Mesmo após acordo, Youssef tentará receber perdão judicial

A defesa do doleiro Alberto Youssef já comemora a homologação do acordo que limitou em até cinco anos a prisão em regime fechado dele — somadas, as penas pelos crimes que ele é acusado poderiam chegar a 240 anos de prisão, segundo o advogado Antonio Figueiredo Basto. Mesmo assim, o doleiro vai solicitar perdão judicial, com o argumento de que a colaboração dele “foi muito eficaz” e “extremamente importante para o país e para as investigações da operação ‘lava jato’".

Para chegar à estimativa do tempo atrás das grades, Figueiredo Basto calculou a pena média que Youssef teria se condenado nas 10 Ações Penais em andamento na “lava jato”, mais 12 relacionadas ao famoso caso Banestado (sobre evasão milionária de divisas nos anos 1990) e outros inquéritos que podem gerar novas denúncias.

Reprodução

Como o pedido de perdão só deve ser encaminhado ao final dos processos em andamento, quando as sentenças saírem, a estratégia em curto prazo é pedir que Youssef (foto) deixe a prisão preventiva na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

O advogado espera que o cliente possa cumprir medida cautelar em regime domiciliar, tanto pela colaboração quanto pela condição de saúde “bastante precária”. Youssef tem problemas cardíacos e chegou a passar dias internado num hospital da capital paranaense.

Benefícios
Os termos do acordo de delação ficaram conhecidos na última quarta-feira (21/1), quando o juiz federal Sergio Moro liberou o conteúdo. O doleiro comprometeu-se a desistir de todos os Habeas Corpus e recursos e não impugnar nenhuma sentença. Também abriu mão de seu sigilo bancário e concordou em transferir parte de seu patrimônio para a União, incluindo imóveis, veículos e participações em empresas.

Em troca, o acordo fixa pena entre três e cinco anos em regime fechado. E, caso condenações ultrapassem 30 anos, todos os processos e inquéritos policiais contra ele serão suspensos por um período de dez anos.

Apesar de satisfeito com o resultado, Figueiredo Basto reitera que não concorda com todas as acusações. “Nós vamos impugnar vários pontos, como a retroatividade da organização criminosa [o delito só foi tipificado em 2012 e 2013, enquanto o MPF aponta atividades desde 2004], a impossibilidade da corrupção passiva para ele e as descrições comportamentais nas denúncias”, afirma. Ele já havia feito críticas à acusação em entrevista à revista Consultor Jurídico.

Outro delator na “lava jato” também tenta receber o perdão judicial. O empresário Julio Gerin de Camargo, que admitiu ter pagado propina de US$ 30 milhões em contratos com a Petrobras, disse que se encaixa nos critérios para ser perdoado, conforme petição apresentada no dia 10.

Alvo número 1
Alberto Youssef é o personagem central de toda a história. Quando a investigação teve início, o foco estava num suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas com empresas de fachada que seria comandado por ele. Quando a Polícia Federal apontou relação entre o doleiro e Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, a atenção voltou-se à estatal.

Costa afirmou que partidos dividiam propina em contratos da Petrobras pagas por construtoras, o que levou a um novo capítulo da operação, rendendo até a prisão de dirigentes de empreiteiras. Para o MPF, Youssef é um dos principais comandantes de todo o esquema, enquanto ele se classifica apenas como operador financeiro.

Clique aqui para ler o acordo de delação premiada de Youssef.

Felipe Luchete

é editor da revista Consultor Jurídico.

WLStorer disse:
22 de janeiro de 2015 às 18:55

Se o acordo de delação resultar na extinção da pública e notória organização criminosa que dominou o país, em especial, resultar na punição exemplar de seus líderes, Youssef deve não só receber o perdão judicial como também ser reconhecido como herói nacional.

Zé Machado disse:
23 de janeiro de 2015 às 08:06

Já saíram publicações falando em 30 bi de evasão, no caso do Banestado em 1990. A quadrilha ficou bem escolada na corrupção. Pode se imaginar o quanto de dinheiro ilícito se encontra em paraísos fiscais e o tamanho dos figurões envolvidos. O fedor é tamanho que nem mesmo as águas estão querendo dar as caras nesse mundo da corrupção e outros males mais. Certamente que os 1% mais ricos do planeta que detêm quase 50% das riquezas produzidas não ficaram ricos de forma licita. Devem mais ao meio ambiente e às deficiências sociais.

