Nem tudo o que o povo quer é o mais correto, diz Nalini

Reportagem da Folha de S.Paulo deste domingo (12/7) publica a opinião de dois desembargadores sobre a tão falada proposta de reduzir a maioridade penal, de 18 para 16 anos. O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Renato Nalini, entende que seria melhor investir em outras medidas, como aumentar a presença da polícia nas ruas.

Ele avalia que “a juventude sem freios inibitórios” não se preocupa com ameaças legais. Nalini admite, entretanto, que adolescentes que cometem crimes bárbaros possam ser colocados numa unidade distinta da Fundação Casa, longe de outros menores.

Já o desembargador José Muiños Piñeiro Filho, do Tribunal de Justiça do Rio, avalia que é preciso uma resposta à impunidade no país.

Leia trecho da entrevista com Nalini:

Folha – A maioria da população apoia a redução da maioridade. É preciso responder a essa vontade popular?
José Renato Nalini –
A vontade popular tende a reclamar a redução da maioridade penal, assim como aceitaria a pena de morte e outros agravamentos de pena, tudo como forma de responder à sensação de impunidade.
Ao atender à vontade da maioria, o Parlamento teria observado uma regra democrática. Democracia é o governo da maioria, no qual a minoria tem condição de se manifestar. Nada obstante, nem tudo o que o povo quer é o mais adequado, correto e ético. Seguramente, a discussão chegará ao Judiciário.

Que outras medidas, que não a redução da maioridade, poderiam ser adotadas?
Aumento dos efetivos policiais, intensificação da vigilância, criação de novos tipos penais (novos crimes), agravamento das penas para os crimes já existentes. Redução dos benefícios hoje assegurados ao encarcerado, como regime aberto ou semiaberto, progressão de regime, perdão judicial.

O que fazer com o adolescente que comete crimes bárbaros?
Esse adolescente justificaria a extensão do período de internação num estabelecimento correcional como a Fundação Casa. Não se pode ignorar que há perfis psicopatas ou sociopatas, que não merecem o tratamento dispensado a outros jovens que não representem a mesma periculosidade.

Pode haver reflexo imediato com punição aos jovens?
Não se espere que os jovens recuem, se estiverem dispostos a perseverar na senda da delinquência. A juventude sem freios inibitórios, totalmente entregue ao seu próprio descontrole, não se atemoriza com ameaças legais. Sabe que sua vida está a prêmio, que seu futuro não é róseo, não elimina a hipótese de consentimento ao homicídio perpetrado pela polícia, uma espécie de opção pelo suicídio.

Flávio Marques disse:
12 de julho de 2015 às 12:12

O que é correto então? Empurrar "goela" abaixo a pífia ideologia de uma minoria da minoria?

Servidor estadual disse:
12 de julho de 2015 às 15:11

Nem tudo o que o povo quer é correto? Então de que vale o voto e a vontade popular? Temos que ter um Estado que materialize nossas tradições e pensamentos. Difícil defender pensamento alienígena. Sou contra pena de morte, minoridade penal, mas se o povo é a favor devíamos implantar. A equação de erros e acertos nos faz evoluir e não a cópia de outras civilizações que passaram pelo estágio que estamos tentando pular.

Marcos Alves Pintar disse:
12 de julho de 2015 às 16:04

Em democracias o povo está sempre correto e o que o povo quer é o que deve ser implementado. O problema, no entanto, é aferir como o povo pensa. O brasileiro de uma forma geral é alienado em relação ao funcionamento de tudo o que é público ou de interesse geral. Já os que possuem uma ideia formada de forma consciente sobre dada matéria por vezes não se manifestam publicamente, ou não são ouvidos. Também, através de marqueteiros, alguns que são esmagadora minoria querem dar uma amplitude maior a sua ideias, por vezes querendo parecer que parecem ser maioria quando não o são. Enfim, aferir a vontade do povo é algo difícil, ainda um desafio para todos os países democráticos.

Professor Edson disse:
12 de julho de 2015 às 16:14

O judiciário é a instituição que mais fomenta nossa impunidade, banalizaram o beneficio do HC, banalizaram o ECA, banalizaram os beneficios dos presos, a policia prende o judiciário solta, é claro que temos uma lei branda, mas daria pra fazer mais.

Tadeu coelho ribeiro maia disse:
12 de julho de 2015 às 20:39

O Regime Democrático é muitas das vezes criticado por grandes Constitucionalistas em virtude disso: A falta de tempo e de técnica do povo fez com que a democracia se desse só pela via indireta. Isso tem elitizado o exercício da política. Mas não poderia deixar de ser assim! Caso contrário o povo (senso comum ) cometeria todo tipo de ingerência/arbitrariedade. A Democracia Participativa deve ser melhorada, mas, não no sentido de fazer das vontades populares (volúveis que são) a solução para os casos complexos. Importante frisar que "a voz do povo não é a voz de Deus "!

amigo de Voltaire disse:
13 de julho de 2015 às 14:04

A voz do povo é a voz da massa. Massa significa coisa manipulável, ''lumpem''para os marxistas . A coisa é ainda mais complexa quando verificamos o que ocorreu com o povo alemao sob o nazismo, ou seja, nao é só a massa amorfa , proletariada que pode ser manipulada, a Alemanha nazista apostava tudo na propaganda. Viva as minorias!

Observador.. disse:
13 de julho de 2015 às 15:57

E quem irá aferir a correção dos corretos?

Tadeu Campelo disse:
14 de julho de 2015 às 12:33

Nem tudo o que o povo quer é o mais correto, mas, hoje em dia, nós somos governados pelas minorias barulhentas que tudo conseguem. Os nossos grandes juristas são defensores de bandidos "menores de idade", mas com força suficiente para comenter grandes barbaridades. O melhoramento do ensino não exclue a maioridade penal para esses marginais.

wgealh disse:
14 de julho de 2015 às 17:59

CONSTRUAM UMA ESCOLA E FECHEM UMA CADEIA.

Com os respeitos aos entrevistados, mas COLOCAR POLICIA NA RUA NÃO RESOLVE, ATÉ O EXÉRCITO FOI PARA OS MORROS DO RIO E NÃO ADIANTOU , NADA, SÓ MAIS MORTES.
Quando os dirigentes vão acordar para oferecer às crianças e jovens uma Escola com E maiusculo, de qualidade, que verdadeiramente formem cidadãos.
O principal da nojenta fábrica de delinquentes, ninguem "bota o dedo", para reduzir em numeros altamente significativos a violência infanto-juvenil, é SÓ FECHAR A GLOBO E MAIS MEIA DUZIA DE TVS CUJO UNICO OBJETIVO É DESTRUIR A FAMILIA E COLOCAR A NAÇÃO DE JOELHOS AO CAPITAL CONSUMERISTA DO IMPERIO DO NORTE.
MAIS ESCOLAS, MENOS VIOLENCIA.

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