A defesa de José Dirceu negou a existência do mensalão ou do envolvimento do petista em quadrilha para desviar dinheiro e comprar votos de apoio ao PT no Congresso Nacional. Foi além: apontou falhas na acusação do Ministério Público e o acusou de apenas contar casos, mas sem apresentar fatos concretos. A acusação, disseram, preocupou-se apenas em dizer que Dirceu estava lá e com quem, mas não a que propósito.
Hoje consultor de empresas, José Dirceu é apontado como o comandante do esquema e um dos acusados na Ação Penal 470. As alegações finais da defesa foram entregues ao Supremo Tribunal Federal na quinta-feira (8/9), no prazo final, junto com as dos demais acusados. Dirceu era o ministro-chefe da Casa Civil na época em que supostamente aconteceu o esquema de desvio de dinheiro para compra de votos e apoio político no Congresso. Segundo o Ministério Público, os crimes aconteceram entre 2003 e 2005.
O ex-ministro é acusado de corrupção ativa de outros políticos, formação de quadrilha e peculato (utilização de cargo público em benefício financeiro próprio). Ele também é apontado como o criador do mensalão e principal articulador político do esquema. Diz o MP que Dirceu se reunia com o publicitário Marcos Valério, suposto operador do dinheiro, para tratar dos repasses de verba e dos acordos políticos.
Segundo os advogados José Luís Oliveira Lima e Rodrigo Dall’Acqua, que representam José Dirceu, não há provas sobre seu envolvimento em qualquer esquema financeiro ou outro do tipo dentro do PT. A dedicação de Dirceu, de acordo com os advogados, era exclusivamente o governo. As alegações finais se baseiam no fato de o mensalão ter sido alvo de inúmeras investigações por parte dos órgãos públicos, inclusive o Ministério Público, e de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, a CPMI dos Correios, e nunca terem sido encontradas evidências do envolvimento do ex-ministro — ou da existência do mensalão.
Para a defesa, a intenção do MP era procurar crimes para acusar José Dirceu, mas sem trazer “nenhum fato especificamente vinculado” ao petista. Os advogados dizem que o MP afirma apenas que parlamentares foram pagos num esquema de desvio de verba, mas não diz quem pagou e nem quando.
Folha de pagamento
Os maiores exemplos de acusações infundadas, segundo os advogados do petista, são os de corrupção ativa. Dirceu é acusado de ter pago parlamentares para que eles votassem a favor de propostas petistas no Congresso, principalmente as reformas tributária e da previdência social.
O ex-comandante da Casa Civil é apontado como o corruptor de “alguns membros do PP”, de Roberto Jefferson e José Carlos Martinez, ambos ex-presidentes do PTB (o segundo já morreu), do deputado federal Valdemar Costa Neto, à época no PL, Romeu Queiroz, então deputado pelo PTB e do deputado José Rodrigues Borba (PMDB), entre outros. O principal argumento da defesa, porém, é que nunca se conseguiu provar nada.
Em alguns dos casos, segundo os advogados, não houve sequer a menção do nome de José Dirceu como envolvido, como na acusação de corrupção ativa do ex-deputado Romeu Queiroz (PTB) ou de José Carlos Martinez. O que se pretendia, na opinião dos defensores, era imputar fatos contra o ex-ministro da Casa Civil sem prová-los — até mesmo sem obedecer a “lógica cronológica”, como no caso de Roberto Jefferson.
A acusação
O MP acusa José Dirceu de ter chefiado um grupo composto por Marcos Valério, Silvio Pereira e pelos petistas José Genoíno e Delúbio Soares. Dirceu está enquadrado no artigo 288 do Código Penal por ter beneficiado o banco BMG, por intermédio do ex-presidente do INSS, Carlos Gomes Bezerra; por garantir a omissão de órgãos de controle para que não fiscalizassem as operações de lavagem de dinheiro; e por comandar a “quadrilha”.
Mais uma vez, a defesa alega não haver provas ou qualquer acusação objetiva do envolvimento de Dirceu no mensalão. Segundo os advogados, o MP afirma apenas que existiu a quadrilha e que o ex-ministro era o comandante, mas não aponta fatos concretos que comprovem algo do que é dito. Para os advogados, a acusação de José Dirceu foi feita com o intuito de “dar um exemplo à sociedade".
As acusações de peculato são as mais facilmente rebatidas pelos advogados. Segundo eles, as alegações do MP já haviam sido negadas liminarmente pelo STF por “patente ausência de justa causa” e de não ter “base probatória mínima, não sendo suficiente sequer para dar início a uma ação penal”.
Em resumo, o que a defesa alega não é a inocência de José Dirceu, mas sim a inexistência do mensalão e de qualquer alegação concreta contra ele. “A acusação não consegue sequer esboçar como quando e onde o ministro-chefe da Casa Civil teria praticado os crimes de corrupção ativa.”
Clique aqui para ler as alegações finais.

Eu nego. Eu nego.
Assinam o documento: Papai Noel, Coelho da Páscoa, saci-pererê - dentre outros...
Seguindo o simplório axioma inserido no título desta breve nota e, ainda, pautando-se na certeza absoluta e inquestionável da inocência do seu patrocinado - o "todopoderoso" José Dirceu -, qual seria o motivo que fundamentaria a elaboração de um arrazoado de 162 páginas, a título de Alegações Finais, diante do sabidamente inatacável?
Não seria mais fácil e peremptório simplesmente alegar: "O acusado nega os crimes a ele imputados e exige que se comprove sua culpa", atirando o "pepino" para os doutos ministros?
Para quem tem tanta certeza da sua "santa inocência", parece-me desnecessário todo um tratado jurídico a respeito.
A não ser que... sei lá, entende?
Olha "nunca antes na história desse País", se viu tanta corruPTção. O pessoalzinho ladrão, sô. Não da nem para comentar esse tipo de coisa. A própria cara do sujeito já diz tudo, sou inescrupuloso. Juridicamente eles poderão até conseguir absolvição, afinal estamos no Brasil e nossa Justiça não é das melhores, mas jamais deixarão de serem Corruptos. Esses caras fazem parte de uma corja imunda.
Cadê a presunção de inocência nessa hora? Esperem o trânsito em julgado da ação penal condenatória para chamarem os inocentes de culpados... Nem parece um Estado Democrático de Direito.
Sou da clsse média
Eu acredito na imparcialidade
De revista semanal
Só pago impostos
Porque é mais fácil condenar
Quem já cumpre pena de vida.
É verdade professosr Armando, somos todos inbecis, ou melhor 60 milhões de eleitores brasileiros inbecis, ô são, como na era Vargas do populismo miserável. Prefiro as baionetas do que a ditadura de esquerda mediocre.
Recomendo que antes de se formar juízo de valor, que LEIAM se possível a defesa do Dirceu postado aqui neste conspícuo site. Atentem para a página 113 cap. 7.3. A COMPROVAÇÃO DA IMPROCEDÊNCIA DAS ACUSAÇÕES FEITAS PELO CORRÉU ROBERTO JEFFERSON. Atentem para as 50 ligações de Roberto Jefferson para Maurício Marinho, aquele dos Correios pego recebendo propina.
Com claresa solar a defesa de José Dirceu traz luz sobre este triste processo do suposto mensalão.
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