Do presidente do Supremo Tribunal Federal, ao último dos eleitores brasileiros, não há quem tenha ficado indiferente ao julgamento da Ação Penal 470, o processo do mensalão. E tanto quanto a opinião dos juízes, os pontos de vista e as preferências da imprensa no caso, serviram para moldar a opinião pública. E de que lado ficaram os jornais, revistas e blogs do país? Uma pesquisa do Adnews, site de publicidade online, usando a ferramenta de buscas do Google, dá uma indicação sobre o que andaram dizendo oito dos mais importantes ou militantes sites brasileiros sobre escândalos recentes envolvendo os dois principais partidos da política brasileira: PT e PSDB.
A metodologia aplicada, sem maior rigor científico, oferece resultados interessantes e com suporte matemático: os pesquisadores elegeram termos significativos e fizeram buscas no Google, nesta segunda-feira (18/11), para saber sua ocorrência em cada veículo investigado. Pode-se assim, perceber que veículos alinhados com o PT preferiam tratar o julgamento da compra de apoio da base do governo Lula de Ação Penal 470, enquanto os adversários do PSDB tratavam o escândalo pelo nome com o qual ele foi denunciado: mensalão. Na pesquisa a revista Veja pronuncia “AP 470” quase 11 mil vezes e fala de “mensalão” 178 mil vezes. O mesmo acontece com o portal G1, das Organizações Globo, onde “AP 470” aparece 25 mil vezes e “mensalão" se repete em 366 mil oportunidades. Os "jornalões" Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo seguem a mesma tendência, digamos, de usar o termo mais pejorativo ao tratar o pecado petista.
Do outro lado estão o site Brasil 247 e a revista CartaCapital, que mostram sua preferência pelo termo menos ofensivo: nestes veículos o número de menções a Ação Penal 470 é mais que o dobro de “mensalão”. A revista IstoÉ é a que aparece mais equilibrada. Com uma leve preferência pelo termo mais suave aos ouvidos petistas.
| Veículo | AP 470 | Mensalão |
|---|---|---|
| Brasil 247 | 24.400 | 10.100 |
| CartaCapital | 7.330 | 3.420 |
| Época | 9 | 162 |
| Estadão | 4.680 | 254.000 |
| Folha | 495 | 321000 |
| G1 | 25.600 | 366.000 |
| Istoé | 9.260 | 7.650 |
| Veja | 10.900 | 178.000 |
Além do mensalão petista, a pesquisa analisou também termos relacionados a escândalos que envolveram os tucanos — o mensalão mineiro e o caso da formação de cartel em licitações do metrô de São Paulo. Aqui fica muito claro que alguns órgãos da imprensa tinham muita vontade de falar de um caso e de esquecer o outro. Ou pelo menos, de tratar amigos e inimigos de acordo com essa relação pessoal. Assim a revista Veja usa a expressão “quadrilha petista” 1.450 vezes enquanto o termo “quadrilha tucana" é citada apenas três vezes. Com uma dose maior de moderação, os demais órgãos seguem o mesmo caminho. A exceção fica por conta do, Brasil 247, o único que cita mais a quadrilha tucana mais do que a petista. A CartaCapital não fala de quadrilha.