Zé Machado disse:
23 de janeiro de 2015 às 08:06

Já saíram publicações falando em 30 bi de evasão, no caso do Banestado em 1990. A quadrilha ficou bem escolada na corrupção. Pode se imaginar o quanto de dinheiro ilícito se encontra em paraísos fiscais e o tamanho dos figurões envolvidos. O fedor é tamanho que nem mesmo as águas estão querendo dar as caras nesse mundo da corrupção e outros males mais. Certamente que os 1% mais ricos do planeta que detêm quase 50% das riquezas produzidas não ficaram ricos de forma licita. Devem mais ao meio ambiente e às deficiências sociais.

San Juan disse:
23 de janeiro de 2015 às 09:05

Depois de muitos anos de dedicação à atividade de lavagem de dinheiro, e tendo consolidado um pé de meia de fazer inveja a muitos importantes empresários, Alberto Youssef (49) encontrou agora a forma de ficar quite com a Receita Federal e a Justiça bancando o maior dedo-duro e pagando um módico preço de 5 anos afastado, com moradia, pensão completa e atendimento médico, tudo de graça... (só falta o seguro de vida). Eis aí um indivíduo que utiliza a sua inteligência com sagacidade em benefício próprio. Em Londrina-PR fala-se que na época de FHC (presidente), Jaime Lerner (governador do Paraná) e Antônio Belinatti (prefeito de Londrina, depois cassado), ele também andou fazendo várias tretas milionárias junto ao deputado José Janene q.e.p.d (de quem nesses tempos se falavam coisas "muito feias" e mais tarde foi uns dos pivôs do "mensalão"). As más línguas dizem que um belíssimo prédio novo na Av. JK com cerca de 20 andares, em pleno centro, cuja construção ficou paralisada em plena fase de acabamento por problemas "federais" do proprietário, seria de propriedade do doleiro e era destinado ao futuro Hotel Blue Tree. Obviamente, ninguém pode afirmar que isso seja verdade...rs
Também sabe-se que o homem andou enrolado com irregularidades na venda do Banestado – Banco do Estado do Paraná - ao Itaú e foi o operador de um lance de pagamentos milionários da COPEL (Cia de emergia elétrica do estado do Paraná) para a compra de créditos de ICMS de uma empresa falida autorizada pela Secretaria da Fazenda do Paraná (Henrique Hubert), operação esta denunciada pelo Ministério Público por "formação de quadrilha".
Aprontando um pouco antes, um pouco depois e mais um pouco agora, o certo é que o homem pagou barato pelas suas andanças fora da lei e tornou-se exemplo.

Pek Cop disse:
23 de janeiro de 2015 às 09:34

Até agora os mentores anônimos estão camuflados e gozando no poder, os envolvidos que foram citados pelo doleiro sabem que guardar o nome do lula e da dilma é a chave para o afrouxamento de suas prisões....

Fernando José Gonçalves disse:
23 de janeiro de 2015 às 10:39

Quando se fala em crimes do colarinho branco, envolvendo, via de regra, políticos e figuras exponenciais do empresariado dominante brasileiro, a única coisa que esses criminosos temem é ter que devolver o dinheiro surrupiado. Sabem perfeitamente que não irão para a cadeia e, na improvável hipótese contrária, as chances de estarem fora dela em muito pouco tempo são indiscutíveis. Portanto o que conta é manter-se com o produto do ilícito, mesmo que em troca de alguns meses na prisão. Saem de lá praticamente tão ricos quanto antes. Adquirem novamente a plenitude do "status quo" que só o dinheiro pode proporcionar. Continuam vivendo por aqui (já que o povo tem a memória curta) e entabulando novos delitos, pois dominam a "estratégia" a ser seguida caso venham a ser flagrados de novo. Youssef é um exemplo vivo disso. Sua vida, de décadas a esta parte, foi toda voltada a criminalidade, envolvido que já esteve em diversos episódios de lavagem de dinheiro, corrupção ativa, etc. Continua na ativa, já aprendeu a fazer a "lição de casa". Como fator adicional à defesa de tais "carimbados",quando pilhados, valem-se de males físicos (doenças) comuns á qualquer pessoa, coisas que nos simples mortais não seriam levadas em consideração e que abundam nos presídios onde "os menos iguais" habitam, mas que tomam extrema conotação quando acometem os "figurões" e são é capazes de propiciar-lhes benesses, sempre em nome da "dignidade humana". É, no Brasil o crime não só compensa, como o seu resultado ainda o incentiva.

