar achincalhar com o Dr. Molina que ninguém vai resolver essa situação.

A solução é tão simples, há laboratórios forenses independentes, que não precisam de um único centavo de verbas do Governo Brasileiro. Estes são os únicos isentos. Não recebem das partes e nem do Governo.

Faz-se uma amostragem aleatória entre os principais casos, e envia-se o material que o Dr. Molina e a Polícia Federal analisou, para 5 laboratórios forenses diferentes. No Exterior. Entra então a estatística de técnicas de amostragem, e a análise de concordância.

Não tem choro, não tem lamentação, não tem falácia. Por enquanto eu vejo das "ortoridades" um "é assim que eu tô dizendo que é e quem for contra entra no cacete".

A propósito eu tive sim problemas com autoridades, de altíssimo escalão, fui acusado por uma delas de estar sofrendo um processo que nunca existiu, e levou mais de ano e foi preciso ser chamado a se expor ao STF que esta autoridade pública então veio com um "se equivocou com os documentos". E continua no cargo.

O santa inquisição parece estar no país certo. Afinal como disseram os Titãs, "Jesus não tem dente no país dos banguelas", mas daí quererem que a advocacia seja imbecil por que as autoridades públicas parecema agir movidas nessa direção, calcadas em provas que parecem que têm de ser mantidas longe de qualquer exceção da verdade científica e séria.

Ramiro. disse:
08 de junho de 2008 às 20:44

Falácias ad hominem, ad verecundiam, ad consequentiam, ad baculum, e afins.

E como provar que são falácias? Um contra exemplo. E como obter este contra exemplo? Técnicas estatísticas de amostragem e correlação. Toma-se uma significativa amostra de casos onde há divergências entre o Dr. Molina e a Polícia, e se envia para cinco laboratórios independentes. Todos não podem precisar de verbas do Governo Federal. Sugiro dois laboratórios de ciências forenses de universidades, um nos EUA e outro na Europa, FBI e Scotland Yard, famosos por seus laboratórios forenses, e um quinto para uma empresa privada que trabalhe em desenvolvimento na área de fonética forense. Se os laudos concordarem com o Dr. Molina vai ser a maior desmoralização do Brasil no exterior.

No entanto o tal Guardião é tratado como "tecnologia de segurança nacional", nenhum engenheiro indepedente pode auditá-lo.

Besteira é o que tem sido dito sem provas científicas em favor da não análise técnica, por cientistas independentes, de renome internacional.

Ou a PF e MPF colocam o Dr. Molina enquadrado no art. 339 do Código Penal, ou assumem a prevaricação frente ao art. 143 da Lei 8.112/90.

Besteira é afirmar uma coisa que deve ter bases na eletrônica, na engenharia e fonética forenses, ser posto como questão para ser analisada por um Juiz que tem formação em Direito. A questão não é para ciência do direito, é para ciências forenses, para perícia técnica. E os dados analisados indepedentemente vão mostrar concordância em favor de um lado ou de outro. O que a PF e MPF tanto temem que já não tomam providências? É mais fácil assobiar para o lado, falar mal do perito, mas não enquadra-lo por que aí terão de fazer exceção da verdade.

Phodencius disse:
08 de junho de 2008 às 20:49

RAMIRO:

"Faz-se uma amostragem aleatória entre os principais casos, e envia-se o material que o Dr. Molina e a Polícia Federal analisou, para 5 laboratórios forenses diferentes"

Como ja disse antes...na teoria a sua ideia é brilhante..mas na pratica inviavel.

O nosso IC não seria competente para faze-lo? basta o juiz determinar uma maior celeridade nos casos tirados por amostragem,como vc mesmo disse.

Eu,não sei se era a mim que se referia,não achincalho o Dr.Molina.Apenas digo que ele não sabe o que diz.Ele tem conhecimento linguistico,fonetico,e o raio que o parta.Eu tenho conhecimento empirico e OPERO o guardiao,porisso digo o que o guardião pode ou não fazer.

