Luiz Carvalho: Joaquim Barbosa esquece que vive em uma república

Há poucos dias o ministro do STF e presidente da corte, Joaquim Barbosa, desavisadamente extraviado do caminho da mais comezinha educação, chamou o repórter Felipe Recondo, do jornal O Estado de São Paulo, de palhaço e mandou chafurdar no lixo, em episódio amplamente divulgado na mídia. Se este foi o dito, é melhor não imaginar o que pode ter passado pela cabeça do ministro. O protocolar pedido de desculpas, com base em alegações de estresse e dores na coluna, veio horas depois pela sua assessoria de imprensa.

Agora, quando ainda nem esfriado o desaforo ao jornalista, volta seu destempero contra dirigentes das associações de magistrados (AMB —Associação dos Magistrados Brasileiros, Ajufe — Associação dos Juízes Federais do Brasil e Anamatra — Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), atribuindo-lhes “intervenção sorrateira” em prol da aprovação da PEC 544/2002, mais recentemente aprovada na Câmara dos Deputados e que cria quatro Tribunais Regionais Federais (Paraná, Minas Gerais, Bahia e Amazonas), bem como extrapolação dos limites de sua “representação sindical”. Ou seja, ao mesmo tempo atropela a legitimação das associações de magistrados para tratar de questões institucionais e despreza a suposta natureza sindical da representação associativa.

Assim agindo, como anfitrião de reunião em seu gabinete, não esqueceu sequer de mandar que um dos interlocutores abaixasse o tom de voz, parecendo esquecido de que vive numa república montada sobre os alicerces do sindicalismo, que tem como guia e liderança maior um ex-metalúrgico, que, aliás, foi o autor da nomeação do temperamental ministro para o STF. Dessa forma, pisa duplamente na bola o atual presidente da corte quando se esforça para dividi-la entre questões de Estado ou nacionais, que caberiam somente às instâncias oficiais, e outras particulares em que seria permitido aos mortais meter seu prosaico bedelho. Chega a lembrar, mesmo por arremedo, Luiz XIV no “L’Etat c’est moi”.

Com efeito, ao procurar desqualificar a conduta das associações de magistrados quando acompanham no Congresso Nacional projetos como o da emenda para criação de tribunais regionais federais, afirmando que não teriam legitimidade para se manifestar a respeito, acaba descredenciando a própria noção de república, onde a coisa pública, por definição, não pertence apenas ao Estado que, aliás, clama a todo o tempo por fiscalização de cidadãos que há muito deixaram de ser súditos.

Ao que se saiba, o CNJ não é instância monárquica, nem veio para sufocar o sentimento republicano, cada vez mais umbilicalmente vinculado ao da democracia.

Conduzindo-se dessa forma destemperada, Joaquim Barbosa parece provir de um Estado de punhos de renda, que não conhece a interlocução com a cidadania nem parece disposto ao exercício do diálogo, que engrandece seus participantes e viabiliza melhores soluções para o interesse público. Oxalá não resolva, agora que acaba de assumir um papa que marca seus passos pela simplicidade e contato com os mais humildes, envergar uma túnica de sumo pontífice à moda antiga, assinalado pelas pompas de uma ostentação de direito divino.

Afinal, se há pouco tempo sua atuação como relator da Ação Penal 470 (mensalão) empolgou a nação, ele não deve se esquecer de que a condução democrática do processo pela via conciliatória do então presidente Ayres Britto foi que viabilizou aquele espetáculo de seriedade e grandeza que arrebatou o país.

Sendo assim, não se deve deixar ofuscar pelas luzes de celebridade do momento nem ser engolfado pelo brilho de um poder tão vistoso quanto transitório. O carisma e a força de sua função na presidência do STF dispensam manifestação de arrogância ou de arbítrio.

Recolhido sob a força da Carta da República, sua autoridade maior infundirá natural respeito, sem necessidade de acrobacias verbais de gosto duvidoso ou de inspiração caricatural.

