Notas Curtas: Alvo de protesto, professor de Direito diz que atendeu pedidos

O professor de Direito Administrativo da USP Eduardo Lobo Botelho Gualazzi, cuja aula foi interrompida por um protesto organizado pelos estudantes na última segunda-feira (31/3), afirma que sua fala sobre o golpe militar, que gerou o protesto, atendia a pedido de alunos. Antes de ser interrompido pelos estudantes, Gualazzi dizia, em sala de aula: “Em 1964, o socialismo comunista esquerdista totalitário almejava apoderar-se totalmente do Brasil mediante luta armada e subversão de todas as instituições públicas e privadas daquela época. E quase conseguiu.” — veja o vídeo abaixo. 

Veja bem
Gualazzi disse que a leitura do texto tinha um propósito pedagógico de falar sobre Direito Internacional Administrativo, tema de um livro seu. “Sintetizei minha tese e correlacionei a essa data de 31 de março, falando sobre passado, presente e futuro. Fiz isso a pedidos de alunos”, disse. 

Clima explosivo
O professor afirma ter sido “acidentalmente envolvido” por conta do clima “explosivo” instalado na Faculdade de Direito. “Acho que a melhor coisa que eu poderia ter feito era ter ficado longe do Largo São Francisco no dia de ontem [segunda-feira], mas fui lá cumprir meu dever de ofício”. Gualazzi também reclama do tratamento que é dado ao regime militar. “Lamento verificar que existem seres humanos no Brasil que tratam a revolução de 1964, que eles chamam hoje em dia de golpe, como se tivesse acontecido na semana passada ou no mês passado. Isso, além de absurdo, é ridículo”, disse.

Para não esquecer 1
O Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, promoveu nesta terça-feira (1º/4) ato de repúdio a regime militar. Com o tema “Repressão ontem e hoje: Os 50 anos do golpe e a violência de Estado”, o evento teve participação de representantes das Comissões da Verdade municipal, estadual e federal. Na segunda houve outro ato, com o tema “Ditadura nunca mais, Estado de Direito sempre!”.

Para não esquecer 2
A Direito GV promove nesta quarta-feira (2/4), a partir das 11h, um debate sobre os 50 anos do golpe militar. Participam o criminalista José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça e membro da Comissão Nacional da Verdade, e José Gregori, também ex-ministro da Justiça e ex-secretário especial de Direitos Humanos da Cidade de São Paulo. Inscrições e transmissão on-line neste link.

Peleja
O Exame de Ordem é o tema do próximo programa JC Debate, na TV Cultura, nesta quarta-feira (2/4), às 13h30. Será discutida sua constitucionalidade e projetos de lei que pretendem acabar com sua necessidade. O advogado Rubens Tilkian representará a Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo em defesa do Exame; Carlos Schneider, do Movimento Nacional de Bacharéis em Direito, falará contra.

Cracolândia de perto
Alunos da pós-graduação da USP em Direito Financeiro percorreram nesta segunda-feira (31/3) ruas da região conhecida como Cracolândia, no centro de São Paulo, para observar a realidade local e tentar encontrar soluções que saiam do orçamento público. Orientados pelo professor Régis de Oliveira, entre 15 e 20 alunos participarão do projeto. Uma equipe designada pela Secretaria da Segurança Pública de SP acompanhou os estudantes.

Amolação
O uso de mensagens de texto em celulares para a promoção pessoal de pré-candidatos é a queixa mais comum entre as 325 denúncias de propaganda antecipada que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro já recebeu este ano. A capital fluminense lidera, com 145 ocorrências. Em seguida vem São Gonçalo, com 39, Nova Iguaçu, com 24, e Duque de Caxias, com 15. Entre fevereiro e março, o número de queixas aumentou mais de 500%, segundo o TRE-RJ. A propaganda eleitoral só é permitida a partir de 6 de julho.

Leonardo Léllis

é editor da revista Consultor Jurídico.

daniel disse:
02 de abril de 2014 às 07:38

agora é a ditadura da esquerda que tenta impedir até debater outras idéias.
E o mais curioso são ALGUNS alunos da USP, elite econômica, e que apóiam o monopólio de pobre pelo PT e Defensoria posando de anjinhos. Nem mesmo função social há no curso de Direito, pois pouco fazem no Núcleo de Prática Jurídica na área social.

Diogo Duarte Valverde disse:
02 de abril de 2014 às 07:57

Esse pessoal que agrediu o professor é o mesmo que apoia ostensivamente regimes estritamente "democráticos" como o de Cuba e da Venezuela, portanto, não fizeram isso por amor à democracia.

Luiz Henrique Herrera disse:
02 de abril de 2014 às 08:27

Como compreender a atitute dos alunos da USP se a propria manifestação caracteríza movimento contrário às liberdades? A fala do professor, em sala de aula e no exercício de sua função, também não revela, simbolicamente, a prática da liberdade? Ou seja, a liberdade de pensamento do professor não é aquela, também, que os alunos tanto querem preservar? Lamentável a atitute dos alunos.

Resec disse:
02 de abril de 2014 às 10:38

Ou há democracia e liberdade de expressão ou não há !
Extremamente lamentável a atitude de alunos, independentemente da análise do "mérito".
Hoje em dia, disfarçadamente, há uma ditadura sobre a liberdade de expressão.
Lamentável !!!

