Joaquim Barbosa convida Fux para discursar na posse da presidência do STF

O ministro Joaquim Barbosa dará início ao mandato de presidente do Supremo Tribunal Federal na próxima quinta-feira (22/11) mudando um hábito. Ele convidou o ministro Luiz Fux para discursar na cerimônia — nas quatro últimas posses o discurso foi feito pelo decano Celso de Mello.

Durante o julgamento do mensalão, Fux quase sempre tem acompanhando o relator em seus votos e chegou a defendê-lo em discussões com os demais ministros. O futuro presidente é amigo pessoal de Fux. Ambos são docentes na Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

A mudança, que não chega a caracterizar quebra do protocolo no Supremo, não era esperada, mas não surpreende quem tem acompanhado as desavenças na corte durante o julgamento do mensalão. As discussões entre Joaquim Barbosa, relator da Ação Penal 470, e o revisor, Ricardo Lewandowisk, têm sido constantes.

Na segunda-feira (12/11), quando o STF condenou José Dirceu, ex-ministro-chefe da Casa Civil, a dez anos e dez meses de prisão pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa, Barbosa retomou o julgamento começando pela dosimetria do “núcleo político”, que envolve Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoíno e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares.

Lewandowski protestou contra a inversão da ordem do julgamento, uma vez que estava previsto que, naquele dia, seriam definidas as penas do chamado núcleo publicitário da ação. O relator afirmou que Barbosa “surpreende a corte a todo o momento” e ressaltou que os advogados de Dirceu não estavam em Plenário exatamente porque todos esperavam a continuação do julgamento pelo "núcleo publicitário".

Outra briga recente se deu quando o ministro Joaquim Barbosa sugeriu que o Plenário decidisse sobre a perda de mandato dos réus condenados que exercem cargo eletivo. O relator justificou o adiantamento da decisão em razão da aposentadoria do presidente da corte, ministro Ayres Britto. Barbosa saiu vitorioso ao convencer a maioria a impor condenações mais severas do que aquelas fixadas pelo revisor, ministro Lewandowski. 

Lewandowski criticou o fato de o ministro novamente surpreender o tribunal. Joaquim Barbosa, no entanto, ironizou: “Não há ordem, eu uso três minutos em meus votos, Vossa Excelência leva uma hora para votar”. A decisão sobre a perda de mandato acabou, contudo, adiada em razão da necessidade de alguns ministros se ausentarem.

Texto alterado para correção de informação às 21h15 de 16 de novembro.

Armando do Prado disse:
16 de novembro de 2012 às 14:54

O P-STF, poder político da toga suplantou a força da lei e dos poderes que emanam do povo, para golpear a CF, em conluio com a mídia reacionária (como a revista do Cachoeira e a Folha que ajudou os torturadores nos anos 70) e a oposição decrépita. Assim, o que há de pior no país buscou vencer o que perderam nos votos.
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Canalhas e covardes que, quando era preciso lutar, se esconderam, como o covarde do JB que declarou que preferia estudar e evitava os jovens que lutavam contra os torturadores, enaquanto jovens como Genoíno e Dirceu davam suas vidas pela luta contra os pífios.
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O P-STF proferiu "fatwas" e não sentenças. Insanidade mental. Lunáticos. A história não os poupará. E nós daremos o troco novamente em 2014.
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A propósito, o que os tucanalhas têm a dizer sobre S. Paulo sob toque de recolher e dirigida por um "gabinete de crise"? É isso que os nazi-fascistas sabem fazer: matar pobres, perseguir jovens e entregar o poder aos bandidos de facções criminosas.

Armando do Prado disse:
16 de novembro de 2012 às 14:55

Bem escolhido: se merecem e se apoiam.

