Sempre houve, no seio da Igreja Católica, uma questão que ficou mais sensível com a ordem franciscana – afinal, para que serve a Igreja? Serve para servir, dizem os frades menores. Não serve para usufruir. É uma questão central que ainda incomoda as alas abastadas que gostam de bons colchões em vez de catres duros e humildes; que prefere carros importados a andar a pé. Dia desses, vi alguns frades no aeroporto com lindas batas de tecido finíssimo, bem diverso do abnegado Francisco de Assis.
Esse tenso viés católico deitou raízes no imaginário tupiniquim com a teologia da libertação, onde a ideologia esquerdista permeou religiosos que pretendiam misturar o discurso cristão com o socialismo (ironicamente ateu, aliás). Deu certo – muitos missionários tornaram-se verdadeiros patrulheiros: reforma agrária, penitenciária, educacional, financeira. A Igreja deveria servir preferencialmente ao pobre, ao excluído, ao estrangeiro, às minorias. A Igreja deveria ser um meio, uma ponte, um exemplo.
Certa ou errada, a teologia da libertação confunde-se com a missão cristã que é a doação por amor, de forma incondicional. E, para isso, usa do sentimento mais sublime, mais incognoscível do divino. É a fé, pilar central do cristianismo, que anima o religioso nessa inspiração. Mas e o Judiciário? Uma instituição republicana, em meio a um regime democrático, deve ter um papel ideologicamente orientado? Afinal, para que serve o Judiciário?
Muito ao contrário de um discurso fácil e panfletário, o Judiciário não se presta a atender aos pobres, excluídos, estrangeiros e minorias. Presta-se a atender todos, indistintamente. Ao que me conste, não há “Justiça da libertação”. Essa pergunta “para que serve” guarda um sofisma, porque um juiz não deve se inclinar, comprometer, envolver ou usar a toga para fazer palanque, montar discurso ou promover reforma social.
Evidente que o juiz julga também com seus valores, suas vivências e seu senso de justiça. Todavia, é profundamente perigoso para a democracia um magistrado engajado politicamente com determinada tendência, sob pena de partidarizar um tema, onde o juiz egocêntrico quer ser mais do que o próprio Judiciário. O ativismo despreza o devido processo, a isonomia e a imparcialidade. Juiz é juiz, não é sacerdote. Juiz tem de distribuir justiça leiga e não hóstias cristãs. Na Igreja, comungam apenas os fiéis de determinada crença. No Judiciário, não há restrições. Pobres e ricos.
O ilustre advogado Eduardo Mahon apresenta prelúdio com teses que não discute, pois pensa serem aceitas por qualquer cristão. Não é verdade: o ativismo judicial e a Teologia Marxista da Libertação são dois inimigos que corroem, respectivamente, as instituições Judiciário e Igreja por dentro. Neste último caso, a Teologia da Libertação não corrige o ideal cristão, representado corretamente no texto por Francisco de Assis, mas, ao contrário, destrói a própria Fé, que é a resposta humana à Revelação Divina. Digo Fé, primeira virtude teologal, e não crença, pois a Igreja Católica não possui crença, mas sim Fé, inclusive na Eucaristia. Mas os adeptos da Teologia Marxista da Libertação, como diz o texto, não agem por Amor? Não é o Amor, como diz São Paulo, em uma de suas epístolas, a plenitude da Lei, o cumprimento da Fé? Sim, mas apenas o Amor que brota da verdadeira Fé e não da crença vendida pelos falsos profetas, que confundem Jesus Cristo, Verbo Divino, com um mero revolucionário e apregoam que o Reino de Deus será construído pelos homens aqui mesmo, na "Mãe Terra", como é chamada no Hino da Campanha Marxista da Fraternidade 2011, mais uma mostra de qual pagã é essa pseudoteologia. Outra coisa: o socialismo nunca corrigiu e nunca corrigirá os rumos da Igreja, pois não é ironicamente ateu, mas sim PRINCIPALMENTE ateu, ideologia amparada no orgulho humano, visto que em todos os lugares em que foi implementado mediante a força de facções e do Estado não conseguiu o progresso social, mas sim involução, degradação - vide Cuba, Venezuela, Coréia do Norte etc -, além de proibir a Fé Cristã em qualquer manifestação. Por fim, encerro dizendo: a Igreja Católica, mais que o Judiciário, foi feita para todos, local onde o Amor à Deus e à Verdade coexistem.
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