Onde estudaram os desembargadores do TJ de São Paulo

USP, PUC-SP e Mackenzie. Estas faculdades, todas da capital paulista, são as que mais formaram desembargadores para o Tribunal de Justiça de São Paulo, segundo levantamento feito pelo Anuário da Justiça Paulista 2008 (clique aqui para mais informações). A surpresa da lista está na relação de faculdades que vem logo a seguir e que revela um ranking informal das escolas mais bem conceituadas do interior do estado. A pesquisa levou em conta as informações de 352 desembargadores e juízes em segundo grau entrevistados pelo Anuário.

Nos primeiros lugares desse ranking do interior aparecem a PUC-Campinas e a Universidade Católica de Santos, a Universidade de Taubaté e a Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo. O ranking não é definitivo. Escolas de Direito, como a Faculdade de Campinas (Facamp), não figuram nele simplesmente porque à época em que se formaram os desembargadores paulistas ela simplesmente não existia. Mas seu desempenho em testes como o Exame de Ordem, da OAB ou o Enade, do Ministério da Educação, a qualificam como uma das melhores do país.

Mas o critério de medir a qualidade do ensino de uma instituição pela obra de seus alunos mostra-se bastante seguro. Veja-se o caso da Faculdade de Direito de São Bernardo. Além de formar nove desembargadores para o TJ-SP, São Bernardo deu diploma para o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal. O novo luminar da escola é Eurico Marcos Diniz de Santi, autor do Curso de Direito Tributário e Finanças Públicas – do fato à norma, da realidade ao conceito jurídico, agraciado com o Prêmio Jabuti de Melhor Livro de Direito de 2008.

Márcio Orlando Bártoli, da 1ª Câmara Criminal do TJ-SP, é um dos desembargadores oriundos da Faculdade de São Bernardo. Nascido em Santo André, região do ABC paulista, escolheu aos 15 anos que estudaria Direito. Graduou-se em 1973, em São Bernardo. “Me formei há muito tempo, a faculdade mudou muito, mas eu a recomendaria para estudantes. Ela tem um vestibular sério, é uma autarquia e tem um bom corpo docente”.

A Faculdade de Direito de São Bernardo é uma autarquia municipal, criada em 1964. Faz seu vestibular em conjunto com a PUC-SP, um dos baluartes do ensino de Direito no país. Mauro Pardelli Colombo está há 32 anos na faculdade, oito deles como coordenador do curso de graduação. “Esta é a escola de Direito mais antiga da região [do ABC]. Como temos professores efetivos, temos um corpo docente estável. Há professores que lecionam aqui há mais de 20 anos”. Situada numa região de grande densidade populacional, ela se beneficia também de uma seleção natural de alunos. “Cerca de 70% dos alunos não são de São Bernardo. Eles vêm de municípios vizinhos e de bairros de São Paulo como Guaianazes, Tatuapé. Isso mostra a procura da faculdade”.

Mas as campeãs do interior, de acordo com o levantamento do Anuário, são as Católicas de Campinas e de Santos. A PUC-Campinas, criada em 1953, já tem em sua história a missão de suprir a falta da Unicamp, a Universidade Estadual de Campinas que se tornou um centro de excelência nas mais variadas disciplinas, mas que não tem curso de Direito na sua grade de ofertas. A Faculdade Católica de Direito de Santos, mais conhecida agora como Unisantos, também tem entre seus ex-alunos um ministro do Supremo – Cezar Peluso —, além de 18 desembargadores em São Paulo, igual número da PUC-Campinas.

O desembargador Eduardo Almeida Prado Rocha de Siqueira, empossado neste ano, é da turma de 1981, de Santos. Quando estudante foi presidente do Diretório Acadêmico e da Atlética Acadêmica. Siqueirinha, como é conhecido pelos amigos, conta que durante seu mandato no diretório afastou dois professores que faltavam demais. Ele também defendia que Redação e Língua Portuguesa fossem excluídas do currículo. “Acho um absurdo o curso de Direito ter disciplina de Português. Isso é ensino de base”. Diz que escolheu a Faculdade Católica de Direito de Santos, por ter estudado em colégio católico e por conhecer a qualidade da escola de Direito. Seu irmão, o promotor Francisco Almeida Prado Rocha de Siqueira, também formou-se lá. “A faculdade tinha um nível muito bom. No concurso para juiz de 1982, no qual fui aprovado, 81 pessoas foram aprovadas, oito delas eram da Católica de Santos”.

Quatro dos cinco desembargadores integrantes da 1ª Câmara Criminal do TJ-SP, se graduaram na Faculdade Católica de Santos (o quinto é Márcio Bártoli, que se graduou em São Bernardo). O presidente da turma, Mário Devienne Ferraz, conta que escolheu a instituição, porque “na época era a única da cidade e era conceituada em todo estado”. Para ele a escolha da faculdade é importante, mas de nada adianta se o aluno não for dedicado. “Na minha época os alunos se dedicavam mais. Hoje com a proliferação de universidades e alunos, uma parte deles não tem tanto empenho”.

