Estado deve adotar postura ativa contra preconceito, diz Barroso

“Em todos os casos em que não haja restrição significativa a direitos de terceiros ou a qualquer valor coletivo merecedor de tutela jurídica, o Estado deve adotar uma postura ativa contra o preconceito e a intolerância, protegendo as escolhas existenciais das pessoas, inclusive, no presente caso, por meio da afirmação do direito de serem tratadas socialmente em consonância à sua identidade de gênero.”

Fellipe Sampaio/SCO/STF

Democracia envolve a proteção dos direitos fundamentais de todos, inclusive e sobretudo das minorias, diz ministro.

A conclusão é do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. Ele é relator do recurso extraordinário que discute se uma transexual que foi expulsa do banheiro feminino de um shopping tem direito a ser indenizada ou não.

Barroso votou a favor da indenização, entendendo que o Supremo deve sempre zelar pelo respeito aos direitos fundamentais. Neste caso, pelo princípio da dignidade da pessoa humana. “A democracia não é apenas a circunstância formal do governo da maioria. Ela tem também uma dimensão substantiva que envolve a proteção dos direitos fundamentais de todos, inclusive e sobretudo das minorias”, escreveu em seu voto.

A discussão chegou ao Supremo por meio de recurso contra acórdão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina que negou o direito à indenização. Em primeiro grau, foi reconhecido que a transexual sofrera dano moral e tinha direito a R$ 15 mil. No TJ, o entendimento foi de que o episódio causou “mero dissabor” e não justificaria uma indenização.

Como o caso tem repercussão geral reconhecida, Barroso sugeriu uma tese: “Os transexuais têm direito a ser tratados socialmente de acordo com sua identidade de gênero, inclusive na utilização de banheiros de acesso público”.

O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Luiz Fux. Ele disse que gostaria de “ouvir a sociedade” a respeito do tema, porque detectou “um desacordo moral” entre a tese defendida por Barroso e a sociedade. “Nos processos objetivos é preciso que nós fiquemos atentos ao que sociedade pensa”, disse o ministro.

Depois de Barroso, o ministro Luiz Edson Fachin votou para acompanhá-lo. Apenas acrescentou que gostaria de aumentar o valor da indenização de R$ 15 mil para R$ 50 mil, com correção monetária e juros de 1% ao mês desde a data do fato, em 2008.

Clique aqui para ler o voto do ministro Luís Roberto Barroso.

RE 845.779

J. Ribeiro disse:
20 de novembro de 2015 às 09:58

É um assunto que deve ser tratado/regulado pela sociedade e não pelo STF. É a sociedade, em regime democrático e de direito, que dita as regras e não um grupo de pessoas que entraram no poder pela porta dos fundos.
Esperamos que o Min. Fux, mais técnico e sensato, apresente opção própria e adequada para o tribunal; afinal é a suprema corte do país.

Diogo Duarte Valverde disse:
20 de novembro de 2015 às 11:42

Em lugares onde isso foi adotado, os problemas de segurança causados foram maiores que os benefícios. Uma vez que a identidade de gênero passa a permitir a livre escolha de banheiro sem qualquer critério, valendo até mesmo o aspecto psicológico, o banheiro se abre a qualquer um, pois não existem fiscais de gênero. Assim sendo, como garantir a segurança de mulheres e crianças? Entretanto, o STF está mais preocupado em praticar ativismo cute-cute para ser "progressista". É a Corte que se gaba por não se render ao "clamor popular" mas está sempre disposta a se render a qualquer tese descolada e prafrentex que apareça. Que os outros ministros tenham o bom senso de rejeitar isso. Esta discussão deve ser realizada somente no âmbito da sociedade, jamais em um Tribunal.

Antonio Carlos Kersting Roque disse:
20 de novembro de 2015 às 11:43

Queria ver as esposas e fihas dos ministros petistas Fachin e Barroso entrando no banheiro feminino e encontrando o transexual à vontade, com seus genitais expostos.
Eu iria achar ótimo.

Marcela ML disse:
20 de novembro de 2015 às 13:58

A maioria das opiniões contrárias aos direitos da pessoa trans é pautada em preconceito e pura ignorância. É preciso entender o conceito de transexualidade antes de fazer afirmações esdrúxulas: não se trata de "homem fantasiado de mulher" para molestar a nós, mulheres, em banheiros públicos, mas de pessoas que possuem identidade de gênero diversa daquela que lhes foi atribuída por ocasião do nascimento. Como afirmou o brilhante advogado Paulo Iotti em sua sustentação, é preciso combater a "genitalização da pessoa humana". O ser humano é muito mais do que sua genitália e a discussão não pode ser pautada no senso comum e no achismo. É preciso aceitar as diferenças, minimizar a segregação da pessoa transexual, reconhecer sua existência enquanto sujeit@ de direitos. Acertada a decisão do nobre Ministro, que valoriza os direitos fundamentais, notadamente a dignidade da pessoa humana.

Gabriel da Silva Merlin disse:
20 de novembro de 2015 às 16:35

É incrível como o Ministro Barroso quer decidir sobre qualquer coisa da vida de todo mundo, ele acha que é um super poder moderador que pode tudo.

Alguém precisa avisa-lo que ele não está no Congresso Nacional, mas sim no Poder Judiciário que possui uma área de atuação muito mais restrita.

Se ele quiser defender essas teses ativistas que ele se candidate a um cargo parlamentar...

Você precisa estar logado para enviar um comentário.

Leia também