Passada a euforia da disputa, os desembargadores José Renato Nalini, Eros Piceli e Hamilton Elliot Akel, eleitos presidente e vice-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo e corregedor-geral da Justiça, concederam entrevista sobre o planejamento da próxima gestão. Enquanto trocava sorrisos e acenava para desembargadores e funcionários, e sem reclamar após ser acuado pela imprensa, Nalini confirmou a surpresa com a eleição em primeiro turno, dizendo que pediu aos seus colegas para que permanecessem na região. Isso seria importante para o segundo turno que, caso confirmado, ocorreria no começo da tarde desta quarta-feira (4/12). Para ele, a votação “sinaliza que o Tribunal de Justiça de São Paulo sabe conciliar a tradição e a experiência com a inovação e a criatividade”.
Nalini citou como maior problema da Justiça paulista a “crônica insuficiência de recursos materiais”, mesmo com um orçamento superior ao de 17 estados, e defendeu parcerias com organismos internacionais para minimizar a situação. Segundo ele, o Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, por exemplo, poderiam injetar recursos para o aperfeiçoamento do Judiciário e melhoria de sua estrutura.
Para reduzir o congestionamento do tribunal e permitir que o TJ-SP “fique liberado para decidir conflitos”, José Renato Nalini disse que é fundamental “liberar o Judiciário das 12 milhões de execuções fiscais, que transformam a Justiça em cobradora de dívidas de municípios e do estado”. O presidente eleito prometeu buscar o melhor relacionamento possível com os servidores do TJ-SP, e afirmou que estudará a flexibilização de horários ou o home office, pois o que interessa à corte é a produtividade, que pode ser atingida sem que os funcionários fiquem no mesmo espaço por diversas horas. Por fim, ele abriu as portas para a colaboração do atual presidente, Ivan Sartori, lembrando que ambos são amigos pessoais e que “não dispenso nenhuma ajuda, e a dele é poderosa para manter os projetos em curso”.
Logo após sua vitória ser confirmada, Elliot Akel foi chamado ao microfone, e abriu sua fala dizendo que não gostaria de fazer discursos. Isso não o livrou da entrevista com os repórteres que cobriram a eleição, situação que deixou Akel intimidado. Ele alegou que pretende “exercer uma fiscalização constante sobre a primeira instância” em sua atuação, mas afirmou que não se trata de priorizar quantidade sobre qualidade de decisões. Segundo o desembargador, a tendência é de privilégio à quantidade de julgamentos, mas “como eu tenho dito, existe um tempo do processo, que não é sempre, necessariamente, o tempo da vida das pessoas”.
O futuro corregedor lamentou que, ao estipular as metas do Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça não leve em conta as peculiaridades de cada tribunal. Para ele, São Paulo não pode receber tratamento igual ao de estados com demandas menores, como Alagoas e Amapá. Questionado sobre a conciliação em cartórios extrajudiciais, Elliot Akel disse que o assunto o entusiasma, mas “vejo com restrições e reservas a desjudicialização e atribuição da conciliação e mediação aos cartórios extrajudiciais”. Na visão do desembargador, “as técnicas exigem uma preparação específica, um treinamento próprio, e não sei se as pessoas que estariam encarregadas em cartórios extrajudiciais estariam preparadas”.
Já Eros Piceli, que também se viu cercado pelos repórteres, afirmou que uma de suas prioridades é a atuação no Conselho Superior da Magistratura, “que tem bastante autonomia para decidir os rumos e o destino do TJ-SP”. Em relação à prestação jurisdicional, Piceli citou a necessidade de fortalecimento da 1ª instância, com a garantia de melhor estrutura e de apoio para os juízes. Sem estudar a situação de cada comarca ou vara, ele disse que não crê na ampliação de servidores ou juízes como solução, por conta da “progressão geométrica de processos”, defendendo a sistematização, informatização e aperfeiçoamento da primeira instância. O novo vice-presidente destacou ainda a coesão do TJ-SP no que foi a primeira eleição em que todos os desembargadores poderiam se candidatar aos cargos de direção.
Ao se posicionar sobre a eleição de José Renato Nalini, o desembargador Carlos Henrique Abrão afirmou que o futuro presidente é um desembargador “talhado para a presidência da corte, que carrega vasta experiência e seguramente exercerá uma profícua gestão durante o biênio”. O desembargador afirmou que Nalini é muito bem relacionado em relação ao Executivo e Legislativo, e promoverá “mudanças e reformas essenciais para uma prestação jurisdicional à altura da sociedade”.
