OAB-SP cria Comissão da Verdade para contar histórias da ditadura

A OAB paulista criou a Comissão da Verdade, que trabalhará em colaboração com a Comissão Nacional da Verdade, criada pelo governo federal, no sentido de dar transparência ao período da ditadura militar. A comissão foi instituída dia 26 de junho pelo presidente em exercício da OAB-SP, Marcos da Costa, por meio da Portaria nº 237/12/PR. Ela será presidida pelo advogado e ex-presidente do Conselho Federal e da Seccional Paulista da OAB, Mario Sérgio Duarte Garcia, tendo na vice-presidência Belisário dos Santos Júnior e, como secretário, Arnor Gomes da Silva Junior.

“O trabalho feito pelos advogados durante a ditadura militar na defesa do Estado Democrático de Direito, dos direitos humanos e dos presos políticos — muitas vezes com o risco da própria vida — não foi ainda devidamente registrado e essa comissão irá resgatar esses fatos, com documentos, depoimentos e pesquisa”, disse Marcos da Costa.

O presidente em exercício da OAB-SP esteve, na última segunda-feira (25/6), com o vice-presidente da República, Michel Temer, para quem comunicou a criação da Comissão da Seccional Paulista.

Integram a Comissão os advogados Airton Soares, Iberê Bandeira de Melo, Idibal Pivetta, Luiz Eduardo Greenhalgh, Luiz Olavo Baptista, Paulo Gerab, Paulo Sérgio Leite Fernandes, Tales Castelo Branco e Zulaiê Cobra Ribeiro, Takao Amano e Valter Uzzo. A Comissão terá como membros colaboradores Cid Vieira de Souza Filho, Martim de Almeida Sampaio e Oscar Alves de Azevedo.

“Esse trabalho irá se estender por todo o estado, por todas as 225 Subsecções do Estado, alcançando os colegas de todos os pontos. Será um grande legado que essa gestão deixará para o futuro, permitindo que nossos colegas nos próximos anos possam ter nessa documentação uma fonte de consulta perene da força da advocacia ao longo daquele difícil período da vida política nacional. Esse resgate é importante porque, mais uma vez, a sociedade relembrará que a advocacia foi ponta de lança no processo de democratização do nosso país”, ressaltou Costa.

Para Mario Sérgio Duarte Garcia, a criação da Comissão é oportuna no sentido de restabelecer a verdade histórica de um período de exceção. “É uma honra presidir a Comissão da Verdade da OAB-SP. Sugiro que façamos como na Comissão do governo federal, onde há um rodízio na presidência, porque muitos dos membros que integram a Comissão da Ordem trabalharam de forma intensa e denodada na defesa dos perseguidos políticos durante o período ditatorial no país”, ponderou.

Belisário dos Santos Júnior, que já integrou a Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, lembrou que os advogados participaram ativamente do processo de democratização do país e que essa história ainda não foi contada. “É importante conhecer o papel dos advogados frente ao arbítrio e como reagiram, sem esquecermos que o vezo autoritário existe até hoje. Detalhar como a classe dos advogados sofreu e como superou os obstáculos impostos pela ditadura será um resgate fundamental”, ressaltou. Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB-SP.

Marcos Alves Pintar disse:
28 de junho de 2012 às 16:22

Enquanto a violação às prerrogativas da advocacia se alastra por todo o Brasil, a OAB/SP se preocupa com o que ocorreu há 50 anos.

Brecailo disse:
28 de junho de 2012 às 20:29

Realmente você está certo quando ocorre desvio de foco, pois, documentar o que aconteceu há cinquenta não vai ajudar as prerrogatvas, já que quem vai fazer parte da Comissão da verdade defendia os advogados, principalmente quando as prerrogativas eram ofendidas. Hoje a Comissão de direitos e prerrogativas tem que se preocupar em informar valor de custas, de diligência de oficial de justiça, valor de recurso, valor de preparo, já que os membros desta operosa comissão que ficam com o celular de plantão, diariamente comparecem em delegacias na madrugada para acudir os advogados, e algumas vezes são acordados na madrugada, obtendo a resposta que ligaram só para confirmar se o plantão funciona. A comissão de prerrogativas tem que representar as autoridades que ofenderam as prerrogativas do advogado e conceder o desagravo público, sem que os advogados que tiveram violadas as suas prerrogativas peçam, ou seja, tem que adivinhar. É a teoria da conspiração: A verdade está lá fora.

Richard Smith disse:
29 de junho de 2012 às 02:40

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TAKAO AMANO, braço direito de marighella e câmara ferreira na ALN?! Greenhalgh o postulador nº.1 de "crime comum" no caso Celso Daniel?!
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Ayrton Soares, Idibal Pivetta, Iberê Bandeira de Mello e Paulo Gerab, a turma de advogados do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC de 1980?!
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"Nossossóra!" - como dizem no interior! Vai sair verdade por todos os poros desta comissão!

atojr disse:
29 de junho de 2012 às 18:56

Por que tanto movimento, tanta manifestação quando o assunto diz respeito a nossa ditadura?
Por que esses doutos não se interessam pela quantidade de cidadãos desaparecidos e que ninguem consegue dar uma resposta plausível?
Por que essa necessidade de tentar emparedar nossas Forças Armadas? Será que vão conseguir?
Qual o brasileiro que acredita nos propósitos de uma comissão eivadas de militantes com ranços ideológicos?
Por último, vale lembra um dos ícones da esquerda, Mao Tzetung: não se faz revolução sem homens e sem armas!

estudioso do direito disse:
30 de junho de 2012 às 03:43

A OAB ignora ou está de má fé ao não falar que os governos militares se instalaram no país para impedir a ditadura comunista,pronta a assumir o governo.

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