Como bem alertou a sabedoria de Norberto Bobbio, “O sono da razão gera monstros.” Afinal, a prepotência, manifestação de voluptuosidade da soberba, tem uma velha história de desencontro marcado com a vida em democracia.

Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho

é desembargador e presidente da Comissão Mista de Comunicação Institucional do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Ton disse:
09 de abril de 2013 às 19:06

Respeitosamente discordo do autor do texto.
O Min.Barbosa bem sabe e sabe muito bem do que falou!
Há decadas que ninguém conseguia ou conseguiu poder falar como o Min.Barbosa pode falar e falou.
Só uma voz do alto e falando firme e grosso poderia abalar algumas das antiquadas e corroidas colunas do judiciário.
Melhor seria se o que foi dito pelo Min.Barbosa não fosse realmente necessário !

Josué Mesquita disse:
09 de abril de 2013 às 19:25

Quero associar meu sentimento com o do autor do texto acima e, assumo que não tenho a mesma intimidade com os termos jurídicos e nem mesmo com as palavras. Confesso que estou assustado com a postura lamentável que o presidente do nosso Supremo Tribunal adotou depois que foi eleito para a presidência daquela "Casa de Justiça". É este o conceito que cidadãos comuns como eu temos sobre aquela corte e, lamentamos muito se estivermos equivocados.
O ministro Joaquim, a meu ver, tem se portado como se o "supremo" fosse ele e não a corte que preside. Trata a repórteres como "cães" e, a juízes, legítimos representantes de suas associações, como "delinquentes". A sua postura "sargentesca" diante de magistrados, tratando-os como a "recrutas" em seus primeiros dias de caserna, tem deixado os brasileiros estarrecidos.
Como se não bastassem os absurdos que temos visto na nossa justiça principalmente sobre "aborto" e o casanneto entre pessoas do mesmo sexo, temos ainda que conviver com os destemperos do sr. ministro Joaquim Barbosa.

Josué Mesquita disse:
09 de abril de 2013 às 19:53

Quero associar meu sentimento com o do autor do texto acima e, assumo que não tenho a mesma intimidade com os termos jurídicos e nem mesmo com as palavras. Confesso que estou assustado com a postura lamentável que o presidente do nosso Supremo Tribunal adotou depois que foi eleito para a presidência daquela "Casa de Justiça". É este o conceito que cidadãos comuns como eu temos sobre aquela corte e, lamentamos muito se estivermos equivocados.
O ministro Joaquim, a meu ver, tem se portado como se o "supremo" fosse ele e não a corte que preside. Trata a repórteres como "cães" e, a juízes, legítimos representantes de suas associações, como "delinquentes". A sua postura "sargentesca" diante de magistrados, tratando-os como a "recrutas" em seus primeiros dias de caserna, tem deixado os brasileiros estarrecidos.
Como se não bastassem os absurdos que temos visto na nossa justiça principalmente sobre "aborto" e o casanneto entre pessoas do mesmo sexo, temos ainda que conviver com os destemperos do sr. ministro Joaquim Barbosa.

Josué Mesquita disse:
09 de abril de 2013 às 19:55

O ministro Joaquim Barbosa, por ser presidente do STF, deve ter um extraordinário conhecimento do direito, mas precisa melhorar muito no seu conhecimento de Geografia. Insinuou que os quatro tribunais a serem instalados no Brasil deveriam ficar em "Resorts", ou em praias. Sugiro que examine os quatro estados que receberão os tribunais e veja qual deles se enquadram nesse perfil. Para que ele não gaste o seu precioso tempo já vou logo dizendo: somente a Bahia.

ubira39 disse:
09 de abril de 2013 às 20:17

Acredito que a fala do Ministro Joaquim Barbosa ainda é muito pouco em relação ao que deveria ser dito. Necessário se faz, tapar a boca dos corruptos, e principalmente, daqueles que defendem a corrupção.

