Os juízes federais do Rio Grande do Sul estão preocupados com os efeitos do processo eletrônico em sua saúde. Do início do ano passado para cá, quando foi instalado o primeiro software por lá, quase 80% deles perceberam piora em sua saúde e bem-estar em decorrência do trabalho. E pior: 95% dos magistrados federais gaúchos acham que daqui pra frente o processo eletrônico vai piorar ainda mais sua saúde.
As informações são de pesquisa conduzida pela Associação de Juízes Federais do Rio Grande do Sul (Ajufergs). O estudo ouviu 92 juízes, entre 23 de maio e 8 de junho deste ano, sobre as condições de trabalho com o advento do processo eletrônico. O levantamento foi enviado, em papel, a todos os 167 magistrados ativos da Ajufergs, e teve uma taxa de resposta de 55%.
Dos juízes ouvidos, 20% disseram não sentir nenhuma mudança em seu trabalho, enquanto apenas 1% acha que houve melhora. Entre os problemas relatados, 73% reclamaram da visão e 54% de dores físicas. Quarenta e sete por cento se referiram a cansaço, dor de cabeça ou problemas no sono.
Entre os problemas de visão, 86% afirmaram sentir dificuldades de enxergar, como ardência ou cansaço nos olhos e aumento de grau nos óculos. Os que falaram em dores físicas, 50% sentiram as mãos, os dedos e os punhos, 47% reclamaram de dores nas costas, 41%, pescoço, e 37%, nos ombros.
Quanto à mente e bem-estar, 44% relataram cansaço, stress, nervosismo ou preocupação excessiva, 33% falaram de dores de cabeça e 14% disseram sofrer de ansiedade ou depressão.
Movimentos repetitivos
Outra reclamação dos juízes federais do Rio Grande do Sul é sobre as mudanças no processo eletrônico na Justiça Federal da 4ª Região. Enquanto a taxa de satisfação com a primeira versão do software, o Eproc1, é de 58%, a do Eproc2 é de apenas 19%. Os magistrados reclamam de não terem sido consultados sobre uma mudança que acabou por atrapalhar seu trabaho. Quase 70% dos juízes acham que o Eproc2 dificultou seu trabalho, pois exige mais tempo e esforço.
Na opinião do coordenador do estudo, juiz federal Cândido Leal, há dois grandes problemas com o processo eletrônico. O primeiro é a visualização das páginas dos processos, feita por meio de uma tela de computador, que exige um clique a cada mudança de página. Em um processo com 20 volumes, de acordo com Leal, a tarefa se torna exaustiva. O segundo problema é o sistema de assinatura digital, que exige, segundo ele, 11 cliques.
Outra queixa é o sedentarismo a que o computador força os juízes. Leal relata que, com os processos em papel, os juízes são obrigados a levantar e transportar os volumes das estantes até suas mesas. Com o computador, não é mais necessário sair da cadeira. Ao mesmo tempo em que isso aumenta a produtividade, é um agravante para problemas físicos relacionados a postura e movimentos repetitivos.
Leal também aponta para decisões tomadas à revelia dos juízes. O coordenador da pesquisa conta que não houve consulta sobre o que deveria ter no novo software, ou o que os novos equipamentos precisam. Reflexo disso está no relatório: 82% dos magistrados estão insatisfeitos com a conexão e estabilidade do sistema e 43% estão insatisfeitos com os equipamentos físicos, os hardware. Por conta disso, 98% dos juízes federais gaúchos disseram que deveriam — e devem — ter sido consultados sobre as decisões de informática.
Clique aqui para ler a pesquisa.


Podem ter uma certeza: com o processo digital os juízes não examinam, como deveriam, autos volumosos. Na jurisdição penal, o prejuízo é muito grande para os jurisdicionados, pois é evidente que cotejar e analisar provas na tela de um computador é muito mais difícil do que no processo físico.
Sempre que uma nova forma de trabalho é implementada gera descontentamento. Sair da zona de conforto incomoda. Quando realizava estágio no gabinete da vara do município os magistrados passavam todo o tempo redigindo em frente aos computadores. A correção dos despachos era feita através da forma digital. Apenas a leitura do processo era realizada no papel. Me parece imputar todos os efeitos negativos relatados, ao fato desse pequeno acréscimo de tempo em frente a tela do computador é um pouco de exagero. Da mesma forma que afirmar que os magistrados ficarão ainda mais ociosos por não precisar carregar o processo é quase hilário, pois a movimentação dos processos via de regra é feita por servidores e estagiários. De fato, penso que o comentário feito pelo "Comentarista" tenha alguma verdade. Realmente o ato de cotejar o processo com a peça que está sendo redigida pode ser um pouco trabalhosa se realizada em apenas um monitor, pois ensejaria em ficar alternando entre a tela do processo e do editor, ou redimensionar ambos para se encaixar na área de visualização. A adoção de um monitor maior ou dois monitores poderia facilitar, da mesma forma que o estudo de um novo layout também poderia resolver.
Recomendo os dois monitores, aqui no escritório colocaram (sem pedir) é não é de ver que funciona. Facilita demais. Outra evolução imprescindível é a utilização correta do programa adobe, que deve ter os títulos separados de forma q na esquerda da tela haja um resumo dos tópicos. Assim não precisa ficar vasculhando peças e mais peças atrás do que interessa. Nesta forma fica mt mais fácil que o processo físico, onde para achar um acórdão é um "deus-nos-acuda".
Qto a não serem ouvidos nas alterações, não se sintam sozinhos, parece q é uma praga brasileira: eu sei o q é melhor para vc!!!
Problemas de saúde à parte, que devem ser prevenidos e tratados, podemos também perguntar: O processo virtual melhorou a prestação jurisdicional? O processo em papel era atrasado e caro? A Justiça deve pensar no benefício dos jurisdicionados e população em geral, deve pensar em um processo mais rápido e eficaz. Se causar problemas de saúde, devem buscar as ferramentas para corrigir os malefícios. Será que os argumentos levantados são motivo para voltar ao atraso?
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