Ministro Joaquim Barbosa está sofrendo perseguições pessoais

Todas as revistas especializadas, eletrônicas e impressas, indicam há anos o Ministro Joaquim Barbosa como o maior inimigo da advocacia no Supremo Tribunal Federal. Como toda “moda”, essa pegou, e tornou-se lugar comum nas crônicas e noticiários forenses desde sua posse em uma das onze cadeiras da Corte. Fácil saber a origem disso: vindo do Ministério Público Federal, o Ministro Joaquim tem posições menos “garantistas” que as proclamadas por Ministros como Sepúlveda Pertence e Eros Grau, para não se ir tão longe (Evandro Lins e Silva e Victor Nunes Leal são nomes adequados, mas não conhecidos pelos jovens do direito).

O Ministro Joaquim tem, e deve-se respeitá-la, história de sucesso profissional como jamais se viu no macrocosmo do Direito brasileiro, com exceção, talvez, aos antigos rábulas do início do século passado; de faxineiro já na maioridade, à Ministro do Supremo Tribunal Federal, sua história é incomum e respeitável.

Inimigo da advocacia, porém, o Ministro não é. Joaquim Barbosa não é um ditador, nem mesmo funcionário público a jogar sua própria falibilidade técnica nos ombros dos advogados; é, somente, mais um daqueles profissionais do Direito que, com o tempo, e diante das circunstâncias da vida, vai percebendo como os poderes do Estado, oficiais ou não (falo da imprensa) são capazes de, com leves insinuações, destroçar a vida de inocentes, e com pesadas acusações, forjar marcas inapagáveis não apenas aos acusados, mas em familiares e seus círculos sociais. Promotor de Justiça Federal de formação, se perceberá, em sua conduta, afrouxamento de posições mais rígidas. De tanto apanhar da vida se percebe, com o tempo, que o mais fraco na relação estado/cidadão merece paridade de armas e presunções positivas.

E ser o mais fraco (peço licença ao administrativistas) é questão, apenas, de conveniência e oportunidade no mundo político judicial.

Basta ver os antigos promotores de justiça, nos tribunais do Júri, por exemplo: não se verificam berros, insinuações e palavras de ordem destes acusadores; esse privilégio cheio de equívocos é dos mais jovens.

Hoje, o mininistro Joaquim Barbosa encontra-se na situação prevista por Ferreira Gullar: “os fãs de hoje são os linchadores de amanhã”. Sim, aqueles que o louvaram, o estamparam em capas e longas entrevistas, o cantaram em bares (veja que curioso!) hoje insinuam sobre um possível golpe de preguiça de seu antigo herói.

Estarrecido, deparei-me há pouco como satisfações ofertadas pelo Ministro Joaquim à imprensa, tanto sobre sua vida fora STF, e sua cervejinha merecida, como sobre suas costas cronicamente doloridas.

Tudo, pois, o jornal Estado de São Paulo – cerceado de informar sobre certo caso criminal – noticiou que o Ministro, embora afastado dos trabalhos da Corte, tenha tomado, num sábado, cervejinha com amigos, e na sexta-feira, tenha comparecido a uma festa em Brasília com colegas, advogados e políticos (que no mundo de Brasília é idêntico a um compromisso profissional).

Evidente estar o Ministro com problemas de saúde há muito tempo. Nos longos julgamentos do Supremo pouco se via o Ministro sentado, e quando assim, em seu rosto, percebia-se o incomodo vindo de sua coluna. Chegou-se a vê-lo amarrando estranha almofada nas costas para poder se sentar. Mas dirão os hipócritas fiscalizadores da vida alheia (embora a vida de Joaquim Barbosa seja pública e necessariamente ilibada): mas está afastado do trabalho de segunda à sexta-feira, e no sábado vai a botecos?

Por primeiro, necessário saber se ele vai a botecos no meio do tratamento ou, num sábado, passou num para encontrar e papear com amigos, após semana longa de fisioterapia e tratamentos.

Segundo, e mais importante, é se chegou ao boteco, se sentou por alguns minutos, se levantou, se sentou, se levantou e se sentou como faz, diuturnamente, para aliviar as dores estampadas na TV Justiça, ou se dançou salsa e rumba com todas as damas do estabelecimento.

Ora, um juiz sofre acidente de carro, quebra o joelho e no terceiro mês de gesso, afastado do trabalho, não pode passar no bar onde encontra sempre os amigos para um olá? Para uma cervejinha?

Deixemos de ser hipócritas!

O curioso é estar o Ministro há tempos afastado e agora – estando o escândalo lançado, as insinuações ventiladas e os espíritos excitados – se afirmar necessário que o Ministro passe por exames médicos. Ora, permitiu-se que funcionário público receba licença médica sem a comprovação de doença? Quedou-se inerte a presidência da Alta Casa?

Sim, o Ministro Joaquim, que muito já pareceu ter ilusões persecutórias, hoje, com a publicação dessa insinuação, comprova ser real o que pensamos ser ilusão. Alguém, definitivamente muito poderoso, não gosta dele.