Atualizado às 13h20 de 5/12 para alteração de texto.

Nalini começou com o pé esquerdo. O Presidente de um Tribunal não pode vender a Corte para estrangeiros, isto é, não pode receber dinheiro de entidades privadas do exterior. Isso compromete por completo a independência e soberania do País, além de violar as regras constitucionais a respeito de tratativas com grupos estrangeiros.
Mais do que os palpiteiros de plantão, Nalini conhece a estrutura e as deficiências do Judiciário Paulista como poucos e espera-se que tenha o dinamismo e a coragem demonstradas por Sartori.
As forças que visam destruir o Poder Judiciário continuarão ativas e espera-se que tenha sabedoria para conseguir combatê-las.
Recursos obtidos em entidades de fomento internacional como as mencionadas por Nalini são responsáveis pelo financiamento de importantes e frutíferos projetos no mundo todo.
É preciso uma dose cavalar de neurose para enxergar nisto qualquer ameaça à soberania nacional ou independência do Judiciário.
Curioso o raciocínio do Prætor (Outros). Afinal, não foram os próprios juízes que reclamaram do fato do CNJ tem sido criado por pressão internacional, notadamente do Banco Mundial, alegano "perda da independência" do Poder Judiciário?
Para de viajar na maionese, MAP.
O Poder Judiciário, para a grande parcela da população, não existe; não funciona.
Existe e funciona, com exceções, para quem o integra...
É o judiciário brasileiro. Este arroto de sedas e discursos vazios não levam a nada.
"O Poder Judiciário, para a grande parcela da população, não existe; não funciona.
Existe e funciona, com exceções, para quem o integra..." (2)
Tenho sentença favoravel da segunda instancia liberando um veiculo de penhora indevida pelo Estado de SP já julgada em abril de 2013. ATÉ HOJE DEZEMBRO, O DETRAN NÃO RECEBEU A ORDEM DE DESBLOQUEAR O VEICULO.
BASTA SÓ EFICIENCIA E BOA VONTADE PARA EXECUTAR O JÁ DECIDIDO.
Não creio ser necessário buscar recursos onde quer que seja quando é sabido que o que falta ao Judiciário e aos demais Poderes é uma gestão eficiente. Fingem não enxergar o óbvio, e rios de dinheiro público são perdidos.
Não é com o recursos financeiros no caixa e, muito menos, com financiamentos nacionais ou internacionais, que o nosso JUDICIÁRIO ganhará rapidez e agilidade.
Aliás, muito me preocupam as ideias do Presidente recém eleito, nesta área.
O JUDICIÁRIO deve VIVER e se SATISFAZER com os RECURSOS que recebe das TAXAS que cobra, e nada mais.
Se carecer de outros recursos, que os demande, como antecipação de receita, do PODER EXECUTIVO ESTADUAL, mas JAMAIS que vá buscar, externamente, os recursos que pensa que poderão lhe dar um caixa cheio, que, certamente, NÃO PROPICIARÁ rapidez para a prestação jurisdicional.
A advertência que os japoneses faziam, na retomada de seu crescimento, após a segunda guerra mundial, era exatamente de que seu CRESCIMENTO NÃO SE PODIA FAZER às CUSTAS do ENDIVIDAMENTO, porque ele é um MECANISMO que GERA DEPENDÊNCIA.
Já imaginaram o dia em que o PODER JUDICIÁRIO PAULISTA tiver que JULGAR demanda em que um dos seus CREDORES seja o Autor ou o Réu da Ação?
Será que, neste caso, o JUDICIÁRIO ESTADUAL não deveria se julgar comprometido para uma JUSTA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL.
Parabéns, portanto, ao Presidente eleito, mas, por favor, "modus in rebus" e NÃO SE ESQUEÇA V. EXA. que NÃO ESTÁ PRESIDINDO o PODER EXECUTIVO, mas o PODER JUDICIÁRIO, que tem que se manter com os recursos que arrecada no exercício de sua função jurisdicional!
