Governo de SP diz que greve da Defensoria é política

O governo de São Paulo afirmou, neste domingo (12/10), que a paralisação dos defensores públicos, prometida para esta semana, serve somente ao projeto político e ideológico de parcela de membros da Defensoria e não ao interesse público.

Segundo nota da Secretaria da Justiça, o governo vem atendendo as reivindicações da Defensoria de forma continuada, “mas não pode aceitar uma greve absurda, em uma instituição que tem apenas dois anos de existência”. O texto diz que “o governo de São Paulo reitera, ainda, que sempre esteve aberto ao diálogo, mas não aceitará pressões descabidas e radicais”.

A nota é uma resposta a texto divulgado neste domingo pela Associação Paulista de Defensores Públicos. Os defensores de São Paulo reclamam que a entidade não tem uma sede instalada em 93% das comarcas do estado. O argumento é usado para justificar a paralisação marcada para acontecer entre os dias entre 13 e 17 de outubro. Apenas os casos que envolvam risco à vida e segurança de usuários serão atendidos.

Para o governo de São Paulo, a paralisação “vai sacrificar desnecessariamente a população que busca a assistência jurídica em seus momentos de maior necessidade, e lamenta a atitude da Defensoria Pública em buscar essa via”.

Falta de estrutura

Os defensores dizem que a lei que criou a Defensoria em 2006 determinou que um concurso público fosse feito em dois anos, “para que não houvesse descontinuidade do serviço de assistência judiciária gratuita que era prestado pela Procuradoria Geral do Estado desde 1947”. Segundo o sindicato, a PGE tinha 313 procuradores atuando na assistência. Dessa forma, os 313 defensores ingressos em 2007 apenas ocuparam postos de trabalhos já existentes. “Os 400 primeiros cargos de defensor público do Estado vieram dos quadros da PGE em 2006, não representando qualquer investimento do atual governo”, afirma a entidade.

A Secretaria responde que não é verdade que existe falta de estrutura para atender a população. Além dos 400 defensores, o estado mantém um convênio com a OAB-SP, que garante 47 mil advogados prontos para prestar assistência gratuita.

“A Defensoria Pública, criada em 2006 no estado e estruturada a partir de 2007, teve 313 defensores nomeados no ano passado. Mais 368 vagas foram aprovadas este ano para funções operacionais. O governo de São Paulo vem atendendo as reivindicações de estruturação da Defensoria Pública em São Paulo de forma continuada”, diz a Secretaria.

Sobre o convênio, o sindicato dos defensores afirma que ele representou um gasto de R$ 272 milhões em 2007. O valor seria suficiente para quadruplicar a estrutura da Defensoria, diz a associação. “Fica claro, portanto, que o fortalecimento da Defensoria Pública significaria economia aos cofres públicos”, dizem os defensores.

O governo rebate que o anteprojeto de lei pedindo a contratação de mais 400 defensores está em estudos na Secretaria de Gestão Pública. Já o outro projeto, pedindo a equiparação salarial ao teto do Judiciário (R$ 24,5 mil), é considerado excessivo pelo governo.

O sindicato afirma que o aumento de 9,5% dado aos defensores em 2007 foi inferior aos concedidos às outras carreiras jurídicas do Estado. Para a associação, o salário base de R$ 5 mil afasta profissionais qualificados da carreira. Argumenta que 58 dos profissionais que entraram no ano passado já saíram.

“Esse número representa 15% do quadro total de profissionais. Imaginemos, a título de exemplo, se 15% do quadro da Magistratura se evadisse no período de um ano. Ocasionaria problemas estruturais internos seriíssimos, como os que vem ocorrendo na Defensoria Pública”, argumentam os defensores.

Em nota divulgada no sábado, o governo já respondeu o argumento: “note que um Defensor Público do Estado Nível I tem vencimentos de mais de R$ 7.350,00 — a tabela está publicada no Diário Oficial. É importante esclarecer para a sociedade que mais de 95% da categoria têm vencimentos entre R$ 7.350,00 a R$ 13.928,40”.

Espanto do CNJ

No Conselho Nacional de Justiça, a notícia da paralisação foi recebida com espanto. “O cliente da Defensoria é o brasileiro mais carente. Não é justo castigá-lo para pressionar o Estado”, comentou o ministro Gilmar Mendes, presidente do CNJ. Na concepção de Mendes, a demanda de justiça para os brasileiros é de tal ordem que, para atendê-la, as defensorias terão que atuar como a cabeça de um sistema em que outros setores serão chamados a cooperar com a tarefa.

