Para 84% dos juízes brasileiros, jornada de trabalho é excessiva

O volume de trabalho diário supera a jornada para 84% dos magistrados. É o que mostra o Censo do Judiciário, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça. De acordo com o levantamento, apenas 16% dos magistrados acreditam que a jornada de trabalho regular, de 9 horas e 18 minutos conforme informaram os próprios juízes, é suficiente para dar conta do volume de trabalho que lhes é atribuído diariamente.

Na Justiça do Trabalho, o índice é ainda menor e chega a somente 12%. Segundo o juiz Alexandre Garcia Muller, titular da Vara do Trabalho de José Bonifácio, em São Paulo, é difícil mensurar a jornada diária em horas tendo em vista o volume de processos. “Seria possível dizer que o tempo gasto no desempenho de atribuições jurisdicionais e administrativas diversas, em geral, não fica abaixo do limite constitucional de 44 horas semanais, valendo ressaltar que, mesmo nos momentos de descanso, dificilmente ocorre a plena desconexão com o trabalho”, disse.

O censo foi respondido por 10.796 magistrados ou seja, 64% da categoria. A pesquisa foi feita no segundo semestre de 2013, por meio de questionário disponível no site do CNJ. Responderam juízes da Justiça Estadual, do Trabalho e Federal. Os resultados finais da pesquisa serão apresentados durante o VIII Encontro Nacional do Judiciário, que ocorrerá nos dias 10 e 11 de novembro, em Florianópolis. A ideia é que os dados contribuam para aprimorar a gestão das cortes.

Pela pesquisa, os juízes da Justiça do Trabalho são os que apresentam a maior jornada de trabalho média 9 horas e 50 minutos, segundo informaram ao censo. Os juízes substitutos têm a maior jornada de trabalho em relação aos juízes em outras fases da carreira: 9 horas e 37 minutos no total.

De acordo com o censo, 14% dos juízes que responderam ao censo também exercem atividades docentes. Para 42,5% dos magistrados, sobra tempo e disposição para se aprimorar em conhecimentos úteis ao trabalho.

O coordenador do censo, conselheiro Paulo Teixeira, explicou que a próxima etapa da pesquisa será a análise das realidades reveladas pela pesquisa. “Temos como missão analisar as respostas com o Departamento de Pesquisas Judiciárias [do CNJ] para averiguar se as situações apontadas são setorizadas ou de âmbito nacional. É importante observar quais dados mostram disparidades para evitar o excesso de trabalho. A partir dessa análise dos resultados do censo, vamos traçar políticas públicas para os magistrados”, afirmou. Com informações da Assessoria de Imprensa do CNJ.

analucia disse:
29 de outubro de 2014 às 21:34

conheço muitos que chegam às 14 hs e saem às 17 hs. Perguntar para os próprios se a jornada é excessiva é como perguntar em pesquisa se é lindo, lindo demais ou excessivamente lindo. TEm casos de juizes que prolatam apenas 05 sentenças por mês e de homologação de divórcio.

Eduardo da Silva Camargo disse:
29 de outubro de 2014 às 23:13

Conheço muitos juízes que chegam 9hs e saem 19hs. Outros que chegam 11hs e saem 20hs.

Veritas veritas disse:
30 de outubro de 2014 às 09:45

Nomes, Analucia Bacharel Família Defensoria, nomes? Tem coragem de dizer? Ou foi só mais uma de suas leviandades?

preocupante disse:
30 de outubro de 2014 às 10:08

Se os juizes têm essa carga toda de trabalho por que então grande parte deles ainda dispôem de tempo para lecionar em duas e até três faculdades? Tem alguma coisa que não está batendo nessa pesquisa.

Veritas veritas disse:
30 de outubro de 2014 às 10:49

De acordo com a própria pesquisa apenas 14% dos juízes leciona. O número de delegados professores deve estar por aí também.

Lauro Soares de Souza Neto, advogado em Marília-SP disse:
30 de outubro de 2014 às 17:14

Estou morrendo de pena dos que estão reclamando.
Mas a solução é simples: peçam exoneração.
A população agradece porque, na grande maioria das vezes, os que reclamam do excesso de trabalho são aqueles que menos trabalham - seja por falta de vontade, seja por incapacidade ! Venham para a iniciativa privada. A vida aqui, do nosso lado, é mole! Ninguém faz quase nada. Haja preguiça!

Veritas veritas disse:
30 de outubro de 2014 às 18:35

Pela lógica de Lauro Soares de Souza Neto, advogado em Marília-SP (Advogado Autônomo - Criminal) se alguém está insatisfeito com algo, deve abandoná-la.
Assim, se alguém está insatisfeito com a TV que pagou, deve jogá-la fora e não tentar consertá-la.
Se alguém está insatisfeito com o país onde vive, deve ir para o exílio e não lutar por sua melhoria.
E por aí vai.

Neli disse:
30 de outubro de 2014 às 20:00

ué Não sabiam antes?Quando prestaram concurso não sabiam que teriam de trabalhar bastante? Pois eu quando prestei concurso para a magistratura estadual (e melhor do que um ministro do STF fui para o oral), sabia que teria de trabalhar muito. O Egrégio Tribunal não me quis como magistrada. Tenho certeza de algo:jamais reclamaria de "trabalhos excessivos".

Flávio Haddad disse:
01 de novembro de 2014 às 19:39

É para rir ou para chorar essa "conclusão" !? Costumo "passear" pelos corredores do Fórum de minha cidade/Comarca nas tardes de sexta-feiras (Araraquara-SP). Na última, dos 12 (doze) titulares, apenas um estava em seu gabinete. Perdão, talvez os demais estivessem trabalhando em casa... ! Grande parte deles, lecionam pela manhã.

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