Erros de transcrição,é claro que pode ter.Quem faz,muitas vezes faz uso somente de um rudimentar gravadorzinho.Quanto a isso nem me atrevo a discutir.

O cerne da questao é quanto ao guardiao grampear todo telefone que entra em contato com o alvo.Isso não existe!!!A operadora não disponibiliza o audio sem ordem judicial.

Como ja disse antes,o UNICO meio de que grampear um numero sem ordem judicial,é se for monitorado o IMEI(serial).Se o investigado colocar 100 chips diferentes na mesma carcaça,os 100 numeros estarao monitorados(um de cada vez).Mas para isso precisa monitorar pelo IMEI..caso contrario negativo.

Bom,quem quiser acreditar...acredite.,..se nao quiser..paciencia.Continue acreditando em quimeras..

Ramiro. disse:
08 de junho de 2008 às 20:55

Caro Phoedencius, os Inquisidores eram doutores em teologia, uns foram canonizados, tiveram anos setenciando, e o que fizeram em favor da humanidade? Apenas mostrar até que ponto pode ir a boçalidade movida por uma fé inabalável, pois só em 1983 a Igreja Católica reconheceu que a Terra era redonda e girava em torno do Sol.

Phodencius disse:
08 de junho de 2008 às 21:19

"Caro Phoedencius, os Inquisidores eram doutores em teologia, uns foram canonizados, tiveram anos setenciando, e o que fizeram em favor da humanidade? Apenas mostrar até que ponto pode ir a boçalidade movida por uma fé inabalável, pois só em 1983 a Igreja Católica reconheceu que a Terra era redonda e girava em torno do Sol".

Sim mas...o que tem isso a ver com o GUARDIAO?

www.professormanuel.blogspot.com disse:
09 de junho de 2008 às 02:18

A informação trazida por Phodencius está correta e já foi explicada a uma antiga CPI pelo Procurador Geral e pelo dono da empresa que fabrica o Guardião.

É uma informação técnica e conhecida. Basta pesquisar um pouquinho.

E o Molina sabe disso. Ele só quer alimentar a paranóia de alguns para ganhar mais dinheiro com suas "perícias" privadas.

Ele não tem nada de bobo. Bobos são os que caem nessa.

olhovivo disse:
09 de junho de 2008 às 08:42

O Molina deveria trabalhar gratuitamente, agir como bobo, para ganhar a credibilidade dos não bobos.

senhora do destino disse:
09 de junho de 2008 às 09:56

Entre confiar no Molina e na polícia federal, prefir ficar com o primeiro. Ainda mais depois do que ele declarou, de que a polícia não permitiu-lhe entrar nem acompanhar os trabalhos com o tal Guardião, mesmo com ordem judicial. Diante dessa desobediência, só há um meio de verificar a procedência das alegações da polícia federal. É os ministros do STJ fazerem uma inspeção judicial, como fizeram alguns ministros do STF, quando sobrevoaram Roraima para verificar a situação em Raposa Serra do Sol. Os ministros do STJ chegariam de surpresa, em triplas, a duas ou mais unidades da polícia onde fazem as gravações, ou melhor, onde estão instalados os Guradiões, e acompanhariam os trabalhos do agente por algumas horas. O único problema é serem barrados na porta, ob o argumento de que a operação é sigilosa. Seria a desmoralização total do sistema judiciário brasileiro.

Phodencius disse:
09 de junho de 2008 às 10:47

PROF.MANOEL:

MUITO OBRIGADO! ENFIM ALGUEM QUE REALMENTE ENTENDE DO ASSUNTO

OLHOVIVO:
nada mais a declarar.Ja me propus inclusive a te MOSTRAR o guardião.Se prefere ainda se valer desse ultimo argumento seu...ok.Qual o proximo argumento?Xingar minha mãe?

So para findar meus "posts"aqui nesse assunto,a problemática é tenta em relação às operadoras,que muitas vezes eles não iniciam um monitoramento por motivos toscos: O fax foi com numero de OFICIO ilegivel;o nome da OPERADORA está ilegivel(sendo que esta legivel a linha...e que é deles)..

enfim,eles criam obstaculos desnecessarios,pois encaminhamos um fax do oficio judicial e eles mesmos ligam para o forum para confirmar a autenticidade,sendo que depois encaminhamos os oficios originais.

