MPF-SP pede melhoras no sistema de prisão temporária das delegacias

Das dezesseis delegacias da Polícia Federal em São Paulo, pelo menos oito têm problemas na guarda dos presos provisórios quando as prisões ocorrem à noite e nos fins de semana e feriados. Por conta disso, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão moveu Ação Civil Pública, com pedido de tutela antecipada, para que a União implante um sistema eficiente de recolhimento de presos pela PF fora do horário comercial.

Para o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias, o problema não é isolado e a União é responsável pela violação aos direitos assegurados ao preso e pelo descaso com a segurança pública. Segundo ele, “tal fato, inegavelmente, coloca em risco a vida e a integridade física não só dos investigados presos e mantidos em uma delegacia, mas também de todos os policiais nela lotados, bem como de toda a população que reside em sua proximidade”.

O MPF pede que a União seja obrigada a implantar uma rotina adequada e eficiente para o recolhimento dos presos temporários. Em caso de descumprimento, que seja fixada multa mínima de R$ 10 mil por dia. A ação foi fundamentada no direito à dignidade da pessoa humana dos presos, da segurança pública e nos princípios da Administração Pública de discricionariedade mínima e da eficiência.

Casos
A ação é consequência de um inquérito civil público instaurado pela Procuradoria em fevereiro para apurar a notícia de que o Centro de Detenção Provisória de Sorocaba não recebia presos temporários fora do horário comercial. E que a Delegacia de Polícia Federal da cidade não tinha condições de abrigar esses presos.

A Delegacia só tem uma cela, sem banheiro ou colchão, e como se nega a receber os presos, nesses horários, os policiais federais são obrigados a revezar-se na vigília dos presos até a transferência dos mesmos. A situação é pior quando se trata de mulheres presas porque não existem policiais femininas lotadas na DPF.

O MPF alega que essa situação torna péssimas as condições de trabalho na delegacia, já que os agentes têm de fazer a guarda dos presos, levá-los ao banheiro e ainda alimentá-los, porque a União não disponibiliza verbas para o custeio de alimentação.

Durante o inquérito, a PRDC oficiou as outras delegacias no estado, perguntando sobre situações parecidas com a de Sorocaba. Das 16 delegacias existentes, pelo menos oito relataram algum tipo de problema. Com informações da Assessoria de Imprensa da Procuradoria da República no Estado de São Paulo.

ACP 0007454-59.2011.4.03.6100

Clique aqui para ler a ação.

Seja o primeiro a comentar.

Você precisa estar logado para enviar um comentário.

Leia também