Juiz é preso por envolvimento em atentado contra colega

Um juiz federal da 4ª Região foi preso neste sábado (27/9) sob a acusação de estar envolvido no atentado contra a casa do juiz federal Luiz Carlos Canalli, ocorrido na madrugada do dia 19 de setembro, em Umuarama, município localizado no noroeste do Paraná. O nome do juiz não foi divulgado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, responsável pelo decreto de prisão.

Canalli, que é diretor do Fórum Federal de Umuarama, foi acordado por tiros de pistola 9 mm disparados contra a fachada de sua casa. Testemunhas relataram que os autores dos disparos estavam em uma moto. Esta foi a segunda tentativa de homicídio contra juízes federais ocorrida em sete meses na cidade.

A primeira foi contra o juiz Jail Benites de Azambuja, que teve o carro baleado no dia 28 de fevereiro. Neste caso, contudo, há a suspeita de que ele mandou balear o próprio carro para simular o atentado. Com base nessa informação, a Justiça Federal da 4ª Região decidiu remover o juiz. Antes da remoção, a casa de Canalli foi metralhada.

Há muitas hipóteses e poucas certezas. Uma das certezas é de que o atentado não foi externo. A dúvida é se Jail Benites de Azambuja teria se vingado do colega que participou da investigação que concluiu que o atentando de fevereiro teria sido simulado.

O conselheiro federal da OAB, Alberto Zacharias Toron, comentou a prisão. Para ele, “é muito grave um juiz ter participado de um atentado contra outro juiz e tal fato merece uma investigação rigorosa”. Toron elogiou a posição do TRF-4 de manter o sigilo sobre o nome do juiz, até que as suspeitas sejam comprovadas. “Louvo o Tribunal Regional Federal por manter tal posição.”

Luiz Flávio Borges D´Urso, presidente da OAB paulista, também considera grave a acusação. “A simples suspeita já é extremamente séria e reclama uma investigação absolutamente isenta, profunda e criteriosa a fazer com que a verdade surja. É claro que a esse juiz também se aplica o princípio da presunção de inocência”, defende D´Urso. Segundo ele, se comprovada a suspeita, “é preocupante saber que um juiz usou o seu poder de Estado para atentar contra a vida de outro juiz, que tem o mesmo poder. O que se vê aí é um atentado contra a sociedade”, diz.

O juiz aposentado Luiz Flávio Gomes afirmou ser “eticamente chocante” a acusação. “Juiz não pode ser criminoso.”

Priscyla Costa

é repórter da revista Consultor Jurídico

Luís Guilherme Vieira disse:
28 de setembro de 2008 às 15:12

Louvo, como Toron, a não divulgação do nome do juiz investigado; só lamento não ser esta uma regra para todos aqueloutros (pouco importando a sua condição social ou profissional) que se vêm arrastados às mazelas de uma investigação/processo criminal.
No mais, que tudo seja apurado, obedecidas todas as garantias constitucionais, sendo, em conseqüência, em meu pensar, desnecessário afirmar que a investigação tem de ser rigorosa. Toda investigação há de ser rigorosa e imparcial, é o que se espera num Estado que se pretende democrático de direito.
Luís Guilherme Vieira, advogado criminal (RJ e BSB), diretor do Instituto de Defesa do Direito de Defesa. Foi secretário-geral do Instituto dos Advogados Brasileiros, onde presidiu a Comissão Permanente de Defesa do Estado Democrático de Direito

Marcelo Lemos de Oliveira disse:
28 de setembro de 2008 às 16:08

Caros operadores do Direito, segundo informações de Umuarama, o Juiz Federal que fora preso, é o mesmo que no começo do ano decretou a prisão de 32 policiais, diga-se de passagem, sem estar lastreado em elementos informativos consistentes, ou seja, o Dr. Jail Benites Azambuja.

analucia disse:
28 de setembro de 2008 às 16:34

A caixa preta da justiça começa a ser aberta. PEna que a imprensa náo consiga publicar tudo, pois é atacada com açóes penais e por dano moral. O tempo é o senhor da razáo e mostrará tudo.

jose brasileiro disse:
28 de setembro de 2008 às 17:41

Não devemos pre julgar, ate de tudo estar devidamente esclarecido, entretanto qualquer problema chama o gilmar.