Paulo Jorge Andrade Trinchão disse:
09 de abril de 2013 às 21:01

Com razão o colega Ton. O articulista entrou naquela do oba-oba momentâneo. Repetiu o que notinhas agudas dissiparam hoje na mídia. Mas podem espernear à vontade, a cidadania estará sempre ao lado do Ministro Joaquim Barbosa. Parabéns Ministro Joaquim Barbosa pela altivez na investidura do importante cargo, a cidadania agradece!

Observador. disse:
10 de abril de 2013 às 01:09

É normal que a população brasileira apoie os atos e palavras arrogantes e de cunho tirânico proferidas pelo Min. Joaquim Barbosa em corriqueiros episódios lamentáveis. Afinal, qual o nível médio de cultura, de politização do povo brasileiro? Beira o nonada. Mas, criticas às criticas, exaradas por advogados são respeitáveis, entrementes, razas. Deveriam ter estudado a Teoria do Estado e observar o quão anti-democráticas, anti-republicanas são as atitudes do Min. Nosso Estado foi construído pela luta contra atitudes do jaez que se emana da Presidência do STF. Passando à matéria de fundo pergunto se os barbosianos se informaram a respeito da criação dos TRFs. A Justiça do Trabalho é mais importante do que o direito de idosos e deficientes de receber benefícios previdenciários, dos miseráveis de receber benefícios assistências, dos doentes em pleitearem medicamentos? Pois, em cada esquina do país existe um TRT, justo, mais do que justo, mas porque ter 9 TRFs é o fim do mundo? Isso é acesso ao judiciário, é dar o bem da vida de forma célere. É tirar a Constituição da folha de papel, é ser guardião, atribuição do próprio STF. Os valores divulgados para a criação são levianos. Por mais que sejam altos, é o povo dessassistido que se beneficiará com a criação desses tribunais. E quanto mais tribunais melhor, a pulverização do poder é medida que se impõe numa democracia. O melhor é que existisse um TRF em cada estado da federação. Lamento as atitudes do Sr. Barbosa, e lamento ainda mais o nível de consciência do povo brasileiro, que na sua grande parte, nada mais é que massa de manobra dessa imprensa inadjetivável. Que fique claro, sou mero cidadão.

hammer eduardo disse:
10 de abril de 2013 às 06:23

É uma pena que o Ministro seja apenas "um" , quem sabe se fizessemos uma clonagem dele poderiamos um dia "sonhar" em transformar o Brasil em algo vagamente parecido com um Pais decente e não este atual valhacouto de bandidos em TODOS os poderes que transformaram tambem o Pais em um grande "negocio".
Igualzinho a Mafia italiana , cada "setor" transformou nossa ZONA tropicaliente num excelente balcão onde formas diretas e indiretas , todos enchem alegremente os bolsos enquanto a Nação vai de mal a pior.
Os perfumados de terninho Armani e reloginho caro no pulso podem espernear porem a atitude do Dignissimo Ministro foi CORRETA e ponto final. Que se dane se Ele é intempestivo ou não , o que importa são os RESULTADOS. Os incomodados parecem com aquele personagem PICARETA que existia na Escolinha do Professor Raimundo que levava todo mundo na conversa mole pois VIVIA DISSO tambem ,era o personagem "sambarilove , papodez"
Que nojo minmha gente , a vergonha na cara ja foi pro ralo a muito tempo e agora a compostura tambem !

Zé Machado disse:
10 de abril de 2013 às 07:24

Dessa vez, o ministro não tem como lançar culpa nas dores. O homem é de natureza muito arbitrária. Ainda não aprendeu a lidar com o poder, caindo na vala comum dos mortais. Dá medo o mau exemplo que vem de cima. Isso não tira o mérito de ser ele um paladino da ordem e da justiça, onde merece todo o apoio. Lutar contra as mazelas neste país é um feito homérico que ninguém sozinho vai conseguir exito.