Se o Judiciário não funcionasse, como diz um comentarista, não haveria tanta gente procurando e ingressando com ações. Como sempre, dentro desse mundo vasto da internet, tem sempre gente comentando com ferocidade sobre coisas que conhece pouco.
Conheço, admiro e ouvi teses defendidas (FIESP) pelo nobre Magistrado, porém, proponho que deva recuar da proposta de empréstimos internacionais. O sucesso está em "fazer com o que temos" - um Judiciário independente! Parabéns Dr.Nalini. Sucesso!
Pedagoga Lucrécia Anchieschi Gomes
Conheço, admiro e ouvi teses defendidas (FIESP) pelo nobre Magistrado, porém, proponho que deva recuar da proposta de empréstimos internacionais. O sucesso está em "fazer com o que temos" - um Judiciário independente! Parabéns Dr.Nalini. Sucesso!
Pedagoga Lucrécia Anchieschi Gomes
Como sempre, tem gente que parece não conhecer realidades.
Se o SUS funcionasse, não haveria a necessidade de Mais Médicos, de terceirização do serviço público de saúde (parcerias, O.S etc).
Se o Judiciário funcionasse, não haveria tanto esforço em estimular a todo o custo a tal da conciliação, que de fato não é conciliação coisa nenhuma, mas mera tentativa de imposição da vontade do mais forte a quem está em pior situação. Quem espera anos por uma decisão (e tendo o direito!) obviamente não aceitará uma indecorosa proposta de "acordo" simplesmente para eliminar passivo contábil de empresa e limpar prateleira de fórum.
A tal da conciliação (na forma como estimulada e não combatida por grandes litigantes) é como se fosse a dipirona, o AAS fornecido pelo SUS...
Todos os doentes procuram, mas nem todos conseguem o diagnóstico correto e o tratamento adequado de sua doença. Para a maioria é oferecida dipirona e AAS...
A internet é assim... Quem não conhece tem autoridade para falar...
As empresas enviam regularmente os nomes dos devedores para o Serasa e SPC, se o governo, nos três âmbitos - municipal, estadual e federal, fizer a mesma coisa, certamente poderá receber mais rapidamente e evitar de congestionar o Poder Judiciário.
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Quem deve impostos e não paga, precisa ter seu nome negativado, seja pessoa física ou jurídica.
O Judiciário TEM de funcionar com os recursos que arrecada. E não podemos comparar o combalido sistema de saúde com nenhum prédio de tribunal, que eu conheço em vários pontos do Brasil, onde são visíveis variados sinais de ostentação custeada, claro, com os recursos que recebem. Por outro lado o volume de processos depende do Legislativo que, legislando tão mau como faz, ajuda muito a aumentar a procura pelo Judiciário (será proposital?). E simplificar não agrada a muitos, que se colocam perigosamente até contra o instrumento da Conciliação, que é uma prática agilizadora, pacificadora e extremamente comum na maioria de países desenvolvidos. É a velha política do incêndio praticada com mais intensidade na quase septuagenária Justiça do Trabalho. Mas, no fundo, a contrariedade tem origem no velado receio de perdas financeiras próprias e não numa tentativa de defender um País melhor e mais justo para todos.
É uma pena o TJSP não poder contar com M. Dias (Consultor) e com a Pedagoga Lucrécia Anchieschi Gomes, que, pelo que dizem aqui, conseguiriam resolver todos os problemas da maior Corte de Justiça do mundo com os recursos que atualmente dispõe.
O Cidadão brasileiro procura JUSTIÇA e não a encontra.
Por que a procura?
Porque são instados a procura-la, com a premissa (falsa) de que ela ESTÁ LÁ...... mas não dizem ONDE!
Da mesma forma, os CIDADÃOS NECESSITADOS procuram por MÉDICOS e por SAÚDE.
Por que? __ Porque são instados a faze-lo. Mas NÃO ENCONTRAM MÉDICO e FICAM À MINGUA da SAÚDE!
Parte dos Médicos que não encontram, provavelmente, por não estarem adequadamente preparados, estão buscando DAR PALPITES na DOENÇA dos OUTROS, de que NADA ENTENDEM.
Mas é assim que funciona o BRASIL.
Tem gente palpitando por toda parte.
