A expressão é forte; o significado que dela emana, maior ainda. Em debate na TV sobre a execução penal e a alternativa do regime semiaberto ser cumprido no domiciliar, devido à lotação carcerária, promotor de justiça gaúcho reivindicou, para si, como elogio, o fato de ser chamado de “nazista”. Disse o promotor que ser chamado assim significa que está fazendo bom trabalho, pois é rigoroso ao cumprir seu mister.
Para além da repercussão que a autocomparação ocasiona, vale analisar a fala no contexto do papel que alguns promotores pensam desempenhar, como vocação redentora de combate ao crime.
Ainda há, no seio da corporação, na plena vigência do Estado de Direito, um resquício de discurso quase autoritário, que cumpre dupla função: reafirmar o espaço corporativo de combate ao crime, se não exclusivo ao menos majoritário, em particular, no confronto com as forças de segurança; e, usar uma retórica que serve a apaziguar o sentimento de desproteção e abandono do cidadão comum, que acha-se vitimizado e inseguro.
Esse último aspecto está arraigado no discurso de alguns promotores, em especial aqueles que lidam contra o crime e pregam a estrita e dura aplicação da lei penal e processual, como se ela contivesse, por si só, a solução do caos criminal. Aristóteles escreveu a Tecne Rhetorica (Retórica) que é a arte e análise da comunicação sob o viés do discurso público com fins persuasivos. Uma tentativa de sistematizar racionalmente a fala pela argumentação e pela dedução lógica das premissas usadas e sua função prática. A ele, como a Platão, seu mestre, repugnava o mero uso emocional, de puro efeito externo.
Ao usar o adjetivo “nazista” como forma de identificação com a “segurança” e com a “aplicação rigorosa da lei”, o promotor manda mensagem à sociedade de que alguém está velando por ela, dizendo: “Fiquem tranquilos. Estou combatendo o crime e vingando vocês”. É a entrega, em nome do Estado, da vingança pública que o cidadão não pode realizar de modo privado.
Para muitos, nazistas cuidando de presídios resolveria o problema criminal, principalmente quando a fumaça saísse das chaminés. Só que instituições do Estado, como o MP e seus membros, não podem querer apaziguar corações e mentes do povo com a retórica do medo e da intimidação. O termo “nazista”, para além de trazer segurança, traz à lembrança que um dia a lei foi usada como meio de privação de direitos, usurpação da justiça, terror de Estado e morte.
Tão triste quanto a infeliz comparação do promotor é a te tentativa de demonizar e desmoralizar o Ministério Público e o combate à criminalidade.
Todos sabem que o Direito Penal não resolve tudo, mas a PUNIÇÃO É SIM NECESSÁRIA, nenhum país desenvolvido do mundo abriu mão dela.
Como já dizia o saudoso Gofredo Telles Jr., o Estado de Direito é aquele que obedece ao Direito e que COMPELE OS CIDADÃOS A OBEDECEREM AO DIREITO. Sem isso, para o que um MP forte e independente é essencial, não há Estado de Direito.
Tanto o punitivismo exacerbado como o supergarantismo defendido por alguns frustram o Estado de Direito, porque de nada adianta termos ordem pública sob uma ditadura, nem tampouco caos e anarquia sob a democracia.
Nazista aqui? Não, obrigado. Já temos muitos criminosos.
Confesso que não entendi muito bem o que o articulista quis dizer, pois as ideias não estão muito bem concatenadas. Não consegui identificar, no texto, quais são as premissas e a conclusão. Não estou sendo sarcástico, não entendi mesmo.
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Sobre a fala do promotor, talvez suas palavras tenham sido tiradas do devido contexto. É bem provável que o promotor não esteja literalmente se comparando aos nazistas, mas apenas afirmando que não se intimida quando é rotulado de "nazista", algo que infelizmente ficou tão banalizado quanto xingar juiz de futebol, configurando verdadeiro insulto às vítimas do holocausto.
por isto a quantidade de presos aumenta, pois o EStado quer ter monopólio da pobreza na defesa criminal
Creio que alguém orgulhar-se de ser 'alcunhado' de NAZISTA ou FASCISTA é por si só denotativo de sua personalidade, não sendo necessário qualquer 'contexto' para se entender qual o caráter que se deve atribuir ao adjetivo auto-assimilado. Por outro lado, acho que o articulado está bem claro nos seus propósitos: o de evidenciar o risco que corremos com a possibilidade de termos uma instituição como o MINISTÉRIO PÚBLICO entregue em mãos compostas de disfarçadas garras de ideologias estatizantes e ou totalitárias. Ora, considerar que, agir pelo certo e segundo certas regras de eficiência é algo que certamente assemelha ao NAZISMO é tão tosco e absurdo como dizer-se NAZISTA. Sinceramente, é por declarações desse naipe e outras, que ouvimos ao longo do tempo (certa Promotora Federal, cujo nome não me lembro, mas que não tem a menor importância, declarou que "preferia ver inocentes presos a ver culpados em liberdade" ....ora, o princípio de JUSTIÇA é justamente o contrário, pois a existência de um único inocente na cadeia significa a falência de todo um sistema de DIREITO e JUSTIÇA; acho que um declaração desse tipo deveria redundar em 'impeachement' de qualquer funcionário público dessa graduação)que entendo que o MINISTÉRIO PÚBLICO está necessitando ser passado a limpo.