Zé Machado disse:
10 de abril de 2013 às 07:24

Dessa vez, o ministro não tem como lançar culpa nas dores. O homem é de natureza muito arbitrária. Ainda não aprendeu a lidar com o poder, caindo na vala comum dos mortais. Dá medo o mau exemplo que vem de cima. Isso não tira o mérito de ser ele um paladino da ordem e da justiça, onde merece todo o apoio. Lutar contra as mazelas neste país é um feito homérico que ninguém sozinho vai conseguir exito.

rodrigues disse:
10 de abril de 2013 às 09:10

Há tempos que se tornou necessário desnudar o que outrora se vestia com roupas, em tese, totalmente opacas. Eis que surge a transparência e a relevância de um voz que soa tão bem aos nossos ouvidos, tão cansados do velho e alegre "lero lero". Parabéns ao Presidente!!!

Observadordejuris disse:
10 de abril de 2013 às 09:32

Parabéns, Ministro Barbosa, continue à frente da caravana da moralidade. Enquanto a matilha de lobos uiva a sua caravana passa sob os aplausos dos cidadãos brasileiros do bem feito.

Observadordejuris disse:
10 de abril de 2013 às 09:32

Parabéns, Ministro Barbosa, continue à frente da caravana da moralidade. Enquanto a matilha de lobos uiva a sua caravana passa sob os aplausos dos cidadãos brasileiros do bem feito.

GUSMAO BRAGA disse:
10 de abril de 2013 às 09:37

Ou o Sr. Luiz Carvalho não entendeu a posição firme, compromissada com lisura ou simplesmente tem ideologias compromissadas com outras coisas..., pois defende de forma aficcionada pontos que estamos cansado de saber da SOBERBIDADE...
O Ministro, não tem amarras, não deve favor por estar no STF, são méritos mesmos, diferentemente de pelo menos 02 a 03 Ministros que lá estão....(pesquise).
Temos sim orgulho de podermos assistir, finalmente, ações dignas e totalmente voltadas na prevalência da justiça, coerência, probidade e ética.
Só resta dar os PARABÉNS ao Ilustre Ministro.
Quanto ao Sr. Luiz, lamentar pelo texto.

Xande55 disse:
10 de abril de 2013 às 10:27

Incomoda a todos quando surge um magistrado no mais alto cargo da justiça brasileira e que não os agrada pela sua postura firme e as vezes extrapolada aos limites da singela comunicação bonita e cortêz.
É preciso entender que Jesus Cristo em sua humilde passagem terrena também não agradou a todos, incomodando os falsos profetas, poderosos reis e magistrados da época e, como consequência, injustamente julgado e condenado pelos seus ATOS que não agradou àquela parcela de detentores do poder em face de uma inveja enrraizada no dito PODER DOMINANTE da época.
Precisamos, nobres brasileiros, de entender que o ser humano, às vezes por sua sinceridade e desejo de ver as mudanças ocorrerem, esquece o protocolo da comunicação e sem assim desejar, ofende a pessoas desavisadas dessa situação.
Precisamos também levar em conta o direito à livre forma de expressão no exercício da função desconsiderando esses pequenos deslizes de comunicação, aplaudindo as AÇÕES POSITIVAS no caminho de uma justiça o mais justa possível e que venha contribuir, com seus próprios exemplos de conduta para a tão desejada moralidade política em nosso país. Penso que esse é o desejo da maioria dos brasileiros em ver seu pais dentro da moralidade política em todos níveis de poder e para que isso ocorra é preciso que os bons exemplos práticos sejam verticalmente adotados num primeiro momento possibilitando a todos os brasileiros uma radical mudança cultural para novas posturas na condução política-administrativa de nossa nação.