Mas eu digo e afirmo que FALTA MÉDICO e FALTA COMPETÊNCIA MÉDICA, porque fui diretor de uma instituição mantenedora de um HOSPITAL, por vinte e dois anos, e o MAIOR PROBLEMA que TÍNHAMOS era ENCONTRAR MÉDICO com DISPOSIÇÃO para o TRABALHO e COMPETÊNCIA para EXERCE-LO!
Portanto, não dou palpite, mas FALO do que CONHEÇO muito bem.
E o HOSPITAL da INSTITUIÇÃO a que me refiro atendia, em ZONA RURAL, a mais de 40.000 pessoas por ano!
"da maior Corte de Justiça" eu não sinto orgulho algum. E se é mesmo a maior, como afirma um dos comentaristas, está aí uma prova substancial da incompetência na gestão dos recursos e na própria operacionalidade da Justiça, sacrificada de um lado pelas leis inadequadas à ordem social atual e, por outro, à praga do corporativismo na área pública. Ou alguém desconhece, por exemplo, que neste momento dois certos Ministros do STF tentam de todas as formas garantir duas vagas de desembargadoras para as filhas, ambas com currículo ridiculamente pobre, conforme denunciado pela imprensa? Se é que já não conseguiram, apesar dos protestos!
Sr. M. Dias (Consultor),
O senhor (que mal compreendido) citou a questão da ostentação e mencionou os prédios da Justiça.
Em São Paulo, na Justiça estadual, não há motivos para ostentar. As suas instalações são precárias. Quem já compareceu aos fóruns de Santo Amaro, de Itaquera, Pinheiros, Penha, JEC Vergueiro ou observou com mais cuidado o próprio "Palácio da Justiça" sabe que a estrutura - como diz um testemunhal de rádio - "é feio ,ruim...". Aliás, dá até vergonha de ser paulista!
No mesmo "Palácio da Justiça" (Pça da Sé) muitos pontos daquela dependência causam até certo assombro... Mas veja: há um "Copa" que conta até com profissionais para servirem seus frequentadores... E veja que os frequentadores não são os servidores... Aliás, dentre os servidores, muitos levam as suas refeições feita em casa e se utilizam do refeitório (que não é a Copa), como fazem muitos "trabalhadores-padrão".
Enquanto isso, quem passa pelo "Palácio da Justiça" por volta do meio-dia, ainda constata que há uma frota de excelentes veículos (o pior dentre eles é o modelo mais atual do GM-Vectra) para o transporte de autoridades judiciárias.
Também existem os cargos de livre provimento para os quais podem ser designados pessoa de confiança do nomeante, sem a necessidade de concurso prévio... Muitos desses cargos são destinados a auxiliar a atividade judiciária, se é que me entendem.
Bom. Tudo isso custa muito caro e aí eu concordo em falar em ostentação, mas ostentação por pessoas, não pela instituição.
E o valor gasto? Representa, ao final, um serviço qualificado, eficiente e eficaz?
Não vale quanto pesa! E as instalações e a estrutura física talvez sejam os "centavos" do balanço.
O maior problema do Judiciário paulista são os subsídios astronômicos recebidos pelos juízes. Não discuto se o juiz deve ser bem remunerado ou não, mas o fato é que nós vivemos em um País carente de recursos. Professores, policiais, enfermeiros, e tantos outros profissionais cuja atividade é essencial para a vida em sociedade ganham valores ínfimos, enquanto os subsídios dos juízes paulistas são astronômicos, maior até mesmo do que dos juízes americanos. Por outro lado, a qualificação técnica é sofrível. A grande maioria apenas memorizou resumos de cursinho, enquanto eram sustentados pelo pais, atormentando o jurisdicionado com suas decisões teratológicas. O juiz paulista, salvo raras exceções, nem de longe vale o quanto ganha. Obviamente que um mundo ideal o juiz deveria ter um bom salário (e os policiais, enfermeiros e professores também), mas nós estamos no Brasil, país da ineficiência, do apadrinhamento e da fraude, não sendo justificável no atual momento subsídios nessa magnitude. E o dinheiro que vai para a conta corrente do juiz acaba faltando em outras áreas, ao passo que impede o ingresso de mais juízes. Não tenho dúvida em dizer que se os subsídios dos juízes paulistas fossem reduzidos para o teto do salário-de-contribuição do INSS, algo superior a 4 mil reais, poder-se-ia admitir 10 vezes mais magistrados, criando-se condições para em 2 ou 3 anos se reduzir a quase zero o atraso no andamento dos processos. Mas isso obviamente desafia os interesses dessa verdadeira casta, cuja preocupação maior é apenas se perpetuar, e nada mais. Assim, todo ano é a mesma novela, ou seja, o Executivo "fecha a torneira" porque sabe que aumento de verba orçamentária nem de longe vai se converter em algum benefício aos jurisdicionados.
