Promotor suspeito de vender absolvições nega acusações

O promotor de Defesa do Consumidor Roberto Senise Lisboa, que teve o sigilo financeiro quebrado por ter supostamente vendido acordos e arquivamentos de processos, rebateu as acusações, chamando-as de “totalmente inverídicas”. Ele é alvo de um procedimento cível e outro criminal, na Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a ex-mulher de Lisboa, a cantora gospel Priscila Senise Lisboa, teria dito que, entre 2003 e 2004, “o investigado vendeu o arquivamento de um procedimento” contra uma fundação localizada em São Paulo. Por isso, teria recebido R$ 6 mil mensalmente, além de ajuda para reformar uma casa em Alphaville. Além disso, “recebeu duas remessas de dinheiro em quantia mais elevada: uma de R$ 250 mil e a outra de R$ 300 mil ou R$ 350 mil, além de ter conseguido bolsa de estudos”.

“Fui parte em processo de divórcio litigioso e, no calor do embate havido com minha ex-exposa fui alvo de várias acusações, totalmente inverídicas, formulada em vários órgãos públicos. Quase todos os processos foram arquivados”, afirma, em nota, o promotor. Sobre os processos que tramitam na procuradoria, Lisboa diz que disponibilizou para investigação as movimentações de contas bancárias e declarações de Imposto de Renda.

Leia a nota do promotor:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Esclareço aos interessados que sou promotor de justiça há quase 24 anos e professor universitário há quase 25 anos, atualmente exercendo a docência superior em duas faculdades de direito em São Paulo. Sempre pautei a minha atividade profissional com ética e honestidade.

Fui parte em processo de divórcio litigioso e, no calor do embate havido com minha ex-esposa, fui alvo de várias acusações, totalmente inverídicas, formuladas em vários órgãos públicos. Quase todos os processos foram arquivados. Dentre as acusações, constam ainda em andamento dois procedimentos instaurados na douta Procuradoria-Geral de Justiça. Tão logo tomei conhecimento da existência desses procedimentos, imediatamente coloquei espontaneamente à disposição da investigação todas as movimentações de minhas contas bancárias, declarações de Imposto de Renda e movimentação de endividamento conforme dados coletados pela BACEN – Banco Central do Brasil.

Há, dentre as acusações que já foram retratadas, fato cuja investigação é própria do meu cargo e que deverá resultar em providência judicial, nos próximos dias: trata-se de inquérito civil em fase de conclusão.

O processo de divórcio chegou ao fim, inclusive com a partilha dos bens. Na ocasião, houve a retratação expressa e formal de todas as acusações formuladas contra mim, inclusive aquelas que ainda se acham sob a investigação da douta Procuradoria-Geral de Justiça.

Causa estranheza que um procedimento sigiloso tenha sido ilegalmente propagado, sem decisão final do Ministério Público e do Poder Judiciário, instituições para as quais eu devoto todo o respeito, colocando-me sempre à disposição para todos os esclarecimentos necessários, objetivando demonstrar a minha absoluta inocência e a improcedência de todas as acusações.

Roberto Senise Lisboa

rodolpho disse:
25 de julho de 2014 às 10:50

Nos Estados Unidos promotor de justiça não tem estabilidade, e, num caso como esse, já estaria suspenso, e provavelmente demitido, para não atrapalhar as investigações.
Aqui, só depois de transitado em julgado uma eventual sentença condenatória, após dez anos de investigações, trinta anos no Órgão Especial, cinquenta anos no STJ, cento e vinte anos no Supremo, é que esse promotor, se tiver sentença condenatória transitada em julgado, poderá ser demitido.
Existe o ditado: “onde tem fumaça, tem fogo”, e ninguém melhor para saber das coisas do que a própria esposa. Desacreditá-la, além de golpe baixo, só reforça a crença de que esse promotor Roberto Senise Lisboa é realmente um bandido.

Radar disse:
25 de julho de 2014 às 11:14

Questões envolvendo conflitos familiares, divórcios litigiosos, possíveis mágoas ou ressentimentos, são por demais delicadas para serem objeto de abordagens simplistas. O brocardo "onde há fumaça há fogo" só é lembrado no início da discussão. Quando, no final verifica-se a improcedência da ilação, ninguém mais o evoca. Cautela!

Caio Arantes - www.carantes.com.br disse:
25 de julho de 2014 às 11:16

Aprenda Promotor: A pior inimiga de um homem é sua ex-mulher.
PORÉM, caso seja realmente inocente, experimente um pouco Sr. promotor a angústia de ser acusado em vão, a indignação de se ver alvo de imputações inverídicas sustentadas por seus semelhantes (e seus pares, no caso), tomados por sentimentos mundanos, midiatísmo, egocentrismo ou, tão somente, pelo simples prazer de acusar.
REVOLTANTE NÃO?

Dapirueba disse:
25 de julho de 2014 às 13:22

Caio, Parabéns! Comentário perfeito ;)

Eududu disse:
25 de julho de 2014 às 15:46

Lembrei da ex do Celso Pita, da ex do Valdemar Costa Neto e daquela que dedurou o fiscal da prefeitura de São Paulo... Língua de ex mulher mata mais que bala de revólver.

Francisco Lobo da Costa Ruiz - advocacia criminal disse:
25 de julho de 2014 às 18:35

Vamos respeitar o princípio de presunção de inocência. Muitos aqui falaram do perigo que representa a ex mulher, o que acho não ser regra, mas o Juiz Nicolau se deu mal pela língua ferina do genro ...

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