Aprovada no Exame de Ordem com 20 anos estudou sozinha pela internet

Arquivo pessoal

A mais jovem aprovada no Exame de Ordem do Distrito Federal (talvez do Brasil, mas não há cadastro unificado), Thaís Alencar, de 20 anos, passou na prova em sua primeira tentativa, cujo resultado foi divulgado nesta sexta-feira (13/1). Sem muito gosto por livros, a advogada prefere vídeo-aulas (como programas da TV Justiça que assiste no YouTube), áudio de aulas e artigos, que busca na internet, de casa.

Estudando ao mesmo tempo para a prova da Ordem dos Advogados do Brasil e para concursos públicos que exigiam ensino médio, Thaís conta à revista Consultor Jurídico como funciona seu plano de estudos: "Eu pego o edital do concurso, divido por tópicos e digito o tópico que vou estudar no Google. Leio, então, os artigos relacionados àquilo que vão aparecendo." Nessas buscas diárias ela conheceu a ConJur, que, classifica como instrumento "muito útil para acompanhar discussões de temas jurídicos". 

Além das manhãs que passava na faculdade, ela usa de uma a quatro horas por dia em casa para suas pesquisas e para acompanhar debates jurídicos em fóruns de discussão online. Mas nada de passar o dia na frente da tela do computador. Thaís sai para bares e cinemas, onde prefere suspense (afinal, "romance e comédia não têm história", complementa). 

O método "Google" de estudos foi ela mesma que criou, tendo frequentado um cursinho por poucos meses. A questão de não gastar muito tempo com os estudos vem da infância. Como já estudava em casa desde a época da escola, a alfabetização de Thaís foi acelerada. Fez a pré-escola e a primeira série em um ano, assim como a terceira e quarta séries. "Tem muita gente que passa 10 ou 12 horas por dia estudando e não estuda direito, não se concentra", diz. 

Próximo alvo: delegacia 
Aprovada em concursos do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, do Ministério Público da União e do Corpo de Bombeiros (no qual não passou na avaliação física por não conseguir fazer exercício na barra) e no Exame de Ordem, Thaís quer ser delegada. A advogada teve um irmão por parte de pai assassinado e tem um tio que é policial, com que se identifica muito. A família também influenciou a opção pelo Direito. A mãe é secretária de um escritório de advocacia há 13 anos e o tio policial é formado em Direito. 

Durante o curso na Universidade Católica de Brasília, no qual ingressou em 2007, não foram apenas as horas de estudo que formaram a advogada. Thaís estagiou por cerca de três anos. Por dois anos, foi estagiária da Vara Criminal do Fórum de Brasilândia e, por onze meses, estagiou no departamento jurídico da Companhia Energética de Brasília. Agora também não planeja apenas estudar até conseguir o almejado posto de delegada, ela aguarda a nomeação para o cargo técnico no TRF-1, visto que é a 25ª colocada. 

Dos ídolos no Direito, a advogada cita Fernando Capez, especialista em Direito Penal, e Pedro Lenza, especialista em Direito Constitucional. Entre os ministros, aponta Gilmar Mendes como "alguém que se destaca por ser muito inteligente", apesar de "não concordar com tudo o que ele faz como ministro". 

Além dos juristas de verdade, ela também tem ídolos na TV, afirmando ser "viciada" nos seriados "Lei e Ordem" e "CSI", ambos ligados à investigação de crimes e Direito. Fora do mundo jurídico, é fã de Raul Seixas, Zé Ramalho, Freddie Mercury e The Cure.  

Marcos de Vasconcellos

é chefe de redação da revista Consultor Jurídico.

Ferracini Pereira disse:
14 de janeiro de 2012 às 20:15

Parabéns pelo esforço e pela ferramenta utilizada, a Internet tem coisa boas, exemplo a ser seguido pelos demais candidatos e estudantes de direito.

LHS disse:
14 de janeiro de 2012 às 21:11

...enquanto uns choram (OABB? MNBD?), outros estudam. Parabéns à futura colega!

