OAB defende que Petrobras volte a adotar regime licitatório

A direção do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil defende que a Petrobras volte a adotar o regime de licitação para comprar produtos e contratar serviços. Na terça, a OAB distribuiu a todos os ministros do Supremo Tribunal Federal memorial apresentando a posição da entidade. O julgamento da matéria no STF está pautado para a sessão plenária desta quarta (8/4), no âmbito do Recurso Extraordinário 441.280.

O documento explica posição da entidade em favor da aplicação do regime de licitações às empresas estatais que exploram atividade de livre concorrência. Para a Ordem, “é flagrante a inconstitucionalidade da Lei 9.478/1997 e respectivo Decreto regulamentar 2.745/1998, este último que disciplina o Procedimento Licitatório Simplificado aplicável à Petrobras”.

A OAB argumenta que as diversas decisões monocráticas do STF quanto à adoção de procedimento simplificado de contratação pela Petrobras baseiam-se, fundamentalmente, na possível incompetência do Tribunal de Contas da União para declarar a inconstitucionalidade do uso desses procedimentos e a necessidade de conferir procedimento simplificado à Petrobras para permitir sua atuação em regime de livre concorrência, instituído após a Emenda Constitucional 9/95.

Para a Ordem, no entanto, não há incompatibilidade do regime de livre concorrência com a exigência de submissão aos limites da Lei de Licitações, pois a eficácia do ordenamento jurídico constitucional e o cuidado quanto à coisa pública impõem a contratação mediante licitação.

A entidade também afirma no memorial que não há obstáculos para que todos os entes da administração pública adotem processo licitatório. Não haveria violação à Constituição Federal, mesmo com o advento da EC 19/98 e a alteração no artigo 173 da CF. Para a OAB, o constituinte pretendeu proteger a atividade das empresas, para garantir desempenho semelhante às de mercado, mas não as eximiu dos deveres de legalidade, transparência, publicidade, impessoalidade.

“O Estado moderno deve se adequar às exigências competitivas sem, no entanto, se afastar da principiologia que rege a proteção da coisa pública, e não há, na matéria, comprovação objetiva dos supostos entraves que inviabilizam a aplicação da Lei de Licitações. É possível conciliar o regime previsto nela com a agilidade própria do mercado de afretamento”, diz o documento. 

Exceção virou regra
"A crise ética deve ser uma oportunidade para mudanças estruturantes que apontem para a prevenção e o combate à corrupção. A submissão da Petrobras ao regime de licitação é uma reforma importante nesse sentido", afirmou Marcus Vinícius Furtado Coêlho, presidente do Conselho Federal da Ordem.

Segundo Coêlho, o que era para ser exceção virou regra na Petrobras. “A anunciada formação do ‘clube das empreiteiras’ no âmbito da Petrobras foi viabilizado pela possibilidade de contratação por dispensa de licitação, por inexigibilidade e por convite. O que era para ser exceção virou regra na Petrobras, pois 99% das contratações foram feitas por este modelo de seleção das empresas”.

Para os dirigentes, a contratação por dispensa ou inexigibilidade de licitação deve ser uma exceção, nos termos da lei, quando a novidade tecnológica ou o conhecimento estratégico justificar a não divulgação prévia da matéria.

A entidade também apoia a proposta de Decreto Legislativo 197/2014, de autoria do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que visa tornar sem efeito o Decreto 2.745/1998, que permite a flexibilização da Lei de Licitações (Lei 8.666/1993) na Petrobras. A direção da OAB submeterá a sua decisão à homologação do plenário do Conselho Federal em sua próxima sessão. Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB.

Winston Alberto de Castro Muniz disse:
08 de abril de 2015 às 16:46

Se a Petrobras, diferente de órgãos públicos que não visam (e nem necessitam) de lucro, for obrigada a adotar a jurássica 8.666, ela está fadada à falência. A coisa pública, ao invés de estar sendo defendida, estará sendo vulnerabilizada. Produzir (desde a pesquisa até o refinamento e distribuição, passando por aspectos ambientais e de alta tecnologia envolvida) não é viável com a 8.666. Se ater as terminologias jurídicas e ignorar a realidade fora delas, ou à que as mesmas permitem, é ser conveniente a determinados interesses. Impossível uma INDÚSTRIA sobreviver com licitações à la 8.666. Indústria não é um "órgão público burocrático", ainda mais nesta dimensão, neste mercado internacional e capital. Punir e aplicar o que é permitido é muito mais sábio e simples do que "fugir" obrigando a empresa a se tornar um "órgão parasita"...fadado à quebrar.

João B. disse:
09 de abril de 2015 às 10:02

O procedimento da 8666 é inviável para uma empresa de mercado como a Petrobrás. Por outro lado, o regime diferenciado causou o que estamos vendo. A solução é distribuir as ações da Petro entre os brasileiros, ou seja, torná-la uma empresa privada. Aí acaba-se a corrupção, ou, ao menos, não nos dirá respeito, e se for à bancarrota, não seremos nós obrigados a pagar pelos desvios.

frank_rj disse:
09 de abril de 2015 às 10:16

a oab não precisa se manifestar sobre tudo. menos confundir falta de licitação com corrupção.
um processo de licitação pode correr tudo de acordo com a lei e mesmo assim comprar por preços maiores. em se comprando pela melhor qualidade e preço, ainda poderá haver corrupção.
honestidade tem a ver com pessoas e não com processos.

AC-RJ disse:
09 de abril de 2015 às 13:15

A aplicação da Lei 8.666/1993 ou de outra lei qualquer é irrelevante. A verdadeira solução para a Petrobrás é privatizá-la. O problema é que sendo estatal não está livre de interferências políticas porque os ocupantes dos cargos mais importantes da empresa são indicados pelo Executivo e pelo Legislativo, independente de suas qualificações profissionais. Outra característica é a dificuldade de descoberta e apuração dos problemas notoriamente recorrentes, tais como desvios, corrupção e má gestão, dada a fragilidade dos órgãos fiscalizadores. Daí, como se constata claramente, as investigações possuem uma enorme dependência da delação premiada para a apuração dos delitos.
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Assim, a privatização é a única saída para tirá-la das mãos dos políticos e fazer com que tenha um desempenho estritamente profissional. Do jeito que está, daqui a algum tempo aparecerão outros escândalos, só mudando os autores.

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