O Conselho Nacional de Justiça restringiu contratações nos tribunais brasileiros. Os novos critérios que limitam a criação de cargos no Judiciário atende a determinação do presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Para o ministro, é preciso acabar com a lógica de que a Justiça precisa de mais juízes, mais servidores e novos prédios para atender toda a demanda. A produtividade do tribunal será levada em consideração para a contratação de novos servidores.
Na análise dos pedidos de contratação o CNJ vai levar em conta a realidade de cada tribunal, comparado com o desempenho médio dos demais. Ao solicitar mais cargos, o tribunal deve apresentar uma análise dos processos por servidor e por juiz. Com base nas estatísticas do Tribunal Superior do Trabalho, o CNJ sabe, por exemplo, que nos tribunais essa média é de nove processos novos por funcionário e de 117 novos processos por mês para cada juiz, guardadas as particularidades de cada ramo do Judiciário.
Com base nos novos critérios, o CNJ reduziu o número de cargos pleiteados por quatro Tribunais Regionais do Trabalho, o que resulta numa economia anual de R$ 100 milhões aos cofres públicos. A redução mais drástica foi no TRT da 3ª Região (Minas Gerais), com um corte de 73% nas vagas pretendidas. O tribunal pediu 753. O Conselho aprovou 200 cargos.
O TRT de Campinas (15ª Região) pediu 758 cargos, dos quais foram aprovados 230 cargos. Por sua vez, o TRT de São Paulo (2ª Região) ficou com 880 cargos, dos 1.111 pretendidos, enquanto o de Alagoas (19ª Região), que requisitou 54 cargos, obteve 28.
De acordo com as novas regras, a ampliação do quadro de servidores deve levar em conta a eficiência do tribunal, o quadro orçamentário e a garantia de acesso da população. Antes de pedir mais servidores, os tribunais terão de avaliar suas rotinas e procedimentos internos. Além disso, terão que descentralizar o atendimento ao cidadão, hoje concentrado em suas sedes, garantindo o acesso também nas cidades do interior.
O CNJ orienta a direção dos tribunais a ficar atenta aos recentes cortes no orçamento público e o respeito aos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Se for preciso, que diminuam os seus próprios gastos.
A Lei 11.514/07 dispõe sobre as diretrizes para a elaboração e execução da Lei Orçamentária de 2008. Em seu artigo 87, inciso IV, afirma que os projetos de lei e medidas provisórias relacionados a aumento de gastos com pessoal e encargos sociais, inclusive transformação de cargos deverão ser acompanhados de parecer de caráter opinativo sobre o mérito de projetos de lei de iniciativa do Poder Judiciário, emitido pelo CNJ.
Semana passada conversei com uma escrevente e ela me disse que há mais de 1200 processos por escrevente no cartório que ela trabalha.
As mesas são amontoadas, os advogados ficam espremidos no pouco espaço que resta para o balcão, e presenciei várias vezes fazerem fila fora do cartório.
Como que precisa acabar com a lógica que não precisa de mais salas, funcionários e juízes?
Muitos funcionários estão com os nervos abalados e tomando remédios. Não se pode ignorar isso.
Cadê a imprensa para publicar a situação de vários cartórios no País?
Se tem mais de 120 processos na mesa, é porque náo estáo dando fluxo. O estudo do Ministério da Justiça constatou que somos o país com mais servidores do Judiciário por habitante no mundo. Logo, o problema é de gestáo como destacou Ticáo.
Excelente medida ! Mas os rapazes rapaces farão uma despedida. Pelo menos no Rio de Janeiro. Explico: há um concurso para juiz de Direito com 50 vagas abertas . Há apostas de que passarão mais de cem . Há mais de 60 nepotes inscritos . Foi,inclusive, anulada a prova de Direito Civil /Processo Civil porque a "administração" considerou (?) "muito difícil" e dois ,dos quatro examinadores , se recusaram a "aliviar na correção" . Dos 480 candidatos menos de 20 passariam .Observem que esta era a primeira das oito provas eliminatórias. Os dois desembargadores apresentaram suas exonerações , depois que um dos outros dois "examinadores" passou a distribuir notas 10 , nove e oito sem nenhum critério. A estória está na coluna do jornalista Helio Fernandes (Tribuna da Imprensa, de 7 de agosto de 2008 ,na WEB),confirmada, nas estrelinhas, pelo Ato da Presidencia do TJRJ nº 2751/08 (DO-RJ 6.8.08). Portanto, antes mesmo dessa novidade do CNJ ,os cariocas precavidos já haviam montado seu panamá. Vamos esperar o final do "concurso" para saber se passam 60, 70 ou os falados cem filhotes de ouro.
Este Gilmar Mendes é o "meu garoto". Ta no caminho certo. Mais gestão e menos chiadeira nos Tribunais brasileiros. A propósito, a quantas anda os projetos de incentivo a composição extrajudicial de conflitos? E o controle de produtividade individual dos juízes? Só vai alcançar os de primeira instância? E os vovozinhos das instâncias mais nobres? Não têm que prestar contas de sua produtividade?
Em verdade, o que o nobre Ministro está fazendo é a Estatização do judiciário, para que venha atender ao interesse da sociedade, e não como se vê hoje, privatizado na mão de seus membros.
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