Competição internacional

A Faculdade de Direito de Taubaté , hoje Universidade de Taubaté (Unitau) foi fundada em 1957. Além dos 12 desembargadores do TJ-SP, o ministro do TST Milton França, também se formou lá. O coordenador pedagógico do curso Paulo Francisco Henriques Fernandes aponta entre os grandes feitos da faculdade do Vale do Paraíba a participação na competição de Direito Internacional Philip C. Jessup International Law Moot Court Competition, promovida pela International Law Student Association (ILSA), dos Estados Unidos

Na disputa, um grupo de alunos da instituição deve resolver um caso fictício entre dois estados nações e depois fazer defesa oral. O grupo vencedor no Brasil concorre à segunda fase em Washington, Estados Unidos. A Unitau participa há dois anos da competição, mas não foi classificada para esta etapa. A Unisantos também participa da competição.

O desembargador Thiers Fernandes Lobo formou-se na Faculdade de Direito de Taubaté em 1969. Ele afirma que na época procurou a instituição por ser mais próxima da cidade que morava, Pindamonhangaba. Segundo ele o forte da faculdade eram as aulas de Direito Penal, Processual Penal e Processo Civil. “Na faculdade o aluno vai encontrar as informações, mas ele tem que desenvolver o próprio caminho”. No currículo do desembargador consta atuação política. Ele foi vice-prefeito de Pindamonhangaba de 1977 até 1982. Com a renúncia do prefeito Geraldo Alckmin, Thiers Fernandes Lobo assumiu o cargo e permaneceu por dois anos.

Instituição Desembar-gadores
USP

145

PUC-SP

38

Mackenzie

23

FMU

19

PUC-Campinas

18

UniSantos (Católica de Santos)

18

Universidade de Taubaté

12

Faculdade de Direito de S. Bernardo do Campo

9

Instituto Toledo de Ensino

9

Faculdade de Direito de Sorocaba

8

Larissa Garcia

é repórter da revista Consultor Jurídico.

analucia disse:
09 de novembro de 2008 às 12:18

Ou seja, por isso o pensamento jurídico está engessado. E o Direito passa a ser um instrumento de dominaçao de pensamentos de elite. Nas provas temos que responder que a Terra é o Centro do Universo apenas porque alguns catedráticos assim o afirmam. Quem pensa diferente é expurgado... Logo, náo há democracia no meio jurídico, e vivemos em um Estado Judicial do Direito e náo um Estado Democrático do Direito.

Luismar disse:
09 de novembro de 2008 às 12:55

Oba! Fiz USP. Minhas chances de ser desembargador agora aumentaram de zero para nenhuma.

Eri Coelho - Jornalista disse:
09 de novembro de 2008 às 20:05

Esse é um dos motivos que o TJSP tem os seus acórdãos respeitados, utilizados como paradigma e poucos são modificados pelo STJ ou STF.

Por outro lado, é justamente por isso que não atende aqueles "adevogados" simpatizantes "do direito achado na rua".

Parabéns Ínclitos Desembargadores do TJSP continuem distribuindo a Justiça com altivez, essa é única maneira de preservar a democracia e manter o Estado Democrático de Direito.

Rose Cervini disse:
10 de novembro de 2008 às 08:34

Quem tem capacidade que se estabeleça e não critique. Prove que as outras faculdades são melhores, mostre seu "talento" antes de simplesmente desrespeitar quem tem mais conhecimento.
Uma das regras básicas no Direito é o respeito, que hoje entre os "adevogados" está tão fora de moda.

analucia disse:
10 de novembro de 2008 às 09:43

isso demonstra a necessidade de implantar rodízio nos Tribunais, fixando um prazo máximo de oito anos no cargo, como é nas Turmas Recursais e Eleitoral, pois isso evita o engessamento da evoluçao do pensamento jurídico e hegemonia ideológica nos concursos.

Pugli. disse:
10 de novembro de 2008 às 10:49

Noticia de armário.

Todos sabem que desembargadores não nascem ao acaso e mem mesmo de faculdades de nome ou qualquer outra.

Sabemos que hj em dia isso parece politica, assumem uns , se formam os amigos, os sobrinhos, os netos e etc. ai prestam para a magistratura, fazem o exame oral e estão dentro do mercado.

Cidadão comum mesmo formado em grandes universidades tem pouquissimas chances.Proprio exemplo é o quadro da materia..Balela....

Axel Figueiredo disse:
10 de novembro de 2008 às 11:12

Pugli: os fatos mostram que seu palpite está fora da realidade, bastando, para isso, constatar quantos juízes paulistas são filhos, sobrinhos, netos etc., no aspecto proporcional. Porém, vc pode utilizá-lo para justificar eventual fracasso se não passar no concurso, pois é daqueles argumentos que, como repetidos à exaustão, parecem verdadeiros aos incautos.
analucia: seus comentários são bisonhos. vc estudou "direito achado na rua"?