A Defensoria promete fazer, na terça-feira (14/10), manifestação a partir das 13h, na Assembléia Legislativa de São Paulo. Outro ato será feito às 10h de sexta-feira (17/10) em frente ao Masp na avenida Paulista.

A categoria diz que o investimento na Defensoria ajudaria a reduzir a crise carcerária. São Paulo tem um terço de todos os presos do Brasil. No entanto, existem 35 defensores públicos atuando na assistência jurídica ao preso. A lei que instaurou a Defensoria Pública em São Paulo diz que a instituição deve ter sala própria em cada estabelecimento penal. No entanto, não há sequer um defensor atuando permanentemente dentro dos presídios.

Segundo o sindicato dos defensores, das 360 comarcas, apenas 22 possuem defensores atuando. A região mais pobre, por exemplo, o Vale do Ribeira, não há defensor público atuando. Em todo o estado, são 400 profissionais e a proporção é de um defensor para 58 mil pessoas. No Rio de Janeiro, essa proporção é de um para aproximadamente 14 mil pessoas.

Leia abaixo nota da associação e, logo depois, a do governo

Associação esclarece informações imprecisas divulgadas pela Secretaria

A Associação Paulista de Defensores Públicos (APADEP), em resposta à nota divulgada pela Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo acerca das reivindicações dos defensores públicos, esclarece que:

A Lei Complementar 988, de 09 de janeiro de 2006, que criou a Defensoria Pública no Estado, determinou a realização de concursos, no prazo de 2 anos, para que não houvesse descontinuidade do serviço de assistência judiciária gratuita que era prestado pela Procuradoria Geral do Estado desde 1947. A PGE contava com mais de 350 Procuradores atuando na assistência, de modo que os 313 defensores ingressos em 2007 apenas ocuparam os postos de trabalho anteriormente existentes. Os 400 primeiros cargos de defensor público do Estado vieram dos quadros da PGE em 2006, não representando qualquer investimento do atual governo.

— O aumento de 9,5% concedido aos defensores públicos em 2007 foi muito inferior àqueles concedidos às demais carreiras jurídicas do Estado, sendo que a diferença em relação à Procuradoria Geral Estado é maior que 50%. O salário inicial dos defensores, de R$ 5.045,00, afasta possíveis ingressantes e profissionais qualificados da carreira, sendo que 20% dos defensores que entraram em 2007 se evadiram em 1 ano (58 profissionais). Esse número representa 15% do quadro total de profissionais. Imaginemos, a título de exemplo, se 15% do quadro da Magistratura se evadisse no período de um ano. Ocasionaria problemas estruturais internos seriíssimos, como os que vem ocorrendo na Defensoria Pública.

— A Secretaria de Justiça afirmou que “não é verdade que moradores de algumas comarcas não têm acesso à assistência jurídica gratuita”. A utilização do termo “não é verdade” pela Secretaria de Justiça deixa clara a tentativa de deslegitimar os números apresentados pela APADEP e as reivindicações da categoria. Na realidade, a Associação não afirmou, em momento algum, que a população de algumas comarcas não tem acesso à assistência judiciária gratuita. O fato é que 93% das comarcas do Estado não possuem Defensoria Pública instalada, informação divulgada nestes termos pela APADEP e inteiramente verdadeira. Nestes municípios apenas atuam advogados particulares inscritos no convênio com a OAB, que são remunerados com dinheiro público, mas não prestaram concurso para o exercício da função e não se dedicam exclusivamente a ela, atuando também em escritórios privados.

— O convênio com a OAB não disponibiliza atendimento integral à população, pois apenas a Defensoria Pública tem como obrigação institucional a realização de atividades de educação em direitos e mediação de conflitos e a proteção coletiva dos necessitados através de ações civis públicas, contando com profissionais com dedicação exclusiva à assistência gratuita, elemento essencial para que não se confundam interesses públicos e privados.

— A APADEP também esclarece que o convênio com a OAB representou para o Estado o gasto de mais de 272 milhões em 2007, valor que seria suficiente para quadruplicar a estrutura da Defensoria, órgão público destinado pela Constituição Federal para a prestação de assistência jurídica gratuita. O advogado conveniado com a Defensoria recebe por cada processo em que atua, diferentemente do defensor público, que se dedica integralmente à média de 2000 processos por mês em que trabalha. Fica claro, portanto, que o fortalecimento da Defensoria Pública significaria economia aos cofres públicos, ou seja, ao bolso de cada cidadão pagador de impostos no Estado de São Paulo.