Por outro lado, o comportamento obsessivo dos juízes paulistas em quererem controlar pessoalmente a vida de cada um dos 40 milhões de habitantes do Estado (que já virou patologia) acaba por impedir qualquer evolução tendente a tirar o Judiciário do buraco. Veja-se por exemplo que na Inglaterra quase 90% dos juízes são "leigos", ou seja, são trabalhadores de outras áreas que assumem a função de julgar dado número de causas, notadamente as mais singelas, após algum treinamento. No Brasil, no entanto, nós temos o número astronômico de 4 milhões de bacharéis em direito, que poderiam ser inseridos com alguns controles na função de decidir, mas a magistratura paulista (e nacional) repudia veementemente qualquer iniciativa nesse sentido. Eles temem que se os processos passarem a ser decididos também por profissionais oriundos de favelas, guetos, áreas rurais, por pessoa tatuadas, cabeludas, enfim, pela parcela da população tradicionalmente excluída dos concursos "públicos" da magistratura, muito embora haja pessoas sérias e profissionais competentes entre eles obviamente, e sendo certo que muitos desses cursaram uma faculdade de direito e estão em condições de decidir notadamente os processos singelos. Veja-se se nós admitíssemos que no Estado de São Paulo há 1 milhão de bachareis em condições de decidir alguns processos (na verdade há muito mais do que isso), se cada um deles sentenciar um processo a cada duas semanas nós teremos 2 milhões de processos julgados a cada mês, e 24 milhões por anos. Tudo bem. Quem não está assim tão preparado pode julgar apenas 2 por mês, o que lhe daria tempo para estudar o caso com cuidado, até mesmo em casa, e decidir de forma muito mais segurada do que o juiz "de carreira" que julga 100 processos por dia.
Todo esse pessoal que concluiu a faculdade quer espaço no mercado, e são 4 milhões. Querem se inserir, participar e crescer. Mas a elite brasileira acena de forma negativa a eles. "Profissional bom" é profissional filho de classe média cuja única intenção é continuar a proteger os interesses ilegítimos do Estado e do poder econômico, sustentáculo da magistratura brasileira. Quem não ostenta esse "perfil" não serve. Deve ser excluído, e preferencialmente processado e preso. E assim nós temos esse paradoxo único no mundo. 4 milhões de bacharéis "parados". 100 milhões de processos para serem julgados e apenas 16 mil juízes ganhando 24 mil cada um, sem contar os "penduricalhos". Alguns que assistiram o filme "Elysium" acharam que se trata de uma ficção muito distante de nossa realidade, mas não é. Com a magistratura brasileira, e notadamente com a paulista, é exatamente a situação enredo básico do filme que acontece. Um pequeno grupo que tenta com todas as forças dominar os demais, mantendo-se em um cúpula intransponível (nem tanto assim) única e exclusivamente visando a perpetuação.
Nos varios comentarios, um me chama a atenção, o de dizer que um juiz poderia ganhar o teto do inss chega a ser hilario. Só faltou mencionar o que aconteceria com o balcão de negocios que iria virar o poder judiciario, justiça seria para os ricos. Dificil acreditar nessa utopica justiça hein. O pais é de quinto mundo, mude-se para a suecia.