| Veículo | Mensaleiro | Quadrilha petista | AP 470 | Mensalão |
|---|---|---|---|---|
| Brasil 247 | 5.480 | 83 | 24.400 | 10.100 |
| CartaCapital | 257 | 0 | 7.330 | 3.420 |
| Época | 53 | 2 | 9 | 162 |
| Estadão | 2.450 | 53 | 4.680 | 254.000 |
| Folha | 7.680 | 45 | 495 | 321000 |
| G1 | 1.300 | 29 | 25.600 | 366.000 |
| Istoé | 2.390 | 40 | 9.260 | 7.650 |
| Veja | 52.700 | 1.450 | 10.900 | 178.000 |
Com exceção da Folha de S.Paulo, que dá uma atenção relativamente elevada para o mensalão tucano, os escândalos dos governos do PSDB passam ao largo da grande imprensa. Quem fala da “privataria tucana”, ou do “propinoduto tucano” são os veículos de orientação governista como o site Brasil 247 e a revista Carta Capital
| Veículo | Privataria tucana | Mensalão mineiro | Mensalão tucano | Quadrilha tucana | Cartel+cptm | Propinoduto. tucano |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Brasil 247 | 8.820 | 522 | 1.790 | 119 | 601 | 303 |
| CartaCapital | 286 | 885 | 686 | 0 | 665 | 3.510 |
| Época | 1 | 4 | 1 | 0 | 10 | 0 |
| Estadão | 144 | 722 | 379 | 0 | 935 | 5 |
| Folha | 167 | 455 | 14.900 | 2 | 323 | 3 |
| G1 | 223 | 924 | 218 | 0 | 779 | 9 |
| Istoé | 329 | 686 | 3.060 | 5 | 1.450 | 1.330 |
| Veja | 664 | 751 | 395 | 3 | 333 | 22 |

Para entender melhor essa "construção da opinião pública" habilidosamente engendrada pela opinião publicada é preciso analisar outros atores importante nessa campanha. Primeiro seria preciso analisar a origem do termo famigerado inventado pelo delator Roberto Jeferson para vingar-se do Zé Dirceu suspeito de ser o mandante da gravação do filme da propina dos correios, reduto do PTB de Jeferson. Estava ele enganado. O filme fora patrocinado pelo Cachoeira mandante do Policarpo da Veja. Depois merecem crédito especial os procuradores Antônio Fernando e Roberto Gurgel que em manobras cirúrgicas e seletivas montaram uma peça acusatória inacreditável e absolutamente inconsistente. A seguir o time do STF, com JB a frente realizando extraordinário esforço com amplo apoio midiático batendo o recorde de 53 sessões em quatro meses, a toque de caixa, perseguindo a meta de produzir condenações em tempo de impactar as eleições de 2012. O Roberto Gurgel chegou a dar uma incrível declaração na TV admitindo que seria bom que a decisão influísse no resultado do pleito. Toda essa construção é uma reedição das mesmas táticas empregadas no ataque de adversários políticos bombardeando a opinião pública com temas moralista udenistas. Foi assim no "mar de lama" em 1954 e na alardeada desordem social e "ameaça comunista" em 1964. Seria o mesmo em 2014 se não fosse o contraponto da Internet e a atual projeção da imagem do Brasil no exterior.
não adianta espernear museusp, ninguém consegue mudar a realidade. só a companheirada acredita nessa sua estorinha. a propósito, o seu cargo aí é de confiança?
O museusp também deve acreditar em papai noel e outras fantasias. Se tem uma coisa q até acho meio exagerado neste processo foi a pena aplicada ao Roberto Jefferson, ja q ele deveria ter sido melhor beneficiado pela delação e ao Marcos Valério q pegou 40 anos. Ja os petistas alegam q sao prisioneiros políticos ahah piada, como prisioneiro político no país que é governado por petista? A afirmação nao tinha como ser mais incoerente e as provas do mensalão foram irrefutáveis ou so p citar um exemplo nao lembram q um dos dep. envolvidos chegou a afirmar q sua esposa sacou 50.000,00 em espécie p/ pagar uma conta. Não tem como tampar sol com peneira... Justiça feita!
Não adianta! Os petistas acreditam que foram injustiçados e que agora são presos políticos. Foram gravadas imagens de pagamentos da "mesada", cruzados dados bancários, a entrega quentinha do esquema pelo Roberto Jefferson, mas não importa, não haverá petista que se convença, sequer para reconhecer o erro (leia-se crime) e tentar resgatar a ética e honestidade pregada desde as eleições de 2002. Em tese, o encarceramento serviria para isto.
Publicar essa matéria é um acinte. Pior do que ela é a pesquisa "sem maior rigor científico". Comparar situações completamente distinas é erro crasso. Um evento já foi julgado e está no olho do furacão. O outro ainda está na fase instrutória. E o terceiro? O terceiro é recente e nem é assunto da Justiça ainda. Ridículo. É óbvio que terá mais termos sobre o primeiro caso, que é um escândalo divulgado pelo Dep. Roberto Jefferson (e a ele temos que agradecer por jogar luzes sobre esse evento).
O CONJUR usou o termo "AP 470" apenas 515 vezes e o termo "Mensalão" 3.590 vezes. "Privataria tucana" aparece apenas 3 vezes no site. "Mensalão mineiro" 95 e "Mensalão tucano" só 13. Seguindo a lógica do diretor de redação devo concluir que o CONJUR é tucano. Ou é isso ou a pesquisa é completamente furada. Fico com a segunda opção.
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