
Canto Geral, de Pablo Neruda, foi publicado em 1959 com cem sonetos relacionados ao romantismo e amor, divididos em quatro partes: Manhã, Meio-dia, Tarde e Noite, nas quais expressa todo o conteúdo da palavra amor. "Esse livro é muito bom, é um texto épico, mas leve de ler e entender", relata.
No drama Entre quatro paredes Jean Paul Sartre faz um jogo que envolve o leitor. "Ele coloca o desejo e o medo do nu nos personagens. Mas não é o nu físico que ele atinge, é o nu racional. É a hora em que os personagens abrem seus livros da vida e compartilham todas as maldades que já fizeram, todas as angústias que os atormentam. E assim, portanto, se apresentam nus para os outros. Esse desnudamento acontece após a morte dos personagens, que ao todo são quatro, três principais e um personagem secundário", revela Serrano.

Garcin era um literato, Inês era uma funcionária dos correios e lésbica e Estelle tem um complexo de aceitação, usa seu corpo em grande parte das situações. Eles são levados até uma sala fechada e terão que permanecer para sempre ali, enclausurados, condenados a uma vida sem interrupção. Eles têm somente a companhia do outro. Sentados nos únicos canapés eles começam a convivência eterna, crucial.
Segundo o entrevistado, nesse drama quebra-se o estereótipo do demônio com chifres, com cauda, com garfo, atirando fogo. "Sartre coloca cada um dos personagens como carrasco do outro, buscando desnudá-los, buscando o que há por trás dos rostos. E acontece a prova de que o ser humano necessita da comunicação, mesmo sabendo que esta será seu inferno."

O estrangeiro, de Albert Camus, é a história de um argelino que trabalha num escritório em Paris e, em decorrência de circunstâncias absurdas, mata um árabe. No último momento de sua condenação desperta de uma espécie de torpor. "Acredito que o livro mais famoso de Camus, é um romance bem interessante", lembra.
Li e recomendo
A visão em Paralaxe, de Slavoj Zizek, é o mais rico trabalho teórico do filósofo esloveno, classificado pelo próprio autor como sua obra-prima. A partir da noção de paralaxe — um efeito de aparente deslocamento do objeto observado devido à modificação na posição do observador, Zizek desenvolve três campos de reflexão que se articulam.
Na filosofia, afirma Serrano, Zizek faz um apanhado teórico de seus livros anteriores, relacionando conceitos de Lacan, Hegel e Marx. No campo da ciência, o esloveno enfatiza questões levantadas pela neurologia e as ciências cognitivas, além de aprofundar suas reflexões sobre a estrutura do sujeito a partir de seus estudos de psicanálise. E em relação à política, Zizek desenvolve a ideia de que o reconhecimento de antagonismos na ordem social constitui tarefa maior de nossos tempos.
Livros Jurídicos
Teoria pura do Direito é a obra mais famosa de Hans Kelsen, filósofo e jurista austríaco naturalizado estadunidense, obra que se insere nos cânones da escola juspositivista. "Seu principal objetivo foi criar e desenvolver uma ciência jurídica (distinta do Direito), separada e autônoma de outras áreas do conhecimento humano, pela definição de seu objeto de estudo, a norma jurídica", afirma o advogado.
"Nessa obra, Kelsen não considera o conteúdo ou finalidade das normas jurídicas, separando a ciência jurídica (e não o Direito) da moral, justiça e demais ciências, como a sociologia. Essa separação e estabelecimento autônomo da ciência jurídica ante outras ciências é o princípio metodológico fundamental pelo qual a ciência jurídica, como uma teoria pura, irá única e exclusivamente conhecer seu objeto: a norma jurídica", explica.
Kelsen não reduz o Direito à ciência jurídica e, muito menos, à norma jurídica. "Isso fica claro com uma leitura atenta dos seus textos. Uma leitura atenta à primeira página de seu famoso livro Teoria Pura do Direito explicita claramente a distinção entre ciência jurídica e Direito."

"Em O Guardião da Constituição, Carl Schmitt não confere a um Tribunal Constitucional o exercício do controle de constitucionalidade, por transferir poderes de legislação para o Judiciário, politizando-o e desajustando o equilíbrio do sistema constitucional do Estado de Direito", diz.
É assim que, segundo Schmitt, a revisão dos atos legislativos por um tribunal independente é uma afronta clara à soberania. A partir deste livro é suscitada a controvérsia sobre a legitimidade e limites da jurisdição constitucional, bem como qual deve ser o papel das Cortes Constitucionais.
Albert Camus, Gabriel García Marques, Jean Paul Sartre e junto com eles Machado de Assis servem de norte para quem quer entender o mundo psicológico, poético e o capitalismo, de acordo com Pedro Serrano.
Muito interessante saber o que os grandes mestres leram ou lêm. Neste caso do prof. Serrano me agradou muito saber que leu Albert Camus que tambem tive a oportunidade de ler de 1969 a 1971 (A queda; A peste; O estrangeiro; O ùltimo Homem) e vejam sempre prefaciado por Sartre.
O IMPORTANTE É EXTRAIR O SUMO, genial, viajar melhor ainda, principalmente se se observa como vive o povo.
Airton Norato
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