Armando do Prado disse:
16 de novembro de 2012 às 15:10

É da tradição. Quando por azar os poderosos estão no meio de um inquérito e não dá para tirá-los de lá, as provas são anuladas e todo mundo fica feliz.
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É só lembrar quantas investigações foram anuladas, na maior facilidade, quando atingiam os poderosos de verdade… Ficam até em segredo de justiça, porque poderoso de verdade se protege até da maledicência… E se os poderosos insistem e tem poder mesmo, o investigador vira investigado…
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Poderoso não é preso, coisa que já aconteceu com Genoíno e Dirceu.
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Já viu poderoso ser torturado? Genoíno já foi.
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Já viu poderoso ficar preso um ano inteiro sem julgamento sem julgamento?
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Isso aconteceu com Dirceu em 1968.
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Já viu poderoso viver anos na clandestinidade, sem ver pai nem mãe, perder amigos e nunca mais receber notícias deles, mortos covardemente, nem onde foram enterrados? Também aconteceu com os dois.

Armando do Prado disse:
16 de novembro de 2012 às 15:12

Já viu poderoso entregar passaporte?
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Já viu foto dele com retrato em cartaz de procurados, aqueles que a ditadura colocava nos aeroportos. Será que você lembrou disso depois que mandaram incluir o nome dos réus na lista de procurados?
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Poderoso? Se Dirceu fosse sem aspas, o Jefferson não teria dito o que disse. Teria se calado, de uma forma ou de outra. Teriam acertado a vida dele e tudo se resolveria sem escândalo.
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Não vamos exagerar na sociologia embelezadora.
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Kenneth Maxwell, historiador respeitado do Brasil colonial, compara o julgamento do mensalão ao Tribunal que julgou a inconfidência mineira. Não, a questão não é perguntar sobre Tiradentes. Mas sobre Maria I, a louca e poderosa.
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Tanto lá como cá, diz Maxwell, tivemos condenações sem provas objetivas. Primeiro, a Coroa mandou todo mundo a julgamento. Depois, com uma ordem secreta, determinou que todos tivessem a vida poupada – menos Tiradentes.
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Poderoso é quem faz isso.
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Escolhe quem vai para a forca.
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“Poderoso” pode ir para a forca, quando entra em conflito com sem aspas.
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Genoíno, Dirceu e os outros eram pessoas importantes – e até muito importantes – num governo que foi capaz de abrir uma pequena brecha num sistema de poder estabelecido no país há séculos.
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O poder que eles representam é o do voto. Tem duração limitada, quatro anos, é frágil, mas é o único poder para quem não tem poder de verdade e depende de uma vontade, apenas uma: a decisão soberana do povo.
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Por isso queriam um julgamento na véspera da eleição, empurrando tudo para a última semana, torcendo abertamente para influenciar o eleitor, fazendo piadas sobre o PT, comparando com PCC e Comando Vermelho…

Giulliard Silva disse:
16 de novembro de 2012 às 16:05

Estou longe de ser um militante do PT, muito pelo contrário, mas não vejo com bons olhos esse jeito truculento e até um pouco arrogante do Min. Joaquim Barbosa, não vejo essa como a postura correta de um Ministro do Supremo.
Min Ayres Brito que está se retirando compulsoriamente (um erro ao meu ver, a aposentadoria compulsoria, mas esse é um assunto para outra discussão) tem ao que me parece um perfil muito mais condizente com o que um ministro do STF deveria ter. Vai fazer falta.

Fontes Mendes disse:
16 de novembro de 2012 às 18:42

No(s) próximo(s) ano(s), o STF terá a oportunidade de julgar o mensalão dos tucanos (mensalão mineiro), o mensalão do DEM (do DF) e ainda o caso Cachoeira. Veremos, para que se prove a todos os lados, se a Corte endureceu definitivamente com o combate a alta corrupção ou se está apenas agindo sob a pressão da mídia corporativa.
Espero que se confirme a primeira hipóteses. Apenas receio da certeza de que tais julgamentos não serão transmitidos ao vivo pela globonews...

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