O Supremo Tribunal Federal confirmou, nesta quinta-feira (16/10), decisão liminar que manteve Eduardo Requião, irmão do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), no cargo de secretário de Transportes do estado. Para os ministros, o cargo tem natureza política e, por isso, está fora dos casos especificados na Súmula Vinculante 13, que proíbe o nepotismo.
A súmula veda a contratação de parentes até o terceiro grau em cargos administrativos e funções de chefia, direção e assessoramento, no serviço público. Além de voltar à secretaria, Requião também poderá responder pela administração da Autarquia Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), cargo que exerce sem remuneração. O mérito da questão ainda será avaliado pelo STF.
Segundo a ministra Ellen Gracie, relatora, a decisão liminar do ministro Cezar Peluso é “irretocável e não merece qualquer reforma” no que ele entende serem os cargos diferentes dos especificados pela súmula Ela lembrou que a decisão liminar seguiu o decidido pelo STF no dia que o texto da Súmula foi redigido.
Peluso, que substituiu a relatora na decisão liminar, lembrou que a matéria foi analisada nos debates que antecederam a edição da súmula. “Trata-se, portanto, de uma questão ligada à interpretação e ao alcance da súmula, e nesse debate está consignada expressamente minha posição, que ressalvei quanto à extensão dessa conclusão de que o alcance da súmula não atingiria os agentes políticos”, afirmou.
Para o ministro Marco Aurélio, como não há no teor do verbete qualquer referência a agente político, não houve desrespeito à súmula. “O verbete 13 não versa, e teria que versar expressamente, a possibilidade da nomeação verificada, por isso dou provimento ao agravo”, explicou.
Desagravo
Durante o julgamento os ministros fizeram um desagravo ao ministro Cezar Peluso. O ministro foi acusado por advogados de uma das partes de favorecer a parte contrária na Reclamação ao supostamente enviar um fax com a decisão liminar em data que seria anterior à constante no próprio texto da decisão proferida.
Em plenário, Peluso apresentou documentos que comprovam que a cópia da decisão foi transmitida no dia 25 de setembro e não no dia 23, como alegavam os advogados. O erro de datas foi explicado por uma queda de energia elétrica no tribunal no dia 24, que alterou a programação de datas dos aparelhos de fax. “O fax consignou expressamente a data exata do seu envio, dia 25 de setembro às 14h11, mas, na linha abaixo, em virtude da desprogramação do aparelho de fax, foi registrada a data do dia 23, e outro horário”. O ministro apresentou aos colegas as cópias dos extratos de ligações fornecidas pela Embratel que comprovaramo envio apenas no dia 25.
A ministra relatora da Reclamação, Ellen Gracie, sustentou a lisura da corte. “Não pode essa Suprema Corte silenciar em relação a ofensas a seus ministros sob pena de subversão do respeito que lhe é devido por todos os brasileiros”, disse. Mesmo o ministro Marco Aurélio, que votou em divergência com Peluso na Reclamação, sustentou que a acusação ao colega configura um ato de “maledicência” contra os ministros da Corte.
Para evitar acusações semelhantes, Peluso anunciou que seu gabinete não mais fará o envio de decisões por fax ou telefone às partes interessadas. Peluso lamentou a acusação recusando-se “a acreditar que o nível da advocacia brasileira chegue a esse extremo”.
RCL 6.650

Em suma, a súmula vale apenas para servidor barnabé, aqueles cargos de pouca importäncia.
No Paraná o STF legalizou o nepotismo ! ! !
Quanto mais alto o cargo, mais desqualificada pode ser a pessoa, podendo até mesmo haver nepotismo.
Assim, para ser Procurador, por exemplo, é necessária inscrição no órgão de classe, experiência mínima comprovada, vida pregressa impoluta a ser comprovada por meio de atestado de antecedentes criminais e outras tantas exigências que vemos em concursos por aí.
já para ser Ministro ou Secretário, nem diploma de primeiro grau precisa ter. E se for parente de alguma autoridade, melhor ainda.
O Brasil é o país onde a banana morde o macaco e o rabo abana o cachorro. E com o aval do Solta Todos Fácil...
Quanto mais alto o cargo, mais desqualificada pode ser a pessoa, podendo até mesmo haver nepotismo.
Assim, para ser Procurador, por exemplo, é necessária inscrição no órgão de classe, experiência mínima comprovada, vida pregressa impoluta a ser comprovada por meio de atestado de antecedentes criminais e outras tantas exigências que vemos em concursos por aí.
já para ser Ministro ou Secretário, nem diploma de primeiro grau precisa ter. E se for parente de alguma autoridade, melhor ainda.
O Brasil é o país onde a banana morde o macaco e o rabo abana o cachorro. E com o aval do Solta Todos Fácil...
Na verdade o que causa tristeza aos brasileiros não é analizar o nível da advocacia brasileira, mas que o STF nunca alcançou um nível razoável desde sua mal-formação e atual deformação, a serviço do desmoronado capitalismo selvagem! Com raríssimas exceções, ressalte-se! Brasileiro não é cego não!
O jeitinho do Supremo, afinal, ele é Brasileiro! Um cargo político é também um cargo público, não pode ser privatizado, ou pode ou não pode, criou-se um tertium genus, um poder-não-poder, que vergonha.
A conduta dos ministros é preocupante pois "declaram" guerra a toda uma classe de profissionais a partir da conduta de um advogado que na ótica deles agiu de forma errada, contudo lanlo a seguinte indagação: será que não seria a hora do conselho federal lançar mão de suas prerrogativas para exigir um posicionamento mais respeitoso, em nome da classe. Essa história que a atitude do advogado dificulta relacionamento dos juízes ( palavras da ministra Ellen ) é no mínimo preocupante pois expõe uma realidade que já existe e e que segundo pode-se depreender irá se agravar agora.
Demorou! Se onde acontece a maior incidência de nepotismo é exatamente nos cargos políticos, a coisa vai continuar "como dantes, no setor de Abrantes". É mais uma lei inócua, num país que já as tem tantas!
Francisco Alexandre Zerlottini. BH/MG.
o sobrinho semi-analfabeto do prefeito não pode ser chefe do setor de limpeza da secretaria, mas pode ser o próprio secretário...
realmente muito moralizante, muito moderna esta decisão...
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