Nota sobre a greve da Defensoria Pública

Sobre a paralisação de cinco dias anunciada pela Defensoria Pública, entre 13 e 17 de outubro, com a reivindicação de melhores condições de trabalho e salários, o governo de São Paulo tem a dizer o que segue:

— Não é verdade que falte estrutura no estado para o atendimento da população carente que busca assistência jurídica. A Defensoria Pública conta com 400 defensores e mantém convênio com a OAB — Ordem dos Advogados do Brasil, que garante 47 mil advogados prontos para prestar essa assistência em todo o estado, a qualquer cidadão que necessite;

— A Defensoria Pública, criada em 2006 no estado e estruturada a partir de 2007, teve 313 defensores nomeados no ano passado. Mais 368 vagas foram aprovadas este ano para funções operacionais. O governo de São Paulo vem atendendo as reivindicações de estruturação da Defensoria Pública em São Paulo de forma continuada, mas não pode aceitar uma greve absurda, em uma instituição que tem apenas dois anos de existência. É evidente que a greve serve somente ao projeto político-ideológico de parcela dos integrantes da Defensoria Pública, e não ao interesse público;

— Anteprojeto de lei enviado pela Defensoria Pública, solicitando a contratação de mais 400 defensores públicos no prazo de quatro anos, está em estudos na Secretaria de Gestão Pública;

— Não é verdade que os salários pagos aos defensores públicos sejam aviltantes ou irreais: 95% deles têm vencimentos situados numa faixa que vai de R$ 7.350,00 a R$ 13.928,40 mensais.

— Um segundo anteprojeto de lei foi encaminhado pela Defensoria Pública e está em estudos na Secretaria de Gestão Pública, solicitando a equiparação da totalidade dos defensores públicos ao teto de salários do Supremo Tribunal Federal (R$ 24,5 mil); esta reivindicação é considerada excessiva pelo governo, que deve sempre se ater à realidade orçamentária do estado;

— O governo de São Paulo manifesta sua preocupação com a paralisação anunciada pelos defensores públicos, que decidiram atender apenas casos emergenciais “que envolvam risco à vida e à segurança” do cidadão. Entende o governo que isso vai sacrificar desnecessariamente a população que busca a assistência jurídica em seus momentos de maior necessidade, e lamenta a atitude da Defensoria Pública em buscar essa via;

— O governo de São Paulo reitera, ainda, que sempre esteve aberto ao diálogo, mas não aceitará pressões descabidas e radicais.

São Paulo, 12 de outubro de 2008

Assessoria de Imprensa da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania

Daniel Roncaglia

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Comentarista disse:
12 de outubro de 2008 às 21:14

Essa greve só demonstra o caos em que o estado de SP foi transformado após vários anos de (des)governo do PSDB e seus ilustres companheiros do DEM.

No mais, a greve vai parecer "elitizada" pela população, bem como não vai receber o apoio da OAB face à recente sacanagem "tentada" (e não conseguida por motivos óbvios, é claro) na questão da renovação do convênio da assistência.

Portanto, só resta desejar "boa sorte" aos nobres defensores, que, a exemplo dos valoros policiais civis paulistas (há mais de 14 anos sem aumento salarial, etc), só vão sair ainda mais enfraquecidos desse natimorto movimento paredista.

Comentarista disse:
12 de outubro de 2008 às 21:22

E pela nota do governo(?) do estado, publicada acima, já dá para prever o seguinte:

Além das sequelas da humilhação pública sofrida com o inútil embate com a OAB paulista (onde o D'Urso, sem nenhum esforço, impôs dolorosas derrotas jurídicas à imflamada e beligerante "cúpula" da defensoria), a defensoria vai continuar apanhando do governador Serra, que demonstra (sabiamente) ter entendido que a natimorta "grevinha" não vai ter a simpatia popular.

Afinal de contas, quem é que achou que uma instituição criada em 2006 teria o apoio para uma greve em menos de dois anos depois?!

Ora, ora... Respeitem um pouco mais a inteligência alheia e tenham um pouco mais de bom senso, ok?

Luiz Antonio Ignacio disse:
12 de outubro de 2008 às 21:56

Bastante sintomática essa greve!Por uma incrível coincidência é deflagrada no início da capanha do 2º turno da eleição de São Paulo, com a vertiginosa queda nas pesquisas da candidata do PT e o aumento do prestígio do Governador Serra! Precisa dizer a que partidfo político é voltada a "simpatia" dos integrantes da cupula dessa nobre Instituição?

Luiz Antonio Ignacio disse:
12 de outubro de 2008 às 22:06

A Instituição organizada através da Lei Complementar estadual nº 988/06, que conta pouco mais de dois anos, ainda está em fase de implantação. Quantos aos vencimentos foram eles expressamente tratados na referida Lei e nos editais dos dois concursos já realizados.Eram, portanto, de pleno conhecimento daqueles que optaram pela migração da PGE e dos posteriores concursados!