João Ricardo 1 disse:
02 de abril de 2014 às 11:45

Vergonha, é o que sinto ao notar que até a São Francisco está dominada por esses imbecis.
Nenhum deles viveu na época e nem sabe o que estão fazendo, exceto papel de trouxas.
Agora, ir morar em Cuba, Venezuela ou Coréia do Norte eles não querem, né?

BCRAS disse:
02 de abril de 2014 às 12:08

É vergonhoso assistir a pretensos alunos do curso de direito - porque alunos de verdade não cometeriam esse ato - protestarem violentamente contra a opinião emitida por um professor ao mesmo tempo em que defendem um estado criminoso de esquerda.
A demagogia virou política de estado no Brasil e os alunos, meros papagaios dos discursos prontos de esquerda, dão suporte ao pior regime político que já fora visto, talvez por falta de vivência e de uma opinião formada ou, quiçá, por uma fraqueza congênita de caráter.

Eduardo. Adv. disse:
02 de abril de 2014 às 18:24

Se pagar mais eu mudo de opinião...
Quero ver depois da formatura.
Os "barbudinhos" que nasceram nos anos 80/90 vão tirar a juba inversa e vestir aquele terno para se apresentarem a uma entrevista. Aí, passarão a defender grandes símbolos do capitalismo, empresas que são responsáveis pelas mazelas do Povo (bancos, principalmente), mas que não faltam com os honorários da Sociedade de Advogados da qual eles almejarão, um dia, serem sócios.
Como juízes, certamente decidirão contrariamente aos rolezinhos das periferias; observarão o impacto de suas decisões na procura pelos JECs; considerarão que os contratos bancários são hígidos e invocarão "pacta sunct servanda", ou o famoso "estava ciente do valor das parcelas que teria de pagar mensalmente"; também não titubearão para condenar pequenos traficantes, os puxadores de carros para desmanches, pois eles fazem o preço dos seguros ir às nuvens; determinar a matrícula em creche pública interferirá na formulação das políticas públicas, de competência do Poder Executivo - cujo Chefe é o pai de algum de seus ex-colegas...
Enquanto isso, políticos ímprobos e outras figuras da "fina sociedade" continuarão a frequentar os mesmos ambientes que os idealistas de hoje frequentarão amanhã.
E se integrarem carreiras de Estado, tipo Defensoria e Ministério Público, então? Vencimentos, vantagens, teto remuneratório não compreendido por indenizações, honorários do Estado... E os culpados ainda serão os EUA e o seu capitalismo assassino de Cuba. Os culpados pelas mazelas serão os militares-capitalista de 1964.
Pode me prender, pode me bater...

Johnny LAMS disse:
03 de abril de 2014 às 07:57

Regra básica da educação: quando um fala, o outro escuta.
...
Deixa o professor falar.
Depois se pede licença para expressar opinião contrária.
Se um pessoa não entende nem isso, ela não tem maturidade o suficiente para sentar numa cadeira de uma universidade de Direito.

Jorge Luiz de Oliveira da Silva disse:
03 de abril de 2014 às 08:23

Lamentavelmente esse bando de idiotas sequer sabe o que é Democracia. O professor simplesmente lia um texto pedagógico que, por sinal, estava corretíssimo. Que tipo de Democracia esse tipo de gente defende? A Democracia unilateral...ou seja...a própria Ditadura. Sequer vivenciaram o que ocorreu no passado. Certo ou Errado, Necessário ou Desnecessário, a História simplesmente não pode ser vista sob um único prisma. Sugiro a essa gente, sem fazer qualquer tipo de apologia, que passe a morar em Cuba.....uma vez que, se assim procedem lá, já estariam presos. E pensar no que já foi a briosa Largo de São Francisco.

Jesus Pereira disse:
03 de abril de 2014 às 10:00

A liberdade de expressão só vale para quem defende a subversão. Estamos vivendo uma época em que a liberdade de expressão só existe para os que aderem às cartilhas e lenga-lengas da esquerda. Aos demais, que ousam divergir do esquerdismo militante, achincalhamento, desrespeito, aplicação de técnicas de constrangimento e uso de todos os meios para calar o verdadeiro debate para o fim de impor a "verdade" construída pela esquerda.

Luiz Antonio Rodrigues disse:
03 de abril de 2014 às 14:07

essa corja, que estuda de graça `as custas de todo um povo na maioria analfabeto, entende que democracia só existe para os que concordam com eles!
queixam-se que durante o regime militar não havia liberdade de expressão e hoje, negam aos que se lhes contestam, o direito de livre manifestação!
vivem o sonho do partido único, mas sonham em morar em Paris!

Hilton Fraboni disse:
04 de abril de 2014 às 08:06

É verdade! A ditadura nunca acabou, só mudou de mãos. Vivemos várias ditaduras: a do capital, capaz de violar os princípios da igualdade, corromper os legisladores e agentes da lei depois de elege-los; a ditadura do poder que se impõe sobre toda e quaisquer manifestações de desagravos à eles; a da unicidade de pensamentos, onde um grupo impõe sua versão sobre as demais; a ditadura política, devidamente montada para que nada mude de mãos ou de interesses e a ditadura de valores, que tem como única e suficiente função de desmantelar a cultura e derrubar os valores da sociedade em prol da minoria arbitrária.
Os alunos que choram por um golpe que morreu a 25 anos são os mesmos que dão um golpe no direito de expressão de quem pensa diferente. Viva a censura!

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