A CLARO está demorando 3(TRES) dias para INICIAR um monitoramento(com essas promoçoes de Claro para Claro,com tarifa baixa,tudo que é ladrão tem CLARO),então estao afundados em oficios de interceptaçoes.E vem me falar de INTERCEPTAÇOES AUTOMATICAS?????? bah !

olhovivo disse:
09 de junho de 2008 às 11:31

Phodencius, agora acho que entendi: a problemática está na rebinboca da parafuseta. Acho que é isso. Obrigado pelas aulas que, na certa, também serão de muita valia para o aprimoramento do perito Ricardo Molina.

Phodencius disse:
09 de junho de 2008 às 11:59

OLHOVIVO:

Quando vc vê uma pedra,pensa que é uma maçã e acredita que é de fato uma maçã..não ha o que se fazer.No seu caso,vc vê uma pedra,DIZ que é uma maçã...mas não arrisca morder.É só para contrariar mesmo...lamentável.

O perito Molina tem conhecimento técnico sim para contradizer uma transcrição ou mesmo um arquivo de audio sim.

É como eu disse: EU DUVIDO que a policia federal MODIFIQUE,FRAUDE um ARQUIVO DE AUDIO...pois existem peritos eficientes que fariam toda uma operação cair por terra.Dizer que a policia federal recorda trechos de audio e monte outro??? que absurdo...Qual policial faria isso? um simples exame de espectro vocal resolve isso(eu mesmo tenho esse programinha...)

O perito Molina pode sim modificar uma transcrição em que o agente ou investigador entendeu "PÓ",quando na verdade o que o camarada disse foi "Vó" ou "Nó"..ou coisas desse genero.

Mas dizer o que não sabe...como por exemplo o GUARDIAO..é o fim.

Trata-se de uma questao de logica.Se um numero monitorado agregasse outro que entrava em contato,em 15 dias teriamos BILHOES de chamadas.Quem iria ouvir? quem iria transcrever? A PF precisaria de uma fabrica de DVDs..

O numero da operadora precisa ser programado e DESVIADO para o Guardião.Acha que o sistema guardião faz isso sozinho?O guardião entra no sistema da operadora e programa o desvio??

Ah é..esqueci.Vc sabe o segredo que o Guardiao tem um homenzinho verde com antenas que por telepatia faz isso ne?

Ah quer saber...pensa o que quiser.

Phodencius disse:
09 de junho de 2008 às 12:09

Acho que vou largar meu ofício e me dedicar a Peritagem extra oficial por conta propria.

Ja pensou: PERITO INDEPENDENTE PHODENCIUS:"ESPECIALISTA EM CONTRADIZER LAUDOS OFICIAIS E RELATORIOS DA POLICIA FEDERAL.

PROMOÇÃO DE INAUGURAÇÃO: 10% DO PREÇO DO DR.MOLINA E DO DR.SANGUINETTI.

PAGUE A VISTA E DIGO QUE A VOZ NÃO É SUA..É DO CHAVES OU DO KIKO!

Ramiro. disse:
09 de junho de 2008 às 13:20

Como sou um provocador por natureza, posso dizer que certas horas a Polícia parece, com essas histórias de escutas, uma criança brincando com coisa séria pensando que é gente grande.

Vamos direto a um mecanismo onde a Polícia pode boiar, ficar fora, grampear a linha e não pescar nada.

Telefone Anti-Grampo, com base em Teoria dos Números
http://secvoice.com.br/pt/produtos.htm

http://secvoice.com.br/pt/criptogr.htm

A lógica matemática do processo é de uma "obviedade" que o Guardião com certeza pode decifrar...

http://www.inf.ufsc.br/~bosco/extensao/material-cripto-seg/Criptografia-Chave-Publica.ppt

Para apagar dados de computador, www.baixaki.com.br
Pode se procurar o BCWIPE
ou o Glary Utilities Professional

Para encriptar o Glary Utilities Professional encripta, mas há no www.baixaki.com.br o Icon Lock-It.