Por certo que o comentário do Flávio (Funcionário público) não mereceria uma resposta, por não contribuir em nada com discussão alguma. Mas, como o mundo todo está recebendo neste momento a notícia de que o maior e mais importante advogado da época atual encerrou sua jornada, creio que o tema "mudança" deveria ser abordado. Enfrentar o regime de dominação do homem pelo homem vigente no Brasil, na qual encontra no Judiciário seu princípal alicerce, é praticamente a mesma dificuldade vivida por Mandela e seus partidários. Parecia impossível há algumas décadas acabar com o regime do "apartheid" na África do Sul, plenamente vigente entre nós hoje no Brasil quando o assunto é magistratura versos os "comuns". Mas o obstáculo foi vencido, a custa de muito trabalho duro. O próprio Mandela (e muitos dos seus) passaram longos anos na prisão, mas tiveram a grandeza de de dentro do cárcere ensejar as condições para de lá sair e ainda prender os que os prenderam. No Brasil atual parece impossível se vencer o "apartheid" criado pelos magistrados, baseado na sistemática manipulação de decisões jurisdicionais visando favorecer grupos específicos e os juízes, mas essa vitória é sim possível, desde que existam homens de bem dispostos a percorrer a jornada, assim como Mandela e tantos outros estiveram ainda que no meio do caminho o cárcere, o enxovalhamento público e a perseguição implacável estejam presentes
Toda e qualquer proposta de mudança na estrutura do Poder Judiciário brasileiro que não implique em manutenção do regime de dominação do homem pelo homem é rechaçada. E há sempre uma longa lista de argumentos, quase todos simples falácia. Dia a dia, o juiz brasileiro manipula decisões a favor do Estado e do poder econômico, que são quem manda no Judiciário. Um cidadão ou empresa bem articulado com a magistratura, distribuindo empregos e cargos a parentes, amigos e "apadrinhados", é praticamente livre para fazer o que bem entende. Pode matar, estuprar, mutilar, torturar, enfim cometer qualquer espécie de crime ou ilícito de todas as espécies. Nem será investigado, e ainda facilmente pode perseguir livremente quem o denuncia. O que manda, simplesmente, é a articulação nos bastidores. Mas, fala-se em possíbilidade de "compra de decisões" e "negociatas" se o subsídio do juiz for adequado à realidade social e econômica do País. Diz-se, de boca cheia, que o juiz deve ganhar muito, porque senão pode ser facilmente "comprado" como se todo magistrado brasileiro fosse total e completamente isento. Falácias, pura e simplesmente. O professor não precisa ganham bem para ensinar bem? E o polícia, não se torna "corrupto" também se ganhar pouco? E o cidadão pobre, de periferia, não se envereda pelo crime se suas condições de sobrevivência forem precárias? E porque então não oferecemos bons salários aos professores, aos policiais e condições dignas de sobrevivência e crescimento pessoal em favor de todos, inclusive para as dezenas de milhões de marginalizados? Só o juiz merece estar supostamente "a salvo", recebendo montanhas de dinheiro considerando seu real preparo técnico e o resultado de seu trabalho?
Veja-se o paradoxo. Juiz, advogado, policial, contador, motorista, médico, faxineiro ou qualquer outro trabalhador ou profissional que recebe valores de forma ilícita para favorecer certo cidadão ou grupo de cidadãos é bandido. Pouco importa o que ele faz, a torpeza é sempre a mesma. Mas o processo de "lavagem mental" que vem sendo passado de geração em geração nos leva a pensar que o juiz precisa ganhar muito, pois só assim (supostamente) ele estará "livre da tentação" de receber a tão conhecida e presente propina. Ora, mas só o juiz? E os demais? Então o advogado também não precisar ganhar bastante para não se se ver na tentação de se apropriar do dinheiro do cliente? E o policial, não precisa ganhar bem para se manter isento e atuante, ao invés de trabalhar em favor dos bandidos? Porque só o juiz?
Devo deixar claro, para que não haja equívocos, que não sou contra vencimentos elevados em favor de juízes. Em um mundo ideal, o juiz deveria ganhar bem, tal com os professores, os policiais, os médicos, enfermeiros, advogados, e todos os demais trabalhadores, na medida da importância do trabalho e empenho de cada um. Mas, inexiste qualquer razão racional para que dadas as condições atuais, com carência extrema de recursos, um imenso contingente de profissionais querendo trabalho, quase 100 milhões de processos para julgar, ações que se arrastam por duas ou três décadas, e toda a calaminidade judiciária que conhecemos bem, apenas e tão somente um pequeno grupo seja favorecido com vencimentos astronômicos, que poderia ser muito bem equacionado para que tenhamos muitos mais juízes trabalhando, dando oportunidade para milhares de outros profissionais que hoje aguardam por uma oportunidade. Se vivêssemos em fartura, como os países nórdicos, EUA, Japão, etc., e todo o trabalho do Judiciário estivesse em dia, sem atrasos, aí sim a situação seria outra, e os vencimentos elevados seriam justificáveis.
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