T Junior - Praetor disse:
10 de abril de 2013 às 11:43

Bom dia. Tenho acompanhado os comentários aqui postados e, confesso, estou bastante assustado com o vigor beligerante de alguns. Sou magistrado aqui em Brasilia e pergunto aos advogados que saíram em defesa do destemperado Min. Joaquim Barbosa, se é que é possível defender uma conduta eivada de falta de educação e respeito, se os causídicos aceitariam com o mesmo grado aqui demonstrado se algum juiz os tratassem daquela forma ? Ouso responder que a resposta seria negativa, com certeza. Não deixo de admirar o ministro por sua atuação na relatoria do processo do mensalão, embora ali também haja ressalvas a sua forma meio destemperada de se dirigir a advogados e aos próprios colegas de toga, mas não há como negar que tenha excedido o razoável ao tratar representante de classe da forma como fez. Ora, fosse o presidente da OAB o ofendido, naturalmente que estaríamos a ouvir gritos em defesa das prerrogativas da advocacia etc, mas como são juízes, parece que podemos aceitar as ofensas e até mesmo elogia-las. Ora, deixemos de hipocrisia e reconheçamos que houve excesso e falta de educação do ministro, pois como anfitrião não poderia jamais dizer a um convidado que recebe eu seu gabinete que nem o seu nome conhece. A aprovação da PEC em questão, que até entendo esteja eivada de vício de iniciativa que levara a declaração de sua inconstitucionalidade, decorreu de iniciativa do parlamento, não das juízes ou de suas associações, pois somente houve adesão ao projeto por entendimento de que com a criação de novos tribunais seria prestada uma jurisdição melhor e mais célere, que, ainda acredito, seja o real objetivo de toda a nossa sociedade. Façamos uma reflexão se essa é a República que queremos, arrogante e sem observância das mínimas regras de educação.

juliocesarjs disse:
10 de abril de 2013 às 11:46

Que tempos estamos vivendo.
Onde está a educação? A urbanidade?
Não acredito em paladinos da moralidade e não acredito, igualmente, que a truculência possa produzir algo de bom.
Joaquim não respeita o Legislativo, já o demonstrou diversas vezes.
Não respeita a liturgia do Tribunal que preside.
E agora demonstrou publicamente que não respeita de forma vertical o Poder do qual é chefe.
Não gostaria de ir a um almoço de domingo na casa de Sua Excelência, seria um constrangimento saber que poderia ser a qualquer momento vítima de alguma das indelicadezas que ele comete reiteradamente.
Fora a questão das relações entre humanos civilizados e das questões éticas, fiquei em dúvida quanto à afirmação de que o Ministro vê invasão de competência na tal PEC aprovada. Que eu saiba, nenhum tribunal tem legitimidade para propor emenda à Constituição... Talvez algum vicio formal, mas iniciativa de??? No artigo 60?
Concluindo, talvez ele não precise somente aprender normas básicas de comportamento, talvez precise estudar melhor as questões republicanas.

rolcardoso disse:
10 de abril de 2013 às 12:14

Qualquer servidor público deve ter postura de urbanidade no trato com outros. Principalmente com os cidadãos que buscam a prestação de algum serviço, orientação, etc.
Aprendi que quando alguém parte para a violência, seja ela física, psicológica ou verbal, é porque, certamente, seus argumentos são mais fracos do que os do interlocutor, ou é uma pessoa desequilibrada psicológica e mentalmente, podendo ser esta manifestação refletida em um autoritarismo exacerbado. Podem também ser pessoas pusilanemes , como no caso de torturadores. Normalmente são pessoas arrogantes e egocêntricas, se julgando acima do bem e do mau e donas da verdade absoluta.
Tenho profunda admiração pelo histórico de vida do Ministro Joaquim Barbosa: um lutador, perseverante, vencedor. Digno. Passei a admirá-lo ainda mais pela posição que adotou no caso do mensalão.
Mas seus modos, pouco civilizados no trato com aqueles que pensam difereente dele, merecem severos reparos.
Ninguém tem o direito de tratar mal a outros, principalmente quando ocupa uma posição como a do Ministro Barbosa.
Ele é alguém que recebe subsídios bancados pelos cidadãos deste país, tem que dar um tratamento decente aos cidadãos.