Não conheço o Ministro Joaquim, ele não sabe, sequer, que existo como homem, nem como advogado. Escrevo tais palavras, pois, lutando todos os dias contra abusos do poder público contra o cidadão, não posso, também como homem e advogado, deixar de indignar-me ao ver homem honesto e de reputação ilibada ser atacado por insinuação não adjetivável.

Joaquim Barbosa sofre hoje, com aquilo que os advogados tentam tanto convencê-lo que existente e comum: perseguições pessoais e interesses escusos por detrás de acusações.

Sabe ele, hoje, não sermos delirantes. E que está convidado para uma boa cerveja, quando estiver em São Paulo.

Melhoras.

Thiago Gomes Anastácio

é advogado criminalista.

Advogado Santista 31 disse:
14 de agosto de 2010 às 12:59

O articulista se atabalhoou em seus argumentos. Um exemplo: "um juiz quebra o joelho e o engessa. Passa durante 3 meses de tratamento e durante esse tempo ele passa no bar para dar um olá aos amigos e tomar uma cervejinha. Ele pode? Sim, ele pode."
Em que momento um juiz que está com o joelho engessado e tomando anti-inflamatórios pode tomar cerveja, quando a recomendação médica é evitar alcool enquanto está sendo medicado? Só quem nunca teve um osso quebrado na vida é que vai ter uma opinião distorcida como essa. Vale lembrar que o Ministro em questão sofre de lombalgia arteroesclerose cervical, em outras palavras, em razão da idade, sofre com dores nas costas como qualquer ser humano e a maneira de amenizar as dores é tomando anti-inflamatórios e analgésicos fortes, com trabalho de fisioterapia duas a três vezes por semana sem que seja necessário abandonar o serviço e usar comodos ergonomicamentes ajustados para o problema dele, sem contar o uso de palmilha especial para os sapatos ou sapatos ortopédicos. Em suma, o problema dele é facilmente tratável e somente cirurgia é recomendável em ultimo caso quando a situação estiver extrema, o que não é o caso do Min. Joaquim Barbosa. Então, creio que o texto do articulista falhou em seu objetivo que o é o de eximir o Ministro quanto a repercursão do caso dele.

wagner-cam disse:
14 de agosto de 2010 às 13:00

Parabéns pelo texto altamente sereno, sem sensacionalismo e que faz justiça a um excelente Ministro. Bem diferente da decepcionante postura do Estado de São Paulo, outrora um veículo mais imparcial!...a quem serve este tipo de matéria "jornalística" que mostra uma pessoa em um momento de lazer, direito de todos nós, e disto faz tempestade em copo d'água???

VITAE-SPECTRUM disse:
14 de agosto de 2010 às 15:47

Atrapalhou-se o comentarista de Santos ou torcedor do Santos, a quem até se afigurou conveniente diagnosticar a patologia do Ministro, emitir laudo, prescrever medicação e tratamento fisioterápico. O "civilista" vai mais longe: de tão compenetrado, ele certificou a "rapidez" e a "facilidade" do tratamento, em lugar dos próprios médicos do caso, os quais, deveras, aprenderam "direito" em vez de "medicina". Na tentativa de manter o enxovalhamento através de "fotografias duvidosas", nas quais não se obteve, "inter pocula", nenhuma imagem do Ministro passível sozinha de comprometê-lo, o verdadeiro atabalhoado parece não ter lido o artigo e observado as premissas. Ora! O articulista não impõe nenhuma concomitância entre o tratamento e o consumo de álcool, tampouco estabelece isto como lugar-comum de quem esteja sob terapia. Agora, HIPOCRITAMENTE, vem-se adotando postura moralista, conveniente, casuísta, no mero intuito de usar o evento para massacrar um cidadão. Tenha-se receio destes e de outros críticos, pois, não raro, eles enxovalham e praticam o que condenam. Ademais, o exemplo do "osso quebrado" exsurge como uma "parrésia", em que se contingencia uma situação apenas para exemplificá-la. Por outro lado, quem disse não poder o juiz de perna quebrada tomar uma cerveja, mesmo em tratamento?! Os fabricantes de mito acreditam nas petas de sempre e não têm o mínimo de razoabilidade. De mais a mais, não concordo com o Ministro quando se opõe a receber advogados, mas isto não valida nem convalida perseguições desmesuradas a durarem o tempo exato da histrionice. Oxalá que o Ministro Celso de Mello não se arrisca a pisar a soleira da porta, uma vez que os sicofantas estarão habilitados a negar-lhe a cirurgia ocular e pô-lo como um bom mandrião.