GNETO disse:
14 de janeiro de 2012 às 21:16

Fico perplexo com a necessidade dos candidatos fazerem cursinho. Vi as últimas provas e as considerei básicas, com conteúdos mínimos para alguém que sai da faculdade. A massificação do ensino gerou um novo mercado, o dos cursinhos. A propósito, meus estagiários ficaram surpresos quando respondi questões de várias áreas. Expliquei, meus professores ensinavam as bases dos conceitos e como aplicar o Direito, além da permanente curiosidade em ler artigos e novas leis. O ensino massificado, voltado para somente ofertar diplomas gera graves males. As pessoas somente se informam, acabam sem formação, não ganham a capacidade de criar, transformar. Obrigado.

analucia disse:
14 de janeiro de 2012 às 22:17

Os dois livros citados pela estudante são enlatados com respostas prontas e macetes, os quais não levam o leitor a uma reflexão.
Uma pena que o futuro do Brasil seja na base da decoreba destes livros (Capez e Lenza).
Sugiro que a estudiosa leia obras como Geraldo Prado, Aury Lopes, obras sobre Criminologia, Paccelli,Paulo RAngel, Lenio Streck e outras obras de verdade.

Bessa disse:
16 de janeiro de 2012 às 10:56

Fico feliz quando uma jovem se interessa em estudar, em especial direito. Sou advogado criminalista a 18 anos. E sempre estudo. Uma pergunta da família do inesquecível jurista Nelson Hungria, "porque o senhor ler muito". (na velhice lendo na mesa do quarto), ele respondeu "ainda não aprendi tudo". Portanto, o exemplo dela hoje de roteiro de estudo, no meio de um sistema dificultoso revela que tudo é possível, é preciso determinação. Ok!

baroch disse:
16 de janeiro de 2012 às 11:03

Grande exemplo dá essa menina agora futura advogada. Meus parabéns você conseguirá seus objetivos. Segue em frente.

Marcos Alves Pintar disse:
16 de janeiro de 2012 às 12:34

Não quero desmerecer a Estudante, mas o método de estudo dela revela um dos motivos da falta de conhecimento e preparo técnico presente em muitos operadores do direito: "Eu pego o edital do concurso, divido por tópicos e digito o tópico que vou estudar no Google. Leio, então, os artigos relacionados àquilo que vão aparecendo." Isso certamente deixa o estudante extremamente apto a obter aprovação em concursos e provas, mas pouco apta a desenvolver uma das diversas profissões jurídica (advocacia, magistratura, Ministério Público). O conhecimento técnico-jurídico não se obtém seguindo como roteiro o edital de concursos. Há milhares de obras jurídicas de extrema importância que para o concurso não existe, e o resultado disso são profissionais de parcos conhecimentos técnicos, como vemos diariamente na atuação de muitos magistrados e membros do Ministério Público, e até mesmo em colegas advogados (mas esses acabam sendo naturalmente "expulsos" devido à seleção feita pelos clientes).

Vanessa Santana disse:
16 de janeiro de 2012 às 22:27

PARABÉNS A ESTUDANTE PELO ESFORÇO.

. disse:
17 de janeiro de 2012 às 10:20

Você entregaria uma causa sua para que essa jovem fosse sua advogada ??? Eu nunca (ainda mais que ela diz que seu ídolo é o Capez).

Gilson Raslan disse:
17 de janeiro de 2012 às 17:30

Thaís, entre os comentaristas, uns aplaudem o seu sucesso e outros condenam os métodos do estudo.
Quanto aos métodos do estudo, cada um tem o seu, e tudo indica que os seus foram corretos, pois você logrou sucesso em todos os concursos.
Agora, para o sucesso no dia-a-dia da vida profissional, você tem que escolher uma área específica de atuação e debruçar sobre as lições doutrinárias dos grandes mestres (nacionais e estrangeiros), bem como sobre a jurisprudência de nossos tribunais, esqucendo-se, por completo, do google.
Boa sorte, minha jovem colega.

Luiza Montenegro Duarte Leão disse:
19 de janeiro de 2012 às 11:55

Parabéns à moça, mas ela não é a mais jovem aprovada do Brasil. No Pará, o jovem Gustavo Tavares Monteiro se formou na UFPA com 19 anos, passou no Exame de Ordem e ainda foi aprovado para o cargo de Procurador do Estado, na PGE/PA.
Aqui uma das matérias sobre o assunto, no maior jornal local: http://www.orm.com.br/projetos/oliberal/interna/default.asp?modulo=250&codigo=569151

Você precisa estar logado para enviar um comentário.