Quanto a perícias em fonética forense, realmente deve ser muito fácil encarar uma Transformada de Fourier, que exige prévio conhecimento de Séries de Fourier, que são lugar comum em análise de fonética forense

http://www.peritocriminal.com.br/fforense.htm

Com todo respeito à Polícia, ao MPF e aos Juízes, o Direito é apenas uma Ciência Lógico Dedutiva, mas não é a ciência de todas as ciências. O fato de outras profissões não terem carreiras que remuneram tão bem no Brasil no Serviço Público é questão de administração pública e não de sabedoria.

A Espionagem Industrial movimenta uma indústria de segurança de comunicações de dados e voz, que se a PF e MPF forem querer leis proibindo uso de criptografia, nenhuma empresa séria fica no Brasil, pois tecnologia de ponta nunca é vendida. Só a obsoleta. E tecnologia civil e de guerra se confundem.

Ramiro. disse:
09 de junho de 2008 às 13:40

Guerra e tecnologia
site da ABIN
http://www.abin.gov.br/modules/articles/article.php?id=1248

Phodencius disse:
09 de junho de 2008 às 14:04

RAMIRO:
Pesca e bóia em termos né...

OS DOIS aparelhos precisam ser encriptados.Se um é,e liga para um que não é,e este está grampeado...um abraço.

Olha..aprende uma coisa:Nenhum crime é perfeito.Mesmo com toda cautela que o camarada tem...sempre da um vacilo.SEMPRE.

Mas..o q vc ganha divulgando isso?

Dr. Marcelo Alves disse:
12 de junho de 2008 às 19:14

Sr. "santa inquisição"

O Estado brasileiro certamente estará num caminho mais certo ainda (conforme sua míope visão institucional) se num dos "estatais" arroubos de tirania e autoritarismo, lhe cassar a palavra nesse portal.
Tem gente que já nesce jurídico-masoquista...

Marcelo Alves Stefenoni
Vitória - ES

Gilberto Serodio Silva disse:
13 de junho de 2008 às 13:41

Por favor, avisem ao Molina que essas possíveis mas improváveis nulidades, serão sanadas na origem. Os ditos grampos serão turbinados com o que existe de mais moderno em termso de tecnologia de inteligência, espionagem para os leigos e apreciadores de Bond, James Bond... Tipo ECHELON da CIA.

Serão eliminadas alegações qt. a qualidade de som e interrupções. Será possível identificar a voz, e as transcrições serão automáticas, real time ou seja: um Knowledge worker não terá que ouvir meses e meses de gravações em busca de indícios de fatos típicos. Isso reforçará os fundamentos da imprescindível autorização judicial, pois do jeito que está posto, parece que o MPF está por aí grampeando sem critério ou fundamento legal e jurídico. Vale cantar: tropa de elite osso duro de roer, pega um pega geral também vai pegar você! Singing along.

Gilberto Serodio Silva disse:
13 de junho de 2008 às 13:57

Não entendi? O expert Molina foi contratado para dar entrevista fazendo instrução de provas de escutas telefonicas porque ele não está analisando a gravação mas seu conteúdo, exegese, hermenêutica que não é da competência dele. Eu sei é que a Ex.ma, brava de bravura e desassombrada Juiza de Direito Federal Ana Paula Vieria de Carvalho, presidindo nos autos criminais, é de uma integridade absoluta, caráter e honra pétreas, que os réus ignoram o que seja.
O bicho vai pegar, digo está pegando.

O grande mestre Evandro Lins e Silva disse, parafraseando um Italiano antigo segundo dele, que o advogado não é solidário como o criminoso, no máximo com sua dor; que o advogado deve ter uma postura correta diante da vida, deve ser honesto até mesmo por velhacaria....

Deus proteja e abençoe a Juiza da causa e ilumine Carreira Alvim para que possa na reflexão, auto crítica e penitência, expiar os pecados.

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