Landel disse:
28 de setembro de 2008 às 18:00

Nada melhor do que ver uma briga no Clube dos Amigos em que se transformou o Brasil dos dias de hoje.

O juiz que sofreu o atentado telefonou para o presidente do STF. Como o repórter da revista "Veja" devia estar de folga, nada sabemos do que foi falado. Mas podemos intuir que o juiz Gilmar deve ter adiantado ao juiz que quase levou chumbo que se o juiz meliante for encontrado não será nem preso nem será algemado, se condenado, o será no máximo à pena de aposentadoria e passar bem, adeus.

Enquanto isso os notáveis tentam aparecer com as declarações de sempre, as quais devem levar em cópia xerox no bolso.

As famosas frases "Apuraremos até o fim", "Doa em quem doer", "Apuração rigorosa", "A Democracia em perigo" e "Atentado contra a sociedade" vão fazendo o seu monótono desfile.

Enquanto isso olhamos com que rapidez um juiz suspeito de cometer um atentado contra um colega foi preso, enquanto que o promotor que atropelou e matou uma família inteira de cidadãos comuns no interior de SP, deu um "carteiraço" nos policiais e está solto.

Uma boa oportunidade para o Sr. Flávio D'Urso organizar outra passeata "Cansei". Não vai dar. Cansaram-se todos.

Landel
http://vellker.blog.terra.com.br

Luiz Fernando disse:
28 de setembro de 2008 às 20:37

ESTRANHO ESSE SIGILO PORQUE ESTÁ DISPONÍVEL O NOME DO JUIZ E TODOS OS DETALHES NO SITE http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=812436&tit=Juiz-Federal-e-preso-sob-suspeita-de-forjar-atentado
(
A notícia que está no site:
Juiz Federal é preso sob suspeita de forjar atentado
Jail Benites de Azambuja também é acusado de envolvimento nos disparos contra a casa do juiz Luiz Carlos Canalli
28/09/2008 | 18:17 | Osmar Nunes - Correspondente
O juiz da 2.ª Vara da Justiça Federal, em Umuarama, Jail Benites de Azambuja, foi preso na tarde de sábado na casa em que ele mora com a família em Umuarama. Ele foi levado pela Polícia Federal (PF) em avião para Curitiba. Fontes policiais informam que Azambuja é acusado de envolvimento em um suposto atentado contra ele próprio, no dia 28 de fevereiro passado, e nos tiros disparados contra a casa do também juiz federal da cidade, Luiz Carlos Canalli, registrados na madrugada do último dia 19.
Como as duas investigações tramitam em segredo de justiça, a PF não quis comentar o caso, apenas confirmou o cumprimento dos mandados de prisão, busca e apreensão na casa do juiz. Policiais federais à paisana passaram toda a tarde de sábado na casa do juiz e não confirmavam se realmente era uma operação. Parentes e amigos chegavam o tempo todo, alguns até com presentes, e transmitiam a impressão de que haveria uma festa no local. Mas por volta das
Estopim para a prisão
O estopim para a prisão de Azambuja ocorreu a partir dos tiros disparados na casa de Canalli. Ainda abalado pelo susto do atentado, na manhã do dia 19, Canalli falou à imprensa que daria uma entrevista naquele mesmo dia e falaria o que ninguém teve coragem de falar até agora. “Eu sei de muita coisa..."

JB disse:
28 de setembro de 2008 às 22:00

Meus Deus!
Agora é briga de Estado X Estado. A sociedade não sabe a quem se socorrer. Se o Estado briga entre si, onde vamos parar com isso! É preciso austeridade para apurar estes graves fatos, para não conspurcar a consciência do povo brasileiro que paga seus impostos e exige seriedade do Judiciário.

