General não descarta participação de servidores da Abin

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Felix, não descartou um possível envolvimento de servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nas interceptações telefônicas ilegais de membros do Supremo Tribunal Federal, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto. A declaração de Felix foi feita nesta terça-feira (2/9), em depoimento à CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, na Câmara dos Deputados.

“Nós não descartamos nenhuma hipótese, nem mesmo essa. A Abin como instituição é uma coisa, mas servidores da Abin são seres humanos, sujeitos a erros e acertos”, afirmou. “Temos quatro ou cinco sindicâncias buscando caracterizar isso [envolvimento de servidores da Abin em espionagem ilegal], mas nunca conseguimos uma comprovação.”

O general admitiu que a Abin pode ter equipamentos que façam escuta telefônica. Segundo ele, alguns aparelhos comprados recentemente em conjunto com o Exército estão sendo investigados para que se conheça integralmente as funções dos equipamentos, que, segundo o general, deveriam ser apenas de varredura. O general não explicou, nem lhe foi perguntado, qual o tipo de relação que a Abin tem com o Exército.

Durante a maior parte do depoimento, Felix negou que a Abin tivesse esse tipo de equipamento, mas questionado pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que teria recebido informações de que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, havia alertado sobre a natureza dos equipamentos, o general mudou a informação e sinalizou que admite a possibilidade de os equipamentos fazerem escutas.

“O ministro Jobim levantou a hipótese de os equipamentos também serem utilizados para escutas e pedimos ao Exército que os analisasse. Que não se contentasse em apenas ler as especificações, mas que teste tecnicamente os equipamentos [para saber se eles realmente podem servir para escutas telefônicas]”, declarou Felix.

Jorge Felix disse também que a escuta ilegal, se tiver de fato ocorrido, foi feita sem respaldo institucional. Ele inocentou o diretor-geral afastado da Abin, Paulo Lacerda. Segundo ele, o afastamento temporário de Lacerda foi “uma decisão política” para, entre outras razões, evitar o “constrangimento” de ele ser investigado por um delegado da Polícia Federal, instituição que Lacerda dirigiu antes de ir para a Abin.

O general se negou a comentar os assutnos tratados nas reuniões que o presidente Lula fez na segunda-feira, para trtar das denuncias de grampo com representantes do Judiciário e da coordenação política do governo federal. Após as reuniões, o presidente ordenou o afastamento da cúpula da Abin, inclusive do seu chefe, delegado federal Paulo Lacerda.

Felix afirmou que já foram detectadas tentativas de monitorar ligações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “especialmente no exterior”.

Segundo ele, normalmente dois ou três dias antes de o presidente se hospedar em algum lugar, uma equipe do GSI faz uma varredura, monta o equipamento telefônico e isola o local para ter certeza de que a comunicação de Lula será segura. Apesar de já ter detectado tentativas de grampo ao presidente, Felix garantiu que Lula nunca teve telefonemas violados. Mas não explicou também que tipo de trama internacional teria havido para bisbilhotar o presidente.

O depoimento do general registrou um incidente queando o deputado Arnaldo Faria de Sá (DEM-DP) exigiu a retirada da sala do diretor fastado da Abin José Milton Campana. Para o deputado, Campana não deveria ouvir o depoimento do general. Em seguida, foi aprovado requerimento para que Campana também fosse ouvido pela CPI. Também foi aprovado requerimento para que seja ouvida, nesta quarta-feira (3/9), a jornalista Andréa Michael, repórter do jornal Folha de S. Paulo que antecipou em um mês a notícia de que a Polícia Federal estava preparando uma oepração para prender o banqueiro Daniel Dantas.

Grampo supremo

Neste final de semana, a revista Veja publicou reportagem segundo a qual a Abin grampeou ilegalmente diversas autoridades. A revista traz a transcrição de uma conversa entre Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Segundo a revista, a transcrição foi repassada por um funcionário da própria Abin, que informou a existência de monitoramento de deputados, senadores, ministros de Estado e de outro integrante do STF, o ministro Marco Aurélio. O teor da conversa publicada foi confirmado pelo ministro Gilmar Mendes e pelo senador.

Ministros do Supremo, do Superior Tribunal de Justiça e juízes ouvidos pela ConJur consideraram o fato gravíssimo e disseram que a Presidência da República tem o dever de apurar os fatos relatados pela revista semanal e dar explicações sobre eles.

A.G. Moreira disse:
02 de setembro de 2008 às 22:03

Uma imensa "perda de tempo" ! ! !

