Cigarros são uma espécie de Geni da pós-modernidade culpada. Politicamente corretos que somos, qualquer necessidade de caixa, por parte do Estado, recai sobre eles; há campanhas anti-tabagistas, ações de conscientização, estratégias indutivas, até ao ponto em que ninguém mais fume porque o Estado quis que você quisesse assim. Mas a verdade é que cigarros são vilões fáceis demais. É bom desconfiar de quem os apresenta como a encarnação do Mal – falta-lhes a sutileza na estratégia que sobra na obviedade do alvo.
Pois digo logo: não gosto de fumar, mas gosto menos ainda de estratégias de simplificação. Desconfio quando alguém me apresenta moralidades preto-no-branco, descartando as nuances de cinza que constituem, ora vejam, o padrão adulto de conduta. Por isso comemoro algumas decisões favoráveis a cigarros. Trata-se de uma inversão de expectativas que, por vezes, pode se traduzir em liberdade.
Recentemente, nos Estados Unidos, a Corte de Colúmbia invalidou o propósito da FDA de incluir imagens e textos na metade do verso e do anverso das embalagens de cigarro. A Corte entendeu que a iniciativa tinha o único propósito de fazer com que o consumidor deixasse de fumar — o que era diferente de apresentar conteúdos imparciais e factuais a respeito do uso de cigarros. O Secretário de Saúde havia afirmado que iria reposicionar as embalagens, fazendo com que cada maço de cigarro servisse como um mini-outdoor para a campanha anti-tabagista do Governo. Finalidade inconstitucional, disse a Corte. O caso guarda semelhanças com certo país em que Papai Noel come nozes no verão, senão vejamos.
A Anvisa, por intermédio de resolução, pretendeu impor dez novas imagens ao verso das embalagens de cigarros – o conhecido show de horrores anti-tabagista, em que fetos jogados em cinzeiros se misturam a corações perfurados por guimbas. A ação é de nítida desinformação: se se percebe o propósito como politicamente correto, está legitimado o vale tudo, inclusive apresentando os certamente não inocentes cigarros como algo próximo a uma hecatombe nuclear, com palavras como "PERIGO" e "HORROR" em maiúsculas. O TRF-2 decidiu que seis das dez novas imagens iam longe demais. Há riscos óbvios no consumo de cigarros – mas usar a embalagem do produto para estampar fetos podres é ultrapassar o simbolismo de alerta e chegar até o alarmismo de repulsa. O que é inconstitucional.
E é inconstitucional por uma grande razão: é uma atitude simplista. É enxergar a prestação de saúde não como um serviço público inserido numa sociedade complexa, mas como uma cruzada a favor do Bem – um Bem cujo conteúdo se define de forma monológica. O Estado brasileiro é composto por uma infinidade de indivíduos diferentes, pertencentes a diversas comunidades de sentido; dentro desse caleidoscópio de heterodoxia, há aqueles para quem fumar faz parte de sua afirmação como indivíduo. O Estado pode discriminá-los? Pode pretender lhes impor sua mundivisão? Não pode. Pode informá-los, avisá-los de forma moderada, e, no limite, lamentar suas escolhas.
As duas decisões judiciais, por contramajoritárias em relação a certo discurso de senso comum, incrementam nossos espaços de liberdade, pois socorrem a complexidade diante de pretensões de simplificação. Não há cruzadas inconstitucionais que salvem o Governo brasileiro e o americano de uma constatação radical: políticas públicas serão tão mais efetivas quanto acolham o dado complexo de que nada é muito simples.
De fato, a baboseiria do politicamente correto --- uma maifestação evidentemente colonialista, e pior, absorvida pelo colonizado - fez surgir uma absurda campanha contra o tabagismo tal qual a IGREJA já o fez em datas antigas (o fumante sofria a pena de excomunhão)-, passando a considerar o fumante como um inimigo público. Alicerçam com a SAÚDE PÚBLICA, sem perceberem que, antes, o TEMA da "proibição" é tema de LIBERDADES PÚBLICAS. Não tem nada a ver com SAÚDE, mas, sim, com a investida do ESTADO sobre o livre arbítrio do cidadão quanto a fumar, ou não. Mas, a lógica do sofisma obstou: e meu direito de não sentir o cigarro alheio? Certo. Isto é mero problema de logística: sempre será possível uma acomodação. Falam, também, os que são contra o tabaco em gastos da saúde pública, morte de familiares, propaganda viciante, MAS, sem razão: não é possível se mesurar o quanto se gasta com saúde pública por causa do cigarro e nem mesmo se é ele a causa dos males colocados em sua conta; também não é possível mesurar o efetivo prejuízo à saúde dos "vizinhos" dos fumantes, tratando-se a questão desses tão somente de um "desagrado" ao vício do outro, uma questão moral; também a morte de fumantes (pessoas que fumaram em vida) não é possível atribuir ao cigarro esses óbitos, tratando-se de mera campanha gratuita e falsa; quanto à propaganda, ora, é um produto que há no mercado e como tal deve ter o direito de atrair os seus consumidores....veja-se que isso não é fundamental para o vício já que em todas as épocas, com propaganda e tudo, sempre houve os fumantes e os não fumantes. Ou seja: fumar é uma questão de FORO ÍNTIMO onde o ESTADO não pode se meter (a não ser um Estado totalitário) criando dificuldades instransponíveis para os fumantes.
