Magistrado não deve ser justiceiro, afirma ministro Nefi Cordeiro

O ministro Nefi Cordeiro, do Superior Tribunal de Justiça, disse nesta quarta-feira (21/10) que o juiz que faz papel de justiceiro, como resposta para a sociedade ao combate da criminalidade e corrupção, exerce a sua função de forma errada. “O juiz não é justiceiro. Todo ativismo é preocupante”, disse, durante seminário promovido pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil que debateu a garantia do direito de defesa.

Ele afirmou que o juiz não combate o crime nem deve ser “estrela” midiática. O ministro disse ainda que não se pode fazer Justiça a qualquer custo. “As garantias não podem ser diminuídas.”

Na opinião de Cláudio Pereira de Souza Neto, secretário-geral da OAB, o magistrado deve materializar em seu comportamento a ideia de imparcialidade e moderação. “É vício para o magistrado se deixar levar pela vaidade e procurar se converter em protagonista do debate público”, disse.

Segundo ele, o juiz exemplar é aquele que toma decisões seguras e equilibradas que “exalam” autoridade “não só em decorrência daquele que a profere, mas também por causa dos argumentos usados para fundamentá-la”.

Marcelo Galli

é repórter da revista Consultor Jurídico.

Lucas Paim disse:
21 de outubro de 2015 às 16:57

Óh céus! Que bela fala do Ministro. Que sirva de exemplo para os demais, não? Embora, tardio, mas nunca é tarde demais para saber que já ocorreu a virada linguística-ontológica e que não há mais um sujeito solipsita como diria STRECK.

Neves Barbosa disse:
21 de outubro de 2015 às 18:48

Bonita a fala, contudo, o que vemos, hoje, inclusive na turma composta pelo ministro em destaque, é, justamente, o contrário. Em algumas decisões, a d. sexta Turma "criou" fundamentos jurídicos para manter condenções incabíveis, a despeito de ausência de suporte normativo, realizando um indevido ativismo judicial que nada contribui para a evolução da ciência jurídica. Contraditória, me parece, a fala do magistrado.

Zé Machado disse:
22 de outubro de 2015 às 08:10

Não é fácil resistir aos holofotes da mídia parcial. Em terras tupiniquins ainda não se aprendeu a ser juiz de verdade, com raríssimas exceções.

Neves Barbosa disse:
22 de outubro de 2015 às 10:44

Com o respeito devido ao em. Ministro do STJ, o que se tem visto no âmbito da d. Sexta Turma é, justamente, o contrário do que se disse na reportagem.
Em inúmeros julgados aquela Turma Julgadora aplica interpretação extensiva, claramente vedada em direito penal, a impor prejuízos aos réus e ao ordenamento jurídico, com direta agressão ao princípio da legalidade estrita (nesse sentido: RESP n. 1.519.662/DF; RESP N. 1.459.394/DF; ARESP n. 393338/DF; ARESP n. 455.203/DF).

Por isso afirmar contraditórias as afirmativas lançadas na reportagem da CONJUR, atribuídas ao em. Ministro Nefi Cordeiro, membro da d. Sexta Turma do eg. STJ.

Katia Arjona Ramacioti disse:
22 de outubro de 2015 às 12:15

É lamentável vermos as instâncias Superiores da Justiça com esse discurso.

Katia Arjona Ramacioti disse:
22 de outubro de 2015 às 12:15

É lamentável vermos as instâncias Superiores da Justiça com esse discurso.

Katia Arjona Ramacioti disse:
22 de outubro de 2015 às 12:16

É lamentável vermos as instâncias Superiores da Justiça com esse discurso.

Katia Arjona Ramacioti disse:
22 de outubro de 2015 às 12:16

É lamentável vermos as instâncias Superiores da Justiça com esse discurso.

João B. G. dos Santos disse:
22 de outubro de 2015 às 21:47

As palavras do senhor Ministro calam fundo na consciência jurídica dos advogados penalistas que se ocupam do cotidiano forense. Juízes justiceiros e seus jogos de autoridade são a face ostensiva da negação do Direito. Não compreendem que a finalidade do processo penal é a de verificar o fundamento da pretensão punitiva e não a de forçar a sua realização a todo custo. São daquelas pessoas que passam pelo bosque e apenas veem lenha para a fogueira.

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