No mesmo sentido, chamar qualquer pessoa de "nazista" também é, por si só, denotativo de personalidade. Portanto, quem acusa o promotor de ser "nazista" é tão culpado quanto o próprio. Se o vocábulo "nazista" não tivesse sido rebaixado ao nível de um adjetivo pejorativo qualquer, este episódio seguramente não teria ocorrido.
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Sinceramente, rotular qualquer um de "nazista" é um ultraje, exceto quando se tratar de alguém que realmente professe a ideologia nazista. Trata-se de um hábito que deve parar imediatamente, pois como disse, é um insulto às vítimas do holocausto. Não defendo a histeria do "politicamente correto", mas pessoalmente, creio que a conduta de rotular alguém de "nazista" é asquerosa. Não se pode sair por aí imputando a qualquer pessoa um adjetivo que representa a morte de milhares em um genocídio horroroso. Estatista, certo; autoritário, certo; totalitário, tudo bem; é lícito até fascistoide (que se assemelha, se comporta como); nazista, não! Aí é golpe baixo.
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Pelo outro lado, curiosamente, ser comunista e se auto-denominar comunista é bonitinho, no que pese o comunismo ser também uma ideologia genocida que matou até mais pessoas, provocando milhões de mortes mundo afora. Entretanto, nunca vi qualquer reação contra alguém que se proclama comunista. Há até partidos comunistas!
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Esse misto de desqualificação injuriosa com hipocrisia tem de acabar.
Hahahahaa
Essa foi boa. O Promotor diz de peito aberto que o sistema prisional é uma maravilha, onde pessoas são amontoadas feito animais.
Dai no calor do debate, alguém o chama de nazista e, em vez do "defensor da sociedade" retorquir com elegância, o mesmo diz ter orgulho de ser comparado aos nazistas, pois cumpre a lei penal com rigor.
Ai a culpa é de quem o chamou disso? Tadinho do Promotor! Foi muito lindo o que ele disse!
Já tem estudante que já escolheram a carreira que vai seguir
Hahahahaa
Essa foi boa. O Promotor diz de peito aberto que o sistema prisional é uma maravilha, onde pessoas são amontoadas feito animais.
Dai no calor do debate, alguém o chama de nazista e, em vez do "defensor da sociedade" retorquir com elegância, o mesmo diz ter orgulho de ser comparado aos nazistas, pois cumpre a lei penal com rigor.
Ai a culpa é de quem o chamou disso? Tadinho do Promotor! Foi muito lindo o que ele disse!
Já tem estudante que já escolheram a carreira que vai seguir
Recuso-me a comentar uma besteira desta. O pior é que o CONJUR ainda publica.
"Essa foi boa. O Promotor diz de peito aberto que o sistema prisional é uma maravilha, onde pessoas são amontoadas feito animais.
Dai no calor do debate, alguém o chama de nazista e, em vez do "defensor da sociedade" retorquir com elegância, o mesmo diz ter orgulho de ser comparado aos nazistas, pois cumpre a lei penal com rigor.
Ai a culpa é de quem o chamou disso? Tadinho do Promotor! Foi muito lindo o que ele disse!"
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Evidentemente, é forçar a barra. Nunca endossei as palavras do promotor; disse, sim, que imputar a alguém uma ideologia genocida é uma atitude asquerosa. É uma injúria descomunal. Entretanto, o comentarista achou por bem se opor não ao que eu disse, mas ao que eu não disse.
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"Já tem estudante que já escolheram a carreira que vai seguir"
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Digo "sim" ao que gosto ou concordo, digo "não" ao que eu repudio ou discordo, oras. Não admito que meus princípios e posições se vinculem a uma determinada carreira, causa ou bandeira. Tenho opiniões próprias. Entretanto, concordo que ter opinião própria no Brasil está se tornando algo cada vez mais exótico.
Vergonhoso. Ele não teve um ascendente que perdeu pai e mãe naquela época. Para ele deve ser elogio mesmo. Se ele ataca o sistema punitivo, agora eu defendo. Se o sistema carcerário é similar aos campos de estocagem de Judeus no regime nazista, então agora sou a favor de sua mudança, esse NAZISTA abriu meus olhos.
Quando um promotor considera como um elogio ser chamado de "nazista", há algo de muito errado. Gostei muito da crítica, artigo genial.
A fala do promotor de justiça, ao jactar-se "nazista", como a dizer que é duro no cumprir e fazer cumprir a lei, merece comentário, resumido em uma só palavra:
LÁSTIMA !
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