A FIFA exige a liberação de bebida alcoólica nos estádios e o Governo vai liberar. Aos fumantes só resta recorrer a FIFA. É tudo hipocrisia e motivo para aumentar a famigerada arrecadação de Impostos.
Já passei por tudo isso. Já estive em ambos os lados da questão por tempo suficiente para poder falar. Se você não tem o mesmo tempo em ambos os lados, não vai ter uma visão do que é. pot.com/search/label/Fumo
Preparem-se: vem aí a tal campanha anti-fumo. Pode ser legal, mas se vir acompanhada dos imbecis e ridículos manifestos facistas, racistas, ofensivos e discriminatórios de pessoas que fazem todo tipo de porcaria, começando por se meter na vida dos outros, então eu sou contra.
Preserve sua vida, procure fazer o que é bom para você e para os demais. Mas lembre-se que cada pessoa tem o direito de fazer suas escolhas, principalmente se estiver dentro da lei.
Respeite a escolha dos outros. Você é algum juíz universal?
Faz alguns anos, comentei sobre uma matéria da Revista Info, que alardeava certas grandes empresas que inventaram de falar abertamente que preferiam contratar criminosos (condenados) do que fumantes. A questão certamente é difícil de abordar, pois o nível de preconceito e os disparates da matéria eram de assustar qualquer um que pense dois segundos antes de se submeter a qualquer coisa.
Estou dando MINHA opinião. Ao contrário de muitas pessoas, não me considero um juiz universal muito menos acho que sou o dono da vida dos demais para impor e exigir que façam algo só porque me satisfaz.
Tenho vários artigos diretamente sobre este tema, facismo, racismo, preconceito explícito, imposição de vontades de uns sobre os direitos de outros, etc.
Aviso que os artigos são diretos e incisivos. É muito bonito alguém que tem um carro que polui mil vezes mais, ou que costuma encher o saco dos outros quando bebe, querer pregar moral.
Vide link:
http://gilbertostrapazon.blogs
E os motoristas bêbados, que saem alegremente de locais abertos em que se proibe fumar, mas não se proibe o assédio, as agressões nem o entorpecimento doentio dos sentidos ao ponto de sairem atropelando pessoas até em cima da calçada e acharem que é normal!!!
O descaramenteo da discriminação já é tão vexatório que está na hora do Ministério Público tomar providências ou então, liberem de uma vez para que todas seitas e igrejas saiam novamente as ruas batendo na cabeça das pessoas com uma bíblia para "fazer jesus entrar".
Fatos ocorridos, fatos repetidos.
As pessoas só tem direitos quando reconhecem que os demais também tem direitos.
Quem fuma sabe que faz mal. Até respirar faz mal se você não se cuidar. Comida industrializada faz MUITO mal.
Fabricantes de bebidas terão que colocar no rótulo fotos de pessoas despedaçadas por motoristas embriagados, crianças mutiladas, mulheres espancadas. Imagine os rótulos cheios de sangue nas mesas dos bares. Caixas de cereais terão fotos de crianças deformadas.
Fumar parece ser para alguns, a causa de todos males do universo, até da dor de barriga do vira-latas da vizinha.
Parece aquela velha história de gente que está de mal com a vida então joga a a culpa e os seus recalques em cima dos outros.
O mesmo se aplica aos eco-chatos. Fui vegetariano, deixei de fumar e beber. Pratico yoga e várias outras coisas faz décadas. Atualmente, bebo normalmente, fumo, como carne (para desespero de muitos), mas conheço os dois lados da questão, tenho tempo equivalente em ambos os lados para poder falar.
Já escrevi sobre esta pestilência que tem se tornado a agressividade desnecessária e até doentia manifestada por aqueles que mais parecem interessados em dominar e se intrometer na vida dos outros.
Falam dos gastos que o governo tem com saúde por causa dos fumantes? E quanto gastam por causa de coisas feitas por não-fumantes-corruptos, não-fumantes-bêbados, não-fumantes-agiotas, não-fumantes-fabricantes-de-produtos-va gabuntos, não-fumantes-donos de indústrias-poluentes, etc?