Junior disse:
12 de outubro de 2008 às 23:39

DEFENSORES: É MELHOR OS SENHORES NÃO PARAREM, POIS AI PODERÃO PERCEBER QUE OS SENHORES NÃO FAZEM FALTA ALGUMA!!!!

Ricardo disse:
13 de outubro de 2008 às 04:51

Acho que o governo serra desenvolveu algum tipo de psicopatia,sei lá, mania de perseguição... Ao que me consta a cúpula da defensoria é indicada por ele mesmo...Daqui a pouco começa a falar que os seus secretários são tudo petistas.

cada uma...

analucia disse:
13 de outubro de 2008 às 09:14

A Constituiçao Federal náo diz que a assistëncia jurídica deve ser feita de forma privativa ou exclusiva pela Defensoria. O Governo do EStado deve fazer convënios com ONGs, Municípios e Faculdades de Direito para a prestaçao do serviço. O discurso da diferença é de reduzir desigualdade social, mas na prática quer apenas privilégios e salários altos. A renda per capta no Brasil é de R$ 1300,00 mensais, e o defensor alega que vai proteger os pobres, mas acaba é oprimindo,pois quer monopólio de pobre, mas nem tem uma política clara de atendimento.

Reginaldo disse:
13 de outubro de 2008 às 09:28

Quando o Governador assumiu pediu um aumento para seus secretários. Quanto ao funcionalismo, este governo os vê como um bando de celerado mortos de fome. O cargo de defensor público é de suma importância. Ou o profissional é bem remunerado ou não terá forças para superar esta loucura que é trabalhar em São Paulo. Mas o sr. José Serra paga misérias à Polícia, à Defensoria, à saúde. Argumento: Lei de Responsabilidade Fiscal. Resultado péssimo atendimento falta de profissionais ou de motivação. Todavia enviou recentemente um projeto que anistia o pagamento de débitos de grandes empresas. Lembraremos disto nas próximas eleições. Um governador que não trata o funcionalismo com respeito, destrata a sua população que é destinatária final do serviço.

Wilsonj disse:
13 de outubro de 2008 às 09:46

A vontade da "analucia" passar no concurso da Defensoria Paulista já está ficando famosa neste site....

Com certeza ela é advogada inscrita no (inconstitucional) convênio OAB/Defensoria, para atender pessoas carentes.

Robespierre disse:
13 de outubro de 2008 às 12:45

...o governo do presidente eleito Serra é o mesmo que os gorilas usavam: greve política. Até quando esses direitosos abusarão de nossa inteligência?

Robespierre disse:
13 de outubro de 2008 às 13:04

digo, o argumento

acdinamarco disse:
13 de outubro de 2008 às 13:21

Há uma coisa que não entendo. Todos os Defensores Públicos submeterem-se a um concurso de provas e títulos. As regras estavam, todas, num edital. Logo, sabiam quanto iam ganhar. Agora, nem dois anos depois, insurgem-se contra os salários ? Isto é coisa de baderneiros, insuflados por petistas desocupados. Podem crer !!! O certo seria que todos, insatisfeitos, pedissem exoneração e se dedicassem à advocacia.
acdinamarco@aasp.org.br

Republicano disse:
13 de outubro de 2008 às 14:27

Tem gente que não passa em cocncurso e fica criticando a Defensoria Pública. O certo é que não há motivo constitucional e muito menos legalk para termos tratamento diferenciado entre a Defensoria e o Ministério Público, até por simetria constitucional. Ora, governador, tenha sabedoria e lute ao lado dos pobres deste país para que tenham, através da defensoria, sempre uma Justiça voltada para os ideais de igualdade.

Robespierre disse:
13 de outubro de 2008 às 15:49

...é os tempos mudaram, mas as moscas são as mesmas: vai da acusação de que a greve é política à acusação de que os grevistas são baderneiros. Analfabetos políticos de ontem e de hoje se dão as mãos, ou seriam patas?

Claudio disse:
13 de outubro de 2008 às 16:04

Será que o governo de sp não tem outro argumento? Todo mundo que entra em greve, para o governo, tem motivação política. Isso já aconteceu com os delegados e agora com os defensores. Mude o discurso governador. As lujtas são por salários e estrutura funcional.

Saulo Henrique S Caldas disse:
13 de outubro de 2008 às 16:59

O que não é de INTERESSE PÚBLICO é o descaso do Governo Paulista que, vergonhosamente, num Estado tão arrecadados, pagar tão mal aos Defensores Públicos e, além disso, possuir menos Defensores Públicos do que o Estado de Alagoas.