NACM disse:
10 de abril de 2013 às 12:31

Não há necessidade de fazer elogios ao Ministro Joaquim Barbosa, ele já se constituiu num ídolo nacional, tornou-se uma referência para muitos que vivem em um país maculado pelo nível de corrupção crescente. Apesar do respeito e da admiração que muitos têm por ele, e me incluo, entendo que o seu comportamento junto aos representantes da Magistratura deve ser considerado reprovável. A liturgia do cargo impõe uma postura totalmente contrária a que ele teve e, com certeza, O Ministro sabe disso. Assim que esfriar a cabeça, perceberá que cometeu um grande deslize e, como costumam fazer os grandes homens, procurará corrigí-lo. E a vida segue.

Ricardo T. disse:
10 de abril de 2013 às 13:20

Eu gosto do estilo ditador do Joaquim. Ainda bem que não advogo no Supremo. Acho que os juízes arrogantes e prepotentes tem agora em quem se espelhar. Joaquim o ditador para presidente!

Citoyen disse:
10 de abril de 2013 às 15:02

Temos atitudes indubitavelmente emocionais.
Os Advogados têm debatido e combatido a arrogância dos MAGISTRADOS, Juízes especialmente, porque se arrogam em CIDADÃOS SAPIENTES, quando, em realidade, apenas foram aprovados num concurso para Juiz, isto é, de exames técnicos e não de cultura.
A criação dos novos Tribunais foi apresentada num misto de solução para a agilização da Justiça, mas também porque responderia a uma norma constitucional.
No fundo, a RESPOSTA estaria no FATO de que os MAGISTRADOS precisam TRABALHAR MAIS, como PRESTADORES da FUNÇÃO JURISDICIONAL.
Hoje em dia, o comum é se ver Juiz como assistente de Ministro, como Palestrante de Seminário Jurídico, ou Docente de cursinho ou universitário.
Assim, o tempo para estudo do processo e, pois, prestação jurisdicional praticamente não existe.
Pergunto: os Magistrados que, ontem, estavam em Brasília têm, ainda, a titularidade ou a atividade em alguma jurisdição do País?
Se tiverem, não é verdade que os processos cíveis, penais, eleitorais, de família ou testamentários ou de inventário, que lhes cabia despachar, NÃO tiveram despacho no dia da audiência, no dia anterior ou no dia posterior?
Será que preciso responder?
Ah, ele representava a categoria. Exatamente, eles o faziam, até bem, no encaminhamento de uma proposição que lhes criasse maiores benefícios do que os que já têm. E isto tem sido o toque principal destas organizações representativas.

Citoyen disse:
10 de abril de 2013 às 15:04

apenas, finalizando;
Parece-me que o MINISTRO JOAQUIM pretendeu reagir CONTRA tal COMPORTAMENTO, uma vez que sua conduta foi muito próxima daquelas sobre as quais os ADVOGADOS tanto têm se queixado dos Magistrados: 1) ganham bem; 2) têm uma LEI que lhes é muito favorável; 3) buscam a cada dia mais benefícios, que lhe permitam "afagar o ego", reduzindo-lhes o trabalho.

jfcoelho disse:
10 de abril de 2013 às 15:18

Lamento o destempero do ministro, pois na vida pública é preciso tratar civilizadamente os interlocutores, sob pena de fechar as vias de diálogo. É um ônus daqueles que participam politicamente, ora em posições de mais poder, ora de menos poder. O ministro está presidente do STF e sobretudo agora que sua voz é mais ouvida, deveria fazer-se mais ouvidos. No entanto, parece angustiar-se com a constatação de que sua voz não seja a única e com isso desperdiça a oportunidade de aumentar sua influência. Ao exasperar-se com quem não devia, na hora que não devia, o ministro fez o que era mais fácil: seguiu um impulso. Perdeu com isso em credibilidade e interlocução. Virou manchete pelo motivo errado. É de fato uma pena o acontecido, que faz pensar se, como no chiste popular, há algo na água que se bebe no STF que afeta os temperamentos. Que os demais ministros evitem tomá-la!