A.G. Moreira disse:
28 de setembro de 2008 às 22:42

Há muitas maneiras de "remover" um juiz duma comarca. -

Esta é uma delas ! ! !

Polly disse:
29 de setembro de 2008 às 08:58

Tudo aquilo que contraria os valores humanos fundamentais é grave. Assim é grave qualquer atentado seja ele em face de quem for. Não é o fato de uma pessoa ocupar um cargo importante (agente do estado) que o fato se torna grave. Existem pessoas que apenas vêem o seu ponto de vista diante dos fatos e se esquecem que o ser humano é a base fundamental de todos os valores. Assim, quando um favelado é assassinado este fato é também grave, pois o estado tutela dos indistintamente, a não ser que se queiram apenas privilegiar alguns em detrimento de outros.

ACUSO disse:
29 de setembro de 2008 às 09:16

Se essa guerra envolvesse advogados ou funcionarios civis do executivo, o suspeito preso já estaria com o rosto nos jornais do país!

Mário de Oliveira Filho disse:
29 de setembro de 2008 às 11:00

Dois pesos e duas medidas!!!
O suposto agressor tem sua identidade preservada porque é magistrado e em seu favor milita a presunção de inocência!!!
Essa observância de caráter excepcional da regra só é observada em casos pontuais como esse, quando deveria ser apenas a regra.
Imaginem, só pop mero exercício se fosse um advogado .... fotos, algemas, sirenes, representação na OAB, comentários histéricos contra todos os profissionais indistintamente, pau na Instituição, no papa, no raio que o parta e por aí vai!!!
Ainda ebm que funcionou e continue a funcionat tão importante regramento constitucional.

Wagner Salsa disse:
29 de setembro de 2008 às 14:59

Concordo com os comentários abaixo, são formas muito distintas de tratar a mesma situação. Se os envolvidos fossem advogados, estaria montado o circo. Capa da Veja, Datena histérico insultando todos os advogados, sobraria para a OAB, para o Exame de Ordem, para as faculdades, enfim, seria um escândalo midiático como vários que presenciamos recentemente.
A presunção de inocência deve ser aplicada como regra, jamais como exceção.

não disse:
01 de outubro de 2008 às 10:36

O PIOR É CAIR O PRINCIPIO DA INOCENCIA, NÃO SURGIR A CULPA E MESMO ASSIM EM SEGUIDA ESTARÁ ELE APOSENTADO POR ALTOS SERVIÇOS PRESTADOS A SOCIEDADE.-- PORQUE CERTAS PESSOAS SÃO AUTORIDADES 24:00HS POR DIA.

Guignone disse:
01 de outubro de 2008 às 19:53

E lamentavel que os proprios poderes estao se degladiando, se matando por puro intresse de poder. Daqui a pouco ninguem mais vai poder ser nada nessa vida, pois vao se matar. Gostaria de ver o Datena sencionalista falar sobre isso. Concordo plenamente que os colegas acima comentaram. O que vai ocorrer e que o corporativismo se for realmente comprovado, ele aposentar compulsoriamente.LAMENTAVEL

Sargento Brasil disse:
03 de outubro de 2008 às 01:37

Nossa, espero que não seja verídica a notícia. Mas, se for constatada, nem sei mais o que pensar ...em quem confiar num julgamento?

Neli disse:
03 de outubro de 2008 às 10:09

Concordo com o presidente da Ordem: a simples suspeita já é estarrecedora.
Esses concursos para a magistratura deveriam ter outra forma de provimento: pessoas que nasceram para serem juízes são "podadas" e a banca examinadora coloca outros.

Alessandro Carvalho disse:
03 de outubro de 2008 às 23:10

O que está se passando diante de nossos olhos nos últimos tempos é uma chocante inversão de valores de proporções gigantescas que não sabemos mais o que pode acontecer no dia de amanhã.

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