Fernando José Gonçalves disse:
23 de janeiro de 2015 às 10:39

Quando se fala em crimes do colarinho branco, envolvendo, via de regra, políticos e figuras exponenciais do empresariado dominante brasileiro, a única coisa que esses criminosos temem é ter que devolver o dinheiro surrupiado. Sabem perfeitamente que não irão para a cadeia e, na improvável hipótese contrária, as chances de estarem fora dela em muito pouco tempo são indiscutíveis. Portanto o que conta é manter-se com o produto do ilícito, mesmo que em troca de alguns meses na prisão. Saem de lá praticamente tão ricos quanto antes. Adquirem novamente a plenitude do "status quo" que só o dinheiro pode proporcionar. Continuam vivendo por aqui (já que o povo tem a memória curta) e entabulando novos delitos, pois dominam a "estratégia" a ser seguida caso venham a ser flagrados de novo. Youssef é um exemplo vivo disso. Sua vida, de décadas a esta parte, foi toda voltada a criminalidade, envolvido que já esteve em diversos episódios de lavagem de dinheiro, corrupção ativa, etc. Continua na ativa, já aprendeu a fazer a "lição de casa". Como fator adicional à defesa de tais "carimbados",quando pilhados, valem-se de males físicos (doenças) comuns á qualquer pessoa, coisas que nos simples mortais não seriam levadas em consideração e que abundam nos presídios onde "os menos iguais" habitam, mas que tomam extrema conotação quando acometem os "figurões" e são é capazes de propiciar-lhes benesses, sempre em nome da "dignidade humana". É, no Brasil o crime não só compensa, como o seu resultado ainda o incentiva.

Samuel Cassemiro disse:
23 de janeiro de 2015 às 11:25

No Brasil, as leis são funcionam para os pobres. Rico e Politico, não vão preso.

Caio Arantes - www.carantes.com.br disse:
23 de janeiro de 2015 às 11:35

Youssef é daquele tipo de pessoa em quem não se pode confiar. Envolvido até o pescoço no caso Janene delatou os comparsas e agora novamente o faz no caso Petrobras. Desculpem-me os colegas que o patrocinam, mas em diminuição de pena por delação premiada NUNCA há o que comemorar. Sabe-se que o troco vem à cavalo.

Sargento Brasil disse:
23 de janeiro de 2015 às 12:28

O cara-dura, agora quer uma medalha por ato de bravura! Sua eficácia foi na prática do crime, a delação foi para mostrar a qualidade do seu caráter. No meu entender, crime de lesa-pátria, traindo 200 milhões de brasileiros, usando de abuso de confiança, deve ser penalizado no mínimo com prisão perpétua. Se estivesse num país linha-dura, já seria um cadáver a mais por condenação.

Sargento Brasil disse:
23 de janeiro de 2015 às 12:41

Pela mentalidade desses ladrões contumazes é que o país está estagnado num processo de cultura que o crime compensa. Usam o dinheiro surrupiado (que nunca é devolvido) para constituir boas defesas e chegam até escarnecer do poder de discernimento da sociedade da qual é um ''produto'' nocivo.

Pek Cop disse:
23 de janeiro de 2015 às 16:06

Entendo a revolta de todos, mas para nós que amamos o Brasil e odiamos quem nos representa, se pensarmos bem todo esse esquema só foi descoberto pela delação premiada, então sei que como herói o Youssef passa longe, mas como delator acho que se omitiu em relação ao lula e a dilma, o que acham?

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