VITAE-SPECTRUM disse:
14 de agosto de 2010 às 15:50

Atrapalhou-se o comentarista de Santos ou torcedor do Santos, a quem até se afigurou conveniente diagnosticar a patologia do Ministro, emitir laudo, prescrever medicação e tratamento fisioterápico. O "civilista" vai mais longe: de tão compenetrado, ele certificou a "rapidez" e a "facilidade" do tratamento, em lugar dos próprios médicos do caso, os quais, deveras, aprenderam "direito" em vez de "medicina". Na tentativa de manter o enxovalhamento através de "fotografias duvidosas", nas quais não se obteve, "inter pocula", nenhuma imagem do Ministro passível sozinha de comprometê-lo, o verdadeiro atabalhoado parece não ter lido o artigo e observado as premissas. Ora! O articulista não impõe nenhuma concomitância entre o tratamento e o consumo de álcool, tampouco estabelece isto como lugar-comum de quem esteja sob terapia. Agora, HIPOCRITAMENTE, vem-se adotando postura moralista, conveniente, casuísta, no mero intuito de usar o evento para massacrar um cidadão. Tenha-se receio destes e de outros críticos, pois, não raro, eles enxovalham e praticam o que condenam. Ademais, o exemplo do "osso quebrado" exsurge como uma "parrésia", em que se contingencia uma situação apenas para exemplificá-la. Por outro lado, quem disse não poder o juiz de perna quebrada tomar uma cerveja, mesmo em tratamento?! Os fabricantes de mito acreditam nas petas de sempre e não têm o mínimo de razoabilidade. De mais a mais, não concordo com o Ministro quando se opõe a receber advogados, mas isto não valida nem convalida perseguições desmesuradas a durarem o tempo exato da histrionice. Oxalá que o Ministro Celso de Mello não se arrisque a pisar a soleira da porta, uma vez que os sicofantas estarão habilitados a negar-lhe a cirurgia ocular e pô-lo como um bom mandrião.

Marcos Alves Pintar disse:
14 de agosto de 2010 às 16:18

Creio que a maior parte de nós, que nos preocupamos com o funcionamento das instituições, não estamos interessados em saber de onde o Ministro veio, ou o que ele representa. A corte superior de qualquer estado é de fundamental importância para a manutenção da ordem pública, e não há como permanece tantos meses sem um dos julgadores. Parabéns ao Ministro por sua vida, por suas conquistas, mas que tenha a compustura, a serenidade e a grandeza de dar solução a esse impasse extremamente prejudicial ao País. Como eu disse, não a como a Corte permanecer tanto tempo sem um de seus Ministros, ainda que seja direito legítimo de Joaquim Barbosa se afastar do trabalho por motivo de doença.

JETHRO SILVA JUNIOR disse:
14 de agosto de 2010 às 16:55

Tal qual a mulher do Imperador César, um ministro do STF não basta ser honesto, ele precisa PARECER honesto.
Apenas a BAIXÍSSIMA produtividade do Ministro Brabosa, com processos se acumulando e aguardando perto de 10 anos por uma decisão monocrática, por si só, já seriam motivos para S. Exa. requerer aposentadoria.

Eri Coelho - Jornalista disse:
14 de agosto de 2010 às 19:34

O Ministro que até então estava doente, ao ser fotografado na festa e no bar, voltou a trabalhar.
.
Ora, será que as fotografias o fizeram sarar tão rápido?
.
Parabéns aos fotógrafos e continuem tirando muitas fotos, belo remédio...
.
Uma fotografia vale mais que mil palavras e talvez mais que vários tratamentos de coluna...

Armando do Prado disse:
15 de agosto de 2010 às 15:51

Claro, o ministro JB incomoda os amigos do ilícito, como o eterno Daniel Dantas. Claro, quem tem Gilmar Dantas, digo Mendes, jamais aceitará o ético JB. Longa vida a JB no ambiente dos Mellos e Mendes.

Le Roy Soleil disse:
15 de agosto de 2010 às 17:23

Magistrado deve manter conduta irrepreensível, na vida pública, e na vida privada. É estranho, para dizer o mínimo, que estando de licença médica, freqüente com desenvoltura bares e eventos sociais. Mais estranho ainda, que na semana subseqüente ao flagra, compareça ao trabalho, às sessões plenárias, e exerça normalmente suas atividades. Que raios de "doença" é essa ???

kele disse:
16 de agosto de 2010 às 07:04

Por que a imprensa não investiga as licenças tiradas pelos parlameetares(120 dias) sem comprovação de qualquer doença, apenas para beneficiar suplentes.

Luiz Antonio Rodrigues disse:
16 de agosto de 2010 às 11:04

com esse interminável tratamento de saúde, o nobre ministro conseguiu colocar para além das eleições o julgamento do "mensalão", pelo queo pt agradece.....

Marco Aurélio disse:
16 de agosto de 2010 às 12:30

Digno de elogio a coragem do Dr. Thiago em levantar uma voz em defesa do Ministro Joaquim Barbosa.
Também sou um ilustre desconhecido para o Sr. Ministro, mas destaco a vigília que tem sido alvo!
Sabemos que não é fácil equilibrar-se no turbilhão de preconceitos da nossa hipócrita sociedade. E, no caso dele, ainda mais quando passa a incomodar os "esquemões" e, principalmente, quando incomoda os "limpos" da nação , como "os inesquecíveis mensaleiros, quem sabe aloprados; os Daniéis Dantas, dentre outros.
O Supremo tem nos causado muito mais indignações do que a cerveja e a demora de tratamento do Ministro Joaquim.
Sr. Ministro, por favor, cuide rápido de sua saúde e volte a ter assento no Supremo, pois V.Exa. faz a diferença.

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