O general foi ao Congresso, falar "absolutamente nada" , conforme instruções recebidas em reunição no Palácio ! ! !

Está na hora deste senhor acompanhar os seus "subordinados", que foram "afastados temporariamente, para dar transparência às investigações" ! ! !

Ramiro. disse:
02 de setembro de 2008 às 22:09

Por muito menos, no caso Watergate, deu no que deu nos EUA, mas aqui... A Democracia é uma palavra que parece ser vista como unicamente válida para legitimar a subida de determinado grupo ao poder, quando depois se torna um palavrão, sinônimo de mazela, e arrasta um séqüito de neo-stalinistas a defender os "interesses sociais" como incompatíveis com as regras democráticas.

Mauri disse:
02 de setembro de 2008 às 22:31

"Manipulação de chamada

O deputado pergunta ao general Jorge Félix se seria possível algum funcionário da ABIN ter feito o suposto grampo. Resposta óbvia do general: "Possível é. Tudo é possível".

Chamada do Jornal Nacional: General Jorge Félix admite possibilidade de agente da ABIN ter feito o grampo.

Dá um desânimo em ser jornalista hoje em dia!

enviada por Luis Nassif"

Pois é, presunção de inocência é só para vagabundos como o Dantas mesmo, já que com a PF e ABIN o tratamento é o "atira primeiro e pergunta depois".

Armando do Prado disse:
03 de setembro de 2008 às 00:16

Não descartou a Abin, mas também não descartou o condestável Daniel Dantas, não descartou o Senado, e não descartou armação da fascista Veja com o presunçoso presidente supremo.

Armando do Prado disse:
03 de setembro de 2008 às 00:17

Exatamente, Mauri. Apenas o quadrilheiro e banqueiro (que pleonasmo!) DD tem a presunção da inocência. Tempos de canalhas e cafajestes!

A.G. Moreira disse:
03 de setembro de 2008 às 07:42

A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) adquiriu ilegalmente maletas de interceptação telefônica, revelou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, durante reunião de coordenação política do governo no Palácio do Planalto.

Cláudio disse:
03 de setembro de 2008 às 08:27

A solução para essas anormalidades e desmandos está nas mãos do judiciário. Ou dos congressistas, afinal são eles os fazedores de leis
Voltem como já foi, a não adimissão de gravações como prova. E cadeia aos grampeadores de plantão. Simples!!! PS. Ótima a opinião do General presidente da ABIN, " a melhor maneira de impedir o grampo é ficar com a boca fechada".SIC.

Armando do Prado disse:
03 de setembro de 2008 às 10:19

O governo escolheu a dedo o substituto de Paulo Lacerda na Abin. Chama-se Wilson Trezza.

Deve-se à repórter Fernanda Odilla (só para assinantes da Folha) a revelação de que Trezza já trabalhou para Daniel Dantas.

Sim, exatamente, ele mesmo: o suspeito-geral da República, preso e solto duas vezes na Operação Satiagraha.

Entre fevereiro de 2002 e março de 2003, o novo mandachuva da Abin bateu ponto na Fundação Brtprev. Era diretor de Seguridade.

Geria os planos de benefícios dos colaboradores da Brasil Telecom, empresa submetida à época ao controle de Daniel Dantas.

"Não me relacionava com ele", diz Trezza, um oficial de inteligência, que ingressou na atividade de informação em 1981, no velho SNI.

Blog do Josias de Souza

Mauri disse:
03 de setembro de 2008 às 14:36

Claro que não pode ser o único recurso de trabalho, mas não há nada de mais natural do que a ABIN adquirir maletas de interceptação telefônica, como qualquer serviço de inteligência no mundo faz.
Agora, se adquiriu de forma ilegal, e o Nelson Jobim sabia, por que só revelou agora? Que eu saiba isso é prevaricação.

CHORBA disse:
03 de setembro de 2008 às 16:07

GRAMPEAR não é problema.
.
Ficar com a boca fechada é CRUÉL: QUEM PARTILHA DESTE PENSAMENTO É FRACO.
.
O problema é a interpretação das conversas.
.
A omissão de conversas que podem clarear os fatos, ou seja: No caso da PF, é comum omitirem gravações de real importância, bem como tirar conclusões precipitadas.
Jorge Alencar Chorba
chorbamatrix@gmail.com

Bira disse:
07 de setembro de 2008 às 12:11

Sempre o mesmo nhemnhemnenhm, existe um fato e o sujeito é oculto e ninguém viu nada, mas o fato existe.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.

Leia também