O Governo Paulista nem falar coisas lúcidas consegue, vindo com a falácia tradicional de quem esta no Poder: toda oposição é por mero interesse em 'denegrir' a imagem do atual Governo. O problema de TODO político é que contra fatos não há argumentos. E os fatos mostram que o Estado de São Paulo, apesar de ter maiors recursos que outros do país, remunera mal seus defensores, além de ser irresponsável em não aumentar o número de defensores públicos para poder prestar um melhor SERVIÇO PUBLICO às populacoes mais carentes.

Vergonhoso e lamentável esse descaso. Coisa feia, Governador. Tome vergonha e seja homem para assumir sua negligencia.

[]s

Saulo Henrique S Caldas disse:
13 de outubro de 2008 às 17:16

No Conselho Nacional de Justiça, a notícia da paralisação foi recebida com espanto. "O cliente da Defensoria é o brasileiro mais carente. Não é justo castigá-lo para pressionar o Estado", comentou o ministro Gilmar Mendes, presidente do CNJ." - sic.

Com todo respeito ao Ministro GILMAR MENDES, mas o STF além de oferecer estrutura de trabalho e possuir boas verbas de gabinete, é a instituicao que MELHOR PAGA aos seus serventuários, principalmente aos ministros. Esse papo do Ministro aí é mera retórica para contra-balancear a verdadeira crise que se instaurou em Sao Paulo.

O que devia causar ESPANTO no CNJ é o DESCASO GOVERNAMENTAL com a Defensoria Publica paulista... e o absurdo numero de 1 Defensor para cada 58 mil cidadaos, o que é irreal do ponto de vista do PRINCIPIO DA EFICIENCIA do serviço Publico.

Acho que o Ministro deveria rever o que disse, e devolver o FOCO para o verdadeiro lugar.

[]s

Mauro disse:
13 de outubro de 2008 às 17:45

Se esta greve é política, então o estado de São Paulo - na pessoa de seu mandatário maior, o ilustre sr. José Serra, cujo modus operandi político para eleger-se presidente da República é muito bem expresso através da frase "quem não faz nada não erra" (ou melhor, "quem não faz nada é o Serra") - está correto em não cumprir o que promete.

Na primeira greve dos metroviários em 2007 aconteceu a mesma coisa. Serra e Globo enfiaram na cabeça da opinião pública que a greve era política, mas na verdade o estado de São Paulo não havia concedido os aumentos salariais previstos na lei.

O Estado não cumpre as leis que ele mesmo cria e quem reclama o faz sem legitimidade.

A democracia brasileira me causa espanto.

Mauricio_ disse:
13 de outubro de 2008 às 22:42

O governo do Estado de São Paulo paga aos Delegados de Polícia o pior salário do Brasil, mas para os governantes a greve dos delegados, que já dura um mês, não é motivada pelos baixíssimos salários mas por razões de cunho político-partidário.

Agora, com mais uma greve no estado, a dos Defensores Públicos, aparece a mesma justificativa: a greve não visa melhores salários uma vez que tem motivações político-partidárias.

Senhores governantes, pelo menos arrumem uma nova desculpa para tentar desqualificar essas greves, pois essa aí da "motivação política" já está ficando mais do manjada.

analucia disse:
13 de outubro de 2008 às 23:14

Se o cliente da defensoria é o mais carente, entáo por que estáo atendendo quem pode pagar advogado e em questóes sem relevancia. O CNJ nem sabe se o pobre é atendido mesmo. Em vez de o CNJ se preocupar com o Defensor deveria preocupar-se com o pobre. Mas nem tem estatística. Na verdade, bastaria ao EStado estimular políticas de atendimento pela rede privada, como faz todos os países do mundo.

André Cruz de Aguiar - Vironda e Giacon Advogados disse:
14 de outubro de 2008 às 09:31

Não é com notinhas para a imprensa que o governo de nosso Estado Bandeirante irá negar a realidade de falta de recursos de nossos órgãos de segurança e de administração da Justiça, que leva à deflagração de greves e à falta de atendimento à população. A realidade está aí, para quem quiser conferir, e não pode ser coberta ou empulhada por notinhas para a imprensa.

ANS disse:
16 de outubro de 2008 às 00:19

Resp.ao Antonio Cândido Dinamarco (Advogado Autônomo)
Saudades da ditadura ?!

ANS disse:
16 de outubro de 2008 às 00:33

Resp. aos Nobres Defensores Públicos
É hora de se libertar dos sangue-sugas,pois muitos"agueles"sem concurso público estão de olho.Não deixe que se perpetue o monopólio da Ordem!

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