Observador.. disse:
10 de abril de 2013 às 16:11

Pelo que entendi do artigo, vivemos em uma República sindicalista?Não de direito mas de fato?
E isto significa que o Ministro deveria ter dado mais atenção às representações de classe, tendo em vista a força dos sindicatos em tal República, e levado em consideração o fato de um Metalúrgico ter sido o Presidente que o indicou?Significando, acho que foi assim que o articulista pontuou seu escrito, que os tempos são outros?Pois o terceiro parágrafo assim dá a entender.
Acho que todo mundo errou nesta história.Cada vez, lendo todos os comentários, não só neste artigo mas em outros que tratam do tema , me convenço que as representações de classe estão mal acostumadas.Não só as ligadas ao Judiciário.Qualquer uma.
Estão acostumadas a constranger Legisladores, Presidentes de poderes, Ministros de estado e, por vezes, até mesmo toda nação.
Se não tivesse errado na dose, e exagerado no tom autoritário e na deselegância, o Ministro Barbosa teria acertado o alvo; o país precisa de seriedade e, muitas vezes, dureza, para corrigir anos de condutas questionáveis.
Espero, com o tempo, que o Min.Barbosa encontre a temperança, sem abandonar a vontade de dar certa noção de ordem à uma nação cada vez mais anestesiada com a desordem.

Jaderbal disse:
10 de abril de 2013 às 18:34

Uma pessoa rústica não consegue compreender porque alguém, num ambiente civilizado refere-se ao seu antagonista com lhaneza: "o nobre colega parece ter-se equivocado quanto a esse ponto...".
Enxerga isso como demonstração de falsidade. Que o bom mesmo é "rodar à baiana", "chamar às falas" e "fazer o maior barraco".
Todavia, a postura serena é a que permite a troca de argumentos, pois a ofensa bloqueia o livre trânsito das informações neuronais. Quem é ofendido - e muitas vezes também o ofensor - estão sujeitos a sofrer um "sequestro emocional", que lhe impede ou dificulta o trânsito das ideias.
Tanto é assim, que uma vez operado esse sequestro emocional, a discussão frequentemente descamba para a mera troca de ofensas ou para a mudez.
O próprio J.B. foi vítima de um sequestro emocional ao se expressar de forma absurda quando falou dos resorts e das praias. O que ele provavelmente quis dizer é que as discussões sobre os novos TRFs foram feitas em resorts localizados em praias, mas seu cérebro transtornado o traiu. Registrou-se a fala absurda e, claro, ninguém vai ter pena dele!
O descontrolado, além de tudo, angaria antipatias.
Assistir a tal descontrole emocional é lamentável na rua, entre gente do povo. Mas assisti-lo na pessoa do Presidente do STF é catastrófico.
Esquecemos do fundo (que é o que interessa) e estamos a discutir primordialmente a forma.
Somos humanos, dotados de córtex cerebral, isto é, de uma estrutura complexa que precisa aquietar o sistema límbico (aquele mais primitivo que até os répteis possuem) para que possa funcionar. Fora disso, vão-se as razões, sobram os ressentimentos.
Em resumo, o problema da falta de urbanidade é justamente que o cerne da questão passa para o segundo plano.

Observador.. disse:
10 de abril de 2013 às 19:05

Muito interessante seu comentário.Pois, muitas vezes, esquecemos que certos mecanismos cerebrais podem nos conduzir a situações diversas das que queríamos inicialmente.
Perfeito.

Tesabojo disse:
11 de abril de 2013 às 08:46

"Quem tem telhado de vidro...".
Dr. Jaderbal. Concordo.
Apenas amplio.
Se colocássemos todos os comentários que o Judiciário faz contra advogados (aviltamento de honorários; multas em recursos, ditos protelatórios; nepotismo; influências de parentes de amigos e amigos de parentes e outras mazelas; escirtórios de ex...).
Veja a notícia: http://www.conjur.com.br/2013-abr-09/justica-proibe-advogado-criticou-mp-acessar-redes-sociais.
Daí nós vemos quando há diferença entre "sequestro emocional" uso do "sequestro emocional" e "verdadeira e justa indignação pelo tratamento desigual por causa das nefastas influências no Judiciário", sendo esta última, minha manifestação.

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