Sunda Hufufuur disse:
10 de novembro de 2008 às 11:20

Depois que o desembargador Arruda expressou a nostalgia de que magistratura de SP ditava a jurisprudência do país tive a confirmação de que o eixo Rio-SP era , com sempre disse, inclusivena Conjur, quando aqui escrevia, o responsável pelo que de pior há na judiciário brasileiro, com o pedantismo das letras jurídicas assolando a o nosso direito. E sempre mencionei a USP como a galáxia genética dessa presunção. O quadro agora completou-se. Quando os juízes sente-se grande coisa sem terem lido uma obra de Platão na vida, vemos como anda esse judiciário no qual o Poder oxigena a falsa cultura.

Pugli. disse:
10 de novembro de 2008 às 11:42

Axel Figueiredo: Vc me deixa feliz se realmente meus comentarios estiverem fora da realidade e agradeço, espero realmente que não seja verdade "no aspecto proporcional" é claro.

acdinamarco disse:
10 de novembro de 2008 às 13:19

Sou da Católica de Santos. Entretanto, a matéria cheira a propaganda. Isto não é bom.
acdinamarco@aasp.org.br

acdinamarco disse:
10 de novembro de 2008 às 13:22

Luismar, suas chances de ser desembargador são de 1.000. As que são zero são as possibilidades de se tornar Desembargador. Deu para perceber ?
acdinamarco@aasp.org.br

Régis C. Ares disse:
10 de novembro de 2008 às 17:11

Colegas,

Belíssima PROPAGANDA, não?...

Realmente, já estava cansando o frequente "jabá" dos grandes escritórios de advocacia...

Estou curioso para saber o que virá em seguida...
Provavelmente será algo do tipo:
- Qual desodorante usam os desembargadores do TJ SP;
- Qual a marca de carro preferida dos desembargadores do TJ SP;
- Qual o melhor escritório de advocacia na opinião dos desembargadores do TJ SP.

No mais, eu também me formei na Universidade Católica de Santos, mas sei que as minhas chances de chegar a ser desembargador, apenas em razão disso, são as mesmas do Corinthians ganhar a Libertadores das Américas enfrentando o Palmeiras...

Régis C. Ares
Advogado - Santos-SP

Eri Coelho - Jornalista disse:
10 de novembro de 2008 às 18:37

Essas universidades, USP, PUC-SP e Mackenzie, não precisam de propaganda.

Goiano disse:
11 de novembro de 2008 às 09:38

Será que alguém consegue me explicar o porquê a FMU não vou citada no início da matéria?

Felippe Mendonça disse:
11 de novembro de 2008 às 10:23

A impertinência da matéria está pelo fato de que, assim como a tão elogiada FACAMP, 90% dos cursos de Direito são relativamente novos.
Se observar a data de fundação de cada curso, segue exatamente a mesma ordem. E a proliferação dos cursos de Direito, encabeçada por faculdades como a UNIP, é muito posterior.
Essa matéria só seria pertinente daqui umas 5 décadas.

acdinamarco disse:
11 de novembro de 2008 às 10:59

Goiano, se você estuda lá e, diante da sua redação, está explicado.
acdinamarco@aasp.org.br

carpetro disse:
11 de novembro de 2008 às 12:33

Nenhuma escola (faculdade?) "forma" Desembargador...

carpetro disse:
11 de novembro de 2008 às 12:39

Aditamento ao meu comentário anterior: com muito orgulho, sou formado pela Turma de 1969 da Faculdade de Direito do Vale do Paraíba (S.J. dos Campos)e, atualmente, Desembargador aposentado do TJ/SP.

André Cruz de Aguiar - Vironda e Giacon Advogados disse:
11 de novembro de 2008 às 15:58

O ranking é interessante por mostrar alguns detalhes internos do Poder Judiciário, que, muitas vezes, é tão refratário e opaco para a sociedade. Mas esse ranking não serve para demonstrar a realidade do ensino jurídico em nosso país, pelo simples fato de que os juízes demoram anos para alcançar o posto de desembargador, havendo, portanto, um lapso de pelo menos duas décadas entre a graduação e a promoção para o tribunal. Indicador mais preciso e mais contemporâneo da qualidade de ensino está nos índices de aprovação no Exame de Ordem e nos concursos públicos, que deveria ser compilado e amplamento divulgado para a sociedade, pelos meios sociais de comunicação, até para que sirva como desestímulo às arapucas travestidas de Faculdades de Direito. Tal providência, aliás, seria mais eficaz do que o fechamento desses cursos...

Célio Rosa disse:
17 de novembro de 2008 às 12:57

Certa vez, em visita a São Paulo, fui visitar a USP-Largo São Francisco, para minha supresa, ao olhar os murais, vendo o horário de aulas, constatei que 99% dos professores eram ministros dos tribunais superiores, o restante eram renomados juristas com reconhecidas obras jurídicas no mercado. Ou seja, investem em qualidade, bons professores, antenas com a boa doutrina, participam jurisprudência em acalorados debates de mestres e alunos. Ao contrário das outras instituições da periferia marginalizada dos rincões deste país, onde os professores se apegam aos seus livros didáticos, esquecendo-se que as lei estão mudando por hora atualmente, e que nem os livros editados anualmente conseguem acompanhar. Parabéns USP e Outras de grande quilate. Eu queria estar aí.

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