Gastam muito mais cuidando da saúde de pessoas que são mal pagas, de pessoas que ficam doentes por causa de indústrias milionárias que poluem, ficam doentes porque algum não-fumante (que provavelmente gosta de beber) prefere pagar R$ 20 mil pelo vestido de festa da filha, do que ser mais justo com seus funcionários e comunidade? Gastam muito mais com pessoas que ficam doentes porque se alimentam mal, porque não sabem se alimentar melhor, porque não tem acesso decente a informação, estudo, cultura, esportes, etc causados por pessoas que não fumam, mas geralmente bebem, e são incompetentes ou corruptos e desviam o dinheiro para outras coisas.
Acho que os excessos em relação aos fumantes são racistas, vexatórios e abusivos, e nada deixam a dever a muitas das mentiras usadas pelos tiranos facistas e outros que históricamente oprimem a população.
Segundo a lei maior, fumar não é crime. Portanto, a maioria das manifestações venenosas que tem surgido são no mínimo, diretamente contra um direito do cidadão.
Ou oficializem o fundamentalismo fanático então.
Compartilho da opinião do KELYTON.
Não acho que o Estado esteja discriminando. Aliás, o texto é que tem a característica simplista, por opinar sem considerar aprofundamento técnico e científico da matéria.
A visão é um pouco antiquada, essa do "foro íntimo", haja vista que o homem é um ser que busca a vida em sociedade justamente para deixar o "estado natural" das coisas (Hobbes), este sim, caracterizado pelo individualismo e pelo "faço porque gosto".
Como se percebe, a regulamentação do bem estar social não tem nada de "totalitário", muito pelo contrário, nada mais é do que a priorização do interesse coletivo em detrimento do interesse individual.
Marcelo Augusto, você diz que "foro íntimo" é uma visão um pouco antiquada??? CREDO!!! Este é o mesmo argumento que historicamente foi usado para proibir a leitura de certos livros, de coibir pensamento, de criminalizar a sexualidade e espiritualidade, inclusive proibindo que casais legitimamente constituídos façam isto ou aquilo porque é "errado". Foro íntimo é o primeiro e mais legítimo de todos os direitos: o de ter uma vida própria.
Desculpe, mas se você diz que foro íntimo é antiquado, seja o primeiro a expor publicamente toda sua vida íntima, especialmente a sexual, seus gastos financeiros, amizades, como e com quem e quando. Deixe portas e janelas de sua casa bem abertas para todos verem. Seguramente seria de interesse de alguma "sociedade" (?), acima de qualquer indivíduo. Quando se coloca uma tal "instituição" acima de todo cidadão, cria-se o totalitarismo, a imposição das vontades de uns poucos tiranos com poder soberano e extingue-se o mais básico dos direitos das pessoas, o de pensar e de escolher!!!
Viver em comunidade, significa reconhecer e respeitar o espaço dos demais. Algumas coisas são bem simples, como não jogar lixo na calçada, lavar as mãos, tomar banho e não sair fedendo por aí. Agora, entrar na casa das pessoas e querer cag**r lei dizendo que as pessoas não tem direito nem ao "foro íntimo", é tirania. Já tivemos várias e é uma vergonha que em PLENO SÉCULO XXI, vejamos pessoas defendendo a escravidão humana, a degradação e destruição da livre iniciativa, a liberdade de pensar e procurar evoluir e até mesmo, a independência de uma nação, só para satisfazer vaidades, ganâncias pessoais e até fanatismos extremos de uns poucos. Vide antigo bloco comunista, Hitler, etc... Ou mude-se para o Pakistão e adote o Taliban.
A atividade física mais importante da vida é sem dúvida respirar. Em algum momento alguém inventou um canudo de papel ou fumo de rolo e resolveu inalar fumaça. Afinal, respirar é um ato tão natural e perfeito que o homem se achou no direito de interferir. A liberdade de fazer fumaça é de cada um, mas longe dos demais que não fizeram essa opção. Afinal, por que uma droga é proibida e outra não? Fica difícil explicar para as crinaças!
Excelente artigo, vai exatamente no cerne da questão. A sociedade precisa decidir se opta por ter liberdades ou se prefere ser uma mera marionete nas mãos do Estado.
Hoje os "politicamente corretos" querem proscrever o cigarro, amanhã a cerveja, o vinho, o refrigerante, o fast food, o churrasco, o chimarrão, o carro, o video game, blá, blá, blá. E a alegação dos "corretos" é muito simples: tudo faz mal e dever ser banido pelo Estado.
Deste modo, transferiremos para o Estado o poder de fazer todas as opções que ele julgar corretas.
Não se prega aqui uma anarquia das liberdades. Obviamente uma sociedade composta de inúmeros cidadãos com objetivos diferentes e muitas vezes conflitantes deve impor limites ao exercícios das liberdades individuais, mas daí a transferir todas as decisões ao Estado vai uma grande distância. Equivale a mergulhar a sociedade em um completo totalitarismo.
Temos que ser protagonistas das nossas próprias vidas, bem como assumir as responsabilidades pelo exercício da nossa liberdade.
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